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Maundy Thursday: the Naked Altar

In document Clothing the Sacred (sider 163-183)

4 Clothing the Altar

4.6 The Altar at Lent: Undressing the Altar

4.6.1 Maundy Thursday: the Naked Altar

A investigação do comportamento das misturas betuminosas modificadas com betume-borracha em Portugal, teve início em 1999. Ao longo destes anos e com o objectivo de optimizar e melhorar o comportamento estrutural e funcional dessas misturas betuminosas modificadas foram realizados vários estudos, já referidos anteriormente. Do ponto de vista estrutural surge a tentativa de melhorar a resistência ao fendilhamento, retardar a reflexão de fendas, aumentar a vida à fadiga, melhorar a resistência às deformações permanentes e formação de rodeiras. Na perspectiva funcional visa essencialmente reduzir o ruído de circulação, aumentar a aderência pneu/pavimento, reduzir o efeito de projecção de água e reduzir o fendilhamento.

Com a crescente utilização das misturas betuminosas com BMB, por via húmida procedeu-se à homologação através do LNEC para as misturas MBR-BMB (misturas betuminosas rugosas) e MBA-BMB (misturas betuminosas abertas), por solicitação da empresa Recipav. A criação e publicação destes documentos teve em conta os resultados dos ensaios realizados e as observações decorrentes de visitas às instalações de fabrico, a obras em curso e a construções em uso, regras para os seus armazenamentos, transporte e aplicação em obra.

O principal método de fabrico de misturas betuminosas modificadas com BMB, em Portugal, é o método por via húmida no processo Continuous Blend (In Situ). O método passa pela deslocação de uma unidade móvel de produção de BMB para uma central, onde se procederá à mistura final. Visto este tipo de misturas não serem estáveis ao armazenamento são aplicadas imediatamente após o seu fabrico. O processo Terminal Blend (refinaria) para o fabrico de misturas com BMB não é muito aplicado em Portugal, pelo que a escassez de estudos não permite fazer uma avaliação dessas mesmas misturas e compará-las com o processo Continuous Blend.

No estudo realizado (Dias, 2011) para as misturas com via seca conclui-se que as temperaturas de fabrico apresentam um papel fundamental no desempenho final das misturas, aconselhando-se uma temperatura não superior a 170 ºC para o fabrico das mesmas pois induz à queima substancial de uma parte da borracha, reduzindo o sucesso de interacção da borracha com o betume.

Através dos estudos apresentados anteriormente percebe-se que, em Portugal, para o fabrico de misturas betuminosas modificadas para aplicação em pavimentos, são utilizados na maioria betumes modificados com altas percentagens de borracha (18% a 22). Só nos últimos anos é que algumas empresas (Cepsa, Repsol, Probigalp, Lusasfal) começaram a explorar a utilização de misturas betuminosas com percentagens de borracha inferiores (baixa e média percentagens de borracha).

Analisando os estudos para avaliação do módulo de deformabilidade e da resistência à fadiga das misturas betuminosas com BMB em comparação com outro tipo de misturas foi possível concluir que o ensaio mais utilizado foi o de flexão simples em quatro pontos com aplicação de cargas com frequência de 10 Hz e extensão controlada, de acordo com a norma americana AASHTO TP8-94. Com a definição dos documentos de homologação por parte do LNEC para as misturas MBA-BMB e MBR-BMB, que tinham como base a norma europeia EN 12697-24 (2004), surgiu assim a possibilidade de comparar resultados com procedimentos diferentes. No entanto os estudos ainda não são vastos.

Relativamente aos resultados apresentados durante estes anos, chegou-se à conclusão que as misturas betuminosas modificadas com borracha aplicadas em camadas de desgaste apresentam melhor resistência à fadiga podendo apresentar um valor cerca de 3 a 5 vezes superior quando

84 comparadas com outros tipos de misturas betuminosas. Concluiu-se também que as misturas com BMB não são muito sensíveis quando submetidas ao envelhecimento em laboratório.

