1 Introduction
1.2 Study methane dynamics in marine sediments using proxies
1.2.2 Methane derived authigenic carbonates (MDAC)
A Carta de Potencial Agrícola, subsídio para o Zoneamento Ambiental, e gerada a partir dos fatores declividade, aptidão agrícola e suscetibilidade à erosão está apresentada na Figura 37. O potencial agrícola na bacia variou de 38 a 218. Ressalta-se que a carta de potencial agrícola varia de 0 a 255, sendo que os menores valores indicam áreas com baixo ou nulo potencial ao desenvolvimento e valores maiores áreas aptas ao desenvolvimento. A potencialidade média da bacia foi de 118. O baixo valor pode ser explicado pelas elevadas declividades e baixa fertilidade dos solos.
Constata-se que na bacia, 1,6% das áreas apresentam potencial muito baixo (1-50), 23,2% potencial baixo (51-100), 65,4% potencial médio (101-150), 9,8% potencial alto (151-200) e 0,1% potencial muito alto (201-255). Devido as elevadas declividades presentes, há na bacia limitação quanto a utilização de máquinas agrícolas, influenciando o baixo potencial. A baixa fertilidade do solo, aliada à sua elevada acidez indicam também a necessidade de altos investimentos para a sua correção química. A partir da variação do risco e da compensação foram propostos cinco cenários finais. Os cenários, por considerem aspectos fundamentais e limitações do ambiente natural, apresentam áreas propensas ao planejamento e desenvolvimento regional e diferem entre si quanto a localização e tamanho das áreas selecionadas. A seleção das melhores áreas foi condicionada pelo uso do solo e cobertura vegetal, unidades de conservação, aptidão agrícola, suscetibilidade à erosão, distância das vias, declividades e distância da hidrografia.
Assim, o cenário 4 foi selecionado como proposta para o zoneamento, devido à observação dos graus de risco e compensação. A alta compensação equilibra-se ao valor do risco, garantindo a coerência da proposta. A Figura 38 mostra as áreas selecionadas. Observa-se que as áreas interceptam 49 municípios da bacia.
87 A área total selecionada para essa proposta corresponde a 92.344 ha (14% da área da bacia), sendo 3% equivalente as áreas com cultura do eucalipto, 26% áreas de agricultura, 64% áreas de pastagem e 7% áreas com solo exposto. A Figura 39, apresenta a distribuição de área por tipo de uso. Nota-se que 49% da área selecionada encontra-se em área de relevo entre 20 e 45% de declividade (Figura 40). Essas regiões apresentam alto grau de impedimento à mecanização. Ressalta-se que 2% da área, equivalente a 2.019 ha, são de relevo plano, oferecendo o emprego de todos os tipos de máquinas e implementos agrícolas em qualquer época do ano.
Figura 39. Distribuição das áreas selecionada por tipo de uso do solo e cobertura vegetal
Figura 40. Distribuição das áreas selecionada por classe de declividade
Os sistemas agroflorestais têm sido empregados com grande sucesso em algumas regiões e podem ser indicados como alternativa viável para a região de estudo, com benefícios sociais e econômicos. Os Sistemas Agroflorestais (SAF), através do
88 consórcio entre espécies arbóreas e agrícolas, apresentam-se como uma forma alternativa de manejo do solo. Vaz da Silva (2002), evitando a sua compactação através da não retirada da cobertura vegetal, os SAF’s possuem sistemas radiculares diversos que propiciam uma recarga de matéria orgânica promovendo a estabilidade dos agregados. O reflexo dessa redução é revertido em custos diretos de cerca de 16% em relação ao sistema convencional.
As pastagens fornecem boa proteção ao solo contra a erosão, entretanto, o manejo inadequado, pode prejudicar o cumprimento dessa função, devido ao pisoteio intensivo. Uma boa alternativa é o uso do sistema de rotação do pastoreio. Para isso, a área destinada ao pastoreio é dividida em piquetes, para onde o gado é conduzido conforme planejamento preestabelecido. Assim, fazendo-se com que não seja excessivamente consumida e pisoteada pelos animais, a pastagem terá plenas condições de se recompor antes de ser submetida a novo pastoreio. O ressemeio periódico da área constitui prática recomendável para manter a pastagem com densidade de cobertura capaz de assegurar suporte razoável para o gado e garantir boa proteção do solo contra a erosão.
