• No results found

8. Analysis

8.1. Comparison to the NSAB 2000

8.1.2. Contract B

Intervenção Objetivos Recursos Descrição da atividade Dinamizado

res Tempo Aq u ec im en to Aquecimento inespecífico – Desenho Compreender as expetativas do grupo em relação ao tipo de trabalho a desenvolver; Verificar a disponibilidade interna de cada adolescente para a atividade; Preparar o grupo para a atividade. Folhas em branco; Canetas e lápis de cor; Colchões;

Os colchões encontram-se previamente dispostos no chão, de modo a formar um círculo;

É distribuido uma folha de papel a cada adolescente e lápis de cor;

É pedido a cada adolescente que contorne na folha de papel a sua mão direito e esquerda;

Solicita-se que após o desenho, cada adolescente escreva num dos contornos da mão (esquerda ou direita) as suas expetativas em relação à atividade; É solicitado ao adolescente que guarde os seus contornos (desenhos) para serem completados e discutidos no final da atividade.

Enfª Susana & Enfª Patrícia

Açã o Movimento e Palavra Reconhecer as modalidades pessoais de comunicação através da expressão facial (mímica, olhar), do tom de voz e expressão corporal; Reconhecer as emoções sentidas aquando da relação estabelecida com o outro; Promover a capacidade de reconhecer as emoções/sentimento s; Folhas; Canetas; Folhas com as emoções escritas; Colchões.

O enfermeiro indica, em privado, a cada adolescente, a emoção que deverá expressar numa conversa banal.

Antes de iniciar esta fase, o enfermeiro deve reforçar que o conteúdo da conversação não é importante. Interessa somente os modos de expressão.

Enquanto cada adolescente faz a sua representação, o grupo vai anotando o tipo de emoção expressa (tom de voz, expressão do olhar e expressão corporal).

Cada adolescente deve retirar notas acerca do que sentiu quando o colega fez a representação.

Enfª Susana & Enfª Patrícia

P ar til h a Palavra Promover o auto- reconhecimento; Avaliar e promover a compartilha de emoções; Dar significado à atividade terapêutica; Desenhos com contornos das mãos; Canetas; Colchões.

Após a ação os adolescentes, o grupo reúne-se novamente em círculo;

Nesta fase, os adolescentes terão que preencher os contornos da mão que se encontram em branco, com o significado que a atividade teve para si; No final, cada adolescente partilha com o grupo o que escreveu na mão direita e esquerda (expetativas e ganhos adquiridos na sessão);

É igualmente pedido a cada adolescente que partilhe como se sentiu perante a representação do resto do grupo;

Facilitar e preparar o grupo para o desfecho da atividade.

Enfª Susana & Enfª Patrícia

AVALIAÇÃO DA SESSÃO

A atividade “reconheço-me e reconheço-te”, decorreu de acordo com plano de atividades previamente estruturado. Mantive a metodologia utilizada no que concerne ao planeamento de sessões, com “aquecimento inespecífico/específico; fase de ação; partilha final”. Os objetivos desta atividade foram: Reconhecer as emoções sentidas aquando da relação estabelecida com o outro; Promover a capacidade de reconhecer as emoções/sentimentos.

Nesta sessão procurei trabalhar as dimensões emocional, cognitiva e comportamental, ligadas aos fenómenos de agressividade. Sabe-se, como tem sido patente ao longo do relatório, que os jovens com comportamentos agressivos apresentam maior dificuldade em compreender as suas emoções e também a dos outros. Por estivo motivo, são menos perspicazes a compreenderem os sentimentos e emoções subjacentes às palavras e comportamentos das pessoas com quem interagem. Assim, esta atividade reveste-se de extrema importância, uma vez que prevejo que possa servir como instrumento para habilitar os adolescentes a compreenderem melhor o que sentem, aquando das emoções partilhadas durantes as relações que estabelecem. No fundo, pretende-se que se possa fomentem a capacidade de auto-conhecimento.

Nesta sessão, optei por realizar um aquecimento inespecífico e surgiram-me algumas dúvidas quanto à congruência e adequação com a fase de ação. Esta opção prendeu-se com algumas dificuldades que tenho sentido na realização das avalições anteriores. Os dados obtidos são subjetivos e por vezes são difíceis de interpretar. Por esse motivo, escolhi um aquecimento que, no fundo, me pudesse auxiliar na avaliação da sessão, procurando auscultar quais as expetativas dos clientes para esta sessão e, no fim, poder compreender se corresponderam e quais foram as mais-valias da atividades para cada jovem.

