A aproximação entre miracemistas e portelistas veio sem dúvida alterar o quadro solítico numinense, asós cinco anos de domCnio inconteste do PRF. O poder de fogo da nova coalizão era entretanto limitado pela solidez do es· quema situacionista. 8atllntido pela sintonia entre o governo do estado e o sartido oficial. Embora abal:ldo pelo êxito da aliança de seus opositores com facçôcs innuentes na política nacional, o PRF aillda demonstraria sua força nas eleiçôcs realizadas em 1897 para o governo do estado. as câmaras muni cisais e a ALERJ.
A sucessào de Mauricio de Abreu foi disputada em II de julho de
1897
sor dois candidatos: Alberto Torres. do PRF. e João Batista Laper. da Liga Oposicionista. A força do sartido oficial pode ser medida pelo resultado da 87eleição: enquanto Alberto TorTc:s obteve 27.884 votos. Lapcr recebeu ape nas H)6]."
Nas eleiçõcs municipais de outubro. o PRF preparou·se para conquistar os doss princspais focos de contestação â sua hegemonia, ou seja, Niterói e Campos. Não era tarefa foci!, diante do fortalecsmento da oposição. mas para enfrentar a possibilidade de "duplicatas" o partido contava com o aposo do governo do estado, com a esmagadora maiorsa na ALERJ e com a boa vontade do presidente da Repúblic;a. Prudente de Morais.
O
controle -sobre Niterói imp licava aprofundar a divisão do ponelsslOOsniciada alias na eleição anterior, de 1894. quando o PRF venceu o plesto ao patrocinar uma chapa que, com exceção de Martins TorTc:s. era composta de ponelistas.'" Em 1897, trb correntes se apresentaram para disputar a elei ção par.a a Câmara Munscspal: o PRF, lendo a seu lado os aliados de 1894. os autonomistas. e o grupo da famnia Fr6es. autodenominado " Disssdência Republicana".
O
resultado oficial foi favorável ao PRF. mas no dia daposse duas cãmaras foram instaladas: a ofICialmente vstoriosa, presidida por
Geraido Martins. e a da .. Dissidência", presidida pelo major Luís
José
deMenezes Fróes. que: recorreu ao Tribunal da Relação. Decidida 11 llJIulação
do pleito, nova eleição irsa sc realizar em março de 1898, sendo a vitórsa do PRF reconhecida pelo Tribunal da Relação.'"
Em Campos, as eleiçõcs foram disputadas por duas chapas: a da Lsga Oposscionista, integrada por tradicionais políticos dll cidade e apoiada pelo Centro Operário local. e a do PRF, que tinha como única figura de relevo
Abreu Lsma. '/S A chapa de oposição contava com O apoio dos dois mais tra
dicsonais órgãos da imprensa campista, o MonilOr Cllmpista e a Gauta do
POI'O, enquanto a chapa do PRF era sustentada apenas pelo jomal Segundo
Distrito, fundado três meses antes por Abreu Lsma e Alberto 8ezamllt. A oposição contava com a vantagem de controlar a Cãmara Municipal em fim
de mandato e os juíus de paz, responsáveis pela apuração tlos votos, Reals
zada a eleição, cont04o. cada facção formou sua própria junta apuradora e proclamou-se vstoriosa, o que levou à instalação de duas câmaras em L° de janesro de 1898. mesmo tlsa da posse de Alberto TorTc:s.
Prevendo posslveis problemas de duplicatas de câmaras municipais. aO
se encenar o ano legsslativo de 1897 a ALERJ aprovou projeto de les pr0-
posto por Alberto Bez.amat _ a Lei n.o ]7]. de
2 1
de dezembro -que atribula ao presidente do estado a solução provisórsa dos casos de dualidade, porque "a solução definitiva não poderia ser af:lstllda da competénci:1 tlo Puder Judiciário, nos termos da Constituiçiio tlo estado"." A 5Cgur.ança do
PRF em relação à sua própria força '".:ra grande, tanto mais que sua vitória
nas eleições para a ALERJ, em 26 de dezembro. foi tOlal: mesmo no 2.° tlis·
trito os miracemistas foram absolutamente esmagados, não conseguindo fa zer um representante sequer.
