A partir análise do processo de urbanização no Brasil e os graves problemas sociais fica evidente a urgente necessidade de se buscar estratégias de intervenção para que as condições de vida da população sejam melhores. Nesse sentido, a busca por estratégias que garantam a melhoria das condições de saúde, seja física, mental, intrínseca ao indivíduo, como também, ao ambiente no qual está inserido, é de fundamental importância para se conquistar avanços na qualidade de vida.
É importante frisar, conforme aponta Lima (2013), que o sentido de saúde aqui elencado vai além da ausência ou controle da doença ou mesmo das condições biológicas do corpo. A saúde tem intrínseca relação com os aspectos sociais, econômicos, culturais nos quais o indivíduo está inserido, sendo a habitação, tipo de alimentação, nível de segurança, condições de acesso aos serviços de saúde, à educação, a cultura, lazer, entre outros, importante papel na definição dos níveis de saúde em que o indivíduo se encontra (LIMA, 2013). Tratam-se, portanto, de complexos processos na vida da população que envolve uma série de determinantes de sua saúde.
A partir da complexidade dos aspectos que envolvem a saúde, suas complexidades no espaço urbano e o atual contexto da urbanização brasileira, marcado com desigualdades socioespaciais, se torna possível afirmar que a busca por cidades mais saudáveis é necessária e urgente. Trata-se de uma constatação
em toda a extensão que eles desejam. Os esforços para teorizar, propor modelos e medir esses processos representam desenvolvimento significativo de consciência em qualquer sociedade”
que pode ser observada em qualquer cidade do país em seus diferentes níveis sociais e de desenvolvimento econômico.
Para além da discussão dos conceitos envolvendo as cidades saudáveis, que serão abordados posteriormente, cabe nesse momento afirmar que no mesmo espaço intraurbano há ambientes saudáveis e não saudáveis. Se realizada uma analogia entre uma cidade e organismo vivo é possível indagar que como o organismo não é saudável se parte do seu corpo está doente, assim também a cidade não é saudável se parte de quem nela habita não tem condições saudáveis de vida. À vista disso, a Cidade Saudável é um direcionamento para onde as cidades devem seguir. Trata-se, portanto, de uma construção, ou seja, trilhar. Algo que exige soma de forças para ser alcançado.
Os argumentos para a implementação de projetos no âmbito das cidades [como cidades saudáveis] são diversos. Um deles está relacionado à implicação imediata da crescente urbanização e seu impacto sobre as condições de saúde da população. Embora a vida na cidade seja considerada atraente, pela promessa de melhores oportunidades de trabalho e acesso aos bens de consumo e serviços, acarreta, também, inúmeros problemas, especialmente quando a aglomeração da população cresce a tal ponto, que as pessoas ficam expostas a uma variedade de riscos à saúde e não têm acesso a recursos para o atendimento de suas necessidades básicas. Os problemas estão mais comumente relacionados ao abastecimento de água, habitação, poluição, destino dos dejetos sólidos, marginalidade, violência (MENDES, 2000, p. 14).
Diante do exposto, cabe indagar: Seria possível construir Cidades Saudáveis? Alguns estudiosos, como Gaspar (2007), Lima (2013), afirmam que a saúde e a qualidade de vida da população serão apenas garantidas quando as cidades não estiverem mais doentes. Para se alcançar patamares maiores de saúde a cidade, seus governantes e sociedade civil devem se articular de forma a repensar o espaço intraurbano e sua organização, traçando estratégias, políticas, ações de melhoria das condições de vida.
Uma cidade saudável é aquela que coloca a saúde e o bem-estar dos cidadãos no centro do processo de tomada de decisões; aquela que procura melhorar o bem-estar físico, mental, social e ambiental dos que nela vivem e trabalham; não é necessariamente aquela que atingiu um determinado estado de saúde, mas está consciente de
que a promoção da saúde é um processo e como tal trabalha no sentido de sua melhoria (REDE PORTUGUESA DE CIDADES SAUDÁVEIS, 2013).
A real necessidade de se buscar cidades saudáveis tem levado a difusão deste termo nas últimas décadas, seja através de conferências e reuniões de órgãos oficiais (ONU, OMS e outros), como também congressos e simpósios internacionais e nacionais. Existem periódicos e jornais especializados nessa temática. Ademais é tema que tem se tornado frequente na academia, seja na tratativa da saúde em si, como também outros determinantes da mesma, com destaque para o meio ambiente, atual foco da mídia internacional e nacional.
Lima (2013), visando levantar a difusão do termo cidades saudáveis realizou levantamento do termo Healthy city, entre os anos de 1950 e 2012, em banco de dados da Biblioteca Virtual em Saúde14, também conhecida como BIREME, que se trata de importante fonte de publicações nas áreas da saúde. Para o período que compreendeu 62 anos foram encontradas 3.757 referências publicadas, sendo que o primeiro estudo encontrado enfocando na temática de cidades saudáveis foi publicado em formato de livro pelos autores Ehlers e Steel, no ano de 1950. Este estudou tratou das questões relativas ao saneamento municipal, elencando questões relativas ao meio ambiente urbano.
Atualizando os dados levantados por Lima (2013), mencionados anteriormente, tem-se que até o mês de agosto de 2015, foram encontradas na plataforma BIREME 11.012 referências mencionando o temo Healthy city, ou seja, mais de sete mil novas referências foram adicionadas ao banco de dados em apenas três anos. Tal constatação confirma a tendência de aumento das preocupações com os problemas urbanos no sentido de se buscar a construção de cidades mais saudáveis, com melhores condições de vida para a população.
14 A Biblioteca Virtual de Saúde se mantem atualizada através da parceria da Organização Pan-
Americana de Saúde (OPAS), da Organização Mundial de Saúde (OMS). Endereço de Acesso: http://www.bireme.br/php/index.php.