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Matneofobiskala som metode

8.7 Evaluering av metoden

8.7.4 Matneofobiskala som metode

com o grupo religioso atual

Envolver-se com um grupo religioso e se assumir como participante e membro dele, em geral, implica em anular as práticas anteriores e, de certa forma, negar o envolvimento com o mesmo. Isso acontece porque os grupos religiosos citados nesta pesquisa não

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admitiriam a dupla-pertença declarada, ou seja, nenhum membro de uma comunidade evangélica poderia se declarar praticante de algum rito afro-brasileiro. Por isso, ao narrar a sua passagem por alguma denominação evangélica, são raras as pessoas que se dispõem a falar sobre o fato, bem como descrever o quanto eram envolvidas com as atividades do grupo anterior.

As informações aqui apresentadas indicam a soma e o cruzamento de dados encontrados nos questionários e ainda algumas declarações concedidas por alguns /as fiéis e que nos ajudam a identificar a participação destes sujeitos religiosos nos espaços em que circularam. Como já afirmamos anteriormente, o percentual de fiéis do candomblé e da umbanda que indicam ter praticado o trânsito religioso é de 37,5%. Destes /as, apenas um sinaliza que possuía algum cargo ou função dentro do grupo. Trata-se do pai de santo Garcia, que hoje lidera uma casa de umbanda em São Caetano do Sul, tal como narramos no segundo capítulo.159 Mas é possível observar também que, ainda que não tenham identificado uma função ou o exercício de algum cargo, há pelo menos outros seis casos em que se verifica um envolvimento maior nas atividades do grupo anterior. Somando estes casos poderíamos afirmar que aproximadamente 8,75% dos/as participantes se envolveram de maneira mais intensa com as comunidades evangélicas.

Para facilitar a compreensão dos casos160, apresentaremos a seguir alguns quadros com a biografia religiosa destas pessoas, facilitando assim a compreensão para o seu grau de envolvimento com o grupo anterior.

Biografia religiosa de participantes da pesquisa que indicaram participação ativa no grupo religioso anterior

Tabela 11 Nome/ idade/cidade

escolaridade

Sílvio Garcia – 51 anos – São Caetano do Sul Superior completo

159 Cf. a página 69.

160 Embora estes casos tenham sido apresentados ao longo da dissertação, faz-se necessário apresentá-los novamente, pois neste momento a apresentação sistemática destas histórias nos ajuda a compreender o envolvimento dos/as mesmos/as com as suas comunidades religiosas.

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Grupo religioso atual/função ou cargo

Umbanda - Pai de Santo Igreja(s) em que

participou

Igreja neopentecostal (não identificou o nome) Informações sobre sua

participação no grupo evangélico

Durante os oito anos que esteve no grupo, foi pastor desta comunidade.

Motivações para o trânsito

Duas motivações são identificadas: primeiro um desentendimento com outras lideranças motivada pela cobrança de dízimos e ofertas; a segunda, que identifica sua ida para a umbanda, está relacionada com problemas de saúde pessoal.

Tabela 12 Nome/ idade/cidade/

escolaridade

Elizabeth Amâncio – 48 anos – São Bernardo do Campo Ensino médio completo

Grupo religioso atual/função ou cargo

Umbanda – mãe de santo

Igreja(s) em que participou

Congregação Cristã do Brasil; Igreja Batista

Informações sobre sua participação no grupo evangélico

Sua participação na Congregação Cristã aconteceu durante a infância e adolescência. Neste período, não tinha a opção de escolha, pois acompanhava sua mãe. Durante a vida adulta, por opção, passou a frequentar a Igreja Batista e se envolveu com a mesma, participando ativamente de suas programações por um ano, ainda que não exercesse nenhum cargo ou liderança.

Motivações para o trânsito

Depois de passar um período sem participar de nenhum grupo, desenvolveu alguns problemas de saúde e decidiu procurar ajuda “espiritual”. Participou, então, de um grupo de candomblé. Neste grupo permaneceu por cinco anos, mas apenas ajudando, sem o exercício da

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liderança, até que decidiu que era momento de ir para a umbanda e criar o seu próprio grupo. Tornou-se, então, mãe de santo.