No entanlO. como
já
o eemonstrava a atitude de Alberto Torres no dia de sua posse, as expectativas do partido não iriam se concretinu-. Ao rece· ber os oficios das duas câmaras de vereadores que então se instalavam em Campos. o novo presidente do estado expediu um único telew.-ama dirigido " ao Sr, Presidente da Câmara Municipal de Campos"', Corno observa Bar bosa Lima Sobrinho, isto ' 'equivalia a entregar ao estafeta dos Correios e Telégrafos a decisão da dualidade"." A omissâo de Alberto Torres diante do chamado "segundo caso de Campos" _ em contraste cO,m sua atitude frente ao " primeiro caso", em 1896, quando se afastou do Ministério da Jus
tiça - iria ter conseqüências extremamente graves. qU
,e alterariam os rumos
NOTAS
I.
Ve. Ct>l.-ç'l<! d� Ipu d" E.J/aJo d" Ni" de Janpiro. 1891. 2. J",n"IJ.J CtlI"á"'". J!I/11'I92.l. l&m.25,11/1891.
4. Idem. 2611/11192.
$. Vtr "ulkl." com OS n<><rn:s 000 �ar.d;datos. suas ocupações profiu'ooais. "liams pu.jitica. e muni<Óp.iS em Renato Luis dI> 0"'1" Neto e U""' •• A Implm'/Ur,;o da ,>nlPno " p"hlka"D "" e.,'ad" d" Rio d, J�""I'O ' /889·1891, p. 207.
I>. Barbo ... Uma Sobri"lIu. PrPunç .. dr AI�"o Totrrs /."" .'ida � I"".am,"'uj. p. 1{I9.
7. J<>Si Honório RodrigllC'. em Cunâ/iaftW ' "fOlnoa "" &u.;I. p. 57. uplica o .ecUf><l à '"conciliação'" como urna dernon.t ... io d� '"capacidade de autodefe ... do poder e<:onómõ<;o d"minante. que precha,a da '"tranquili<ladc e <Ia ordem para os seu. nq6<;:;.,,"'.
S. A"ai. da A.u",blija C,,,,.'i"';nU do E.Jludo Jo Rio d, Ju",iro. 1892. se ... de 9 de ma.· çu, p. 33.
9. Ver u texto c"",titucôon;,1 em Felisbel" F�i�. A. "'>I>.,il"i(,"", d", ,,,ad,,. , a Cun"i'uj·
f'UJ F,Jrrol.
10. Pano mais detalhes � "" debale • • """il"intc. em t(>mO desse. "h ilens. ver Ren..lo Luís do COUIO Nelo e Umo., OI'. til,
1 1 . A CO""lil"�:to de 1892. em compar""ào com a anlerior. era de falO mais Oulvel e maio
adrquada " formalidade e�igi<la pck> si'le".a �pre ... nlaliV(> repubticaoo. O reconhecimento do
di",ilo p •• "'nlaÇâo """ miooria. politica. vi ... ,a K' disse .... "". ;nlra..,ligárquica.
alrav':'; de mecani""o. de di,pula denllO da ordem. rcrrnçando a<>irn " legilimidade do ,i,tem ... E.>te pri",,;pio. Que f<li lançado pet. ",forma eleiloral de 187� e .. 101"Il00 conhecido como ' ·l.ei do Terço"'. foi inco'l"'nodo pela Con."ituição federal �e 11!91 nO IOCanle li composição da Cio mara dos Ikputados. Os ronSlilu;nle, pon�lista. nio o "dotarAm. r>io porque estiv ... "m u· clu;do. do uni' • ...., liberal. ma, em .. in..de de OI'" frucilidade tocial e poI;tica. Seu. adversa ... de en';)<,. agora 00 poder. e,Iav"m em po,�âo .uf",icntemen,e tegura para ofe,...,er a<l' opo ne"'el. ao rnr:oos fo,",:olmente. urna """,cl:.! 00 pO<kr ��a )!ropOrç"'o ""ria definida em lei ordi· nária.
12. Ver M"""", Campi"". 101'/11192. C Edg.1l" Ca""'e. A Rrpúblka Vplhg (�.vI"r';u p<Jlili�aj.
p. 71 e ""I'.
1 l. V .. A R.pitblka. IW" 11j92. Ver lan.bém Miguel de C' .... alhu. Orra"iU<ftW «p"blku"a ,;"
E;,'ado d" Rio d� J"n�i", _ 1889-1894. p. 7'.
14. Ver lo": HOfIório Rodrisues. op. cit.. c.p. I : ... pol;lic� de condli>oçio: hiM6riH cruent .. c
ineruen.a··, p. 2'J.12tl.
15. o.crdo n.O 21>11. de 2'.1 de junho de 1891. 16 l"1ecrclo n.o 269. de 29.k junho de 1891.
