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Co e ido o o um conjunto fundamental de valores e procedimentos que enfatizam os atos adaptativos e as relações funcionais empiricamente demonstradas (MARX e HILLIX, 1973, p.187) o pensamento funcionalista tem suas origens alicerçadas nas pesquisas de Darwin que, com a publicação de Origem das Espécies (1859), causou enorme repercussão no meio científico. A proposição de Darwin de uma evolução, determinada pela capacidade de adaptação ao meio, ganharia força de paradigma a orientar as mais diversas ciências. No campo da psicologia, a teoria da seleção natural seria o ensejo de elaboração de um projeto explicativo do comportamento humano que teve com Galton (1822-1911) seu primeiro impulso. Primo de Darwin, Galton dedicou-se a estudar o problema da hereditariedade da inteligência nos seres humanos e seu livro, Hereditary Genius, publicado em 1869, representa um marco nas pesquisas sobre as diferenças individuais, às quais acrescentava as possibilidades de sua aferição através de testes mentais. Dessa forma, abre caminho para uma visão das desigualdades individuais apoiada em determinações biológicas. Tal concepção será posteriormente ampliada e as diferenças individuais serão atribuídas também, às influências do ambiente sóciofamiliar.

A tese funcionalista, contudo, prevalecerá como suporte de ambas as explicações, e terá em William James (1842-1910), uma de suas principais referências. É dele a formulação de um de seus principais fundamentos: o comportamento humano, em especial a mente humana, deveria ter uma função para que sua existência se justificasse. Dito de outro modo, tanto os comportamentos quanto os processos mentais teriam como finalidade última a adaptação do homem às contingências ambientais dadas, dessa forma, deveriam ser compreendidos como respostas adaptativas dos indivíduos às exigências do meio. O uso do termo função, nesse contexto, seria utilizado em sua dupla acepção: como atividade ou uso e também em seu sentido matemático, significando uma dependência de uma variável em relação à outra.

Originado nesse princípio essencialmente adaptacionista, o pensamento funcionalista se desenvolve no campo da psicologia, apoiado em algumas referências significativas, que se estabelecem desde os trabalhos pioneiros de Galton: a biologia, a estatística, as experimentações em psicofísica e o desenvolvimento dos testes psicológicos. Todas essas frentes de pesquisa irão contribuir para a consolidação de uma reconhecida corrente no campo da psicologia, conhecida como Psicologia Diferencial que, de acordo com

os planos de Galton, deveria ser a principal norteadora de seus projetos de Eugenia (PATTO, 1993).

Lembremos que os testes psicológicos têm sua origem nas pesquisas de Galton que pretendiam mensurar capacidades sensório-motoras simples. Mas será Cattel (1860-1944) o p i ei o a utiliza o te o teste e tal , segu do A astasi . Os testes de Cattel insidiam sobre processos sensoriais e sua relação com respostas motoras simples, media-se assim, o tempo de reação entre os indivíduos testados. Como bom experimentalista, Cattel, entendia ser necessário precisar melhor os instrumentos de medida de capacidades mais simples, antes de utilizá-los na medição de funções mais complexas, entre as quais situam-se a leitura, a memória e a capacidade aritmética. Nessa direção, trabalharam vários pesquisadores e psicólogos europeus, mas foram Binet e Simon os principais responsáveis pela elaboração de uma série de testes, as conhecidas escalas de inteligência, que tinham por objetivo fornecer uma medida do nível do funcionamento intelectual do indivíduo. A contribuição de Binet é decisiva para o avanço da Psicologia Diferencial, pois, a partir de sua crítica ao elementarismo das pesquisas de Galton e Cattel, dedica-se ao estudo e desenvolvimento de testes para avaliação das funções mentais superiores e processos complexos do psiquismo. Já tivemos oportunidade, no primeiro capítulo, de explicitar as bases do pensamento e os antecedentes das pesquisas que resultaram nas escalas de Binet- Simon, além de identificar sua importância e abrangência de aplicações. Resta-nos, ainda, sublinhar a importância desses pesquisadores para o estabelecimento da Psicologia Diferencial como uma corrente consistente de pensamento e pesquisa.

De acordo com Anastasi (1967), o trabalho publicado por Binet e Victor Henri em 1895, La Psychologie Individuelle, teria sido o marco de consolidação da Psicologia Diferencial por apresentar uma primeira análise sistemática de seus objetivos e métodos. Assim, essa importante corrente no campo da psicologia se constitui como um modelo explicativo sobre as diferenças humanas, baseado na ideia funcionalista de adaptação ao meio, aplicada aos comportamentos e aptidões, físicas e mentais. Ou seja, aquilo que os indivíduos apresentam, seus comportamentos, mas também suas aptidões e capacidades mentais, poderiam ser compreendidos se analisadas suas relações funcionais com o contexto enquanto determinante das condições adaptativas. Tal concepção se viu reforçada por sua abordagem experimental dos fenômenos que, associada ao tratamento estatístico, resultou no desenvolvimento dos instrumentos de medida, os testes psicológicos, os quais

asseguravam seu caráter científico, ratificando seu lugar no conjunto das ciências do início do século XX. Isto justifica a afirmação de Patto (1993, p.37), ao definir a Psicologia Dife e ial o o a psicologia que se quer investigação quantitativa e objetiva das diferenças existentes entre indivíduos e grupos.

A Psicologia Diferencial, assim constituída, será a principal referência utilizada na explicação das diferenças de rendimentos escolares, bem como, segundo Patto (1993), na explicação das desigualdades de acesso da clientela escolar aos graus escolares mais avançados. Como vimos, é significativa a presença das teses decorrentes da recém criada corrente de psicologia entre os psiquiatras, primeiros a abordarem os problemas das dificuldades de aprendizagem, os quais, com o apoio dos testes psicológicos, especialmente os referentes à inteligência, viam seus diagnósticos ganharem consistência.

O interesse pelas pesquisas sobre as diferenças individuais se estenderá também aos psicólogos e pedagogos interessados pelos problemas escolares de um modo geral. Não por acaso, serão os principais autores dessa corrente psicológica, as referências maiores de um movimento de grande importância no meio educacional europeu e, posteriormente, brasileiro: o movimento Escola Nova. Dessa forma, para além dos diagnósticos das dificuldades relacionadas à aprendizagem, a Psicologia das Diferenças Individuais será referência para uma verdadeira revolução nos modelos de educação. Ficando suas principais teses, de uma vez por todas, atreladas ao contexto educativo.