Os jovens foram retorquindo: “poder perceber-me melhor” ; “saber o que estou a sentir”; “aprender a perceber o outro” “a ver quando a pessoa está triste ou feliz”.

Posteriormente entrou-se na fase de ação, onde todos os jovens estiveram participativos. Distibruiram-se folhas para que os adolescentes pudessem fazer as suas anotações sobre as emoções/sentimentos inerentes à interação que estabeleciam uns com os outros. Por períodos, o grupo evidenciou alguma distratibilidade, sendo necessário igualmente relembrar que nesta atividade o mais importante seria a comunicação não verbal, em detrimento da comunicação verbal.

Ficam as anotações referentes a cada adolescente (com enfoque específico para a presença ou ausência de ressonância afetiva)

Jovem A.M. (Perturbação do comportamento alimentar): com capacidade de identificar as emoções partilhadas, descrevendo ora um sentimento de tristeza ora de empatia em relação às emoções representadas pelos colegas. Na partilha final refere sentir-se “triste porque esta atividade desencadeou em mim emoções que me fizeram lembrar a vida lá fora.” (sic).

Jovem G. (Perturbação do comportamento, heteroagressividade): consegue identificar emoções consideradas de “extremo”, como a tristeza e felicidade. Maior dificuldade em identificar estados emocionais como o medo e tranquilidade. Mostra distanciamente afetivo quando os seus pares representam na atividade tristeza. Utiliza várias vezes o termo “tédio” (sic) para definir a atividade. Não participa na partilha final.

Jovem B.P. (Perturbação do comportamento alimentar): com capacidade de identificar as emoções partilhadas, descreve sentimentos de tristeza quando representado a tristeza e sentimentos de alegria quando representada a felicidade. Tem dificuldade em identificar a emoção medo. Na partilha final refere “fiquei muito triste quando vi os outros tristes, senti-me frusrtrada porque queria ajudar e não sabia como” (sic). “às vezes é difícil compreender o que os outros estão a sentir” (sic).

Jovem B.S. (Perturbação do comportamento alimentar): muito atenta, identifica sentimentos e emoções partilhadas e consegue também expressá-las.

Contudo, mostra-se indiferente aquando da representação dos estados emocionais por parte dos restantes adolescentes. Fraca ressonância afetiva. Na partilha final refere “é normal ver os outros tristes, fica-se um bocado triste, mas também não sei o porquê de ele [adolescente] estar assim” (sic).

Jovem S.M. (Perturbação do comportamento, heteroagressividade): mais distratil durante a atividade em comparação com os outros jovens. Capaz de reconhecer os estados emocionais. Embora apresente dificuldades em reconhecer os estados emocionais considerados menos de “extremo” como “estado de paz” , “calma” e de “dúvida/apreensão”. Na partilha final refere “senti-me muito assustado quando vi a pessoa com raiva.” (sic).

Jovem J. (Perturbação do comportamento, heteroagressividade): com capacidade de identificar as emoções/estados emocionais considerados de extremo, com a felicidade e tristeza. Pouca ressonância afetiva, aparentemente sem expressão emocional aquando da representação dos estados emocionais pelos outros adolescentes. Não participa na partilha final.

Jovem T. (tentativa de suicídio): com capacidade de identificar as emoções partilhadas, descreve sentimentos de tristeza quando representado a tristeza, mas refere que quando é representada a alegria que “não consigo sentir-me alegre” (sic). Muito assustada quando é representa a emoção de raiva. Sem reação emocional aparente quando é representado o medo.

Após a ação, abre-se espaço para se auscultar as emoções sentidas durante a atividade. Inicia-se a fase de partilha. Os adolescentes encontram-se na sua maioria participativos, embora necessitem de algum incentivo no início para iniciarem a partilhar. Cada adolescente partilha com o grupo a folha de papel onde se encontram desenhadas duas colunas. Primeira coluna: “as emoções representadas” e a segunda coluna “o que senti quando as emoções eram representadas”.

Nesta altura procura-se compreender o nível de congruência existente entre o que foi representado e o que foi percecionado pelos adolescentes. Constata-se que as emoções foram na sua globalidade “bem” percecionadas, embora fosse

relativamente mais simples reconhecer as emoções consideradas de extremo como a felicidade, tristeza, raiva, ansiedade.

Pede-se, em jeito de conclusão da sessão, que possam discutir os ganhos da sessão e se a mesma tinha correspondido às expetativas. Os jovens descreveram “foi importante porque ajudou-me a perceber melhor o que sinto”; “sei que fico tristo quando vejo alguém triste, não gosto”; “senti muito medo quando o outro menino estava com raiva”; “a atividade foi uma lição importante para saber como lidar com as emoções.”