3. Litteraturgjennomgang
3.1 Metandannelse – en kort innføring i sjøsedimentenes mikrobiologi
Segundo a OMS (1993), prática é o instrumento pelo qual uma profissão fornece conhecimento e produtos para a sociedade. A ação central da prática farmacêutica deve ser o uso racional de medicamentos. A prática profissional de uma categoria da área de saúde
recebe influência direta do processo educacional, das diretrizes das políticas sanitárias e de trabalho, da estrutura do sistema de saúde e do modelo assistencial. (REIS, 2003).
A utilização de medicamentos é um processo complexo, com múltiplos determinantes, e envolve diferentes atores. As diretrizes farmacoterápicas adequadas para a condição clínica do indivíduo são elementos essenciais para a determinação do emprego dos medicamentos. Entretanto, é importante ressaltar que a prescrição e o uso de medicamentos são influenciados por fatores de natureza cultural, social, econômica e política. (FUAS, 2000; PERINI et al., 1999).
A atenção farmacêutica, um novo modelo centrado no paciente, surge como alternativa que busca melhorar a qualidade do processo de utilização de medicamentos, alcançando resultados concretos (REIS, 2003). Segundo vários autores, entre eles Hepler (1999), a atenção farmacêutica, nas suas dimensões filosóficas e de atuação profissional, tem sido posta como estratégia de “reprofissionalização” do farmacêutico. (OPAS, 2001).
A atenção farmacêutica possui diferenças marcantes em relação às praticas tradicionais, pois é, na realidade, um acordo de cooperação entre o paciente e o farmacêutico, buscando a otimização dos resultados terapêuticos. O impacto positivo da AF foi mostrado por intermédio de pesquisas realizadas em vários países, demonstrando ser importante agente de promoção do uso racional de medicamentos (REIS, 2003). Em uma revisão sistemática sobre os efeitos dos novos papéis assumidos pelo farmacêutico, o autor chama a atenção para a importância dos profissionais continuarem avaliando essas novas atuações, por meio de pesquisas rigorosas, para se conseguir demonstrar à sociedade os reais benefícios de suas ações. (INESTA, 2001).
A reatividade à participação de profissionais farmacêuticos na educação de pacientes deve-se basicamente ao modelo de prática profissional adotada no Brasil, o da distribuição de medicamentos. A adoção de novo paradigma – o da AF, que é uma das recomendações da Organização Mundial da Saúde (WHO, 1994; WHO, 1993) pode vir a contribuir para a solução de problemas de saúde relacionados ao uso de medicamentos.
Em estudo de Culbertoson e colaboradores (1998), realizado em estabelecimentos farmacêuticos nos EUA, 96%, de 317 pessoas pesquisadas, apontaram a orientação, realizada no ato da dispensação, como de grande valia para o seu tratamento, 93% indicaram que preferiam utilizar semelhante programa novamente e 62% gostariam de receber uma orientação combinada, com informações orais e escrita. Para 45% dos pacientes, as informações foram de tal magnitude que resultaram na mudança de hábitos de administração de seu(s) medicamento(s). Outro estudo multicêntrico, realizado na Europa, mostrou a redução de custos e aumento da qualidade de vida. Os pacientes do grupo intervenção
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manifestaram melhor controle da doença e alto nível de satisfação. A opinião dos médicos e farmacêuticos foi favorável à atenção farmacêutica. (BERNSTEN et al., 2001).
A filosofia do exercício profissional é uma série de valores, que orientam os comportamentos, associados a determinados atos, bem como definem as regras, funções, relações e as responsabilidades do profissional para com a sociedade (CIPOLLE; STRAND; MORLEY, 2000). A filosofia poderá ser entendida como o coração à mente da prática, o que definirá todos os componentes e termos relacionados à AF (IVAMA et al., 2003). Dentre as características da filosofia da AF, é imprescindível se reconhecer profissional de saúde, incorporar a missão de cuidar do paciente e trabalhar em prol da sua saúde e da qualidade de vida. Nesse contexto, o farmacêutico deverá satisfazer as necessidades sociais, por meio da: visão humanística, do enfoque centrado no paciente, na abordagem holística do estabelecimento de relações terapêuticas e na tomada de consciência.
A atenção farmacêutica é um novo modelo de prática e pode haver diferenças na sua implementação, com o emprego de diferentes métodos para se chegar ao mesmo objetivo (KASSAM et al., 2001). Segundo Renovato (2002), a reapresentação do conhecimento sofre a interferência em como o farmacêutico vê o processo da AF. Sob esse prisma, os programas de AF devem ser sistemas abertos, cujo método dependerá do sistema de saúde e da realidade nacional ou mesmo regional. Os planos devem ser norteados por um objetivo simbólico essencial, que é o ser humano composto das suas espeficidades bio-psicossociais. Além disso, devem ser baseados na complementaridade da evidência científica, da experiência prática do farmacêutico e do conhecimento empírico dos pacientes. (LYRA JR., 2005).
