5 Summary
5.3 Further research
Com base no diagrama do atual fluxo de trabalho BIM (Figura 24), usado por algumas empresas de AEC no Brasil, a pessoa responsável por supervisionar o processo BIM é o Coordenador BIM (BIM Coordinator).
Este profissional pode ser um arquiteto ou um engenheiro civil que trabalha em organizações do proprietário (cliente/incorporadora), as quais, em alguns casos, são também construtoras. Veremos, a seguir, quais competências o arquiteto e o engenheiro civil devem possuir para desenvolver projetos BIM.
4.3.1 Arquiteto
Em uma experiência brasileira de implementação BIM, relatada por Bastos et al. (2011) [3D], o arquiteto cria o projeto conceitual que, depois de concluído, é
enviado para o Coordenador BIM e para os projetistas de instalações (etapa 1, Figura 24).
O Coordenador BIM estuda o projeto conceitual para determinar quais informações devem estar contidas nas famílias, cria uma estrutura-base de todas as disciplinas e constrói as 'famílias', que servem como uma base para uso de outros Gerentes do Modelo. O Gerente do Modelo (arquitetura) desenvolve o modelo de arquitetura, divide-o em várias partes (embasamento, pavimento tipo, fachada etc.) e cria modelos de 'Edição’ e 'Completos' (etapa 2, Figura 24).
Contudo, antes de iniciar o projeto conceitual, o arquiteto deveria discutir com os projetistas e com o construtor: qual será a tecnologia adotada para a construção; o processo de construção; os detalhes técnicos; e a sequência da construção. Desta forma, seriam evitados projetos que não possuem solução tecnológica de mercado.
Para conduzir as atividades acima, o arquiteto deve ter um conhecimento básico de outras disciplinas (instalações, energia, estrutura e construção), de desenhos de construção e de especificações, além de experiência de canteiro de obras e de extração de quantidades a partir do modelo BIM. Ao interagir com os agentes, é
essencial que o arquiteto tenha uma compreensão do trabalho em equipe e habilidades básicas de comunicação, bem como, um conhecimento sobre ferramentas de comunicação e colaboração.
Análises de projeto, tais como energia e consumo de água, o uso da ventilação natural e simulações da incidência de radiação solar, são tarefas do arquiteto. Com base em BIM, o arquiteto passa a realizar essas tarefas utilizando ferramentas BIM e aplicativos. Isto requer um bom conhecimento sobre: tecnologias de construção e sua influência sobre o desempenho térmico do edifício; as distribuições de pressão (vento e ar) no invólucro do edifício; e interpretação de gráficos, tabelas e equações (FREIRE; AMORIM, 2011 [19D]).
Além disso, quando as análises e as simulações são realizadas por especialistas, o arquiteto deveria ter a capacidade de lidar com dados de geometria do modelo, que são necessários para softwares de análises, para que possa trocar as informações de projeto com esses especialistas.
A criação do modelo BIM arquitetônico deve estar em conformidade com o padrão BIM da empresa e com o LoD pré-determinado pelo Coordenador BIM. Estas atividades exigem do arquiteto um conhecimento de como modelar componentes de arquitetura, bibliotecas, padrões BIM, templates e LoD.
O arquiteto também deve ter habilidades de gerenciamento para fornecer suporte técnico ao trabalho de modelagem de arquitetura e, dependendo do tamanho da empresa, ele deveria também fornecer sessões de treinamento e preparar materiais de aprendizagem sobre ferramentas e aplicativos BIM. Consideráveis qualidades pessoais (priorização e compromisso) e autogestão (organização e gestão do tempo) também são habilidades necessárias para a realização dessas atividades. Além disso, é essencial que o arquiteto desenvolva habilidades no uso de ferramentas BIM e aplicativos para projeto arquitetônico. Também é necessário que projetistas incorporem novas habilidades em áreas como programação computacional, ou seja: tenham capacidade avançada no desenvolvimento de scripts, em particular, para trabalhar em equipes que utilizam um método baseado no modelo performativo (ANDRADE, 2012 [8G]).
