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Pela análise do Gráfico 11 percebe-se que o aumento da concentração de glicerol, de 0 para 0,2% (m/v), para a solução de quitosana 1% (m/v), acarreta a diminuição do coeficiente de adesão (Wa). Além disso, é possível também verificar

que o aumento do teor de plastificante, de 0 para 0,1% (m/v), para as soluções de quitosana 1,5 e 2,0% (m/v), ocasiona uma redução deste coeficiente. Porém, após uma nova adição de glicerol, o coeficiente de adesão (Wa) eleva-se para estas soluções.

De maneira geral, o coeficiente de adesão (Wa) eleva-se com a diminuição da

concentração do polímero e diminui com o aumento da concentração de plastificante. Segundo Banker, Gore e Swarbric (1966), mencionam que os plastificantes reduzem as forças atrativas intermoleculares na organização tridimensional molecular, melhorando as propriedades mecânicas e aumentando a mobilidade e/ou flexibilidade das cadeias. Neste caso, de modo geral, o Wa diminui com a adição de plastificante. Isso se deve provavelmente ao fato de os filés de camarão também serem bastante ricos em água, daí a razão de um maior valor da componente polar em relação à dispersiva.

Além disso, é importante inferir que a concentração do polímero e do plastificante também exerce influência no Wc (ver Gráfico 12). De um modo geral, o

aumento da concentração do polímero e do glicerol eleva o coeficiente de coesão (Wc).

Gráfico 11 – Variação do coeficiente de adesão (Wa) dos revestimentos de

quitosana, em filés de Camarão (Litopenaeus vannamei), em função das concentrações de glicerol e quitosana, à temperatura de 20ºC.

Fonte: Próprio Autor.

Os resultados apresentados no Gráfico 11 são condizentes com o teste de Tukey para os valores do coeficiente de adesão dos revestimentos de quitosana em filés de camarão (Tabela 21).

Tabela 21 – Teste de Tukey para os valores do coeficiente de adesão dos revestimentos de quitosana em filés de camarão.

Solução Quitosana (m/v) Glicerol (m/v) Wa a 1 1,0 0,0 101,026 ± 2,06 f 2 1,5 0,0 90,369 ± 3,65 ab 3 2,0 0,0 91,831 ± 2,99 ab 4 1,0 0,1 86,124 ± 3,75 d 5 1,5 0,1 81,697 ± 2,95 c 6 2,0 0,1 76,344 ± 6,21 e 7 1,0 0,2 82,700 ± 2,98 cd 8 1,5 0,2 93,658 ± 2,63 b 9 2,0 0,2 89,782 ± 2,99 a a Os valores apresentados são as médias ± desvio padrão (n=180, in- tervalo de confiança de 95% a 20,0 ± 1ºC). Letras diferentes indicam diferença estatisticamente significativa (teste de Tukey, p<0,05). Fonte: Próprio Autor.

Ao analisar a Tabela 21 é possível observar que a solução 1 apresenta diferença estatisticamente significativa (p<0,05) quando comparada com as soluções 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9, permitindo concluir que o Wa é maximizado nesta composição

do revestimento.

À semelhança do gráfico anterior, o Gráfico 12 representa a variação do coeficiente de coesão (Wc) dos revestimentos de quitosana em função da

concentração do plastificante.

Gráfico 12 – Variação do coeficiente de coesão (Wc) dos revestimentos de

quitosana, em filés de Camarão (Litopenaeus vannamei), em função das concentrações de glicerol e quitosana, à temperatura de 20ºC.

Fonte: Próprio Autor.

Pela análise do Gráfico 12 percebe-se que com o aumento da concentração de glicerol, de 0 para 0,1% (m/v), para a solução de quitosana 1%, (m/v), o coeficiente de coesão (Wc) sofre uma redução, elevando-se, posteriormente, com

uma nova a adição de plastificante. Porém, também se observa neste Gráfico que à medida que se eleva a concentração de glicerol, de 0 para 0,1% (m/v) para as soluções de quitosana 1,5 e 2% (m/v), ocorre um acréscimo no coeficiente de coesão (Wc), sendo a elevação mais notória para a solução de quitosana 2% (m/v).

Pode-se ainda verificar que, uma nova adição de plastificante de 0,1 para 0,2%, para as soluções 1,5 e 2,0%, acarreta uma diminuição no coeficiente de coesão (Wc).

Nesse contexto, é importante inferir que o revestimento 1,0% (m/v) de quitosana, de maneira geral, apresenta coeficientes de coesão inferiores quando comparados com as soluções de quitosana 1,5 e 2,0% (m/v). Este dado é bastante relevante, uma vez que, enquanto as forças adesivas promovem o espalhamento do líquido na superfície sólida, as forças coesivas promovem a contração.

Diante do mencionado, observa-se que os resultados provenientes do Gráfico 12 corroboram com o teste de Tukey para os valores do coeficiente de coesão dos revestimentos de quitosana em filés de camarão (Tabela 22).

Tabela 22 – Teste de Tukey para os valores do coeficiente de coesão dos revestimentos de quitosana em filés de camarão.

