A consideração das infra-estruturas em um item que define as características da região onde se localizam as unidades de conservação, área deste estudo, faz sentido porque sua extensão e grau de serviço modificam o território no qual se instalam e também porque condicionam a gestão ambiental que se pode nele fazer. Tanto as infra-estruturas de transporte, que aumentam a acessibilidade e conectividade entre distintos pontos e permitem um uso mais intensivo do território como as infra-estruturas básicas de abastecimento, que servem à população residente em distintos lugares, traçam um percurso superficial ou subterrâneo que modifica as condições naturais das regiões que abastecem.
A infra-estrutura básica é composta pelos equipamentos e serviços que dizem respeito ao abastecimento de eletricidade, água, energia, gás, telefonia, dentre outros. No entanto, nesta pesquisa, pela relação com sua temática, consideraram-se apenas o saneamento básico e sistema viário, este último compreendido pelas vias que dão acesso às unidades de conservação sob análise.
integrantes de áreas de especial interesse turístico; V – inseridas na área de influência de empreendimentos ou atividades com significativo impacto ambiental de âmbito regional ou nacional.
No que diz respeito ao saneamento básico, foi tratado em seus elementos principais de distribuição de água, rede coletora de efluentes e destinação dos resíduos sólidos.
Com relação à oferta de água, é importante considerar, independentemente da rede de distribuição e o volume produzido, o número de conexões nos domicílios. Os municípios de Paracuru e Paraipaba, os mais similares em número de população (em torno a 25.000 hab) mantém uma média de 44% dos domicílios (urbano e rural) atendidos com água encanada, enquanto os municípios de Trairi e Itapipoca, os mais povoados, (com 44.527 e 94.269 habitantes respectivamente) apresentam números bastante distintos.
Trairi, com maior índice de população rural, conta com uma porcentagem muito baixa, pois somente 8,5% dos domicílios (urbano e rural) são atendidos pelo sistema de distribuição de água encanada, embora essa porcentagem aumente em 2% se consideradas as conexões conseguidas através da operação do Sistema Integrado de Saneamento Rural – SISAR, que consegue atender a mais 205 domicílios nas localidades rurais de Monguba e Mundo Novo.
O segundo, Itapipoca, o município que junto a Paracuru apresenta uma taxa de urbanização mais alta, é o que melhor serviço oferece, pois 52,68% dos domicílios têm acesso à água encanada.
Com relação à rede coletora de efluentes, as porcentagens são desastrosas, isto é, é muito precária a situação nos quatro municípios, pois a maioria de seus domicílios se encontra sem conexão à rede. Assim, observando Paracuru, o município para o qual este indicador é mais favorável, tem-se que apenas 30% dos domicílios têm esse serviço. Na seqüência, está Paraipaba com 14,06%, depois Itapipoca com 6,44% e por último Trairi, com somente 1,7% dos domicílios beneficiados com uma conexão à rede coletora de águas residuais.
Vale a pena ressaltar que Itapipoca, mesmo não representando a porcentagem de conexões mais baixa dos quatro municípios, é onde parece evidente que a situação é pior, por uma razão muito simples: mais da metade dos domicílios conta com água potável, ou seja, com acesso a una conexão de água encanada, própria para o consumo doméstico, enquanto que somente 6,44% desses domicílios têm como dar saída à água residual para a rede coletora de água servida.
Neste quadro os problemas ambientais se evidenciam com a água poluída escoando pelas ruas e se infiltrando no lençol freático pelas conexões clandestinas. Um problema ambiental preocupante, tanto urbano como rural, maior ainda quando se
acrescentam a estes números os referentes ao serviço de água potável que administra o SISAR nas áreas rurais quando não está consorciado com o serviço de coleta de esgotos.
A situação do tratamento e da destinação final dos resíduos sólidos é também muito precária. Somente o município de Itapipoca, que é o mais populoso dos quatro, com quase 100.000 habitantes, possui aterro controlado. Os demais municípios destinam seus resíduos sólidos a um terreno qualquer94, geralmente alugado ou cedido por um munícipe ou pela Igreja, sem a observância da distância mínima do terreno à população mais próxima.
Também neles não há tratamento ou recobrimento dos resíduos, os quais geralmente são queimados a céu aberto, para dar espaço aos que chegarão. Fatalmente acarretam problemas de poluição atmosférica, contaminação hídrica e do solo, e ocasionam problemas de saúde pública e comunitária, ao favorecerem a proliferação de pragas de roedores e insetos (ratos e baratas).
No que se refere às vias de acesso, até 1998 somente existia uma rodovia federal, a BR– 222, pela qual se transportavam pessoas e mercadorias com origem e destino a esses municípios. O Programa de Desenvolvimento do Turismo (PRODETUR/CE I), possibilitou a construção da rodovia estadual “Sol Poente” – CE 085, de caráter estruturante, isto é, da qual saem vias de acesso específicas para algumas das principais localidades dos municípios referidos, como é exemplo da comunidade de Lagoinha em Paraipaba. Assim, observa-se como o desenvolvimento turístico serviu de impulso à construção de novas infra-estruturas que provavelmente não seriam realizadas ou talvez demorassem bastante tempo para ser criadas se o motivo fosse melhorar a acessibilidade da população desses quatro municípios, pois seu peso demográfico não justificaria o investimento.
5.2.3 Realidades econômicas e sociais
Ainda com enfoque no esboço da estrutura econômica da região oeste do Ceará a fim de completar o perfil da região na qual estão inseridas as unidades de conservação em análise, há de se tratar ainda de forma simplificada a distribuição do Produto Interno Bruto de cada município por setores de atividade econômica. (vide TABELA 2).
Chama a atenção o fato de em todos os municípios ser majoritária a participação do setor de serviços no PIB regional, e resulta ainda mais relevante assinalar que é
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