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Chapter 4: Castles in the air: Memories, dreams and utopia in

4.2 Memories

De referir, antes de iniciar este novo tipo de análise, que no que se vai seguir se considerou sempre um nível de significância de 5%, o que significa que é este o risco que voluntariamente queremos correr de rejeitar uma hipótese válida.

Com a metodologia que estamos a testar vamos começar por aplicá-la primeiro para a amostra no seu todo, depois para o sexo feminino, em seguida para o sexo masculino e finalmente apreciaremos as diferenças entre os dois sexos.

Aplicaremos depois uma metodologia clássica para apreciar a associação (ou não) entre os dois tipos de atributos. Trata-se do teste de independência do Qui-quadrado e compararemos as conclusões a que chegamos com as duas metodologias.

4.6.1 Interpretação dos Dados Globais

1) Efeito da escola no consumo de álcool: em

geral há uma associação negativa entre beber bebidas alcoólicas e as escolas que o aluno(a) frequenta uma vez que os rácios OR se situam entre 0 e 1, e, além disso, 4 de 5 intervalos de confiança de 95% situam-se integralmen- te entre 0 e 1 também. Apenas na escola nº 2 nos ficam algumas dúvidas. A escola nº 1 foi considerada a escola de controlo.

2) Efeito da idade: há uma relação positiva entre

o consumo de bebidas alcoólicas por parte dos jovens e a idade (com excepção dos 13 anos), isto é, à medida que a idade aumenta o consumo de álcool aumenta também. O grupo de controlo considerado foi o dos 12 anos.

3) Efeito do absentismo: também o absentismo

dos jovens às aulas é factor que está asso- ciado positivamente ao consumo de bebidas

alcoólicas, isto é, os jovens consomem tanto mais álcool quanto maior for o seu absen- tismo às aulas. O grupo de controlo é constituído pelos indivíduos que não faltam às aulas.

4) Efeito do mau aproveitamento escolar: há

uma associação positiva entre insucesso escolar e consumo de bebidas alcoólicas dos jovens. O grupo de controlo integra os indivíduos que não têm problemas de insu- cesso escolar.

5) Efeito do local de residência: há também uma

associação positiva entre o consumo de bebidas alcoólicas e o local de residência dos jovens. O grupo de controle integra os jovens com residência urbana.

6) Efeito do número de filhos por agregado familiar: parece haver independência entre

o consumo de bebidas alcoólicas e o número de filhos por agregado familiar. O grupo de controle é constituído pelos jovens oriundos de famílias com apenas um filho.

7) Efeito da escolaridade dos pais: não há

associação (ou há independência) entre o consumo de bebidas alcoólicas por parte dos jovens e a escolaridade dos pais. O grupo de controle é constituído pelos jovens cujos pais têm apenas de 0 a 4 anos de escola- rização.

8) Efeito da situação marital dos pais: não há

uma associação entre o consumo de bebidas alcoólicas por parte dos jovens e o facto de os pais estarem separados. O grupo de controle utiliza como referência os jovens cujos pais vivem juntos.

9) Efeito da religião: há uma associação nega-

tiva entre o consumo de bebidas alcoólicas e a prática de uma religião, isto é, à medida que passamos de jovens que não seguem qualquer religião para os que seguem uma tende a decrescer a gravidade do fenómeno. O grupo de referência é o daqueles que não praticam qualquer religião.

10) Efeito do número de horas de sono: é tam-

bém negativa a relação do fenómeno com o número de horas de sono. O grupo de controlo é o daqueles que dormem menos de 8 horas.

11) Efeito do consumo de bebidas alcoólicas por parte dos pais: a associação é positiva quer

seja um quer sejam os dois a consumirem bebidas alcoólicas; o grupo de referência é o daqueles cujos pais não bebem.

12) Efeito do consumo de bebidas alcoólicas por parte dos amigos: há também uma associ-

ação bastante forte e positiva entre o con- sumo de bebidas alcoólicas dos jovens e o facto de terem amigos que também ingerem álcool. O grupo de comparação é o daqueles que não têm amigos que não bebem álcool.

13) Efeito do consumo de bebidas alcoólicas por parte do namorado/a: há igualmente uma

forte relação positiva entre o consumo de bebidas alcoólicas por parte dos jovens e o facto de o namorado ser também bebedor; esta conclusão sai reforçada se se disser que essa relação é negativa se o/a jovem não tiver namorado/a. O grupo de comparação é o daqueles cujo namorado não ingere.

14) Efeito do consumo de tabaco: a relação é

fortemente positiva. O grupo de controlo é o daqueles que não fumam.