17. Ver ... fun.., de E. Tllunay. W.<l6rlo do .. 4"; no B,,,�i1 . • ,,1. 10.
I""'"
2. p. 11. 18. M"" ;I,,' C"mpi .. ". 2(1/9/1119'.19. Idem. 11/4/11192. 2(1. ldem.2OIWIIl9.'i.
2 1 . [)un,hce de ... b C_U u fa�io", p'�Jidrnl�" h"m�n. � fil'us d" inírio d6 R�p';bli_
ro. p. 332.
22 . .... R�p"blku. 12Ift/III92.
23. A innuênciol ""'""f<luista "" lraduzia no conin>!. pol;l;';;o d. c.m"ll""""" moi"';a dm muni
cip;o •. di.lribtI,OO>. cn,,-e u<on..,rv""""'. c u·lihcrai •. O M"niw, Campilla de 25/12/11192 dá a relação da. mo do< munidp;o. Ilumincn� ••
H. E"a. informaçôcs COfI.r:am de for;l\ârio ... ani a partir do de alU de RI
..,mbl"ia. ,erai. de empresa. C3mpisla. c de noticia. relativ�, " cio;"" .. 1",b1ic",-",' pela im
prensa local. 25. Idem.
21>. U F/II",i"MU, 2/1011896.
27. Vu MonilQr C/lmpUl/l. 17/2/11192 e O F1umIMn,�. 180/11l9l. Pa .... u"'" de..,rição d<:'alhada da SilUaÇáo. ver Edgar C.ronc. op. cil., p. 71 e "'as.
28. Vu Muni,1JI' C"mpUI". IOO/I8IJ3. l'IInI um� análise da conjuntura. ver Sanodra latahy I'e. ""venlo. A Hr..,Huf';o f"�d�,,,lisl".
2�. ""'" a história do Partodo Republicano Federal. ver los<' s.:ba.<tijo Win� •. P�T,iJ() poiilico.
f�d�"" is"", � Rrp�b1k".
J(l. EI�i.o deputado fede em 11190. Nilo Pe<;anha;'; tiv.t:a participação deslacada na discu. silo do projelo de ""illi. ao, <kod<>ri ... procu�. !>OI" paniciplOÇlÍU cm movimenlao anliOo riani"a�. <ju�""" assumiu co-nsideradas ··jacobinas··. opondo-se j, cone .. "", <k:J bene_ ficio. Quando do c"",,;ôo do Par1ido Republicano Federal. embonl vis.., derrotada. ao ... .... o
pO>Ia •• inlerveio ot;clivamcnte na discu".ão da. principal. questõe! em paula. como o progra_ ma .... o'pnização e o """'" d., partido. lo"'< s.:ba"i;ÔO Willer. op. cil .• p. 049. rer.:,..,-sc à .ua
participação nas rcuniõc. como " u"", do. que: mais pu>er:om em cheque: us ,..,p«:;en ... le� fcde rais que d(:cidi� quanlO ao destino c it oricnl>oção di. ogrcm�ão··.
31. Ver Renalo Lcssa.A in"�nçõo Trp�b1ic"�/l. capo 3. 12. [)un.hce de Abranc:hcs. op. cit., p. ) 1 .
3J. M"niw, Ca"'pistn. 4 e 7/5/11192.
:14. O f1umin�nsr. 15 e 2411w' 11192.
H. Idcm. 1�/I2/II192.
}t.. I .... m. 1(0' 12/1892, c Moni,or Campi"". 16/ 12/1892. Ver lambem BI"Nrqfio d" OT. J"si To más da P",duncllla. p. 71·n.
l? A. infonnaçõco sob<c O movimenlo em C:amJ'OS e.rão em Muniu,.. C"mpiAI". 3. S. 6. K. 11. IJ C 17/1/I!NJ.
lH. Ver O Flumintn.�. 6 e 1411/11193.
39. Anui, da ALERJ. 1893 • ..,.são de I� de janeiro. p. 6 C 41.
40. Idem. ""não de 17 de janeiro. p. 9.
41. Idem. sessão de 24 de janeiro. p. 3-4. 42. Monil", C"mpi"". 27/1/11191.
41. Aliai. da ItLERJ. 1893. "".são de 20 de jan(iro. p. 17.
44. V flumi"." ••. 7/9/1893. Ver lamb<'m Miaud de Carvalbo. "fi. (il .. p. '»-108. 4'. A""i. "" ALElU. 1894. ""Sião de S ... janeiro. p. 173.
