7. Samferdselsdepartementet - Utdrag frå dei einskilde budsjettkapitla, samt komiteen sine
7.8 Kap. 1320 og 4320 Statens vegvesen
7.8.4 Merknader frå komiteen til post 30 Riksveginvesteringar
A abordagem sistémica do cuidado à família enfatiza o enfermeiro numa posição de complementaridade em relação à saúde da família e, simultaneamente, dos seus membros.
O exercício profissional da enfermagem centra-se na relação interpessoal de um enfermeiro e uma pessoa ou de um enfermeiro e um grupo de pessoas (família ou comunidades). Quer a pessoa enfermeiro, quer as pessoas clientes dos cuidados de enfermagem, possuem quadros de valores, crenças e desejos da natureza individual – fruto das diferentes condições ambientais em que vivem e se desenvolvem. Assim, no âmbito do exercício profissional, o enfermeiro distingue-se pela formação e experiência que lhe permite compreender e respeitar os outros numa perspetiva multicultural, num quadro onde procura abster-se de juízos de valor relativamente à pessoa cliente dos cuidados de enfermagem, (OE, 2004, p8).
O trabalho dos enfermeiros com as famílias, denominado neste estudo por intervenções de enfermagem, representa o comportamento observável do enfermeiro, orientado para a mudança na família (Whyte, 2005; Wright & Leahey, 2009).
A preocupação com o contexto das intervenções de enfermagem, quando se pretende uma abordagem sistémica do cuidado à família exige todavia algumas reflexões.
O MCIF foi o primeiro modelo de intervenção na família que surgiu no âmbito da enfermagem da família (Wright & Leahey, 2009) e assim como o MCAF, é hoje um dos modelos com grande expansão e aceitação a nível mundial, que nos orienta sobre a intervenção na família.
Numa perspetiva sistémica, o reconhecimento de sistemas observantes, leva-nos a aceitar que o comportamento do enfermeiro, a intervenção, desencadeia uma resposta na família, que por sua vez, é que estimulou o comportamento do enfermeiro. Deste modo as
39 intervenções de enfermagem acontecem com a família pois são influenciadas por ela (Wright & Leahey, 2009).
Esta noção de interação entre o enfermeiro e a família leva-nos a identificar que o resultado da intervenção de enfermagem será uma resposta da família, eficaz ou não, reveladora do seu funcionamento familiar. Esta ideia de intervenções que provocam respostas dependentes do funcionamento do sistema leva-nos a concluir que a resposta que a família dá não é determinada diretamente pela intervenção do enfermeiro mas pelo seu funcionamento.
Os ganhos em saúde sensíveis à intervenção do enfermeiro resultam de funcionamentos eficientes ao nível afetivo, cognitivo e comportamental. A intervenção de enfermagem eficaz será aquela mais útil à mudança na estrutura biopsicossocial e espiritual dos membros da família (Wright & Leahey, 2009). Este é um dos maiores desafios ao trabalho dos enfermeiros com as famílias.
O MCIF fornece uma estrutura organizadora para conceptualizar a intercepção entre um determinado domínio do funcionamento familiar e uma intervenção específica de enfermagem que tem por finalidade a mudança do sistema. Os seus elementos estruturantes são assim os domínios do funcionamento familiar, as intervenções, e o ―ajuste‖ ou eficácia, conforme o diagrama apresentado na Figura 10.
Intervenções propostas pela Enfermeira Domínios do funcionamento familiar Cognitivo ―Ajuste‖ ou Eficácia Afetivo Comportamental
Figura 10 - Elementos do Modelo Calgary de intervenção Familiar
40
No sentido de promover um funcionamento familiar efetivo, a teoria da mudança (Bateson, 1979) dá contributos importantes para os enfermeiros pensarem e decidirem as intervenções com cada família.