Os resultados contidos na presente pesquisa demonstraram a importância de o plano de atenção farmacêutica, por meio de uma sistemática de otimização da farmacoterapia e de educação ao paciente asmático atendido em uma unidade terciária do sistema único se saúde. Os resultados mostram que o seguimento farmacoterapêutico e a educação em saúde são fatores de impacto na melhora clínica e humanística desses pacientes, Com estas informações, pretende-se estimular o exercício da atenção farmacêutica, particularmente em nível ambulatorial, que foi objeto do nosso estudo, e que isso seja uma prática usual, adequadamente inserida nos serviços. Reconhece-se que muito ainda deve ser feito para sua viabilização.
• Poucas modificações foram realizadas em termos de infra-estrutura, apenas a disponibilização do consultório para atendimento farmacêutico, a melhoria da documentação e registro das atividades, para a implantação do Serviço de Atenção Farmacêutica no ambulatório do Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes. Com relação aos recursos humanos, houve uma conscientização dos profissionais farmacêuticos sobre a importância de sua inserção na equipe multidisciplinar.
• O perfil farmacoepidemiológico dos pacientes mostrou que a maioria pertence ao sexo feminino, com baixa escolaridade, com média de idade de 46 anos, casada e aposentada, com renda média de dois salários-mínimos, e co-habitam com esposo e filhos. A maioria não pratica atividade física, como também nunca fumou e não bebe. O grupo pesquisado utilizava, em média, dois medicamentos para asma, sendo que todos os pacientes usavam broncodilatador de curta ação e corticosteróide inalatório.
• A farmacoterapia empregada de forma inadequada causou o aparecimento dos diversos PRMs. Foram identificados 64 problemas relacionados a medicamentos (PRM), sendo que a maioria se referiu a problemas de adesão ou cumprimento (PRM 7); ou seja, apesar de ter recebido orientação de como utilizar o medicamento, mais da metade não cumpria as ordens médicas ou as seguia, mas de forma incorreta.
• Mais da metade dos pacientes, após intervenção farmacêutica, apresentaram uma diminuição dos sintomas de asma noturna, como também diurna; isto fez com que não fosse necessário o uso de broncodilatador de curta ação.
• As intervenções farmacêuticas humanísticas e comportamentais influenciaram, significativamente, na qualidade de vida dos pacientes asmáticos do estudo, bem como promoveram a satisfação dos pacientes com o serviço de AF prestado e com o farmacêutico-pesquisador.
• A comunicação e as intervenções educativas humanizadas foram instrumentos relevantes para a construção de relações terapêuticas, fundamentadas na confiança e na co-responsabilidade, influenciando no cuidado efetivo, na obtenção de resultados positivos e na satisfação dos pacientes asmáticos.
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• Portanto, os achados do presente estudo apontam para um efetivo e satisfatório serviço de AF, em nível ambulatorial, evidenciado através do acompanhamento farmacoterapêutico de pacientes com asma. Instigam a continuar as investigações, no sentido de aprimorar as técnicas empregadas e no rigor quanto aos mecanismos de avaliação das intervenções propostas para a resolução dos PRMs. Deve ser corretamente elucidado o grau de beneficio que essas atividades trazem aos pacientes, não somente para os asmáticos, mas também para os que são portadores de enfermidades crônicas em geral.
Os resultados alcançados nesta pesquisa correspondem ao primeiro passo rumo a um melhor atendimento das pessoas com asma na rede pública, mas vale ressaltar que mudanças organizacionais, sobretudo a redefinição do papel do farmacêutico, fazem-se necessárias, para que estes profissionais tenham mais tempo, preparo e recursos para atuar com os pacientes. No acompanhamento ao paciente asmático, considera-se importante também sensibilizar toda a equipe de saúde quanto à necessidade de desenvolver ações, individuais e integradas, que produzam melhores índices de adesão ao tratamento.
No âmbito da assistência farmacêutica, considera-se necessário definir critérios que viabilizem a implantação de um programa de Atenção Farmacêutica, fundamentado nos modelos existentes, mas acima de tudo adaptado à realidade do Sistema Único de Saúde – SUS, que venha a desenvolver habilidades de comunicação e aconselhamento na implantação e condução do tratamento, que possa promover a adesão ao tratamento farmacológico, inibindo ou prevenindo o surgimento de problemas relacionados aos medicamentos, contribuindo, assim, para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes asmáticos.
Necessita-se de um modelo de prática farmacêutica, que realmente seja aplicável a nossa realidade e que contribua, sobretudo, para transformá-la. Uma prática para cumprir esse papel precisa estar ancorada em um processo educativo que, além de contemplar as dimensões do conhecimento (SABER) e das habilidades (SABER FAZER), possa FAZER/AGIR. Precisa-se, enquanto profissionais de saúde, aprender a valorizar o “saber” e as “experiências” dos que carecem de nosso cuidado.
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