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Metoder for å vurdere potensiale for metandannelse

3. Litteraturgjennomgang

3.5 Metoder for å vurdere potensiale for metandannelse

Percebe-se uma estreita relação do agricultor familiar com a natureza. No semiárido, a baixa disponibilidade hídrica preocupa o agricultor familiar, que tende a cuidar melhor dos recursos naturais disponíveis. Esta estreita relação pode ser intensificada por processos agroecológicos e sustentáveis. Segundo Assis (2002), os agricultores familiares são os mais aptos a passar para um sistema orgânico de produção agroecológico, embora careçam de informação e de disponibilidade de recursos financeiros para implementar essa conversão. Contudo, entender melhor o conceito de agroecologia auxilia na interligação com agricultura familiar e campesinato.

A agroecologia representa uma abordagem agrícola que incorpora cuidados especiais relativos ao ambiente, assim como aos problemas sociais, enfocando não somente a produção, mas também a sustentabilidade ecológica do sistema de produção (ALTIERI, 2002). Pode ser descrita também como uma ciência que tem por objeto o estudo holístico dos agrossistemas, que buscam copiar os processos naturais empregando um enfoque de manejo de recursos naturais para condições específicas de propriedades rurais respondendo pelas necessidades e aspirações de agricultores em determinadas regiões (ALTIERI, 2001).

Como alternativa, o manejo agroecológico de sistemas de produção privilegia a biodiversidade, cria bases para a inclusão social das pessoas e é capaz de proporcionar viabilidade econômica às famílias, de forma mais equilibrada. Este sistema de manejo contribui para a recuperação e aumento das áreas verdes, auxilia na conservação e melhoria do meio ambiente e possibilita a produção de alimentos mais saudáveis e seguros (PADOVAN et al. (2008).

A Embrapa Agroecologia possui uma fazenda agroecológica, desde 2009, que oferece suporte como centro de pesquisa para interessados no manejo de propriedade agroecológicas, e ainda define princípios e normas técnicas para agricultura orgânica:

a) reciclar nutrientes por meio de compostagem, a partir do aproveitamento de

resíduos vegetais e animais localmente disponíveis; b) reduzir a dependência externa quanto à nutrição nitrogenada, mediante a reciclagem e a fixação biológica, pelo uso intensivo de rotações fundamentados no cultivo de espécies leguminosas; c) minimizar processos erosivos, com ênfase na utilização de biomassa vegetal produzida “in situ”, para fins de cobertura de solo e adubação verde; d) introduzir e avaliar espécies e variedades de plantas buscando manter o material propagativo adaptados ao manejo orgânico; e) manter o equilíbrio nutricional das plantas, evitando situações de estresse, de modo que os mecanismos de defesa não sejam alterados e possam manifestar-se plenamente; f) manter populações de fitoparasitos e ervas espontâneas em níveis toleráveis, sem o emprego de técnicas que representem impactos de natureza ecotoxicológica; g) incorporar elemento arbóreo,

por meio de desenhos agroflorestais diversificados; h) adequar métodos de irrigação com vistas à racionalização do uso de água e de fontes renováveis de energia; i) estabelecer um modelo físico para o manejo de bovinos leiteiros; j) difundir experiências relacionadas ao manejo ecológico, valorizando a agrobiodiversidade (EMBRAPA, 2014).

A sustentabilidade deve ser um dos principais focos na instalação dessas alternativas tecnológicas. A geração de renda e alimentos para as famílias deve ocorrer de forma sustentável, evitando alterações indevidas no ambiente em geral. A noção de desenvolvimento (rural) sustentável tem como uma de suas premissas fundamentais o reconhecimento da “insustentabilidade” ou inadequação econômica, social e ambiental do padrão de desenvolvimento das sociedades contemporâneas (SCHMIT, 1995).

Geralmente as espécies selecionadas pelos agricultores para esses espaços são espécies nativas, que apresentam um alto índice de produtividade e uma baixa necessidade de utilização de agroquímicos. Essa diversidade contribui não somente para a segurança alimentar e estabilidade econômica dos agricultores familiares, mas para o equilíbrio do sistema agroecológico como um todo (OKLAY, 2004).

Ao combinar saberes diferenciados, os agricultores constroem relações com a natureza que retomam processos de gestão que fazem uso de recursos naturais e não necessariamente de recursos industrializados. No que se refere às práticas agrícolas e à utilização dos recursos naturais, muitas definições incluem a redução do uso de agroquímicos e de fertilizantes sintéticos solúveis, o controle da erosão, a rotação de culturas, a integração lavoura-pecuária e a busca de novas fontes de energia (EHLERS, 1994). A inserção dessas tecnologias é imprescindível para alavancar o desenvolvimento das famílias de baixa renda, levando em consideração o alto potencial produtivo dessas comunidades, diante de melhores mecanismos e condições de trabalho.

Castro et al. (2009) realizou o levantamento dos sistemas agroflorestais na várzea do Amazonas, percebeu que os quintais agroflorestais no Amazonas resgataram culturas antigas e ajudaram na sobrevivência das comunidades que vivem na várzea do rio, as características mais importantes do sistema agroflorestal foram elencadas pelo autor: utilização de uma grande diversidade de plantas, manejadas para atender às necessidades vitais da comunidade, isto é, alimentação, saúde (uso de plantas medicinais), confecção de vestuário, construção de casas e abrigos, assim como manufatura de diversos objetos de uso comum que incluem sistemas indígenas, cultivo itinerante ou migratório, sistemas tradicionais abertos ao mercado e intercultivo de plantas perenes arbóreas, arbustivas e palmáceas.

Diante da interação dos conceitos de agroecologia com agricultura familiar, cultura local, campesinato e outras vertentes, criou-se uma linha de pensamento que recentemente é base para diversas pesquisas: Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável. A percepção sobre as vantagens de inserção de sistemas agroecológicos no contexto rural familiar busca além da segurança alimentar e garantia de renda, um manejo sustentável da propriedade, essa discussão é ricamente abordada por Guzmán:

Essas novas estratégias de ação devem garantir o incremento da biodiversidade, no que se refere às formas de relação com os recursos naturais. Elas devem atender não somente à utilização dos mesmos, mas também à sua conservação, empregando, para isso, tecnologias que respeitem o meio ambiente e, além disso, permitam a abertura de espaços na administração, para garantir a participação local. Em suma, a agroecologia como desenvolvimento rural sustentável consiste na busca do local para, partindo daí, recriar a heterogeneidade do mundo rural por meio de formas de ação social coletiva (GUZMAN, 2005, p. 131).

A coletividade no campo é um forte traço do campesinato que releva a equidade, e é descrito por Caldart et al. (2012) como capacidade do agrossistema de gerir de forma justa sua força produtiva, incluir divisão social e técnica do trabalho familiar, relacionar os gêneros e a geração, além de relacionar os processos sociopolíticos e serviços ambientais.

A equidade e coletividade inerentes ao processo agroecológico interagem com as necessidades do homem do campo, a busca por melhores condições não é realizada individualmente e sim coletivamente. Entre os principais componentes almejados no processo agroecológico estão: segurança alimentar e hídrica e melhoria de renda.