15) Efeito de estados depressivos: é igualmente

positiva a relação entre o consumo de be- bidas alcoólicas e a depressão dos jovens. O grupo de comparação é o daqueles que não são depressivos.

4.6.2 Interpretação dos dados do sexo Feminino

1) Efeito da escola no consumo de bebidas alcoólicas: o rácio dos produtos cruzados,

ou seja o estimador do rácio de risco, situa- se, em média, entre 0.45 e 0.81; os inter- valos de confiança obtidos permitem-nos assegurar, considerando os jovens da escola 1 como grupo de controlo3 que há efecti-

vamente associação entre escola e consumo de bebidas alcoólicas, com excepção das nºs 2 e 6, e que essa associação é do tipo negativo. Nas escolas nºs 2 e 6 rejeitou-se a hipótese nula pelo que se pode dizer que há independência entre estes dois elementos ou atributos.

2) Efeito da idade: rejeita-se a hipótese nula

para as idades 14 a 16 o que significa que nestas idades há uma associação positiva entre o consumo de bebidas alcoólicas e a idade; não se confirma essa associação para a idade de 13 anos. As jovens de 12 anos foram consideradas como grupo de controlo.

3) Efeito do absentismo às aulas: os valores

encontrados indiciam uma relação fortemen- te positiva entre o consumo de bebidas alcoólicas e o absentismo às aulas por parte das raparigas.

4) Efeito do mau aproveitamento escolar: os

valores encontrados não nos permitem afir- mar que há qualquer associação, para as raparigas, entre consumo de bebidas alcoó- licas e insucesso escolar.

5) Efeito do local de residência: os dados

também não confirmam alguma associação entre local de residência e consumo de bebidas alcoólicas por parte das jovens dos 12 aos 16 anos, isto é, os dois atributos revelam-se independentes ao nível de signi- ficância de 5%.

6) Efeito do número de filhos por agregado familiar: também o número de filhos do

agregado familiar não parece ter qualquer associação com o consumo de bebidas al- coólicas do sexo feminino.

7) Efeito da escolaridade dos pais: há igual-

mente independência entre este consumo e a escolaridade dos pais.

8) Efeito do estado conjugal ou civil dos pais:

o estado marital dos pais também não tem associação com o consumo de bebidas al- coólicas das jovens.

9) Efeito da religião: as diferenças encontradas

não são suficientes, a este nível de confi- ança, para confirmar a existência de uma associação do tipo negativo entre hábitos religiosos e consumo de bebidas alcoólicas.

10) Efeito do número de horas de sono: há uma

associação negativa entre aquele consumo e o número de horas de sono (+ de 8h); pode assim dizer-se que as jovens que dormem menos são as que mais bebidas alcoólicas bebem.

11) Efeito do consumo de bebidas alcoólicas por parte dos pais: verifica-se uma associação

positiva entre consumo de bebidas alcoólicas das jovens e o facto de ambos os pais serem consumidores de bebidas alcoólicas, pelo que se pode concluir que se ambos os pais consomem bebidas alcoólicas as filhas ten- dem igualmente a consumir bebidas alcoó- licas. Quando apenas um deles consome bebidas alcoólicas já não se confirma essa relação talvez pelo efeito que o outro possa exercer sobre a jovem.

12) Efeito do consumo de bebidas alcoólicas por parte dos amigos: há uma forte associação,

positiva, entre o consumo de bebidas alco- ólicas das jovens e o consumo de bebidas alcoólicas dos seus amigos.

13) Efeito do consumo de bebidas alcoólicas por parte do namorado: há igualmente uma forte

associação positiva entre o consumo de bebidas alcoólicas das jovens e o consumo de bebidas alcoólicas por parte do namora- do. Confirmando este facto, se a jovem não tem namorado tem tendência a consumir menos bebidas alcoólicas (neste caso há associação negativa entre ambos os factores).

14) Efeito do consumo de tabaco: também o

consumo de tabaco por parte das jovens está fortemente associado, positivamente, com o consumo de bebidas alcoólicas. Quanto mais fumam as jovens mais elas bebem.

15) Efeito de estados depressivos: o consumo de

bebidas alcoólicas das jovens está igualmen- te positivamente correlacionado com estados depressivos: as jovens consomem mais se forem depressivos.

4.6.3 Interpretação dos dados do sexo Masculino

1) Efeito da escola no consumo de bebidas alcoólicas: embora haja 2 escolas (as núme-

ros 2 e 3) em que parece não haver asso- ciação as outras mostram uma associação do tipo negativo.

