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Methodological considerations

5. GENERAL DISCUSSION

5.3. Methodological considerations

O framework i*, criado por Eric Yu (YU, 1997), é uma linguagem de modelagem apropriada para uma fase inicial de modelagem do sistema, a fim de compreender o domínio do problema. De acordo com (ISTAR, 2015) e (SANTANDER, 2013), a linguagem de modelagem i* permite modelar tanto as situações as-is (como estão) e to-

be (como serão). O nome i* refere-se à noção de intencionalidade distribuída que é

evidenciada pelo framework. É uma abordagem originalmente desenvolvida para a modelagem e raciocínio sobre ambientes organizacionais e de seus sistemas de informação compostos por atores heterogêneos com diferentes, e muitas vezes concorrentes, metas e objetivos que dependem uns dos outros para realizar suas tarefas e alcançar essas metas e objetivos. Ela abrange tanto modelagem orientada a atores quanto modelagem de objetivos. Os modelos i* respondem à pergunta “quem e por que”, e não “o que”. Fazendo uma comparação (ISTAR, 2015) (SANTANDER, 2013), é dito que a abordagem de casos de uso da UML, em contraste, abrange apenas objetivos funcionais, com atores diretamente envolvidos nas operações (tipicamente com software), e a

abordagem KAOS abrange metas de todos os tipos, mas está menos preocupada com a intencionalidade dos atores.

O modelo i* descreve as dependências entre os atores. Há quatro elementos para descrevê-las: objetivos (goals), objetivos leves (soft goals), tarefas e recursos. O conceito central no i * é na verdade a do ator intencional. Atores organizacionais são vistos como tendo propriedades intencionais, tais como objetivos, crenças, habilidades e compromissos (conceito de intencionalidade distribuída). Atores dependem uns dos outros para objetivos a serem alcançados, as tarefas a serem executadas e os recursos a serem fornecidos. Por depender dos outros e ao ter essa dependência atendida, um ator pode ser capaz de alcançar os objetivos que são difíceis ou impossíveis de alcançar por si próprio; por outro lado, um ator torna-se vulnerável se os atores dos quais ele depende não o suprir com o que ele precisa. Atores são estratégicos no sentido de que eles estão preocupados com as oportunidades e vulnerabilidades, e buscam fazer o rearranjo de seus ambientes para o que melhor servir aos seus interesses através da reestruturação de relações intencionais.

O framework i* consiste de dois principais componentes de modelagem: o Modelo de Dependências Estratégias (Modelo SD) e o Modelo de Razões Estratégias (Modelo SR).

Um modelo SD descreve uma rede de relacionamentos de dependência entre os vários atores em um contexto organizacional. O ator é geralmente identificado dentro do contexto do modelo. Esse modelo mostra quem um ator é, e quem depende do trabalho de um ator. Este modelo consiste em um conjunto de nós e ligações que conectam os atores. Os nós representam atores e cada ligação representa uma dependência entre dois atores. No modelo, o ator que tem a dependência é chamado de depender e o ator que é dependido por outro é chamado de dependee.

Um modelo SR permite a modelagem das razões associadas a cada ator e suas dependências, e fornece informações sobre como os atores atingem seus objetivos e objetivos leves. Este modelo inclui apenas os elementos considerados importantes o suficiente para impactar os resultados de um objetivo.

O modelo SR mostra as dependências dos atores, incluindo o modelo SD. Relativa a essas dependências, o modelo SR especifica objetivos, objetivos leves, tarefas e recursos. Em comparação com os modelos SD, os modelos SR proporcionam um nível mais detalhado de modelagem ao olhar para dentro dos atores para modelar as relações intencionais internas. Elementos intencionais (objetivos, objetivos leves, tarefas, recursos) aparecem no modelo SR não somente como dependências externas, mas também como elementos internos ligados por relações meio-fim e decomposições de tarefas. As ligações meio-fim fornecem uma compreensão sobre o porquê de um ator se envolver em algumas tarefas, atingir um objetivo, precisar de um recurso, ou querer um objetivo leve; e as ligações de decomposição de tarefas fornecem uma descrição hierárquica de elementos intencionais que compõem as rotinas. Esse modelo é usado para

descrever interesses e preocupações das partes interessadas, e como eles podem ser abordados por diferentes configurações de sistemas e ambientes.

