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4.3 Dimensioning and Optimization

4.3.3 Mechanical Optimization

A entrada no campo

Antes de iniciar a imersão no campo, foi feito contato inicial com o gerente da Unidade de Saúde da Família explicando sobre o tema da pesquisa e da prévia aprovação já obtida pela Secretaria de Saúde do município através de uma carta de autorização assinada pelo secretário. Após a autorização do gestor da unidade, demos início à imersão no serviço de saúde, observando o dia a dia do funcionamento da unidade, incluindo a participação nas reuniões de equipe e realizando as entrevistas com os participantes.

A inserção no campo empírico se deu em novembro de 2011, após contato com os profissionais da equipe de saúde da USF, os quais tiveram oportunidade de conhecer o projeto de pesquisa, por ocasião de sua apresentação em uma reunião de equipe multiprofissional, após submetermos ao Comitê de Ética em Pesquisa. A partir da entrada no campo, tivemos acesso a algumas informações sobre a USF. Ela foi implantada pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS) em julho de 2002 em um prédio adaptado onde funcionava uma Base de Apoio Comunitária (BAC). Em abril de 2011, ela foi reinaugurada, contando atualmente com um espaço de 1,261m2 de área construída. É uma unidade espaçosa, bem cuidada, com fotos espalhadas pelas paredes da unidade, retratando uma parte do cotidiano do trabalho das equipes e da população. Além disso, segundo a enfermeira da unidade, a equipe vem tentando mudar sua proposta de atuação, buscando realizar mais atividades de promoção à saúde e de se articular com os outros equipamentos disponíveis no bairro.

Outros equipamentos sociais como a escola e o Centro de Referência da Assistência Social e seus respectivos profissionais têm aos poucos firmado parcerias com a equipe da USF, buscando realizar ações conjuntas na tentativa de atender às necessidades de saúde da população, construindo alternativas assistenciais.

Cada uma das equipes que trabalham nessa unidade de saúde da família é composta por: um médico, um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem e agentes comunitários de saúde. Apenas duas delas, são também, compostas por um dentista e um auxiliar de consultório dentário. A equipe escolhida para este estudo é composta por dentista, auxiliar de consultório e cinco agentes comunitários de saúde. Cada equipe é responsável, em média, por 3.000 famílias. Segundo o Ministério da Saúde, é recomendável que uma equipe de Saúde da Família seja composta, no mínimo, por um médico, um enfermeiro, um auxiliar ou técnico de

enfermagem e agentes comunitários de saúde, responsável por, no máximo, 4.000 habitantes por Estratégia de Saúde da Família, sendo a média recomendada de 3.000 famílias (BRASIL, 2011d).

As informações acima foram obtidas através de contato direto com os profissionais do serviço e, também, com a Secretaria Municipal da Saúde.

A coleta e registro dos dados

O estudo teve como procedimento de coleta de dados a realização de entrevistas com profissionais de saúde da família.

A entrevista, segundo Spink (2004, p. 184), é uma técnica que permite dar voz ao entrevistado, de forma a entendê-la como "ação (interação) situada e contextualizada, por meio da qual se produzem sentidos e se constroem versões da realidade", correspondendo, assim, aos objetivos desta investigação. Dentre os tipos de entrevistas, optamos pela semiestruturada para coletar os dados e, segundo Bocchi, Juliani e Spiri (2008), ela é conduzida a partir de um conjunto de perguntas abertas e fechadas, seguindo uma ordem específica. Todas as entrevistas foram aplicadas individualmente e áudiogravadas em gravador digital com o consentimento dos participantes e, em seguida, realizada a transcrição na íntegra do material pela própria pesquisadora. Cada uma delas foi agendada com antecedência e realizada em salas disponíveis na própria USF, durante o horário de trabalho dos profissionais. Para garantir o anonimato dos participantes, substituímos os nomes dos profissionais por nomes fictícios, escolhidos pela pesquisadora. Ao longo dos depoimentos, optamos também por omitir qualquer dado que pudesse comprometer o sigilo das informações fornecidas pelos participantes, por exemplo, nome de profissionais de saúde ou local de ocorrência de determinada situação descrita.

O roteiro de entrevista (Apêndice B) foi construído com perguntas que pudessem responder aos objetivos desta investigação e, também, explorar determinados temas trazidos pelos participantes que apontavam para a complementaridade dos dados e que ajudaram a explorar o tema em questão. Ele foi elaborado pensando em permitir ampla liberdade e flexibilidade do pesquisador, para explorar e aprofundar com novas perguntas não contidas no roteiro o tema da pesquisa, elucidando, assim, determinados pontos de interesse trazidos pelo participante durante o processo de produção de significados. Segundo Minayo (2010, p. 191), um roteiro para entrevista semiestruturada deve apresentar os “vários indicadores

considerados essenciais e suficientes em tópicos que contemplem a abrangência das informações esperadas”.

Além disso, no decorrer da entrevista, perguntas foram reformuladas, outras foram incorporadas alinhadas aos objetivos principais da entrevista. Este roteiro funcionou mais como um guia, sendo utilizado sem muito rigor, sem seguir precisamente a ordem exata das perguntas, porém, manteve-se o foco nos objetivos desta investigação.

Sendo assim, o roteiro foi composto por quarenta perguntas. Elas foram divididas em nove tópicos conforme o conteúdo específico das questões, sendo os seguintes: 1) sentidos sobre violência intrafamiliar contra crianças e adolescentes, 2) violência como questão de saúde, 3) impacto emocional no profissional da saúde que atende a casos de violência, 4) direitos de crianças e adolescentes, 5) formação e capacitação profissional, 6) conhecimento legal e jurídico, 7) as redes intersetoriais de prevenção à violência e assistência às vítimas, 8) prática profissional frente à violência intrafamiliar, 9) busca por pontos positivos no trabalho do profissional da saúde da ESF com relação à violência.

Embora as entrevistas tenham sido realizadas em momentos oportunos, escolhidos pelo próprio profissional e agendadas com antecedência, um desafio encontrado foi a falta de tempo dos profissionais para realizá-las, sendo assim, duas delas, tiveram de ser interrompidas ainda sem ter sido concluída e retomada em outro momento, devido à rotina de trabalho do profissional.

Apesar de a pesquisadora já ter vivenciado toda a rotina de trabalho de uma equipe de saúde da família do Distrito Oeste por dez meses, enquanto estagiária voluntária do Programa de Aprimoramento Profissional em Saúde na Comunidade foi importante acompanhar um pouco do cotidiano desta equipe, reconhecendo o território e suas características específicas e um pouco mais, mesmo que breve, dos problemas e necessidades de saúde das famílias da área durante as reuniões que ocorriam na unidade de saúde, semanalmente.