Tabela 13 Nome/ idade/cidade/

escolaridade

Tatiane Ferreira – 28 anos – Diadema Ensino médio incompleto

Grupo religioso atual/função ou cargo

Umbanda

Igreja(s) em que participou

Congregação Cristã do Brasil; Igreja Pentecostal Deus é Amor; Igreja Universal do Reino de Deus

Informações sobre sua participação no grupo evangélico

Suas participações nos grupos evangélicos duraram aproximadamente um ano em cada igreja; afirma que participava ativamente de todos os cultos e campanhas das igrejas, mas por não obter respostas para os seus problemas e por não concordar com algumas exigências e normativas dos grupos, acabou mudando de religião.

Motivações para o trânsito

Questões familiares são as primeiras motivações identificadas para o trânsito. Havia a necessidade de buscar soluções para a dependência química do irmão e o alcoolismo desenvolvido pelo pai. Mesmo sem obter uma solução, permanece na umbanda há sete anos.

Tabela 14 Nome/ idade/cidade/

escolaridade

João Caetano – 51 anos – Santo André. Ensino médio incompleto

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atual/função ou cargo Igreja(s) em que participou

Igreja Universal do Reino de Deus

Informações sobre sua participação no grupo evangélico

Participou ativamente das atividades deste grupo por um ano. Além dos cultos, participava também das campanhas de oração e contribuía regularmente com dízimos e ofertas.

Motivações para o trânsito

Procurou um novo grupo religioso porque não concordava mais com a cobrança dos dízimos e ofertas. Além disso, descreve uma experiência mística161 que o motivou a migrar para a umbanda.

Tabela 15 Nome/ idade/cidade/

escolaridade

Maria Reis Carvalho – 32 anos – Santo André Ensino médio completo

Grupo religioso atual/função ou cargo Umbanda Igreja(s) em que participou Batista do Calvário Informações sobre sua

participação no grupo evangélico

Participou durante quatro anos das atividades da Igreja Batista. Ia em companhia dos familiares – os pais sempre foram evangélicos (antes de frequentar os cultos da Igreja Batista, eram da Assembleia de Deus). Frequentava assiduamente os cultos e também as atividades do grupo de jovens.

Motivações para o trânsito

Teve problemas no relacionamento e também na vida profissional. Seguindo as orientações de algumas amigas, procurou, ainda que com

receio, o auxílio espiritual em uma casa de umbanda. Está na casa há

dois anos e se sente muito envolvida.

110 Tabela 16

Nome/ idade/cidade/ escolaridade

Maria de Lourdes – 48 anos – São Bernardo do Campo Ensino médio incompleto

Grupo religioso atual/função ou cargo

Umbanda

Igreja(s) em que participou

Igreja Internacional da Graça

Informações sobre sua participação no grupo evangélico

Participou por um ano dos cultos e das campanhas, além de contribuir financeiramente.

Motivações para o trânsito

Procurou a igreja porque estava com problemas no relacionamento com o marido. Segundo o pastor dessa igreja, o marido estava com “encostos”. Depois de alguns meses na igreja, sem obter nenhuma melhora, Maria viu o marido ir embora, deixando-a desempregada e com três filhas para sustentar, motivos suficientes para lhe fazer buscar um novo grupo.

Tabela 17

Nome/ idade/cidade/ escolaridade

Sônia – 52 anos – Diadema Ensino fundamental completo Grupo religioso

atual/função ou cargo

Umbanda

Igreja(s) em que participou

Igreja Deus é Amor; Igreja Pentecostal (Nome não identificado).

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participação no grupo evangélico

libertação por aproximadamente um ano. Depois ficou por mais seis meses no segundo grupo. Neste participava muito mais dos cultos de oração. Nos dois grupos contribuía financeiramente.

Motivações para o trânsito

O marido desenvolveu problemas de saúde e não conseguiam obter cura e nem ao menos tratamento. Como não conseguiu a cura para ele em nenhum dos grupos, passou a frequentar as atividades da umbanda.