O primeiro contributo será para a aceitação de que o sistema paradoxalmente pode permanecer imutável apesar de mudanças constantes (Bateson, 1979, Maturana & Varela, 1997, Olson, 2000; Wright & Leahey, 2009). A mudança no sistema é gerada por estímulos internos e externos ao próprio sistema (Maturana & Varela, 1997). Todavia, algumas das diferenças não são percecionadas, e chamamos-lhe mudanças de primeira ordem, diríamos que o sistema permanece na mesma. Outras resultam em alterações qualitativas da estrutura do sistema que exigem a sua reorganização, as mudanças de segunda ordem, frequentemente reconhecias por ―mudança mudança‖. Todavia, umas e outras são necessárias para manter a estabilidade o sistema.
Aceitar a mudança como perturbação do sistema que gera estabilidade, predispõe, em nosso entender o enfermeiro para uma intervenção mais efetiva com a família. A crença que a família está em constante mudança desperta o enfermeiro para os padrões de interação da família.
A compreensão do funcionamento do sistema, com recurso às suas propriedades de retroação e equifinalidade complementam esta compreensão.
Pela propriedade da retroação, uma intervenção pode ser dirigida a um dos domínios e afetará os outros e simultaneamente todo o funcionamento familiar promovendo a mudança. Neste contexto a decisão por qual o nível de funcionamento deve incidir a intervenção do enfermeiro não é primordial, mas sim a decisão tomada com a família sobre a utilidade da mesma para o seu funcionamento. Não existem formas únicas de intervir com o sistema (Wright & Leahey, 2009).
Se atendermos à propriedade da equifinalidade, em que estímulos iguais podem provocar respostas diferentes, bem como estímulos diferentes podem provocar respostas
41 iguais, rapidamente ficamos convencidos que as intervenções de enfermagem, numa abordagem sistémica do cuidar não serão um role de prescrições mas sim opções pensadas para cada família e para cada situação.
Sabe-se contudo, que a mudança mais profunda e contínua é aquela que ocorre ao nível das crenças da família (cognição). A mudança depende da perceção do problema (Wright & Leahey, 2009).
Neste sentido o MCIF orienta a decisão da proposta de intervenção mais adequada, determinada pela família e pelo enfermeiro, tendo em vista o domínio predominante do funcionamento familiar onde se pretende efetuar o ajuste/ mudança.
Os enfermeiros no seu trabalho com as famílias, em variadas situações de prestação de cuidados, debatem-se com a questão do tempo e com a indicação de envolvimento da família nos cuidados.
O tempo da intervenção é parte integrante da consulta de enfermagem de família, desenvolvendo-se desde o contacto até ao término da mesma. A habilidade dos enfermeiros em conduzir a entrevista com a família aumenta a eficácia da intervenção e possibilita o desenvolvimento de consultas breves, de quinze minutos ou menos (Wright & Leahey, 2009).
A indicação para envolver a família nos cuidados é desde logo clara, face à abordagem sistémica do cuidado à família, como temos vindo a argumentar. Existem contudo algumas situações em que a intervenção do enfermeiro não está indicada (Blomqvist & Ziegert, 2011). Temos o caso em que nenhum dos membros da família aceita a intervenção do enfermeiro mesmo que indicada, e a situação em que a família prefere recorrer a outro profissional (Wright & Leahey, 2009).
As intervenções de enfermagem com a família, cujo objetivo final é ajudar a família a descobrir novas soluções e a reduzir o seu sofrimento emocional, físico e espiritual, são
42
plataformas terapêuticas essenciais à existência dos resultados de Enfermagem de Família (Duhamel, Dupuis & Girard, 2010).
A investigação realizada por Figueiredo (2009), dá-nos a conhecer uma série de focos que originam diagnósticos elaborados pelos enfermeiros no trabalho com as famílias, rendimento familiar, edifício residencial, precaução de segurança, abastecimento de água e animal doméstico; satisfação conjugal, planeamento familiar, adaptação à gravidez e papel parental; papel de prestador de cuidados e processo familiar, mas efetivamente esta é uma área que necessita de mais estudo e desenvolvimento.
43
CAPÍTULO II