3 Industrial thawing
4.7 Radio Frequency thawing
4.7.1 Measurements of dielectric constants on cod
No Brasil, como alguns dicionários de língua de sinais já estão disponíveis, é possível acompanhar o conteúdo proposto. Uma das questões que se impõe nesse trabalho é: qual é a função de um dicionário de língua de sinais? Dessa pergunta, decorrem outras: Como sinalizar um determinado termo? Qual o significado de um determinado sinal-termo? Existe sinal-termo para determinado termo em língua portuguesa? Com base nessas questões, é possível dizer que o objeto de conhecimento visado pelos dicionários de língua de sinais é o sinal-termo, porque está mais diretamente associado a uma especialidade do conhecimento humano.
Para responder às questões expostas de modo prático, afirma-se que, num primeiro momento, os propósitos dos dicionários de língua de sinais são registrar sinais-termo para que se possa ter materiais didáticos que represente a língua. Não é mais possível somente estabelecer equivalências entre os sinais-termo de uma língua de sinais estrangeira com a brasileira.
Outro objetivo dos dicionários de língua de sinais é sistematizar os sinais-termo da Libras, por meio da categoria semântica. Possivelmente assim se torne mais fácil estabelecer uma espécie de consenso entre o padrão e as variantes da língua de sinais, de modo que o sinal-padrão seja ensinado e divulgado ao lado de outros sinais usados.
Duas posições em torno da elaboração de dicionários não podem ser esquecidas: a primeira denota que os primeiros registros pretendem demonstrar as coisas do mundo e possibilitar uma compreensão ontológica da forma de organização dessas coisas pela linguagem para que os usuários as aplique em diferentes contextos e situações por meio do sinal-termo correto. A segunda posição é a preocupação lexicográfica, ao lado de uma preocupação de cunho enciclopédico. Esta leva os dicionários de língua de sinais a associar a cada sinal-termo o máximo de informações acerca dos objetos. A designação, que é de orientação linguística, procura revelar de qual forma estão organizadas na língua de sinais repertoriados e a variedade de sinais em uso.
Nosso primeiro entendimento, em torno da elaboração lexicográfica de dicionário de língua de sinais que sistematiza léxicos da língua de sinais, é uma reconstrução da
linguística teórica de fenômenos linguísticos delimitados pela modalidade visual-espacial. Além disso, alguns sinais-termo são de uso comum, os quais todos, em princípio, dominam; outros são usados ou conhecidos apenas em determinadas circunstâncias, ou predominantemente por um grupo particular de pessoas (crianças, idosos, homens, mulheres), por determinadas camadas, por habitantes de certas regiões, o que possibilita compreender a variação linguística em Libras.
É sabido que nenhuma pessoa que sinaliza é capaz de empregar ou mesmo reconhecer e compreender todas as palavras de sua língua, nem dominar todos os recursos de comunicação e expressão de que ela dispõe. Mas é essa experiência individualmente limitada dos vocabulários que nos permite apreender sua natureza e estrutura e entender de que maneira funcionam, na língua de sinais, os mecanismos que permitem criar e utilizar os sinais-termo. É essa experiência, ainda, que nos faz perceber a questão que sempre se estabelece entre o conjunto de léxico que não conhecemos, que conhecemos e dominamos e os demais sinais-termo que criamos e que circulam na comunidade linguística.
Nesse sentido, podemos mostrar que um dicionário de língua de sinais será de qualidade, como inventário de sinais-termo e de descrição de suas potencialidades e processos linguísticos. Na nossa pesquisa, informações pertinentes em torno dos sinais-termo forem organizadas, de acordo com suas funções e relações. Assim, espera-se contribuir para a ampliação da competência linguística do usuário.
Por outro lado, essa organização lexicográfica da língua de sinais, para o registro dos sinais-termo, nos leva a muitas possibilidades e inovações. Por isso, é necessário ter preocupação e cuidado com as diversas publicações em andamento e futuras. Especialmente, quando se precisa utilizar um sinal-termo adequadamente e este parece faltar no repertório disponível e o falante de língua de sinais propõe a criação de sinais na Libras, que, muitas vezes não seguem um padrão e ou regras.
Algumas inovações da língua de sinais, como os empréstimos linguísticos e ou neo-sinais-termo, devem fazer uso da base paramétrica e das condições paramétricas de sinalização de um sinal-termo já conhecido, para que um novo vocábulo siga as regras da língua para a formação de novos sinais-termo. Lembre-se que é sempre possível ampliar o léxico ou substituir algum item lexical paramétrico, a partir dos mecanismos que regulam o léxico. Também é preciso dizer que a relação entre os termos e os seus conceitos está sempre sujeita a modificações, em decorrência de novas demandas de expressão, estruturação e comunicação. O valor efetivo do léxico se estabelece quando a frequência de uso é maior e possibilita o reconhecimento do sinal-termo padrão e variantes.
Por isso, é de fundamental importância defender a importância do profissional lexicógrafo na (re) construção linguística, sempre de modo a analisar o retrato possível da realidade da língua, e não a própria língua. Ainda se encontra o léxico em língua de sinais registrado de formas muito diversas nos dicionários de língua de sinais, em função da concepção de língua de sinais e do léxico que o dicionarista adota, de seu interesse maior ou menor pela língua atual ou pela descrição histórica, por sua decisão de privilegiar ou não a gramática da língua de sinais, de favorecer ou não certa (s) variante (s) linguística (s) da língua de sinais, de incluir ou não gírias novos sinais e outros sinais-termo que inventa.
Os dicionários de língua de sinais são, portanto, a depender das descrições mais ou menos extensas, mais ou menos detalhadas, objetos muito diversificados que nem sempre atendem o interesse do público-alvo. Os dicionários resultam de objetivos teóricos e aplicados aproximados, quanto à natureza da língua que descreve o léxico, e podem organizar-se de formas diversas, em vista do público e dos objetivos específicos, seguindo uma determinada proposta lexicográfica para a língua de sinais.
Atualmente as modernas técnicas de processamento e de registro de dados tornaram possível o trabalho com grandes volumes de termos e de informações associadas, permitindo que o trabalho do lexicógrafo baseie-se num corpus, que é num conjunto de produções linguísticas de fontes videográficas, coletadas seguindo critérios rigorosos.
Na nossa pesquisa, o arranjo particular de métodos e técnicas para o Varlibras é de fato a proposta lexicográfica, com vistas a padronização, a apresentação de variantes da Libras e que pode ser um instrumento valioso para a expansão lexical. Além disso, poderá fornecer subsídios importantes para o estudo do léxico da Libras em seus diferentes aspectos.
Nossa proposta apresenta os pressupostos que ordenam o léxico de uma Língua de Sinais acerca das unidades lexicais em diversos aspectos e se ocupa dos problemas teóricos que embasam o estudo do componente lexical focalizando uma abordagem, como a variação linguística.
Toda língua pressupõe a existência de regras, de uma ciência que demonstre seu mecanismo linguístico e que desencadeia processos de uso. Quando não se tem interação satisfatória política linguística, os regionalismos podem parecem erros e serem substituídos, mas o que se prevê é a compreensão da validade das diferenças, desde que reconhecidas, estruturadas e embasadas na língua a que pertencem.