Quando concluído, o modelo BIM de arquitetura é enviado para projetistas de instalações, de forma que eles possam desenvolver seus modelos BIM (etapa 3, Figura 24). Durante o processo de coordenação BIM, muitas vezes, é necessário verificar a qualidade dos modelos e, então, reajustá-los adequadamente. Isto significa que o arquiteto deve ter conhecimento sobre: conceitos BIM, detecção de interferências, processos de coordenação e fluxo de trabalho BIM. Todas essas habilidades e conhecimentos serão necessários para o arquiteto assumir a tarefa de coordenação de processos BIM.
Além disso, a adoção de abordagens inovadoras para o processo de projeto digital de arquitetura requer que o arquiteto adquira um novo conjunto de habilidades e conhecimentos. Isto inclui o seguinte: um alto grau de habilidade em modelagem 3D paramétrica e generativa; uma compreensão de geometria complexa e de sistemas complexos e de sua construção e comportamento; habilidades em linguagem de programação; particular interesse no desenvolvimento de software, scripting/rotinas em ferramentas e aplicativos CAD/BIM (CECCATO, 2011 [18D]; HESSELGREN; MEDJDOUB, 2011 [20D]); e
capacidade para criar renderizações estereoscópicas 3D, realidade aumentada/virtual ou animações.
Contudo, segundo, Whitehead et al. (2011) [25D], é essencial ter capacidade para
aplicar essas habilidades computacionais no contexto de uma construção real. Outros requisitos podem incluir: o conhecimento da real capacidade de produção com software; aplicações e equipamentos de prototipagem digital aplicada à produção de modelos, protótipos; e fabricação de elementos não padronizados e customizados (PUPO, 2011 [7D]).
4.3.2 Engenheiro Civil
Engenheiros civis devem ter: habilidades interpessoais de liderança e trabalho em equipe; qualidades pessoais de autogerenciamento; objetivos claros; uma forma independente de aprender; e capacidade de supervisionar o trabalho de modelagem de sistemas de instalações e de estruturas.
Além da modelagem, os projetistas também conduzem análises e simulações do projeto, com base no modelo BIM, em relação a: pressurização, estrutura, iluminação, acústica, temperatura e análise de energia. Estas atividades requerem que o engenheiro civil tenha habilidades no uso de ferramentas BIM e aplicativos.
O engenheiro de instalações, por exemplo, deve saber como usar os dados de entradas climáticas e informações sobre as propriedades térmicas de componentes da construção e de materiais. As ferramentas de análise para a energia térmica, geralmente, não permitem fácil visualização/compreensão e mostram os resultados por meio de gráficos e tabelas. Assim, é essencial, para um engenheiro de instalações, saber como interpretar gráficos e ter habilidades de visualização espacial (FREIRE; AMORIM 2011 [19D]).
Outra exigência inclui: ser capaz de reconhecer partes reais de equipamentos; saber como um edifício é construído; e ser capaz de reconhecer o significado de siglas e abreviaturas. Entretanto, a habilidade mais importante é a capacitação para o uso de uma ferramenta BIM (TEBBE, 2011 [24D]).
Quando trabalha como um Coordenador BIM, o engenheiro civil deve conhecer a tecnologia necessária para sistemas colaborativos, os conceitos e os processos envolvidos na coordenação BIM, o fluxo de trabalho BIM e a detecção de interferências. O conhecimento dos requisitos de cada plataforma é fundamental para que o engenheiro possa efetuar a transferência de arquivos e assegurar que seja transferida apenas a informação necessária para a conclusão dos trabalhos. Por esta razão, é essencial que este profissional tenha conhecimento de interoperabilidade e objetivos claramente definidos, focados na tarefa a ser concluída.