Outras das propriedades analisadas são as deformações permanentes que se definem pela repetida aplicação de cargas o que resulta em depressões nas rodeiras dos veículos, surgindo também elevações laterais. Como se viu no quadro 2.7 estas deformações podem ser de pequeno e grande raio. De pequeno raio surgem normalmente devido apenas às camadas betuminosas e as de grande raio resultam das camadas granulares e fundação (Sousa et al., 2004).

Tal como os ensaios de caracterização do comportamento dos pavimentos à resistência à fadiga, desde 1999 têm sido feitos estudos para caracterizar a resistência das misturas betuminosas modificadas com betume-borracha às deformações permanentes, alguns dos quais salientados na secção 4.3. Verificou-se que a avaliação feita ao longo destes primeiros anos foi essencialmente através do ensaio de simulação de tráfego em pista de laboratório segundo a Norma Espanhola NLT 173-84.

O comportamento das misturas betuminosas relativamente às deformações permanentes pode ter efeitos negativos devido, a uma deficiente compacidade, a tempos de digestão do betume-borracha elevados (superior a 2h:30min), ao armazenamento do betume-borracha por longos períodos de tempo, antes ser misturado aos agregados e a falta de controlo na temperatura que é realizado o processo de digestão.

Outro dos ensaios para avaliação do comportamento das misturas com BMB às deformações permanentes é o ensaio de corte a altura constante, ensaio este, que tem poucos estudos associados de forma a conseguir resultados concretos e susceptíveis de comparação

Em suma e de acordo com a experiência portuguesa as misturas betuminosas modificadas com borracha têm vindo a apresentar melhores resultados em termos de características mecânicas (resistência à fadiga e deformações permanentes) que, por exemplo, misturas convencionais e mesmo que misturas modificadas com polímeros.

A introdução de misturas betuminosas modificadas com borracha teve entre outros objectivos a tentativa de redução do ruído nas estradas. Ao longo desta ultima década foram realizados vários ensaios para verificar se efectivamente a adição de borracha reduzia os níveis de poluição sonora. De acordo com a experiência portuguesa, tem em conta o método Estatístico de Passagem (ISO 11819-1: 1997). Na análise feita aos estudos referidos podem haver reduções dos níveis de ruído na ordem dos 10 db(A).

Em certos casos de estudo foram ensaiadas amostras, de pavimentos, alguns anos depois de terem sido colocados. Por exemplo, nos primeiros anos as composições de MBR-BMB tinham percentagens de ligante de 7,0% a 8,0% (com 19 a 20% de granulado de borracha adicionado), sendo as misturas formuladas pelo método de Marshall (para 75 pancadas) esperando-se porosidades de 4,0% a 6,0%. Mais recentemente as composições de MBR-BMB apresentam percentagens de ligante de 8,5% a 9,0% (com 20 a 22% de granulado de borracha adicionado), sendo as misturas formuladas pelo método de Marshall (para 75 pancadas) esperando-se porosidades de 4,5% a 6,5%. Posto isto conclui-se que se evoluiu para um “BMB com maior grau de modificação” (Miranda & Fonseca, 2006) e para um aumento do seu teor na mistura, o que pode levar a melhorias relativas à reflexão de fissuras.

No Relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) de 2009 sobre Prevenção Rodoviária a causa de morte devido a acidentes rodoviários passa de 9º lugar em 2004 para 5º lugar em 2030. O aumento da utilização deste tipo de misturas e consequentemente o progresso das características mecânicas e funcionais, poderá melhorar os números apresentados pela OMS.

Uma análise não menos importante é a da aplicação destas misturas modificadas com borracha. Em Portugal o fabrico deste tipo de misturas destina-se sobretudo para aplicação em camadas de

85 desgaste, sendo pouco explorada a sua utilização em camadas inferiores como, de regularização ou de base.

A tecnologia das misturas betuminosas com borracha tem vindo a ser debatida em vários congressos a nível mundial. Desde 2000 existe o seu próprio congresso denominado Asphalt Rubber que é realizado de 3 em 3 anos, tendo sido o primeiro realizado em Portugal. Com a realização destes congressos debatem-se ideias e estudos principalmente com países como os Estados Unidos da América e África do Sul que possuem um maior domínio sobre esta tecnologia.

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