Nesta seção será mostrado como os sistemas MRP e CPM atuam no planejamento e controle de um projeto na empresa estudada. As funções destes sistemas, bem como suas interações, são mostradas na Figura 5.8. Para se estabelecer uma ligação entre as funções de ambos os sistemas e as fases do desenvolvimento de projetos (bem como as áreas da empresa envolvidas), as principais funções dos sistemas são representadas com as mesmas cores da Figura 5.7. Por exemplo, o cálculo de capacidade a longo prazo é uma função relacionada à fase de planejamento do projeto e esta função é desempenhada pelo pessoal da área de Planejamento e Controle da Produção da empresa.
Figura 5.8 - O relacionamento entre o MRPII e o CPM na empresa Plano mestre de produção (MPS) Planejamento das necessidades de materiais (MRP) Emissão de ordens de produção Emissão de ordens de compra Programação das ordens de produção Cadastro de atividades principais e tempos Definições de precedências Estabelecimento do cronograma Acompanhamento e atualizações Companhia Histórica Cadastro Geral do projeto Programa de Metas Cálculos capacidade a longo prazo Cadastro Estrutura Básica Lista Técnica Cliente: Entrada de um pedido Fornecimento do prazo do pedido MRP II / BAAN PERT/CPM EXCEL CPM
Pode ser observado na Figura 5.8 que as funções estão divididas segundo o sistema que realiza esta função: O MRP II é um módulo dentro do sistema integrado de gestão (ERP) utilizado pela empresa, o BAAN. Para facilidade de entendimento e para os objetivos deste trabalho, consideramos neste trabalho tanto as funções clássicas do MRP II quanto outras funções customizadas no BAAN para o planejamento e controle de projetos como sendo o sistema MRPII/BAAN. Portanto, a seguir estão listadas as principais funções destinadas ao planejamento e controle de projetos, desempenhadas pelos sistemas MRPII/BAAN:
a) o plano mestre de produção (MPS);
b) o planejamento das necessidades de materiais (MRP); c) a emissão de ordens de produção e de compra;
d) a companhia histórica representa um módulo do sistema destinado a guardar informações sobre antigos projetos;
e) o cadastro geral de projetos é a função destinada a cadastrar os dados relativos aos projetos, quando de sua entrada na empresa;
f) o cadastro da estrutura básica do projeto corresponde ao cadastro dos principais componentes do projeto;
g) o programa de metas correspondente a um programa que determina os principais marcos do projeto e suas respectivas datas de término planejadas.
Relativo ao CPM, tem-se que o sistema que realiza esta função na empresa é o MsProject. As principais atividades realizadas neste sistema são: o cadastro das atividades principais e dos tempos destas atividades; as definições das precedências destas atividades; o estabelecimento do cronograma do projeto e, finalmente, o acompanhamento e atualizações no andamento do projeto.
Nesse sistema também é definido o caminho crítico do projeto, que é a seqüência mais longa de atividades dentro do projeto. Nesta seqüência não existe folga de tempo entre as atividades. Portanto, qualquer atraso em uma destas atividades poderá interferir na data final do projeto.
Também pode ser observada na Figura 5.8 uma importante função do planejamento do projeto, o cálculo de capacidade de longo prazo sendo realizado por um terceiro sistema de informação: a planilha eletrônica Microsoft Excel. A razão da utilização desta ferramenta para o cálculo de capacidades de longo prazo é que nesta fase inicial ainda se
está trabalhando com projetos que, possivelmente, entrarão para a carteira de pedidos da empresa, caso sejam aprovados. Desse modo, o projeto ainda não está cadastrado no sistema devido a sua incerteza de fabricação. Já para os cálculos de capacidade a médio e curto prazo, a empresa utiliza o MRPII, porém, isto é realizado em fases posteriores do projeto, quando este já está aprovado e devidamente cadastrado no sistema.
O fluxo das informações mostrado na Figura 5.8 é explicado a seguir.
O planejamento de um novo projeto se inicia com a entrada de um pedido feito pelo pessoal de vendas. Este novo pedido é o input para o cálculo de capacidades de longo prazo (EXCEL). O pessoal de Planejamento e Controle da Produção da empresa utiliza estes dados do pedido juntamente com os dados da Companhia Histórica, local onde estão armazenados os dados de projetos anteriores, dos quais alguns podem ter semelhança com o pedido atual, para a finalidade de estimar e fornecer aos clientes o prazo de conclusão do projeto.
Após a aprovação do projeto pelo cliente, faz-se o cadastro geral do projeto no sistema MRP II/BAAN. Este cadastro contém dados do projeto tais como o código, a descrição, o cliente e o prazo de entrega, ou seja, é o input para o cadastro da estrutura básica, que relaciona os principais componentes e suas respectivas quantidades, bem como eventos importantes do projeto. Isto se constitui em algo parecido com uma lista técnica de um único nível.
Esta estrutura básica é o input para o cadastro das principais atividades e tempos no sistema CPM. Este sistema trabalha somente com a produção dos principais componentes do projeto, daí a razão de se utilizar uma estrutura mais enxuta, ao invés de uma lista técnica completa, com todos os detalhes do projeto.
Uma vez cadastradas as principais atividades e tempos no CPM, são definidas suas precedências entre estas atividades. Com isso é estabelecido o cronograma geral do projeto, o qual contém início e fim planejados das principais atividades dos projetos.
O cronograma é o input para o plano mestre de produção e para o programa de metas que contém as principais atividades e os prazos para serem realizadas. Tanto o plano mestre de produção quanto a lista técnica são os inputs para o MRP, o qual explode as quantidades a serem produzidas ou compradas de todos os componentes dos projetos.
É interessante notar aqui uma importante diferença entre o MRP tradicional e o utilizado pela empresa: na empresa somente as quantidades são “explodidas” e então se têm as quantidades a serem produzidas ou compradas.
As datas não são programadas para trás segundo a lógica tradicional do MRP, o que não representa um problema, uma vez que as datas são definidas de acordo com o programa de metas que se originou do cronograma feito no CPM, respeitando-se os prazos dos clientes.
Acredita-se que, dentro deste contexto, o problema reside na programação das ordens de produção, as quais são feitas manualmente segundo regras de programação simples que se baseiam em datas de entrega e tempos de processamento. Estas regras de programação não garantem uma máxima eficácia com relação à pontualidade nos prazos de entrega, o que é vital para a empresa em questão.
Verificando o fluxo de informações de um projeto na empresa, podem ser verificados alguns pontos de interação extremamente importantes entre o MRPII e o CPM:
Interação 1: interação entre o cadastro da estrutura básica no MRPII e o cadastro de atividades principais e tempos no CPM, o que inicia todo o trabalho neste sistema;
Interação 2: interação entre o estabelecimento do cronograma pelo CPM e algumas funções do MRP II/BAAN: definição do programa de metas, definição das datas das ordens de compra e produção e plano mestre de produção;
Interação 3: interação entre duas funções do MRPII: a emissão das ordens de produção, que fornecem as quantidades a serem produzidas, e o programa de metas que fornece os prazos dos principais componentes à função de programação da produção.
Além destas três interações, é possível notar também uma quarta interação importante. Esta é realizada entre o MRP II e o EXCEL no cálculo de capacidades de longo prazo. O sistema MRP II fornece dados para o cálculo das capacidades no EXCEL.
É no sistema CPM que a teoria da Corrente Crítica irá incidir, ou seja, no estudo de caso, as estimativas de tempo e os monitoramentos e controles não serão feitos mais por meio do Método do Caminho Crítico (CPM) e, sim, seguindo o procedimento da Corrente Crítica.