• No results found

Intervenção Objetivos Recursos Descrição da atividade Dinamizado

res Tempo Aq u ec im en to Aquecimento específico – formação de pares para a ação. Promover a coesão grupal; Promover o trabalho em equipa; Promover momento de descontração; Preparar o grupo para a ação; Coluna amplificadora de som; Tiras de papel escritas; Fita cola;

Pede a cada jovem que retire um papel e que o guarde, sem que para isso veja o que nele está escrito.

(Os papéis têm escritos as palavras: desenho – lápis de cor; sapatos – pés; filme – pipocas; Concerto – guitarra; anel – dedo)

Depois de cada jovem escolher um papel, o enfermeiro cola o mesmo nas suas costas;

É pedido a cada jovem que leia o que cada um tem escrito nas costas e possa encontrar o seu par, neste caso outro jovem que tenha a palavra que mais se aproxima e se identifica com a sua própria palavra;

O jogo termina quando os pares estiverem formados.

Enfª Susana & Enfª Patrícia

Açã o Palavra Desenvolver a comunicação; Trabalhar a capacidade de ouvir; Desenvolver a capacidade de argumentação, assertividade e ação sobre situações novas; Sem material específico.

Os jovens devem colocar-se frente a frente – em relação aos seus pares;

É lançada uma 1ª situação: os elementos dos pares simulam que não se conhecem. Um dos elementos aborda o outro e inicia a conversação. O elemento que foi abordado pode ou não manter a conversa iniciada pelo outro elemento.

2ª situação: Um elemento da dupla fecha as mãos, O outro deve, sem nenhum toque físico, persuadir o colega a abrir as mãos;

(Pode ser dito o que quiser, qualquer argumentação é válida).

Após o términus, procede-se à troca de papéis.

Enfª Susana & Enfª Patrícia

P ar til h a Palavra Ajudar os adolescentes a darem significado ao que foi realizado e discutido na fase de ação

Promover o auto- conhecimento;

Colchões

O grupo reúne-se e forma um círculo;

É pedido a cada adolescente que reflita e partilhe com o grupo as estratégias que utilizou para iniciar uma conversação e para persuadir o colega a abrir a mão;

Realiza-se convite à exploração dos sentimentos que emergiram aquando das duas situações;

Pede-se aos jovens que partilhem os aspetos facilitadores e constrangedores inerentes a ambos os papéis que desempenharam.

Enfª Susana & Enfª Patrícia

AVALIAÇÃO DA SESSÃO

A atividade “A forma como comunico”, decorreu na sala de atividades/convívio, com início pelas 11h30 e o seu terminus por volta das 12h45min. O plano de atividades previamente estruturado foi na sua globalidade cumprido.Tendo em consideração a avaliação da atividade número três, houve uma preocupação acrescida em articular harmoniosamente as diversas intervenções respeitantes às três fases – aquecimento, ação e partilha final.

O desenvolvimento de condutas agressivas ao longo da infância e adolescência tem sido alvo de ínumeros estudos que pretendem responder, de forma global, a questões referentes à sua origem e sua manutenção ao longo do ciclo vital (Barros, Silva, 2006). A agressividade per si, não constitui uma resposta despropositada, mas sim, uma condição inerente ao ser humano, que o impulsiona a realizar atividades e cumprir metas a que se propõe, nos vários contextos de sua vida.

A evidência revela ainda que crianças e adolescentes agressivos produzem menos soluções verbais e mais respostas não verbais, quando comparados a pessoas não-agressivos (Asarnow, Callan, 1985; Lochman, Lampron, 1986 citado por Barros, Silva, 2006). Em primeira instância, tendem a ter dificuldades em traduzir as suas respostas emocionais, bem como dificuldades quanto a forma como se afirmam perante os outros que os rodeiam. Concretamente, a falta de assertividade pode clarificar os problemas que algumas pessoas apresentavam no relacionamento interpessoal, resultado de um constante condicionamento inibitório da expressão das emoções que conduz a inaptações na vida do indivíduo (Grilo, 2010).

Por assertividade, entende-se a capacidade/habilidade social de expressar os seus direitos, sentimentos e pensamentos, tendo como pedra basilar, o respeito pelo outro.Em 1971, Lazarus definiu assertividade como a capacidade para recusar e elaborar pedidos, pedir favores, expressar sentimentos negativos e positivos e iniciar, continuar e terminar uma conversa comum (Grilo, 2010).

Enquanto competência social, a assertividade assume uma relevância crucial na definição de relações entre indivíduos, pelo que o enfermeiro especialista em

saúde mental, deve promover o seu treino e desenvolvimento. O seu prinicipal objetivo é ajudar o cliente a modificar a forma como se vê a si próprio, melhorar a sua capacidade de afirmação, facilitar a expressão adequada de sentimentos e pensamentos. Entre outras tantas funções, trabalhar a comunicação assertiva, leva a que a criança e adolescente evite conflitos agressivos desnecessários (Alberti, Emmons, 2008 citado por Grilo, 2010)

Deste modo, o planeamento desta atividade terapêutica, assenta nos princípios aqui explanados e pretende melhor as capacidades comunicacionais das crianças e adolescentes internadas, oferecendo ferramentas concretas a crianças que apresentem dificuldade no estabelecimento de relações interpessoais e que usam a comunicação agressiva, como método preferencial de comunicação.

