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MARQUES DE MELO, José. Propaganda e sociedade: o positivo e o negativo. São Paulo: ESPM/IAEC, 1991. 47p.

Como objetivo deste trabalho tem-se a breve apresentação do citado livro e sua contextualização na época em que foi cria- do, bem como situar um pouco a atuação de José Marques de Melo, organizador da obra e autor do texto de abertura. Para dar início à tão honrosa tarefa é importante pontuar que a leitura promove uma volta no tempo, que não leva ao passa- do, mas ao contrário abre o encontro com o momento atual, com o que se vive no mundo comunicacional desta segunda década do século XXI. Isso é o que se encontra na obra em re-

1. Professora e coordenadora dos cursos de Publicidade e Propagan- da e de Jornalismo do Centro de Ensino Unificado de Teresina (CEUT). Mestre em Políticas Públicas pelo Programa em Po- líticas Públicas da Universidade Federal do Piauí (UFPI), com dissertação sobre as Campanhas de Publicidade da Prefeitura Municipal de Teresina para o Dia Mundial de Combate à AIDS, atualmente é Doutoranda do Programa em Políticas Públicas da Universidade Federal do Piauí (UFPI), com pesquisa na área de Comunicação, Juventudes e HIV e Aids.

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ferência, datada de 1991, época em que o mundo e o Brasil viviam mudanças in- tensas na economia e na política e a TV centralizava o debate sobre os caminhos a que se estavam deixando percorrer os destinos da comunicação e da mídia.

Resultado do II Simpósio IBRACO, realizado pelo Instituto de Altos Estu- dos de Comunicação (IBRACO), cujas palestras aconteceram de 2 a 4 de maio de 1991, o livro em referência faz parte da publicação Cadernos IBRACO nº 2, publicado em agosto do mesmo ano, e é coordenado por José Marques de Melo, Enio Mainardi e Hiran Castello Branco.

Dividido em oito textos, que reproduzem as falas dos participantes do sim- pósio, é um retrato ampliado do pensamento da época sobre como se percebia a interferência da comunicação sobre a sociedade, no que se refere ao seu modo de agir, pensar, seus valores, hábitos, cultura, opiniões, decisões. Particularmen- te, se buscava discutir a relação da propaganda com a sociedade, compreenden- do os benefícios e malefícios daí resultantes.

O debate ganhou lastro por visões diversas, presentes na polifonia marcada pe- las observações originadas na vivência de sujeitos que ocupavam distintos lugares de fala, vez que ali se integraram pesquisador e professor da comunicação, jor- nalista, publicitário, economista, administrador, socióloga, pedagoga, criando um painel de referência para se entender a comunicação que se estava fazendo no Brasil no início da década de 1990, mas que se mostra muito atual nos tempos de hoje.

A noção de atemporalidade é uma constante na vasta e absolutamente im- prescindível obra de José Marques de Melo, seja para iniciantes, seja para os já iniciados nos estudos sobre a Comunicação e a Mídia. Em particular, me recor- do de quando, a exemplo do professor Marques de Melo, que um dia deixou o Nordeste e migrou para o Sudeste, sai de minha cidade Teresina, no Piauí, para ir ao Rio de Janeiro em busca do sonho de estudar Jornalismo. Era início da década de 80 e não havia curso superior, na área, no Estado. Décadas depois de graduada em Jornalismo e em Publicidade e Propaganda pela Pontifícia Uni- versidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), onde tive o primeiro contato com o professor, por meio de sua obra, fui reencontrá-lo em Teresina, dessa vez pessoalmente, que emoção, durante a realização da 8ª Conferência Brasileira de Folckcomunicação (FOLKCOM), no Centro de Ensino Unificado de Teresina (CEUT), onde era professora e, atualmente, coordeno os cursos de Publicidade e Propaganda e de Jornalismo, este último, honrado de ter sua aula inaugural ministrada por José Marques de Melo, em 2004.

A capacidade reflexiva e visionária é inerente à obra do professor Marques de Melo, cuja observação dos movimentos, que balançam os sistemas de Comunica- ção e Mídia, é valiosa para a compreensão de realidades destoantes, que se dão em cenários múltiplos formados pelas diferenças econômicas, políticas, sociais e cultu-

rais que atravessam o Brasil desde sempre e que repercutem de modo vibrante nas relações de poder presentes no ambiente dos meios de comunicação de massa. A biografia de Marques de Melo é marcada em toda sua extensão por ações concretas em favor da Comunicação Social, de modo amplo mesmo, desde o jornalismo de batente no início de carreira no final dos anos 1950 em Recife (PE)2, passando

pela atuação como assistente de Luiz Beltrão, nos meados dos anos 19603, depois

já em São Paulo, quando inicia os trabalhos como pesquisador e produz uma obra, não somente literária, mas também no que concerne a constituição de ambientes para produção e difusão de pesquisas, estudos, conhecimentos e saberes, que são legados inestimáveis para a produção da pesquisa em comunicação no Brasil. São exemplos disso a criação da Cátedra UNESCO de Comunicação Regional, que iniciou em 19944, da qual foi diretor científico. Além disso, sua participação na

Cátedra da Universidade Autônoma, entre 1991 e 19925, e o reconhecido trabalho

na INTERCOM são mostras da participação marcante de Marques de Melo, não apenas no país, mas no cenário internacional da comunicação.

Em 1991, ano de publicação do livro ora apresentado, o professor Mar- ques de Melo era diretor da Escola de Comunicação e Artes da USP, presidente da Associação Latino-Americana de Pesquisadores de Comunicação e leciona- va as disciplinas de Comunicação Internacional e Jornalismo Comparado na ECA. Havia publicado no ano anterior uma de suas mais representativas obras “Comunicação Comparada: Brasil/Espanha” (Ed Loyola) e, no mesmo ano da publicação de “Propaganda e Sociedade: positivo ou negativo”, lançou “Comu- nicação e Modernidade” (Ed. Loyola)6.

Nesse período, em que o Brasil vivia ainda os primórdios da redemocrati- zação, com o segundo ano do governo do primeiro presidente eleito pelo voto direto e que passava por uma crise intensa, enquanto o mundo assistia ao vivo pela televisão os mísseis atirados pelos aviões norte americanos sobre a região

2. Cibermermorial Marques de Melo. Disponível em: <http://www.marquesdemelo.pro. br/perfil.htm> Acesso em: 18 out.2013.

3. Ibid.

4. BRUDER, Carsten. José Marques de Melo: um manager da comunicação no Brasil. Disponível em: <http://www.eca.usp.br/pjbr/arquivos/monografia2_d.htm>. Acesso em: 27 out.2013.

5. Ibid.

6. MARQUES DE MELO, JOSÉ. (ORG,) Propaganda e Sociedade: positivo ou negati- vo, São Paulo; ESPM/IAEC, 1991.

do Golfo Pérsico, na chamada Guerra do Golfo, o professor Marques de Melo organizava a discussão sobre o papel da comunicação em relação à sociedade brasileira ante a esse contexto, buscando alternativas, por meio dos agentes res- ponsáveis, para sua melhor aplicação e desenvolvimento. Não por acaso, uma parte do livro é dedicada à discussão sobre a propaganda e o público infantil, pois já ali havia a preocupação sobre os modos como a comunicação e a mídia estavam se relacionando com o futuro do cidadão brasileiro que à época recebia grande parte de sua informação e formação pela TV.

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