2) Efeito da idade: há uma associação positiva

entre os factores idade (a partir dos 13 anos) e consumo de bebidas alcoólicas dos rapazes.

3) Efeito do absentismo: há uma relação forte

(positiva) entre o absentismo e o consumo de bebidas alcoólicas dos rapazes.

4) Efeito do mau aproveitamento escolar: tam-

bém é positiva a sua relação com o mau aproveitamento escolar.

5) Efeito do local de residência: não há asso-

ciação, ou há independência, entre estes dois factores para os jovens do sexo masculino.

6) Efeito do número de filhos do agregado familiar: há independência com o número de

filhos do agregado familiar.

7) Efeito da escolaridade dos pais: há igual-

mente independência com o número de anos de escolaridade dos pais.

8) Efeito do estado marital dos pais: o facto de

os pais estarem separados ou juntos é inde- pendente do consumo de bebidas alcoólicas.

9) Efeito da religião: não há associação, isto

é, há independência entre consumo de be- bidas alcoólicas dos jovens e a prática de uma religião.

10) Efeito do número de horas de sono: os valores

confirmam que o jovem que dorme mais de

oito horas por dia tende a consumir menos bebidas alcoólicas (associação negativa).

11) Efeito do consumo de bebidas alcoólicas por parte dos pais: confirma-se haver associação

positiva entre consumo de bebidas alcoólicas dos filhos e de um dos pais; quanto a nós surpreendentemente, se ambos os pais con- sumirem esse tipo de bebidas, os dados revelam que há independência.

12) Efeito do consumo de bebidas alcoólicas por parte dos amigos: há uma associação positiva. 13) Efeito consumo de bebidas alcoólicas por parte da namorada: é também forte a correlação entre

estes dois factores. Mas se não tem namorada o jovem tem tendência a não consumir bebidas alcoólicas ou a consumir menos.

14) Efeito do consumo de tabaco: há uma relação

fortemente positiva entre o consumo de bebidas alcoólicas e o consumo de tabaco.

15) Efeito de estados depressivos: depressão e

consumo de bebidas alcoólicas estão correlacionados positivamente.

4.6.4 Interpretação das diferenças entre os dois sexos

1) Efeito da escola no consumo de bebidas alcoólicas: em geral há concordância entre

ambos os sexos: a correlação escola – consumo de bebidas alcoólicas é negativa com uma escola ou outra em que não se prova a associação.

2) Efeito da idade: a associação é positiva em

qualquer dos casos, com uma excepção comum em ambos os sexos: 13 anos.

3) Efeito do absentismo: a associação é posi-

tiva; há concordância entre os dois sexos.

4) Efeito do mau aproveitamento escolar: de-

tecta-se alguma discrepância entre os dois sexos: associação positiva no caso dos ra- pazes e nula no caso das raparigas.

5) Efeito do local de residência: não há asso-

ciação entre os dois factores, havendo con- cordância entre os dois sexos.

6) Efeito do número de filhos por agregado familiar: confirma-se que há independência

entre estes factores tanto para rapazes como para raparigas.

7) Efeito da escolaridade dos pais: há indepen-

dência entre estes factores tanto para rapazes como para raparigas.

8) Efeito do estado marital dos pais: há con-

cordância em ambos os sexos: não há as- sociação entre os dois factores.

9) Efeito da religião: não há associação nem

entre rapazes nem entre raparigas.

10) Efeito do número de horas de sono: há

associação negativa e há concordância entre os dois sexos.

11) Efeito do consumo de bebidas alcoólicas por parte dos pais: prova-se que não há concor-

dância entre os dois sexos: nula nas rapa- rigas se um deles fuma mas positiva no mesmo caso dos rapazes; positiva, se ambos os pais fumam, para as raparigas, mas nula para os rapazes, no mesmo caso.

12) Efeito do consumo de bebidas alcoólicas por parte dos amigos: a associação é positiva para

os rapazes, as raparigas e o conjunto de ambos os sexos.

13) Efeito do consumo de bebidas alcoólicas por parte do/a namorado/a: sendo o namorado/

a consumidor/a de bebidas alcoólicas o/a jovem consome mais bebidas alcoólicas seja ele rapaz ou rapariga; já quando não tem namorado/a há independência para ambos/ as.

14) Efeito do consumo de tabaco: há associação

positiva e há concordância entre ambos os sexos.

15) Efeito de estados depressivos: é positiva a

relação; há igualmente concordância entre os jovens rapazes e raparigas.

4.7 Factores Explicativos do Consumo de Álcool