randomized controlled trials
N- methyl-D-aspartate receptor modulators
Guerra (2006) propõe, para o tratamento da informação recolhida no âmbito de uma entrevista, o processo de análise de conteúdo. Esta, segundo a mesma autora, pretende descrever as situações, mas também decifrar e interpretar o sentido daquilo que foi dito. Mais do que a análise dos aspetos formais do discurso, o que aqui se pretende é obter um conhecimento relativo a um objeto exterior a eles mesmos. As entrevistas semiestruturadas e a análise de conteúdo são, portanto, métodos complementares pois permitem analisar o conteúdo implícito: as dinâmicas da comunicação (Quivy & Campenhoudt, 1998).
Como se procede a análise de conteúdo?
Uma vez efetuadas as entrevistas, torna-se necessário transcrevê-las. Para tornar mais célere este processo, a transcrição deve ser imediatamente feita no computador, transcrevendo tudo o que é entendido na audição. Posteriormente, devemos rever a gravação e preencher as possíveis lacunas deixadas. Por fim, passamos a redigir um discurso capaz de ser percetível, com pontuação e eliminação de elementos inúteis (Guerra, 2006).
Após a transcrição das entrevistas, deve ser feita uma leitura das mesmas. Para tal, é aconselhável imprimi-las, de modo a que se torne mais simplificado o processo de sublinhar algumas das frases do texto. Simultaneamente, devem ser feitas anotações de
temáticas e problemáticas abordadas. De destacar que, no decorrer desta fase, podem ser identificados novos temas que emergiram no discurso e que não estavam contemplados no guião da entrevista (Guerra, 2006).
Com base na leitura efetuada, a etapa seguinte diz respeito à construção de sinopses das entrevistas.
“As sinopses são sínteses dos discursos que contêm a mensagem essencial da entrevista e são fiéis, inclusive na linguagem, ao que disseram os entrevistados. Trata-se portanto de material descritivo que, atentamente lido e sintetizado, identifica as temáticas e as problemáticas (…)” (Guerra, 2006: 73)
Têm como principais objetivos: reduzir o material a trabalhar, identificando o conteúdo mais central da entrevista; possibilitar o conhecimento da totalidade do discurso, como também das suas diversas componentes e facilitar a comparação longitudinal das entrevistas (Guerra, 2006).
Depois disto, é feita uma análise descritiva que, como o nome indica, pretende descrever o que foi dito pelos entrevistados, de forma mais organizada e condensada. Não obstante, mais do que uma descrição, o que se procura é compreender o sentido que está subjacente à descrição dos fenómenos, quer através da rearticulação de variáveis, quer através da ligação de fenómenos estruturais conhecidos pelo investigador. Então, nesta transição para o nível interpretativo, é possível conceber novos conceitos e avançar com proposições teóricas que possam explicar o fenómeno em estudo (Guerra, 2006).
5.7. Seleção da amostra
De modo a garantirmos que todas as dimensões da investigação são compreendidas, consideramos pertinente abordar e clarificar todos os conceitos. Desta forma, no enfoque em estudo - qualitativo - a amostra define-se como uma unidade de análise sobre a qual deverão ser recolhidos dados sem que, necessariamente, seja representativa da população que se estuda (Sampieri et al., 2006).
Por sua vez, as amostras podem ser: probabilísticas ou não-probabilísticas. As amostras probabilísticas correspondem a um “subgrupo da população no qual todos os
elementos possuem a mesma possibilidade de serem escolhidos” (Sampieri et al., 2006:
252). Estas podem ser sistemáticas, aleatórias, estratificadas ou por conglomerados. No caso de amostras não-probabilísticas, a escolha também recai num subgrupo da
população, porém a escolha dos elementos não depende da probabilidade, mas sim das características da pesquisa e da decisão do investigador (Sampieri et al., 2006).
Atendendo ao nosso enfoque de estudo e aos objetivos da nossa investigação, utilizámos a amostra não-probabilística e, dentro desta, integrámos na nossa investigação: i) investigadores especializados - pois detêm um vasto conhecimento sobre o tema e ajudam-nos a enriquecer o nosso, com a exposição dos resultados dos seus estudos, dos procedimentos utilizados, e possíveis sugestões; ii) testemunhas privilegiadas - pessoas que pela sua posição têm um bom conhecimento sobre o problema em estudo, podendo pertencer ao público que incide o estudo ou ser-lhes exterior, mas muito próximo; iii) público a quem o estudo diretamente respeita - pois, associado às suas vivências detêm um conhecimento particular sobre a problemática (Quivy & Campenhoudt, 1998).