A integração Lavoura-Pecuária é outra técnica bastante difundida atualmente e consiste em conciliar a pecuária bovina com a produção de grãos. Esta técnica, que busca a recuperação do potencial produtivo das áreas degradadas com a utilização da área durante todas as épocas do ano. Esse consórcio pode ocorrer entre lavoura, pastagem e floresta ou somente entre duas opções. Uma das inovações do método é a utilização de eucalipto no sistema lavoura-pasto. Esse sistema tem se mostrado eficaz por produzir alimentos, madeiras certificadas e animais, além de recuperar áreas degradadas e proteger o solo (EMBRAPA, 2011; EMATER, 2012).
Os benefícios da integração Lavoura-Pecuária e Floresta são a possiblidade de renovação das pastagens a custos menores, ressemeadura natural de algumas espécies forrageiras e antecipação do período de pastejo, favorecimento da pastagem devido ao residual de adubação das culturas de verão, utilização de forragem em épocas mais críticas do ano, menor incidência de pragas e doenças devido à quebra dos ciclos biológicos pela rotação de pastagem e cultivo de grãos, maior rentabilidade e diversificação no momento da comercialização de produtos (grãos/carne/leite ou lã), aumento da liquidez pela possibilidade de realização financeira imediata com a
89 comercialização de animais; e ciclagem de nutrientes no solo (adubo, urina e atividade biológica intensificada) (CONTE et al., 2006) .
Outra prática conservacionista possível de ser adotada, principalmente em áreas de pastagem é o terraceamento. Terraços são estruturas hidráulicas conservacionistas, compostas por um camalhão e um canal, construídas transversalmente ao plano de declive do terreno. Essas estruturas constituem barreiras ao livre fluxo da enxurrada, disciplinando-a mediante infiltração no canal do terraço (terraços de absorção) ou condução para fora da lavoura (terraços de drenagem). O objetivo fundamental do terraceamento é reduzir riscos de erosão hídrica e proteger mananciais (rios, lagos, represas...). Entretanto, a eficiência do sistema depende também da combinação de outras praticas complementares, como plantio em nível, rotação de culturas, controle das queimadas e manutenção de cobertura morta na superfície do solo.
Para avaliação do impacto das diversas culturas sobre o PIB per capita da região, estimou-se aa função de produção realizada por meio do método dos dados em painel. As Tabelas 25 a 30 apresentam os resultados obtidos na análise estatística para as regiões de estudo. Ressalta-se que na análise estática foi considera apenas a alteração de um dos elementos da função.
Tabela 25. Análise estatística para região de Barbacena
Variável (Cultura) Coeficiente Prob. t Modelo: Efeitos Fixos R2 = 0,9767 Arroz 2,9026 0,005 Batata - Inglesa 162,5812 0,118 Cana-de-Açúcar 0,7621 0,055 Feijão 0,2330 0,012 Mandioca 114,9549 0,000 Milho -0,7825 0,000 Tomate -132,8532 0,000 Banana 3,7121 0,000 Café -3,3048 0,000 Laranja 11,9890 0,039
A região de Barbacena é composta pelos municípios de Alto Rio Doce, Caranaíba, Carandá, Desterro do Melo e Senhora dos Remédios. Para essa região apenas as culturas do arroz, batata-Inglesa, cana-de-açúcar, feijão, mandioca, milho, tomate, banana, café e
90 laranja foram aceitas pelo software. As demais culturas foram omitidas automaticamente devido a colinearidade dos dados. De acordo com os testes realizados, o modelo de efeitos fixos foi o mais adequado para representar a função de produção. Na região, 97,67% das mudanças no PIB per capita são explicadas pelas variáveis independentes (áreas plantadas de cultura). Apenas a cultura da Batata-Inglesa não apresentou relação significativa com o PIB per capita (p>0,10).
