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Trago a contribuição de Jäger (2003) sobre um importante meio de vincular reciprocamente os discursos, o simbolismo coletivo, por meio do qual os membros de uma sociedade têm um repertório de imagens com o qual visualiza uma completa representação da realidade societal e da paisagem política da sociedade. E recebemos esse repertório por meio dos meios de comunicação de massa, que regulam o pensamento cotidiano e exercem uma considerável influência na política orientável e orientada.

Para Newcomb (2010), deve-se investigar como todos os aspectos dialógicos da comunicação de massa se relacionam às ideologias dominantes, pois a comunicação de massa se apropria das linguagens da prática social real, curvando-as a seu desejo, desdobrando-as em estratégias dominantes, esvaziando-as de sua força de oposição essenciais. Temos, aqui, as palavras não mais como “unidades”, mas como portadoras da história do conflito e da negociação social e, sempre que e quando são usados, entram mais uma vez nesse conflito, não se podendo predizer que aspecto do termo será captado pelo espectador. Toda mensagem, por mais poderosa que seja, está sujeita à resposta do espectador e ao mundo de experiência.

Considero o que Gregolin (2000, p. 27) aborda a respeito dos deslocamentos de sentidos como

índices que remetem às formações discursivas e ideológicas que estão subjacentes ao discurso da História interpretada na mídia, por isso a leitura exige a captação da materialidade do signo e sua reinserção no grande texto histórico do momento, que é construído pela sociedade de massa.

Assim, ao considerar o discurso jornalístico em uma relação da língua com a História, olho-o como discurso heterogêneo, dialógico e polifônico, com a presença de diferentes pontos de vista sobre um assunto, com várias vozes se cruzando e se opondo no texto. Essa interposição de vozes permite a atualidade de interpretação em movimentos históricos que permitem diferentes leituras. Assim, a mídia articula o sujeito à História e à prática social, inserindo a história no texto e o texto na história (KRISTEVA, 1969, p. 149).

Faiclough (2006) reforça que os jornais criam histórias de eventos relatando-os cronológica e logicamente. Assim, podem ser vistos como reguladores sociais ou fomentadores de violência, pois criam uma série de eventos complexos de acordo com a sua escolha, fragmentado-os, excluindo-os e organizando os eventos. Para ele, fazer um jornal é um processo altamente interpretativo e construtivo e não um simples relato dos “fatos”. Considera as

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narrativas jornalísticas como narrativas históricas com uma “intenção referencial” entre história e eventos reais, questões de verdade e com uma “intenção explanatória” a fim de fazer os eventos constituírem sentido, trazendo-os para uma relação que incorpora um ponto de vista particular, que pode ser a ideologia do governo, da elite dominante, casos em que as histórias jornalísticas são orientadas para regular e controlar eventos e as formas nas quais as pessoas respondem a eventos. Representam vozes, mas excluem outras, dizem o que de significativo tem acontecido no mundo de uma forma seletiva.

Para Hirschkop (2010) e Volochinov (1983), o sentido e o significado de um discurso na vida real (independente de que tipo seja) não coincidem somente com os componentes puramente verbais da enunciação, pois as palavras faladas também são imbuídas do que está implícito e do que não foi dito. Concordo com Denzin e Lincoln (2010) quanto às narrativas trazerem “compasso moral para a vida dos leitores” ao relatar coisas que sejam do interesse desses, pois as comunidades são entrelaçadas por narrativas revigoradoras da sua compreensão comum do bem e do mal, da felicidade e da recompensa, do significado da vida e da morte.

Importante o ponto de vista de Gregolin (2000) sobre as sociedades esforçarem-se constantemente para reconfigurar o passado: olhar o tempo pretérito é uma forma de compreendê-lo e de restaurá-lo para a posteridade. Para tanto, apresenta duas formas narrativas que correspondem a duas percepções diferentes do passado: a narrativa mítica e a narrativa histórica. A primeira, sem cronologia possível, remete ao tempo afastado dos deuses e dos homens (tempo anterior, mítico e sagrado); a segunda, a de um tempo pesquisável e pesquisado – sustenta-se em referências cronológicas passíveis de serem encontradas e se trata do tempo mais recente dos homens. No meu trabalho, a histórica é a narrativa pesquisada por meio dos documentos e das notícias de jornal. Não produzo os documentos (lei, contrato e notícias), nem historiadora autodenomino-me, mas como analista do discurso, fiz o mesmo que o historiador: escolhi, organizei, eliminei documentos (aliás, muitos e com muita dor no coração) e conservei outros para consultas constantes. Tais documentos escolhidos, conservados e monumentalizados (que equivale à cientificação da memória) são essenciais para a compreensão da presença do racismo no processo de imigração japonesa.

No processo de análise crítica da narrativa histórica, segundo Gregolin (2000), há três tipos essenciais de memória, que correspondem a três formas de olhar o passado e levam uma sociedade a interpretar-se e a compreender-se por meio dessa interpretação: a memória mítica, a memória social e a memória construída pelo historiador. Neste trabalho, estão presentes a memória social e memória construída pelo historiador. Sigo os conceitos dessa autora (2000, p.

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21-22), quanto às duas definições. A memória social como inscrita nas práticas de uma sociedade, uma memória construída, ordenada e sistematizada. Para enxergá -la, é necessário buscar os signos de autocompreensão da sociedade para posteriormente interpretá-la; esses signos tornam-se um estatuto social no corpo da coletividade e produzem as condições para o funcionamento discursivo e, consequentemente, para a interpretabilidade dos textos. Como o meu trabalho envolve os meios de comunicação de massa, ainda trago suas contribuições quanto ao tema narrativa, mídia e memória social. Para ela, os veículos da mídia alinhavam a memória social e sujeitam-na às ordens do icônico, do simbólico, da simbolização com o poder da imagem de possibilitar o retorno de temas e de figuras do passado, colocando-os na atualidade e provocando a sua emergência na memória do presente.

Como o meu trabalho versa sobre a identidade de migrante, não poderia deixar de trazer a contribuição de Bhabha (2010). Para ele, a constituição das identidades ocorre na formação das narrativas de identidade. No caso dos fluxos migratórios, a pergunta é a que essa narrativa se refere: de onde vem ou de que se vive? Esse autor defende que a formação das narrativas de identidade liga-se diretamente às possibilidades de se pensar tais discursos como elementos definidores de uma identidade, ou seja, a definição do “eu” passa por um processo de delimitação comunicativa da realidade.

Correa (2007) concorda quanto ao papel crucial da imprensa na vida cotidiana dos cidadãos, pois ela determina o que é importante, o que se prioriza, o que se minimiza, o que se faz herói ou vilão, ao lado de quem se adota ou não uma posição favorável ou desfavorável e, em geral, a maneira como se descreve a realidade social. Ela cria, mantém ou elimina a importância de um tema, a depender da ênfase com que aborda ou da suspensão da sua circulação. Não se pode esquecer que as mensagens da imprensa circulam em outros meios de comunicação massiva e, portanto, é nítida a interação comunicativa entre os membros da comunidade. Os meios de comunicação constroem a notícia de uma forma similar na forma e em conteúdo, passando a impressão da existência de homogeneidade cultural. Isso é visto nos documentos analisados dos dois períodos.

Entendo essencial a compreensão da análise do discurso jornalístico.

In document NYE VEIER I NORSK SPRÅKPOLITIKK (sider 80-83)