A presente investigação permitiu-nos descortinar um pouco mais sobre as vivências familiares e parentais que aproximam e distanciam, famílias adoptantes e famílias biológicas, na realidade portuguesa.
Contudo algumas limitações são reconhecidas neste estudo. A principal, diz respeito à caracterização da amostra, uma vez que a maior parte dos indivíduos residem num meio urbano, têm formação académica ao nível do ensino superior e o nível sócio económico médio-alto/ alto é o mais registado; importaria, pois, ultrapassar estas particularidades, no sentido de se chegar mais perto da representação populacional portuguesa. Relativamente à amostra de “Famílias adoptivas” é de ressalvar a dimensão da mesma, uma vez que nem sempre é fácil aceder à disponibilidade desta população; e se a homogeneidade da sua caracterização foi útil para este estudo, não deixaria de ser interessante procurar reunir diferentes experiências dentro desta tipo de amostra, como são exemplo as adopções internacionais, transraciais, adopções de crianças com necessidades especiais e adopções tardias (de crianças mais velhas).
Sendo este estudo de carácter, maioritariamente, exploratório, algumas questões poderiam ser aprofundadas. Desta forma, fica em aberto caminho para a investigação de hipóteses lançadas no apartado anterior, como sendo, entre outras, a averiguação da maior prevalência do estilo autoritário em famílias adoptivas (relativamente às biológicas); o estudo mais aprofundado das variações dos estilos parentais, aliança parental e tipologia familiar, com base, por exemplo, na análise destas variáveis na família de origem, ou com base na análise de diferenças culturais, étnicas e religiosas; e por fim a análise mais alargada das relações entre as três variáveis, em todas as suas dimensões.
Para além de abrirem caminho a investigação futura, os resultados permitiram tecer algumas considerações sobre a sua pertinência na prática clínica com famílias biológicas e adoptivas e pretendem, de alguma forma, ser úteis ao trabalho técnico e profissional e eventualmente promover uma melhor compreensão das dinâmicas familiares, por parte dos próprios intervenientes.
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