Como foi possível observar na tabela 5.14, os valores GIN escolhidos para as várias fiadas não foram iguais. Isto deve-se ao facto de que conforme as fiadas vão sendo injetadas, a permeabilidade do maciço vai diminuindo gradualmente, o que significa que a segunda fiada a ser realizada irá encontrar um maciço com menos descontinuidades abertas e outros acidentes geológicos para tratar quando comparada com a primeira.
Como tal, o GIN resultante da segunda fiada será inferior ao da primeira, e claro, o da terceira fiada inferior ao da segunda; quer pela utilização de pressões de injeção mais baixas ou pela injeção de um menor volume de calda de cimento.
Como foi mencionado no cap.5.4, a ordem de execução das fiadas foi: F-3 F-1 F-2, e, analisando os valores da tabela 5.14 é possível confirmar a teoria mencionada anteriormente:
GIN F-3> GIN F-1 > GIN F-2
Da análise da tabela 5.15 é possível retirar algumas conclusões, sendo uma delas que a quantidade de calda injetada por fiada diminui segundo a ordem de execução destas (F-3> F-1> F-2), o que é coerente com a ideia de diminuição do número de descontinuidades e outros acidentes geológicos por tratar ao longo da empreitada.
Outra das conclusões foi que a quantidade de calda injetada na margem direita foi superior à da outra margem. Novamente, este facto é coerente com os dados conhecidos do maciço: a margem direita apresenta um maior número de acidentes geológicos e mudanças litológicas, portanto necessita de mais calda para os tratar.
Finalmente, após a análise das relações A/C obtidas na tabela 5.17 chegaram-se a conclusões semelhantes às obtidas na interpretação dos dados anteriores, o que tem lógica, considerando que todos estes se encontram relacionados entre si, de uma ou outra maneira.
As caldas tornam-se mais finas segundo a ordem de execução das fiadas (F-3> F-1> F-2), isto porque, as descontinuidades mais abertas foram injetadas durante a primeira fiada, sendo necessária a utilização de caldas mais finas para tratar as restantes descontinuidades menos abertas. Para além disso, as caldas utilizadas na margem direita foram mais espessas do que na margem esquerda, algo justificável novamente pela pior qualidade do maciço na margem direita.
É no entanto importante realçar o seguinte ponto no que toca às relações A/C: Lombardi favorece a utilização de caldas muito espessas, com relações A/C preferencialmente entre 0,7:1 a 1:1. (secção
4.3.2.), enquanto que as caldas teóricas projetadas são muito finas, sendo que a calda mais espessa apresenta uma relação A/C de 1,7:1, o que é quase o dobro do previsto por Lombardi.
Este ponto é no entanto justificável pelo facto de que Lombardi (1993), para além de utilizar caldas muito espessas, também sugere a aplicação de superplastificantes, que têm como efeito a redução da viscosidade da calda (secção 2.3.1.), o que por sua vez aumenta a sua velocidade de escoamento (secção 2.3.2.2.) e penetrabilidade.
Como no decorrer da aplicação da metodologia descrita no cap. 5.5.2, foi admitido que a calda injetada era apenas constituída por água e cimento, não existiu a possibilidade de alterar a penetrabilidade desta através da adição de superplastificantes ou de outro qualquer tipo de aditivos. As caldas teóricas selecionadas tiveram portanto que ser naturalmente mais finas do que a calda espessa com superplastificantes sugerida por Lombardi, de modo a apresentarem penetrabilidades semelhantes a esta última.
Os últimos resultados a serem discutidos, e talvez os mais importantes, encontram-se relacionados com o facto de que a fiada F-3 apresenta ao mesmo tempo os valores GIN mais díspares entre margens e os traços de calda médios mais semelhantes, enquanto que na fiada F-1 observa-se o comportamento oposto, sendo os valores GIN idênticos e os traços de calda médios mais díspares. A justificação que será apresentada de seguida para estes resultados basear-se-á nas diferenças das características e qualidade do maciço entre as margens direita e esquerda.
Como foi mencionado anteriormente (secção 5.3.1 e 5.5.2), a margem direita apresenta piores características geotécnicas do que a margem esquerda, encontrando-se mais meteorizada. Como tal, é possível assumir que as descontinuidades existentes nessa margem apresentem maiores aberturas e/ou continuidade.
No entanto, aquando da execução das injeções, esta teoria não tinha como ser comprovada visto que os dados obtidos a partir das figuras 5.10 e 5,11, referentes aos outliers identificados após a aplicação do método GIN (com as devidas adaptações) não se encontravam disponíveis, pois:
O método GIN ainda se encontrava no início do seu desenvolvimento;
Os dados necessários para a realização dos gráficos presentes nas figuras 5.10 e 5.11 apenas podem ser obtidos após a execução das injeções.
Vem daí que a relação A/C média das caldas utilizadas na execução da fiada F-3 sejam tão semelhantes: 1,7/1 para a margem direita e 1,9/1 para a margem esquerda.
Ao serem utilizados traços tão semelhantes, assumindo que a premissa adotada anteriormente é verdadeira, a calda espessa injetada na margem direita conseguiu penetrar nas descontinuidades existentes enquanto que na margem esquerda, essa mesma calda espessa encontrou dificuldades em penetrar nas descontinuidades mais fechadas, levando a que a nega fosse atingida sem que as descontinuidades tivessem sido realmente injetadas, explicando-se assim a disparidade de valores GIN entre as duas margens (35500 para a margem direita e 29000 para a margem esquerda).
Na injeção da fiada seguinte, F-1, presume-se que este problema tenha sido detetado, pois observa- se uma maior diferença entre as relações A/C médias das duas margens quando comparadas com a fiada anterior: na fiada F-3 a diferença era de 11,8%, enquanto que na fiada F-1 esta diferença é mais do dobro, situando-se nos 23,8% (2,1/1 e 2,6/1 para margem direita e esquerda respetivamente).
Pressupõe-se que o aumento da finura média da calda utilizada na margem esquerda da fiada F-1 tenha sido suficiente para permitir a injeção das descontinuidades não tratadas pela fiada F-3, pois o valor GIN associado mantém-se constante em ambas as fiadas (29000 e 28000 para fiada F3 e F1 respetivamente), enquanto que na margem direita este diminui, como seria de esperar.
Aquando da execução da última fiada, F-2, estes problemas já se encontram remediados, visto os valores GIN diminuírem em ambas as margens e, embora este sejam novamente idênticos (21000 e 20500) não é motivo de alarme pois a esta altura o maciço já se encontra tão tratado que as diferenças de qualidade entre as margens já não são identificáveis através da comparação destes valores.