Assim, realizámos entrevista a:
I) Investigadores especializados, da área do ES e do TS: Tiago Ferreira, Coordenador de Acompanhamento do IES; Carlota Quintão, Investigadora na área do Empreendedorismo Social e Terceiro Setor e membro da A3S; Cristina Parente, Coordenadora do Estudo “Empreendedorismo Social em Portugal: as políticas, as organizações e as práticas de educação/formação” e membro da A3S; Armando Guimarães, Mestre em Economia Social, investigador na área do Voluntariado, do Empreendedorismo Social e do Terceiro Setor;
II) Testemunhas privilegiadas: Dr.ª Lúcia Dias, Presidente da Delegação da Madeira da Associação Alzheimer Portugal;
III) Público-alvo: Na nossa investigação, não sendo adequado envolver os próprios doentes de Alzheimer, procurámos envolver a família. Assim, contámos com a participação de três familiares, no papel de cuidadores e ex- cuidadores. Em particular para esta categoria utilizámos a amostra por conveniência18, ou seja, através da proximidade com a própria sociedade e do diálogo com instituições, foi-nos permitido identificar indivíduos com os atributos pretendidos por nós, que mediante o nosso contacto, aceitaram participar no estudo.
18 “São selecionados os indivíduos ou o grupo social, porque possuem um ou vários atributos que ajudam a desenvolver uma
Tivemos então contemplado no nosso estudo as três categorias de pessoas que Quivy & Campenhoudt (1998) consideram como interlocutores válidos num processo investigativo. Assim sendo, a partir desta triangulação de conhecimentos tentaremos identificar, compreender e analisar de que forma esta vai ao encontro da nossa questão e objetivos de pesquisa.
5.8. Síntese do capítulo
Apresentámos ao longo deste capítulo as opções metodológicas feitas por nós, mais precisamente, as diretrizes que seguimos para realizar a componente empírica da nossa investigação.
Vimos que, qualquer investigação que se realize, procura a produção de conhecimento. Para tal, existe um conjunto de etapas a ser rigorosamente seguido. Estas, por seu turno, são condicionadas pela metodologia de investigação adotada que, no nosso caso, atendendo à nossa questão e objetivos de pesquisa, foi o enfoque qualitativo, também denominado por metodologia compreensiva (Guerra, 2006). Este tipo de pesquisa pretende interpretar e compreender a realidade tal como ela é, articulando as diferentes dimensões da vida social. Como tal, é um estudo não- experimental, pois não implica a manipulação de variáveis, do tipo transversal, de caráter exploratório e descritivo.
Ao nível das técnicas de recolha e tratamento de dados, a técnica privilegiada foi a entrevista semiestruturada, mas também recorremos à análise bibliográfica e análise documental. Já para o tratamento desta informação, particularmente dos dados obtidos nas entrevistas, recorremos à análise de conteúdo sugerida por Guerra (2006), a qual pretende descrever as situações, decifrar e interpretar o sentido da interação entre o entrevistador e o entrevistado, isto é, a adequada análise daquilo que foi dito.
Relativamente à seleção da amostra e, tendo por base o enfoque da nossa investigação, foi uma amostra não-probabilística, selecionada de acordo com as características da nossa pesquisa. Aqui seguimos as propostas dos autores Quivy & Campenhoudt (1998) que nos indicam que elementos devemos envolver num processo investigativo desta natureza, isto é, a quem vamos aplicar as entrevistas. Nesta ótica, aplicámo-las a três categorias de pessoas: i) Investigadores especializados na área do Empreendedorismo Social e do Terceiro Setor; ii) Testemunhas privilegiadas; iii) Público a quem se dirige o nosso estudo.
CAPÍTULO 6. TRATAMENTO DOS DADOS E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS
6.1. Introdução
Uma vez recolhidos os dados empíricos do nosso estudo, a etapa do processo investigativo que aqui se inicia, consiste na sua interpretação e análise. O desenvolvimento desta é determinado quer pelas questões e objetivos de investigação, previamente formulados, quer pelo tipo de dados que foi recolhido (Quivy & Campenhoudt, 1998; Sampieri et al., 2006).
Sobre a nossa investigação em particular, os dados recolhidos foram qualitativos, logo a análise será qualitativa. Este tipo de análise pode ser definido como o “ (…)
process of systematically searching and arranging the interview transcripts, field notes and other materials that you accumulate to increase your own understanding of them and to enable you to present what you have discovered to others (…)” (Bogdan &
Bicklen, 1994). Assenta ainda em dois pressupostos: i) a segmentação dos dados visando sua categorização (“ (…) breaking them into manageable units (…) ” (Boeije, 2010: 76)); e ii) a articulação dos dados, tornando-os num todo lógico e coerente.
Complementando, Sampieri et al. (2006) coadunam que os objetivos centrais da análise qualitativa prendem-se com: i) ordenar os dados: ii) organizar as categorias e os temas de análise; iii) compreender o contexto no qual estão inseridos os dados; iv) descrever as experiências das pessoas, com base na sua perspetiva, linguagem e expressão; v) interpretar as categorias e os temas; vi) explicar contextos ou fenómenos; vii) gerar (novas) questões de pesquisa; viii) reconstruir histórias; ix) relacionar os resultados da análise com a teoria fundamentada.
Serão sobre estas considerações que dedicaremos a nossa atenção para o desenvolvimento do presente capítulo. Não obstante, vamos seguir a proposta de análise de conteúdo da autoria de Guerra (2006), apresentada na sua obra “Pesquisa Qualitativa
e Análise de Conteúdo: sentidos e formas de uso”, cuja explicação em maior detalhe
consta no capítulo anterior.