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3. Methodology

3.4 Measures

Burnquist e Bacchi (2002) apresentaram estimativas das elasticidades preço e renda da demanda por gasolina no Brasil, referentes ao período de 1973 a 1998. O modelo de correção de erro especificado para a análise das relações de curto prazo foi:

Onde: CG é o consumo per capita de gasolina; PG é o preço da gasolina; RE é a renda agregada per capita; e z é o termo de correção de erro.

Os resultados obtidos indicam que no curto prazo a demanda por gasolina no país é inelástica a mudanças na renda real. No que se refere à elasticidade preço da demanda, os resultados

mostraram que o consumo de gasolina é aparentemente pouco sensível a mudanças nos preços desse combustível.

Alves e Bueno (2003) estudaram a demanda por gasolina no Brasil entre os anos de 1974 a 1999, também utilizando técnicas de co-integração. O modelo utilizado é:

Onde: é o consumo per capita anual de gasolina medido em litros; é a renda agregada real anual per capita; é o preço real anual da gasolina; é o preço real anual do álcool hidratado; e é o resíduo.

O trabalho conclui que a elasticidade preço-cruzada entre gasolina e etanol é inelástica. Por isso, sugere que o álcool é um substituto imperfeito da gasolina.

Nappo (2007) estimou a demanda de gasolina em bases mensais de agosto de 1994 a julho de 2006. Ele formulou três equações para estimar demanda de gasolina, conforme segue:

(1)

(2)

(3)

Onde: é o consumo mensal nacional de gasolina ; é o preço real mensal da gasolina; é a renda real mensal per capita; é o preço real mensal do álcool hidratado; é a variável binária de inclinação associada ao preço da gasolina; é a variável de tendência estocástica; e é o resíduo.

A avaliação do autor é que introdução dos carros flex-fuel levou há uma significativa mudança na elasticidade-preço da demanda por gasolina, pois a variável binária de inclinação

apresentou-se com um coeficiente negativo, o que torna mais elástica a demanda de gasolina após 2003.

Schunemann (2008) estimou a demanda de gasolina com bases anuais e mensais com diversos intervalos de tempo entre 1970 até fevereiro de 2007 pelo método de co-integração. Foram estimados modelos com diferentes especificações. As principais variáveis explicativas utilizadas para modelagem com bases mensais são: o consumo mensal per capita de gasolina C; a Produção Industrial Física Mensal; o preço médio mensal da gasolina; a variável binária igual a 1 de 2003 até 2007 e 0 nos outros anos; o preço médio mensal do álcool hidratado; dummies referentes aos meses do ano (de forma a captar questões de sazonalidade); e finalmente o preço médio mensal do GNV. Os resultados obtidos no trabalho indicam que no longo prazo, a gasolina C se torna um bem um pouco mais elástico à renda, mas a inelasticidade em relação ao preço se mantém. Além disso, indicou que realmente há uma mudança estrutural no mercado de combustíveis do ciclo Otto ocasionada pelas vendas de veículos flex. Por fim, o preço do álcool hidratado não se mostrou significativo para explicar a demanda de gasolina e o preço do GNV se mostrou uma variável irrelevante para influenciar a decisão dos consumidores segundo a autora.

Em relação aos estudos sobre demanda de etanol, Sordi (1997) estudou a demanda por álcool hidratado carburante no período de 1980-1995 com dados mensais. O autor baseou sua análise em dois modelos de demanda, um considerando a oferta endógena e outro considerando a oferta exógena, para estimar as elasticidades-preço e renda da demanda. As variáveis consideradas foram: a demanda total por álcool hidratado; a oferta total de álcool hidratado; preço real do álcool hidratado pago pelo consumidor; a renda, a quantidade de veículos da frota movida a álcool hidratado; o consumo de álcool hidratado por veículo; a variável de tendência no tempo; a razão dos preços reais ao consumidor, do álcool hidratado e da gasolina; o preço real da cana-de-açúcar; o preço real do álcool hidratado recebido pelo produtor; o preço real do açúcar no mercado nacional; o preço real do açúcar no mercado internacional; e o preço real do petróleo no mercado internacional. Por fim, conclui-se que a demanda por etanol é inelástica com relação ao preço e à renda.

Bacchi (2005) estimou a relação dos preços do setor sucroalcooleiro com a gasolina C para o período de julho de 2001 a agosto de 2004 através da metodologia de Auto-Regressão

Vetorial (VAR). Foram consideradas as seguintes variáveis: o preço do álcool hidratado ao consumidor; o preço do álcool hidratado ao produtor; o preço da gasolina C para o consumidor; o preço do álcool anidro ao produtor; o preço do açúcar no mercado internacional; e finalmente a renda. Os resultados apontam que as variações do preço da gasolina C ao consumidor têm efeito imediato e de grande magnitude sobre o preço do álcool hidratado, indicando elevado grau de substituibilidade do primeiro produto pelo segundo.

Serigati, Correia e Perosa (2010) estimaram, por meio de uma regressão em 3 estágios, as curvas de demanda e de oferta de álcool hidratado, bem como a curva de demanda por açúcar entre julho de 2001 e abril de 2009 . As variáveis consideradas foram: a quantidade de álcool hidratado; o preço de etanol; o preço de açúcar; a quantidade de álcool anidro; a proporção de carros flex e carros movidos a álcool; o preço de cana-de-açúcar recebido pelo produtor; o preço de cloreto de potássio; o preço de uréia; o preço de sulfato de amônia; o preço de gasolina; a proporção de carros flex e carros movidos a álcool; o consumo de energia elétrica; uma variável binária, sendo esta igual a 1 no período pós flex e igual a 0 no período pré flex; a produção industrial de açúcar; e a importação de açúcar dos EUA. Os resultados sugerem que houve um aumento significativo na elasticidade-preço da demanda do álcool hidratado e na elasticidade cruzada entre o álcool e a gasolina. Portanto, concluíram que a introdução de veículos flex-fuel aumentou o grau de substitubilidade entre os dois combustíveis.

Os valores obtidos nos estudos brasileiros são apresentados no capítulo 5 e analisados conjuntamente com os resultados desta dissertação.

É interessante observar que os estudos empíricos sobre demanda por gasolina voltados para o mercado brasileiro diferem dos estudos internacionais. Um dos pontos de destaque nos estudos nacionais é que quase sempre estes incluem o preço do álcool hidratado na equação de demanda por gasolina, pois este é considerado, naturalmente, um substituto da gasolina. O mercado de combustíveis para veículos leves no Brasil apresenta várias particularidades que devem ser levadas em consideração.