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A FACEDI, ao contrário dos campi anteriores, foi criada em meados da década de 1980 e durante os primeiros dezesseis anos ofertava apenas a graduação em pedagogia. Somente no início dos anos 2000 foram criados os cursos de Ciências Biológicas e de Química, compondo, até os dias atuais, a estrutura pedagógica da instituição. Desse modo, a FACEDI, até o período da pesquisa, com um quadro de 28 professores efetivos e, ao final do período letivo 2010.2, tinha 631 alunos matriculados nos cursos de graduação.

Se tomarmos com referência o litoral cearense, Itapipoca se localiza na costa oeste do Estado e está situada a aproximadamente 130 km de Fortaleza, contudo, por ser um município grande do ponto de vista territorial, a cidade é conhecida como a “terra dos três climas” por, no aspecto geomorfológico, ser composta por paisagens de litoral, serra e sertão. Assim a sede do município, seus bairros, serviços, comércio e a maioria das pequenas indústrias do município, assim como a FACEDI, se localizam em sua porção sertaneja.

Itapipoca desempenha uma importante função regional – microrregião de Itapipoca – devido ao comércio e oferta de alguns serviços considerados melhores que em outros locais como, por exemplo, a educação. Neste cenário, a FACEDI, assim como outras cidades que possuem uma estrutura universitária, atrai estudantes de outras localidades circunvizinhas.

63 O trabalho de campo na FACEDI foi realizado com 04 professores sendo três professores e apenas uma professora. No decorrer dos três dias de observação da dinâmica da cidade e, especialmente do campus da FACEDI, foi possível observar que a “velocidade” com que a maioria dos professores entram e saem da faculdade é rápida demais. Inclusive, várias entrevistas foram desmarcadas no início das mesmas ou mesmo no seu decorrer sempre sobre a mesma prerrogativa:

Olha, meu amigo, eu queria muito colaborar com o seu trabalho, mas infelizmente nós fazemos um rodízio nos carros para Fortaleza e eles já estão me ‘aperreando’ para ir embora, desculpa, mas não vamos poder continuar. Faça o seguinte, me telefona que a gente termina essa conversa em Fortaleza, acredito que seja até mais confortável. (professora Érica do curso de Química).

Érica, única professora a ser entrevistada, é solteira e está na faculdade desde 2006. Interessante que quando indagada sobre seu processo de adaptação à cidade e sobre suas estratégias de sociabilidade, a professora afirmou que:

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...não sei como é essa cidade, nunca fiquei mais de dois dias aqui. Não posso te falar de estratégias, pois a minha sempre foi ir embora tão logo acabe minhas aulas. Posso contar nos dedos as vezes que dormi aqui, porque só fiz isso quando tivemos reuniões ou de manhã ou pela tarde. Mesmo que trabalhe dois, três ou todos os dias da semana – sei que isso não vai acontecer – mesmo assim prefiro ir e voltar todos os dias. (sic).

Érica não é um caso isolado da FACEDI, na realidade, segundo o diretor do campus, dos 28 professores efetivos apenas 04 moram na cidade: ele e sua esposa, que já tinham família na cidade, um professor que veio do Paraná e outro que veio transferido de Crateús. Todos os demais moram em

64 Fortaleza. O professor Petrônio diz que o fato dos professores não designarem um tempo maior para a dinâmica universitária, gera inúmeras implicações tanto administrativas como, principalmente, didáticas.

Para a dinâmica universitária é complicado. Eu, enquanto gestor, posso dizer que é complicado demais e era preferível, claro, que todos ou pelo menos a maioria morasse aqui. Por que existe uma dinâmica universitária que é quebrada pela falta desses professores, você não tem uma vida universitária em plenitude. Essa vida universitária é quebrada nas perspectivas de trabalho, tem uma implicação grande para a vida daqui... É um problema da faculdade. Os alunos sentem falta, muita falta dos professores. Eles procuram os professores e eles não estão. Vou te dar um quadro, os professores geralmente estão de segunda a quarta ou de quarta a sexta, alguns outros ficam só dois dias... Na verdade um dia e meio porque ele já chega no horário da aula, ou seja, geralmente à noite, dormem e no final das aulas do outro dia eles já retornam para Fortaleza. E isso não é só aqui não, é em qualquer unidade da UECE. Se o professor está aqui de quarta a sexta e marca uma prova para quarta feira, e o aluno tem uma dúvida na segunda ou na terça, ele não tem a quem procurar, ele não tem referencial. Então os alunos precisam ficar atentos aos horários dos professores porque sabem que ele só está aqui nesse horário e pronto. São horários muito restritos. Isso dificulta orientação de trabalhos de monografias, etc. e os discentes reclamam muito, mas reclamam para mim, para o diretor. O principal fator deles não ficarem é a família. Todos eles têm o mesmo discurso relacionado à família... Eu não conheço um professor que tenha vindo pro interior trazendo a família inteira.

Por outro lado, ele afirma que se todos os professores ou a maioria deles resolvessem ficar e cumprir sua jornada com projetos de pesquisa e extensão, além de outras atividades, existiriam outros problemas tão grandes quanto, “onde eles ficariam e desenvolveriam suas atividades? Não temos estrutura nem espaço aqui para isso. Neste sentido é até justificável e compreensível que o professor não fique aqui”.

Nas demais entrevistas, outros pontos foram levantados e são comuns às outras cidades e campi da UECE, como a estrutura precária da cidade no tocante a saneamento básico e a ofertar de serviços de saúde e de educação para os filhos destes professores, opções de lazer e cultura, enfim uma série

65 de elementos que compõem a relação cidade/universidade discutida no capitulo 04 deste trabalho.

2.1.5 Centro de Educação, Ciências e Tecnologia da Região dos Inhamuns