Solução Quitosana (m/v) Glicerol (m/v) Wc a 1 1,0 0,0 113,960 ± 2,38 abd 2 1,5 0,0 114,820 ± 3,04 ab 3 2,0 0,0 114,560 ± 4,83 ab 4 1,0 0,1 110,480 ± 1,37 c 5 1,5 0,1 115,970 ± 0,98 b 6 2,0 0,1 119,950 ± 1,70 e 7 1,0 0,2 111,400 ± 2,18 cd 8 1,5 0,2 112,170 ± 3,02 acd 9 2,0 0,2 114,900 ± 3,65 ab

a Os valores apresentados são as médias ± desvio padrão (n=180, in- tervalo de confiança de 95% a 20,0 ± 1ºC). Letras diferentes indicam diferença estatisticamente significativa (teste de Tukey, p<0,05). Fonte: Próprio Autor.

Ao fazer a análise da Tabela 22 é possível perceber que a solução 1 é significativamente semelhante (p<0,05) às soluções 2, 3, 5, 7, 8 e 9. Apesar da semelhança estatística da força coesiva (Wc) da solução 1 com estas soluções, a

sua força de adesão (Wa) apresenta diferença estatisticamente significativa (p<0,05)

em comparação com todas demais soluções presentes na Tabela 21, sendo seu coeficiente adesivo superior a todas estas.

O Gráfico 13 apresenta os resultados obtidos para o coeficiente de espalhamento (Ws) para as nove soluções de quitosana testadas em filés de

camarão (Litopenaeus vannamei).

Gráfico 13 – Variação do coeficiente de espalhamento (Ws) dos revestimentos de quitosana, em filés de camarão (Litopenaeus vannamei), em função das concentrações de glicerol e quitosana, à temperatura de 20ºC.

Fonte: Próprio Autor.

Pela análise do Gráfico 13 é possível observar que a adição de plastificante, de 0 para 0,2% (m/v), para a solução de quitosana 1% (m/v) ocasiona uma redução do coeficiente de espalhamento (Ws). Além disso, podemos inferir que com o aumento da concentração de glicerol, de 0 para 0,1% (m/v), para as soluções de quitosana 1,5 e 2% (m/v), o coeficiente de espalhamento (Ws) sofre um decréscimo,

sendo esta diminuição mais acentuada na solução 2% (m/v). Em contrapartida, com o aumento da concentração de glicerol, de 0,1 para 0,2% (m/v), para estas mesmas soluções de quitosana, o coeficiente de espalhamento (Ws) sofre um acréscimo.

De maneira geral, ao observar o Gráfico 13, percebe-se que o coeficiente de espalhamento (Ws) diminui com o aumento da concentração de quitosana, e com o aumento da concentração de glicerol para a superfície em estudo. Jost e Stramm

(2016) mencionam que o incremento de plastificante melhora a flexibilidade dos polímeros e, por conseguinte, a capacidade de manutenção de suas propriedades para um processamento adicional. No entanto, para este caso, o acréscimo de plastificante teve um efeito negativo nos valores de Ws, possivelmente em virtude da

superfície do filé camarão também ser uma rica fonte de água, o que pode também possivelmente explicar o fato deste possuir uma elevada componente polar. Souza

et al. (2010) ao estudar os efeitos dos revestimentos a base de quitosana em salmão

(Salmo salar) também verificou esse fato, porém utilizando em seu trabalho o tensoativo Tween 80.

Os resultados obtidos a partir da análise interpretativa deste Gráfico condizem com os resultados adquiridos através do teste de Tukey para os valores do coeficiente de espalhamento dos revestimentos de quitosana em filés de camarão (Tabela 23).

Tabela 23 – Teste de Tukey para os valores do coeficiente de espalhamento dos revestimentos de quitosana em filés de camarão.

Solução Quitosana (m/v) Glicerol (m/v) Ws a 1 1,0 0,0 -12,934 ± 2,06 f 2 1,5 0,0 -24,451 ± 3,65 a 3 2,0 0,0 -22,729 ± 2,99 a 4 1,0 0,1 -24,356 ± 3,75 a 5 1,5 0,1 -34,273 ± 2,95 c 6 2,0 0,1 -43,606 ± 6,21 b 7 1,0 0,2 -28,700 ± 2,98 d 8 1,5 0,2 -18,512 ± 2,63 e 9 2,0 0,2 -25,118 ± 2,99 a a Os valores apresentados são as médias ± desvio padrão (n=180, in- tervalo de confiança de 95% a 20,0 ± 1ºC). Letras diferentes indicam diferença estatisticamente significativa (teste de Tukey, p<0,05). Fonte: Próprio Autor.

Ao analisar a Tabela 22 podemos observar que a solução 1 apresenta diferença estatisticamente significativa (p<0,05) em comparação com todas as outras soluções, possuindo a melhor molhabilidade. Logo, esta solução consiste a melhor composição que otimiza a capacidade molhante dentre os revestimentos de quitosana testados em filés de camarão.