Caracterizando este grupo,162 identifica-se que 71,42% são mulheres e que transitam pelos grupos religiosos em busca de soluções para problemas de relacionamento, ou de saúde de seus companheiros, ou dos filhos/as, ou de outra pessoa próxima. Observando as motivações masculinas, verifica-se uma constante insatisfação com fatores financeiros, ou seja, a forma de arrecadação estabelecida pelas igrejas citadas era vista como abusiva por estes participantes. Um deles indica que estas “cobranças” constantes dos dízimos e ofertas motivaram o seu desentendimento com outros líderes da igreja. Entre as mulheres, este fator não apareceu, assim como não houve entre homens alguém que afirmasse que procurou a religião porque o/a filho/a ou a esposa estivesse com problemas de saúde.

A umbanda se destaca nesta pesquisa como o grupo que mais recebeu sujeitos oriundos de igrejas evangélicas, e é possível que isso aconteça porque a “estrutura” religiosa umbandista oferece uma mescla de credos e ritos que inclui, por exemplo, a leitura do Evangelho na Umbanda. Trata-se de um livro doutrinário e que se baseia no evangelho de Jesus Cristo, utilizado pelos cristãos. Além disso, não podemos descartar o fato de que com o “embranquecimento” da umbanda, esta religião passa a ser aceita com mais facilidade pelas pessoas, enquanto o candomblé, com a sua mística, seus segredos e todo o preconceito que ainda o cerca, é visto como uma religião de pobres, pretos,

macumbeiros e veados, termos pejorativos, mas que ainda são usados com frequência. Além do

mais, ao contrário do que se vê na umbanda, no candomblé não há ritos semanais, o que dificulta ainda mais a aproximação de outras pessoas. E a própria organização, mais “familiar”, com um menor número de adeptos, com ritos mais reservados apenas para os iniciados da religião, contribui para a movimentação mais restrita de sujeitos religiosos.

162 Observe que este grupo é composto por sete pessoas; as porcentagens indicadas aqui são contabilizadas a partir deste número.

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Observa-se que entre estes sete perfis selecionados, quatro indicam que a passagem pelas igrejas evangélicas aconteceu por aproximadamente um ano, no qual as pessoas destacam a participação em cultos, campanhas e encontros de oração, além do contribuir financeiramente constantemente. Nota-se que, na maioria dos casos, essa participação está condicionada por alguma necessidade e que a igreja não conseguiu sanar, logo, procurar outro espaço religioso foi a alternativa encontrada por estas pessoas.

Entre as pessoas que citaram ter se envolvido por mais tempo com as igrejas evangélicas, verifica-se que as motivações são diferentes. No caso de Garcia, apresentado no quadro 1, sua participação no grupo religioso se deu na fase adulta de sua vida e ele era líder da comunidade. Já o caso apresentado no quadro 5 nos mostra a biografia de Maria Carvalho, que participou por quatro anos dos cultos batistas. Neste caso, verifica-se que os pais podem ter sido os grande motivadores para a sua participação na igreja, pois, segundo relata, estes sempre estiveram envolvidos com os cultos evangélicos. Sua saída para a umbanda foi motivada pelos problemas profissionais e relacionais, e essa aproximação aconteceu com muito receio: “Sempre achei que tudo o que era feito aqui era do demônio, mas percebi que não é nada disto. Achei resposta para o que procurava.” Maria descreve que não teve o apoio da família para permanecer no grupo, e que até hoje, depois de dois anos de envolvimento com a umbanda, os pais continuam orando para que ela retorne para a igreja.

Outro ponto que também se destaca é o fato de que, em grande parte dos questionários que indicam o trânsito religioso, é raro encontrarmos a citação de apenas uma igreja evangélica. As pessoas passaram por pelo menos duas denominações antes de se declararem candomblecistas ou umbandistas. Transitar é uma forma de expressar a curiosidade por conhecer outros ritos, ou ainda a insatisfação com o grupo anterior e/ou de afirmar que suas necessidades não foram atendidas. Neste “mercado religioso” a satisfação do/a cliente também deve ser garantida. Do contrário ele/a migrará para outros grupos que possam satisfazer seus anseios espirituais e materiais, tal como vimos nas biografias analisadas.

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3.5 Similaridades e diferenças nas práticas litúrgicas e nas