46. S<>brI> O p,nnchimcnlo de V3lIa. na ALER!. �erO FI�miM"u. 29/111893. e M<mifOr Cam· pi.ta. 28/1/1893: """"' O �nchimenlo <lo Vlllla. na Cãm ... Federal. ver M""i",.. Campist".
de 29/3 a 2318/11193.
47. Aliais da ItURJ. 1894. se$f"o de 27 de ja""iro, p. 21'0.
48. Idem. se .. ào de 28 de agoolO. p. 4'.
49. Idem. p. I19-IIS.
SO. DI: ac..-do com O Pc<-",to 0.° 1'1. de 1 de all'»lo do: 11193, o E<tod<> do Rio de Janeiro dividia·.., em cinco di"rit"" eleitorais. abranll'_ cada um deles o. selluinle. munidpios:
I.� dimit" - Niterói (ocdo). M •• habol1l1. Rio Bonito. Araruml1l. Saq...,.,ma c Maricá. 2.Q distrito _ Campos (sc&I. Macaé. Madalena. São Joio da Barra c h"P"rtlna.
l.Q distrilo - Ca",Of!;aJo (scdc:). Pádua. Sào Fid;;lis. haocano. Sào Francioco de Po.ula. nu...
Samos. Conno. Friburao e Santana do MIOCIOCu.
�.o diSlrilO _ Vassouras (sedel. SapOcaia. Paraíba do Sul. Pirai. 11"",.;. JlIIloçu, P,,'f'ÓI)OIi, e Tc"''''poli •.
5.° di .. r�o - Resende (scdc:). Sanla Te"' .... VaJcnça. Ramo. do Piraí. Bar", Manoa. Rio C1a.
N. Panoli. Anua dos Rei. e São JO>ão Ma",os.
Ver O FI"mi""u •. 6/811 893. e A"ai. da A LERJ. I!!'M . ..,.são de oulubro. p. 217.
,I. c;., .. /a d" POI'(J. 19/91 11196. 52. 1of""lt.,.- Campisla. 1111N11196. 53. Gautlt dI) P"..a. 1/10111196. H. M""il'" Campista, 3110111196. H. Idem.
5�, As inf"nnllÇõu sob.-c: " rompimenlO dos mi"'-"emistao (Otn O PRF e os PKparalivos eleit,,"
raio foram obtidos em Gazna da Pomo de 7111 a I "lU 11196.
57. Barbosa Lima Sobrinho. "fi. cil. p. 145.
3a. M""i,,,, Cltmpi.</It. 15/12/11196.
�. Ver Dun.Jlcc de Abrand .... op. dI.. p. I�. 60. Idem.
61. Ver Brigido Tino<:<>. A vida d� NII<l P�,anJra. p. 52. cíl..oo por Rasbota Lima Sobrinho. "fi. dI., p. 14].
62. (i",,'a do PiJI'O, 15/ 11/ 1896. 6J. Mo"il'" CampislIt. 27I1U 11196. M. {;;,,"," dQ PO"a, 8/111897. M. Idem. 17/l11897.
66. Ver Dun.hee de Abranctw: •. op. (il" p. 16-31.
67. MiNI/lar C"mpi<la. 8/6/IIl97. � •• ortIo com o S'lu"dQ lJUlrilO. 18/9/11l97. os ""IM minei·
"'" foram dado. por innuc"cia de Francisco Ponela. rePK""ntado na chapa di .. idente.
68. c;.,u/a do Po",'. '/2/lm e J"",,,/ da ComhâQ, 1012/1897.
119. M""iux Campi.,a. 2l/2/lm.
70. CôlIIa de J�uim Jo": Teixei ... de Faro. lIario do Rio oa..il0. a Quinlino Bocaiúva. p".
lrópuli •. 7/3/ 1897. ArquivO Quin'illO BoxllÍúva. Ver lamb<'m Gu�"a do Pa,'". Wl/ 11!97.
71. M""i/Of Campista. 16/41II1'n.
n. A""i, da ALERJ. II!97. p. SII.
n. O FlumiN��u. lOiIO/I898.
74. Idem. 1�4 t 7/5/1898.
75. Ver as chopas eM Ga!"" do p",·o. 1/10/ 1897, e S�,wMdo OU,ri,,,. 5/10/ 1897.
76. B/I.rt)O$lO Uma Sobrinho. op. c� . . p. I �
n. IdeM ib.