Combinação e atualização de modelos parciais e transformação de dados e documentos de projeto em um modelo coordenado (etapa 4, Figura 24) são tarefas que requerem pensamento sistêmico e crítico e capacidade para manipular e usar aplicativos BIM e ferramentas de detecção de interferências. Além disso, tal tarefa exige habilidades no emprego de ferramentas e conhecimento das características de cada subsistema (estrutura, instalações,
prevenção contra incêndios, ar-condicionado, pressurização), para a determinação da ordem a ser conduzida na detecção de interferências.
Outras atividades, que envolvem reuniões de coordenação, tais como a definição de padrões para o controle de qualidade dos modelos, delegação de responsabilidades e garantia de que as tarefas de coordenação sejam realizadas (etapa 5, Figura 24), exigem de um engenheiro civil habilidades interpessoais de liderança e gerenciamento, bem como, empatia (LIVINGSTON, 2011 [8D]). De
acordo com Martin (2011) [9D], as reuniões de coordenação devem ser
sincronizadas com o cronograma da obra, e os modelos devem ser verificados antes do início das reuniões. Estas atividades requerem habilidades organizacionais.
O desenvolvimento de modelos de custos, de etapas da obra e de construção (etapas A, B e C, Figura 24) requerem habilidades de: gerenciamento básico; de uso de ferramentas para estimativas de custo, de cronograma de construção e de logística no canteiro de obras; e de planejamento de segurança no trabalho. Os dados do modelo BIM podem ser integrados (via programação) com ferramentas de Planejamento de Recursos Financeiros (Enterprise Resource Planning – ERP), e essa atividade requer conhecimento do uso desta ferramenta e de sua integração ao modelo BIM.
Engenheiros civis devem interagir com fornecedores, subcontratados e vendedores e gerenciar os processos de licitação, compras e fabricação, além de estabelecer comunicação entre os órgãos de fiscalização e a equipe de projeto (etapa 6, Figura 24). Para cumprir estas tarefas, este profissional deve ter habilidades interpessoais de trabalho em rede, isto é, capacidade para identificar, criar e manter contatos com vários agentes. Além disso, ele/ela deve ter algum conhecimento sobre: processos de construção e fabricação, contratos, padrões BIM, desenhos de construção e especificações de materiais.
Como a Gestão Integrada de Empreendimentos (IPD) e a Construção Enxuta são novos paradigmas da indústria de AECO, é também desejável que um engenheiro civil entenda estes novos conceitos (AHN; CHO; LEE, 2013 [19F]).
Um engenheiro civil também precisa desenvolver habilidades de visualização e manipulação de ferramentas BIM, para que possa atualizar o modelo durante a fase de construção, de modo que o mesmo se torne um modelo ‘As-Built’, assim como, para ajudar Gerentes de Facilidades a extrair dados a partir do modelo (etapas 7 e 8, Figura 24).
Ao trabalhar como Coordenador BIM (BIM Construction Manager) ou Diretor de Obras (Construction Officer), em construtoras e empreiteiras, um engenheiro civil irá precisar de habilidades que lhe permitam fornecer suporte para software e hardware e para preparação de treinamentos e materiais de aprendizagem para os empregados.
Um engenheiro civil deve ser motivado por BIM, ter iniciativa e estar sempre disposto a viajar para as filiais, quando necessário. Da mesma forma, este profissional deve ser um membro da equipe, ser auto-orientado e, acima de tudo, estar disposto a introduzir mudanças na empresa.
Além disso, um engenheiro civil deve ser capaz de criar um modelo a partir de dados de nuvem de pontos, para que possa trabalhar com novas tecnologias para a construção civil. Um exemplo é o uso de câmeras digitais no canteiro de obras, para verificar se a construção está de acordo com o cronograma e com especificações de contrato, para, em seguida, compará-la com o BIM original (BHATLA; LEITE, 2011 [17D]).