As culturas do arroz, cana-de-açúcar, feijão, mandioca, banana e laranja relacionam-se positivamente com o PIB per capita sendo que o aumento na área plantada destas culturas gera um incremento no PIB per capita da região. A cultura da mandioca ocasiona maior impacto no PIB per capita. As culturas do milho, tomate e café afetam negativamente o valor do PIB per capita, ou seja, o aumento da área plantada destas culturas reduzem os valores PIB per capita da região. A cultura do tomate apresenta menor coeficiente e consequentemente o maior impacto na redução do PIB per capita.
Tabela 26. Análise estatística para região de Conselheiro Lafaiete
Variável (Cultura) Coeficiente Prob. t Modelo: Efeitos Fixos R2 = 0,9897 Alho 269,1816 0,364 Arroz -2,2410 0,010 Batata - Doce -1254,2080 0,394 Batata - Inglesa 8,2463 0,276 Cana-de-Açúcar 0,6081 0,072 Feijão 0,3928 0,765 Mandioca -5723005,0000 0,949 Milho 0,7195 0,560 Tomate -93,7639 0,492 Abacate -40,7056 0,348 Banana -12,0864 0,050 Café -3,0703 0,376 Laranja 9,0835 0,012 Tangerina -15,42984 0,605
A região de Conselheiro Lafaiete é composta pelos municípios de Catas Altas da Noruega, Itaverava, Lamim, Rio Espera e Santana dos Montes. De acordo com os testes realizados, o modelo de efeitos fixos foi o mais adequado para representar a função de produção. Na região, 98,97% das mudanças no PIB per capita são explicadas pelas
91 variáveis independentes (áreas plantadas de cultura). Apenas as culturas do arroz, cana- de-açúcar, banana e laranja apresentam relação significativa com o PIB per capita (p<0,10). As culturas da cana-de-açúcar e laranja relacionam-se positivamente com o PIB per capita sendo a cultura da laranja a de maior impacto no PIB per capita. As culturas da arroz e banana relacionam-se negativamente com o PIB per capita, sendo a banana a de maior impacto.
Tabela 27. Análise estatística para região de Piranga Variável (Cultura) Coeficiente Prob. t Modelo: Pooled
R2 = 0,6032 Alho 454,2499 0,519 Arroz 5,5755 0,082 Batata - Inglesa -24,5262 0,291 Cana-de-Açúcar 3,2527 0,541 Feijão -1,0222 0,190 Mandioca -149,5039 0,546 Milho 0,1292 0,776 Tomate -196,4084 0,741 Banana 117,5841 0,109 Café 3,6554 0,049 Goiaba 3628,4250 0,184 Laranja -147,4583 0,417 Limão -31,8054 0,709 Manga 4615,9250 0,435 Maracujá 311,9992 0,438
A região de Piranga é composta pelos municípios de Brás Pires, Cipotânea, Piranga, Presidente Bernardes e Senhora de Oliveira. De acordo com os testes realizados, o modelo pooled foi o mais adequado para representar a função de produção. Na região, 60,32% das mudanças no PIB per capita são explicadas pelas variáveis independentes (áreas plantadas de cultura). Apenas as culturas do arroz e café apresentam relação significativa com o PIB per capita (p<0,10) e o aumento na área plantada destas culturas gera um incremento no PIB per capita da região. O coeficiente do arroz é ligeiramente superior ao do café, proporcionando assim, um maior aumento no PIB per
92 Tabela 28. Análise estatística para região de Ubá
Variável (Cultura) Coeficiente Prob. t Modelo: Pooled R2 = 0,8663 Abacaxi 363,7244 0,267 Alho 1113,1610 0,000 Arroz 2,445587 0,239 Cana-de-Açúcar 7,2312 0,000 Feijão 0,2955 0,243 Fumo 4812,0770 0,155 Mandioca -476,0103 0,187 Milho 0,1054 0,746 Tomate 45,5999 0,392 Banana 6,8175 0,874 Café 2,0138 0,381 Goiaba -37,1133 0,324 Laranja -1056,9820 0,123 Limão 32893,2000 0,126 Manga -1748,5390 0,157
Noz (Fruto Seco) 7,671549 0,966
A região de Ubá é composta pelos municípios de Divinésia, Dores do Turvo, Paula Cândido e Senador Firmino. De acordo com os testes realizados, o modelo pooled foi o mais adequado para representar a função de produção. Na região, 86,63% das mudanças no PIB per capita são explicadas pelas variáveis independentes (áreas plantadas de cultura). As culturas do alho e cana-de-açúcar apresentam relação significativa com o PIB per capita (p<0,10) e o aumento na área plantada destas culturas gera um incremento no PIB per capita da região. Investimentos na cultura do alho podem proporcionar o aumento no PIB per capita.