O i * pode ser utilizado em engenharia de requisitos para compreender o domínio do problema. Os Modelos SD e SR podem, então, ser usados para desenvolver casos de uso. Esta é uma linguagem ideal para expressar atores, tarefas, recursos, objetivos e objetivos leves.

Entre as vantagens de utilizar i*, de acordo com (ISTAR, 2015), está que o i* oferece a possibilidade de conseguir informações numa fase inicial do processo de engenharia de software. No passado, a UML era usada para tornar a informação visível, mas a UML muitas vezes se foca em objetos organizacionais, que não são tão importantes na fase inicial, quando a ênfase deve ser em ajudar a se obter uma melhor compreensão das várias possibilidades de utilização de sistemas de informação em suas organizações. Além disso, modelos i* oferecem uma série de níveis de análise, em termos de capacidade, trabalhabilidade, viabilidade e credibilidade.

O i* fornece uma compreensão das relações organizacionais em um domínio do negócio. O desenvolvimento de Caso de Uso de uma modelagem organizacional usando i* permite que os engenheiros de requisitos estabeleçam uma relação entre os requisitos funcionais do sistema pretendido e os objetivos organizacionais previamente definidos na modelagem da organização.

A Figura 7 descreve o Modelo SD para o CORE-MM focado em acessibilidade e saúde. Este Modelo SD foi desenvolvido no software OpenOME (OPENOME, 2015), que serve para este tipo de modelagem utilizando o framework i*. Neste modelo existem dois tipos de usuário: o usuário que procura por recursos disponíveis e o usuário jogador que preenche o sistema com recursos a partir de crowdsourcing. Para incentivar este

crowdsourcing, nos conceitos encontrados na literatura, o modelo faz uso de gamificação,

onde oferece recompensas e motivações para os usuários jogadores.

Estes objetivos dos jogadores em conquistar recompensas, os objetivos dos usuários que necessitam do modelo para encontrar recursos, e os objetivos do modelo em se manter atualizado para funcionar são demonstrados no Modelo SD do modelo na Figura 7 como objetivos leves (softgoals).

Os objetivos dos usuários, tanto dos recursos quanto dos jogadores, que dependem diretamente do modelo, e das suas interfaces, são demonstradas neste Modelo SD como objetivos (goals). Exemplos destes objetivos são: fazer buscas e avaliar buscas, dos usuários dos recursos; e cadastrar recursos, ser avaliados, conquistar as recompensas, dentre outras, dos usuários jogadores utilizadores da gamificação e do crowdsourcing.

Fonte: Elaborado pelo autor

Os tipos de recompensas que são oferecidas para motivar os jogadores, que são baseadas no que foi encontrado na literatura, também são demonstradas nesta figura. Dentre elas estão: brindes, emblemas (badges), experiência e nível (level), conquistas (achievements), dentre outros.

A Figura 8 descreve o Modelo SR para o CORE-MM focado em acessibilidade e saúde. Este Modelo SR também foi desenvolvido no software OpenOME (OPENOME, 2015), que serve para este tipo de modelagem utilizando o framework i*. Este Modelo SR expande o Modelo SD demonstrando como os objetivos são realizados em forma de uma sequência de tarefas a serem realizadas, internamente pelos atores.

Nas próximas seções são apresentadas as funcionalidades de gamificação e

crowdsourcing desenvolvidas para a colaboração de informações e gerenciamento de

recursos das cidades. As funcionalidades foram separadas em: funcionalidades relacionadas com o crowdsourcing, funcionalidades relacionadas com gamificação e outras funcionalidades. Isto foi feito com o intuito de explicar as funções que envolvem a colaboração das informações (crowdsourcing); as funcionalidades que envolvem os elementos de jogos (gamificação), como medalhas, rankings, pontos, dentre outras; e as outras funcionalidades desenvolvidas que não envolvem crowdsourcing e gamificação, mas que também são igualmente importantes para o trabalho, como as funções de login e buscas.

Figura 8: Modelo SR (Razões Estratégicas) do CORE-MM

Fonte: Elaborado pelo autor