9. Policy and decision making
12.3 Maximization of the utilization of human resources
grande inter-relacionamento social, não somente entre eles próprios, mas também com associações classistas ou esportivas, com destaque para a Liga de Futebol Independente
José do Patrocínio, fundada em 10 de junho de 1919, e políticas, como a Frente Negra Pelotense, fundada em 10 de maio de 1933. Porém, foi possível encontrar notícias dos
eventos proporcionados pelas diferentes associações em outros jornais da cidade, como, por exemplo, Diário Liberal, Diário Popular, Libertador e A Opinião Pública.
A manutenção desses cordões durante todo o ano fez com que antes mesmo de adotarem a denominação oficial de clube os jornais assim o denominassem. Essa percepção é corroborada pelo conceito de Clubes Sociais Negros, elaborado em 2008 pela Comissão Nacional de Clubes Sociais Negros dos Estados do RS, SC, SP, RJ e MG:
Os Clubes Sociais Negros são espaços associativos do grupo étnico afrobrasileiro, originário da necessidade de convívio social do grupo, voluntariamente constituído e com caráter beneficente, recreativo e cultural, desenvolvendo atividades num espaço físico próprio (SILVEIRA apud ESCOBAR, 2010, p. 61).
Dentre as associações recreativas encontradas, algumas apresentaram forte ligação com os clubes negros da cidade, o que nos permitiu inferir que aceitariam em seus quadros homens e mulheres negros, uma vez que seria improvável que os clubes mantivessem relações com grupos que discriminassem seus membros tomando como padrão a cor da pele e vice-versa. Assim, destacamos alguns grupos encontrados que corroboram esta perspectiva.
2.3.1 Relações associativas do clube Depois da Chuva
Em relação ao clube Depois da Chuva, encontramos vinculação com os grupos
19 de fevereiro, União Democrata e Vencedor, os quais aparentemente eram grupos
esportivos118, enquanto que o Bloco das Levadinhas119 e Mocidade Pelotense120 eram
grupos que promoviam festas nas dependências do referido clube. Nesse sentido, é importante destacar que o Depois da Chuva ocupou inicialmente as dependências da
Associação Beneficente Feliz Esperança, sendo que esta deixou de existir no primeiro
118 A Alvorada, 14/10/1934, p. 5. 119 A Alvorada, 20/01/1935, p. 4. 120 A Alvorada, 27/05/1934, p. 3.
ano de existência do referido clube. Porém, acredita-se que o mesmo se manteve junto ao prédio da extinta associação, localizado na Rua 16 de julho, sob a forma de aluguel, mudando-se para uma sede própria no ano de 1929, localizada na mesma rua (LONER; GILL, 2009). Infelizmente, não nos foi possível encontrar subsídios a fim de indicar se este clube comprou uma sede própria, se a construiu sob a forma de mutirão, fato comum na época, ou se até mesmo comprou a sede ocupada até então, visto localizar-se na mesma rua. Podemos apenas contar com notícias veiculadas nos jornais, como por exemplo, no jornal Correio Mercantil, em que há um chamado na edição do dia 4 de setembro de 1929 para a inauguração da sede própria a ser realizada no dia 7 de setembro daquele ano. Esta sede se localizava na atual Rua Cassiano do Nascimento, próxima a um local destinado ao depósito do lixo da cidade, o que provavelmente foi o responsável pela alcunha de cisqueiros (lixeiros) aos sócios desse clube, os quais provavelmente ocupavam as camadas econômicas mais baixas. Neste clube ainda, as festas apresentavam um caráter mais popular. Destacamos uma fotografia de festa realizada nos salões do Depois da Chuva em que se fez presente uma associada do clube
Chove Não Molha, a senhora Enilda Chagas, o que corrobora a ideia de que os clubes
negros buscavam prestigiar os clubes co-irmãos, formando assim um circuito de sociabilidade negra na cidade.
Imagem 3- Festa dos países no Depois da Chuva (Acervo pessoal de Enilda Chagas)
2.3.2 Relações associativas do clube Chove Não Molha
Relacionadas ao clube Chove Não Molha destacamos o Cordão Aliança, ao qual
o clube dedicou uma festa artística no ano de 1937121; Bloco das Borboletas, tendo estes
o nome em clara alusão ao símbolo do clube, leva a crer que tinha grande concentração
de mulheres, visto que em ata do clube122, aprovou-se a solicitação do referido bloco,
assinado por três sócias, com o objetivo de realizar uma homenagem a presidente do
Bloco Filhas do Chove, festa a qual teria os lucros revertidos em totalidade para o clube.
Porém, certamente não era somente de mulheres, visto que de acordo com notícia veiculada no jornal O Libertador, os cargos da direção eleita para gerir as atividades do
ano de 1932 eram todos ocupados por homens123. De acordo com as fontes pesquisadas
é possível afirmar que este bloco existiu na primeira metade da década de 1930. Já o
Bloco Filhas do Chove também era composto de mulheres sócias do clube as quais
desempenhavam funções dentro do mesmo, com destaque para a organização de festas. Formado por membros do referido clube, encontramos ainda o Bloco Camisas Azuis
Chovianos, em alusão a cor que simbolizava o clube, o mesmo fora criado no ano de
1939 e realizava suas festas através do aluguel da sede do clube, em benefício do
mesmo124.
Encontramos ainda referência à Sociedade Recreativa Democráticos, a qual o
clube Chove Não Molha ofereceu uma festa em 1934125, dois anos depois, encontramos
esta sociedade alugando o salão do clube para realizar uma festa. Esta sociedade nasceu com uma maior organização, visto que no ano de sua aparição em 1934, já apresentava
um bloco, intitulado 24 de Fevereiro126. Em referência a esta sociedade as autoras
Loner; Gill (2009) destacaram que a mesma poderia ser a identificada por suas fontes enquanto discriminatória de negros com pele escura, aceitando para seus quadros apenas mulatos. Mantendo relações ainda com o clube Chove Não Molha, encontramos os
121 A Opinião Pública, 25/01/1937, p. 6. 122 LADCCNM, no 2, de 11/06/1931.
123 Nesta diretoria constam os seguintes cargos e respectivos eleitos: presidente - Augusto Schmidt,
secretário - Arquimimo Tavares Ferreira e Oswaldo Dias Ribeiro, tesoureiro M. Quadrado Netto, organizador - João Carlos Ourives; orador - Manoel Dias, diretor - José Monteiro, Mario Azevedo, Theodoro Bohns, Carlos Cantaluppi, João Ness e Nelson Brisolara (O Libertador, 06/04/1932, p.4).
124 LADCCNM, no. 116, 10/09/1940 um associado do clube e membro do referido bloco solicita que os
rendimentos da próxima festa sejam destinados ao bloco, porém, a diretoria não aprova e evoca o fato de o mesmo ter sido criado com o fim de beneficiar o clube. Fica evidente que o bloco embora alugasse a sede, nem sempre conseguia arcar com o aluguel, visto que a partir de 1940 é constante a reclamação de atraso do pagamento ou de solicitação de diminuição do valor ou até mesmo isenção.
125 A Alvorada, 18/03/1934, p.3. 126 A Alvorada, 25/03/1934, p. 2.