PART II - MEASURES
8.2 Expected and observed effects during sludge treatment
No que diz respeito à APA das Dunas da Lagoinha, teve-se a mesma intenção de observar o tipo do turista que emite sua opinião acerca da área protegida e seu estado de conservação. Conforme foi observado anteriormente, os tipos dos visitantes das duas APAs sob análise são bastante diferentes, o que com relação a essa APA dificultou a abordagem para a aplicação dos questionários. Ressalte-se que os turistas foram abordados na praia da Lagoinha, até mesmo os que estavam se dirigindo aos atrativos da APA, em especial o Lagamar do Jegue.
As visitas de campo foram realizadas nos mesmos períodos de 04.02.06 e 07.09.06, nesses dias estimou-se cerca de 500 visitantes, sendo que na média estação - primeira visita - foram em torno de 200 e na alta estação, ou seja, na segunda visita aproximadamente 300. Portanto, pode-se dizer que a visitação na alta estação supera em 50%
no período da média. A composição desses 500 visitantes pode ser demonstrada no gráfico a seguir, a partir da amostragem de 180 componentes dos grupos entrevistados:
11% 19% 1% 69% crianças jovens adultos idosos
FIGURA 37 – Perfil do turista por faixa etária – APA das Dunas da Lagoinha. Fonte: Pesquisa (2006)
Do gráfico depreende-se que a representação dos turistas na faixa etária representada por adultos é muito superior às demais, diferente da APA do rio Curu que guarda proporções entre as faixas etárias. Os 69% dos adultos estão seguidos 19% das crianças. No entanto, na formação dos grupos identificou-se muito mais a densidade na reunião unicamente de adultos do que de casais com filhos, o que revela ser um tipo de turismo mais para diversão de adultos sem família. Os jovens têm menor representatividade, assim como os idosos, com apenas 1%.
A origem desses grupos tem peso distribuído de forma equilibrada entre a cidade de Fortaleza, com cerca de 30%, e de outros estados brasileiros, com porcentagem similar. Em menor proporção estão os de origens no próprio município de Paraipaba e de outros municípios cearenses, também equilibrados com a porcentagem de 20%. Na média estação observou-se, surpreendentemente, que os visitantes tiveram origem concentrada em outros municípios e em outros estados. E na alta estação, dividiram-se equilibradamente nas quatro origens relacionadas, o que pulveriza um pouco as características do tipo por origem, que deve ser analisado com mais profundidade.
O grau de escolaridade dos visitantes adultos está representado pelos graduados em nível superior com mais de 45%, seguidos dos que têm nível médio, com um pouco menos de porcentagem. Apenas 5% são pós-graduados, assim como os que têm apenas formação no ensino fundamental. Em comparação à APA do Estuário do Rio Curu, percebe-se um menor grau de escolaridade dos grupos que responderam aos questionários.
Quanto à renda familiar, os grupos, em quase 50%, ganham entre dois e cinco salários, mais de 40% chegam a ganhar acima de cinco salários e apenas 10% ganham até dois salários. Este resultado se parece muito com o da APA do Estuário do Rio Curu, apesar de serem bastante diferentes os tipos de turista por grau de escolaridade. Novamente se identificaram turistas com uma média de renda familiar superior à média brasileira.
Na similaridade os custos nas viagens são em maior parte no intervalo de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 500,00 (quinhentos reais), em porcentagem de quase 70%, seguida pelo custo de até R$ 100,00 (cem reais), e numa parcela inferior os gastos acima de R$ 500,00 (quinhentos reais).
A permanência dos visitantes na praia da Lagoinha foi diferenciada na média e alta estações, pelo que neste aspecto preferiu-se não analisá-las conjuntamente. Na média estação os entrevistados eram em 100% excursionistas, o que se atribuiu a dois motivos: coincidência dos indivíduos abordados, ocasionada pela dificuldade de entrevista dos visitantes e o pouco tempo do visitante em permanecer fora da residência, face à estação turística. Há de se ponderar esse absolutismo porque os estabelecimentos de hospedagem tinham movimento no período. Na alta estação aparece o turista, com a permanência por mais de um dia, na porcentagem de quase 60% contra 42% de excursionistas.