A região de Ponte Nova é composta pelos municípios de Amparo do Serra, Guaraciaba, Oratórios e Ponte Nova. De acordo com os testes realizados, o modelo pooled foi o mais adequado para representar a função de produção. Na região, 97,42% das mudanças no PIB per capita são explicadas pelas variáveis independentes (áreas plantadas de cultura). Nenhuma das culturas estudas na região apresentou relação significativa com o PIB per capita (p>0,10). Isto quer dizer que o aumento da produção de um desses produtos não afeta o PIB per capita.
93 Tabela 29. Análise estatística para região de Ponte Nova
Variável (Cultura) Coeficiente Prob. t Modelo: Pooled R2 = 0,9742 Arroz 80,2847 0,533 Cana-de-Açúcar -17,6592 0,953 Feijão -1,3831 0,389 Mandioca -7493,5630 0,761 Milho -30,2419 0,500 Tomate 30337,3600 0,813 Banana 284,9311 0,746 Café 262,7500 0,558 Goiaba 76976,9000 0,781 Laranja 56728,4300 0,708
Tabela 30. Análise estatística para região de Viçosa Variável (Cultura) Coeficiente Prob. t Modelo: Pooled
R2 = 0,5012 Abacaxi -506,0279 0,711 Alho 2633,0940 0,917 Batata - Doce -3652,562 0,199 Batata - Inglesa 130,9276 0,646 Cana-de-Açúcar -82,0963 0,386 Feijão -4,4784 0,178 Mandioca 209,6952 0,694 Milho 3,7212 0,422 Tomate -124,3252 0,299 Abacate 20449,7600 0,641 Banana 58,4490 0,636 Café -0,2970 0,900 Caqui -604,8514 0,540 Goiaba -1811,1870 0,391 Laranja -229,4801 0,810 Limão -6393,2580 0,563 Mamão -646,2925 0,790 Manga 1129,0080 0,596 Maracujá 1227,6760 0,384 Tangerina -7371,945 0,467
A região de Viçosa é composta pelos municípios de Cajuri, Coimbra, Porto Firme, Teixeiras e Viçosa. De acordo com os testes realizados, o modelo pooled foi o mais
94 adequado para representar a função de produção. Na região, 50,12% das mudanças no PIB per capita são explicadas pelas variáveis independentes (áreas plantadas de cultura). Nenhuma das culturas estudas na região apresentou relação significativa com o PIB per capita (p>0,10). Nessa região, grande parte do PIB per capita é oriundo do setor de serviços, sendo o setor agropecuário o de menor contribuição para a constituição do PIB per capita.
Com relação à infra-estrutura básica de transporte para o melhor aproveitamento da produção agrícola e desenvolvimento econômico da região, percebe-se que a bacia requer altos investimentos para a sua melhoria. Constata-se que as vias pavimentadas não são duplicadas, além da maior parte do sistema viário ser composto por vias não pavimentas.
As rodovias BR-040 e BR-116 não atravessam, diretamente a bacia, porém as principais vias presentes dão acesso a essas rodovias, permitindo assim a classificação destas como importantes vias de escoamento da produção agropecuária.
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