O aquecimento teve como objetivo primordial preparar o grupo para a ação, recorrendo-se a um aquecimento inespecífico para que se pudessem formar os pares de trabalho. Este momento particular, constitui um momento de contato inicial entre o grupo e os dinamizadores, onde se criou um clima descontraído e leve. As crianças e adolescentes mostraram a preocupação em ajudarem-se uns aos outros na formação de pares. Evidenciaram sinais de satisfação, principalmente através do seu comportamento não verbal : sorriso fácil e postura corporal descontraída. Quanto aos comentários verbais, as indicações que os adolescentes partilhavam entre si, refletiam o seu envolvimento na atividade, o que deixa transparecer a sua satisfação.

A segunda fase iniciou-se com um breve debate acerca do significado que tinha a palavra assertividade para os adolescentes. Esta intervenção apresentava dois objetivos principais: avaliar o grau de conhecimento dos clientes e promover espaço de discussão acerca da temática que seria trabalhada. Todos os adolecentes referiram já “terem ouvido falar” sobre a assertividade, mas houve, na sua globalidade, alguma dificuldade em traduzir em palavras o seu significado. Ainda assim, resultaram conceitos subjacentes interessantes como: “respeito pelo próximo”, “autenticidade”, “dizer a verdade”, “falar com calma”, “não ser agressivo”.

Notando algumas dificuldades na definição, optei por clarificar de forma sucinta, as diferenças entre uma comunicação passiva, agressiva e assertiva.

Na segunda fase, ação, foi pedido a cada adolescente que se sentasse em frente ao seu par e, através da técnica role-playing, simulasse uma “primeira vez que estabeleciam uma conversação com a pessoa que tinham à sua frente.” Para além da potencial dificuldade em iniciar uma conversa, pediu-se aos clientes que escutavam o seu par, que por vezes se mostrassem desatentos. Ao outro elemento, pedia-se que recorrem a estratégias para chamarem a atenção do seu par. Seguem, então, as anotações referentes à terceira fase (partilha de sentimentos)

Jovem S.A – (PCA): estratégias mobilizadas para iniciar comunicação: procura de interesses comuns; procurar o contato visual com seu par nas alturas em que está mais desatento. Mantém postura calma e cordial na abordagem com o colega. Jovem B. – (PCA): estratégias mobilizadas para iniciar comunicação: questionar o par sobre os seus interesses e evoca o “elogio” como técnica importante; quando o seu par está desatento, procura o contato visual e é capaz de devolver ao mesmo “estás a ouvir-me?”;

Jovem J.S – (alterações do comportamento): desiste facilmente, investe pouco na relação com o seu par. Quando o seu par mostra sinais de distractibilidade, a cliente rapidamente se remete ao silêncio. Dificuldade em mobilizar estratégias para iniciar conversação.

Jovem T.A – (alterações do comportamento): estratégias mobilizadas para iniciar comunicação: procura de interesses comuns. Investido na relação com o seu par, embora se matenha inquieto durante a atividade. Quando se apercebe que o seu par está desatento, reage com alguma frusturação e procura a sua atenção através da elevação do tom de voz e aproximação física.

Jovem C - (ideação suicida): estratégias mobilizadas para iniciar comunicação: procura de interesses comuns. Quando o seu par se mostra desatento, procura contato visual e desiste da abordagem.

Jovem M.S – (ideação suicida, tentativa de suicídio prévia): estratégias mobilizadas para iniciar comunicação: procura de interesses comuns e realiza questões para conhecer o par. Contato sempre cordial, postura desontraída, procura igualmente o contato visual. Procura questionar o seu par acerca da atenção dada, quando denota que este está distráctil.

A segunda atividade, teve como finalidade que os adolescentes trabalhassem as capacidades argumentativas. Os pares mantiveram-se iguais.

Jovem S.A – (PCA): quando foi pedido para mobilizar estratégias argumentativas de comunicação, descreve a possibilidade de utilizar o elogio e “palavras cordiais”. Jovem B. – (PCA): quando foi pedido para mobilizar estratégias argumentativas de comunicação, descreve novamente a possibilidade de utilizar o elogio.

Jovem J.S – (alterações do comportamento): quando foi pedido para mobilizar estratégias argumentativas de comunicação, demonstra pouca capacidade de investimento desistindo com facilidade.

Jovem T.A – (alterações do comportamento): quando o seu par não acede rapidamente ao seu pedido (para abrir as mãos), em primeiro lugar utiliza estratégia adapativa adequada, com transmite segurança ao par “podes abrir as mãos, eu já fiz o mesmo e não aconteceu nada de mal”; Contudo, quando o seu par volta a negar- lhe a vontade, eleva o tom de voz, fica mais inquieto e procura aproximação física do mesmo.

Jovem C - (ideação suicida): quando foi pedido para mobilizar estratégias argumentativas de comunicação, demonostra clara dificuldade, pois utiliza a informação pessoal que detinha do seu par de forma negativa e em tom de ameaça. Jovem M.S – (ideação suicida, tentativa de suicídio prévia): quando foi pedido para mobilizar estratégias argumentativas de comunicação, a cliente sente que utilizou a ameaça para conseguir persuadir o seu par. Contudo, esta temática acabou por não ser debatida e resgatada na fase de partilha final. Teria sido proveitoso abordar o porquê da cliente ter sentido isto e os significados inerentes à utilização desta estratégia. O debate em grupa poderia ter sido potencialmente gerador de conhecimentos também para os outros adolescentes.

Por último, importa referir os constrangimentos que os adolescentes referiram estar presente no desempenho dos papéis pedidos:

Unanimamente, o grupo referiu que a maior dificuldade encontrada foi no fato de por vezes não se sentirem ouvidos. Esta condição gerou sentimentos de “tristeza”, “sentir-me encorralada”, “invisível”, “não ouvida”, “ignorada” e “inferior”.