Ao contrário do estilo de visitação de segunda a sexta-feira, na praia da Lagoinha, nos finais de semana e feriados, 100% dos casos de visitação ocorrem por organização própria, independentemente dos pacotes de agências de viagem. São feitas também na sua grande maioria em veículo próprio, e em menor escala em veículo alugado. Observou-se em alguns domingos, em que se fez visita de campo para outros fins, que haviam muitos ônibus fretados, vindos de municípios próximos, que transportavam pessoas para fazer piquenique na praia da Lagoinha.
Com exceção desses excursionistas de domingo, deduz-se que o turista/ excursionista da praia da Lagoinha está perfilado com boas condições financeiras, que pode programar uma viagem para compor as atividades de lazer e com bom grau de formação se comparado à media nacional. São, portanto, cidadãos com possibilidades de avaliar o local e os serviços prestados, tendo condições para se manifestarem também sobre a preservação ambiental dos ecossistemas.
O desconhecimento sobre o que é uma APA está numa porcentagem muito elevada, mais de 60%. Em porcentagem ainda maior, mais de 80%, estão aqueles que nunca ouviram falar na APA das Dunas da Lagoinha, e mesmo os poucos que sabem o que significa
uma área de proteção ambiental e conhecem a APA em referência, não se dirigiram ao lugar influenciados por seu conhecimento ou pelo ideal de proteção ambiental.
Neste aspecto, as duas APAs, que se localizam nos extremos leste e oeste de Paraipaba, centralizam um dado, através de seus visitantes, que é decisivo para corroborar com a hermenêutica de reavaliação jurídica das APAs. Pois mesmo que a categoria APA pertença ao SNUC, suas características não estão presentes nas unidades sob análise, e, muito menos, são reconhecidas por seus visitantes, não surtindo nenhum efeito para a proteção dos ecossistemas que alberga.
As atividades realizadas pelos visitantes da praia e da APA das Dunas da Lagoinha são, em sua maioria, as relacionadas ao banho e permanência em barracas. Em menor escala, aproximadamente 25%, para os passeios em bugre e quadriciclo. As opções de trilhas e festas não foram informadas em nenhuma ocasião, pelo que se depreende a inexistência de alguma influência ao turismo ecológico, ou de tradições do município.
Desta feita, semelhante à APA do Estuário do Rio Curu, a atenção para a praia, barracas e seus serviços é mais destacável, o que resulta em opiniões mais firmes com relação a esses itens. Considere-se que o item que eleva sempre as porcentagens é o do local, ou seja, o uso e a beleza da praia, pois apesar de ser boa a infra-estrutura, os problemas que vêm encontrando com o saneamento básico e a destruição dos muros à beira-mar fizeram decair a satisfação do visitante.
O binômio local e serviços é avaliado em bom por mais de 60%, o que seria um termo elevado de satisfação do turista para que ele escolha novamente o mesmo tipo de lazer outras vezes. Apenas em torno de 10% atribui o conceito ótimo, mas uma parcela superior a 20%, mais exigente, diz ser regular. Esses sempre mencionam problemas de sujeira na praia e no mar. Os extremos de excepcionalidade e ruindade não foram mencionados.
As porcentagens quanto ao estado de conservação da natureza não são tão positivas, pois se dividem quase que igualmente entre bom e regular, aparecendo na segunda visita o conceito ruim, ultrapassando em pouco 10%, mas também o conceito ótimo, ainda que em menor escala. Neste aspecto são também relacionados problemas de sujeira, derrubada das falésias e muitas marcas de pneus destoando com a paisagem.
Quase 70% dos entrevistados estariam dispostos a pagar uma taxa para melhorar a manutenção da APA, dentro de condições como valor acessível ou ter residência na municipalidade. Ao contrário, mais de 30% entendem ter carga tributária muito elevada, o que justifica sua negativa.