5. METHODOLOGY AND RESEARCH DESIGN
5.2 E XPERIMENTAL D ESIGN AND P ROCEDURES
5.2.3 Materials and Procedures
Expostos os condicionantes naturais para implantação e surgimento deste núcleo urbano inicial - que é o atual centro histórico- e os parâmetros físicos e estruturais de sua forma urbana, impera-se apresentar, neste momento, alguns aspectos sociais de sua população e as percepções da mesma acerca do espaço urbano construído.
Dentre um total de 123.014 habitantes no município de Sabará e distritos, a população residente no centro histórico é relativa a 4.156 habitantes, ou seja, menos de 4% da população total de Sabará (Fonte dos dados: Prefeitura Municipal de Sabará, Censo 2005). Quanto ao perfil dos indivíduos entrevistados no centro histórico, dentre 10 entrevistados, foram abordadas sete mulheres e três homens; desse universo, 30% possuíam escolaridade até o ensino médio, 20% apresentavam ensino fundamental, 20% informaram ter completado apenas o ensino básico, 20% o superior e 10% o nível técnico. Quanto à idade dos entrevistados, 40% estavam na faixa etária acima de 51 anos, 30% apresentavam entre 31 e 50 anos e os outros 30% entre 18 e 30 anos (Gráficos 01 e 02).
Imagem 36 – Alguns dos principais elementos físicos construídos que se destacam na paisagem do centro.
Fonte: Autora, 2012.
Legenda
ponto focal/ interesse - igrejas
conjunto de fachadas com grande continuidade vias locais de maior importância
vias principais – caminho tronco
O tempo de moradia no bairro tende a ser longo, pois 70% dos entrevistados moram no local há mais de 31 anos, 20% entre 11 e 20 anos e apenas 10% há menos que 10 anos. Quanto à ocupação dos entrevistados (se ativos ou aposentados, sendo que, quando ativos, pontuou-se o local onde trabalham), o resultado mostrou que o próprio centro histórico é o local de trabalho ou estudo de cerca de 50% dos entrevistados, 20% são donas de casa, 20% são aposentados e apenas 10% trabalham ou estudam em outros bairros de Sabará. Isso reflete a diversidade das atividades do centro histórico, que possibilita o trabalho dos seus moradores às proximidades de suas residências, fato que vai ser bem distinto quando da abordagem aos demais bairros, a ser explicitado nas próximas seções (Gráficos 03 e 04).
Quanto às lideranças locais observadas, foi quase unânime o apontamento de que não existem representação e associação de moradores no centro histórico, o que é atribuído ao fato de que o lugar já é bem assistido pelas políticas públicas e melhorias urbanas, uma vez que sua historicidade tradicional já reclama conservação e manutenção constantes.
Quando questionados acerca da presença de espaços livres de lazer no centro, as respostas apresentaram-se duais e equilibradas. Por um lado, 50% dos entrevistados disseram haver espaços para o lazer no centro, como a praça do Barão, a praça Getúlio
40% 30% 30% Idade acima de 51 anos de 31 a 50 anos de 18 a 30 anos 50% 20% 20% 10% Ocupação no centro aposentados no lar outros bairros 70% 20% 10% Tempo de moradia acima de 31 anos de 11 a 20 anos até 10 anos 20% 20% 30% 20% 10% Escolaridade ensino básico ensino fundamental ensino médio ensino superior ensino técnico
Gráfico 01 - Escolaridade dos
entrevistados no centro histórico.
Fonte: Autora, 2012.
Gráfico 02 - Idade dos entrevistados no
centro histórico.
Fonte: Autora, 2012.
Gráfico 04 - Ocupação dos
entrevistados no centro histórico.
Fonte: Autora, 2012. Gráfico 03 - Tempo de moradia dos
entrevistados no centro histórico.
Vargas (à frente da igreja Matriz) e a praça de Esportes (um centro esportivo entre o centro histórico e o bairro Morro da Cruz); por outro lado, os outros 50% relataram não haver espaços para lazer no centro, não consideram, assim, as diversas praças existentes e sua centralidade atrativa enquanto lugares de lazer.
Ao descreverem os limites físicos do centro histórico, os entrevistados tenderam a conformar um perímetro semelhante: que vai desde a rotatória (bairro Caieira) até o bairro Vila Siderúrgica. Entretanto, uma das respostas sobressaiu em relação a essa questão de limites, pois ao descrever a abrangência do centro histórico, uma entrevistada pontuou que “onde tem comércio é o centro”, destacando uma das principais características que foram percebidas nas entrevistas tanto nos bairros quanto no centro histórico: o apontamento da grande oferta de serviços e comércios no centro, enquanto este aspecto apresenta-se demasiadamente deficiente nos demais bairros.
O fator de identificação dos moradores entrevistados com o centro histórico foi unanimemente positivo. Diversos foram os fatores para tal construção de identidade para com o lugar e de pertencimento àquele contexto: destacaram-se aspectos sociais, como as amizades construídas e a tranquilidade do lugar; aspectos naturais, como o fato de estar em um terreno menos acidentado do que as periferias; e aspectos físicos estruturais, como a ambiência tradicional e o rápido acesso a serviços e comércios. Assim, os fatores responsáveis por essa sensação de pertencimento são plurais e das mais variadas origens no centro histórico de Sabará.
Quanto às referências simbólicas de Sabará os entrevistados pontuaram elementos arquitetônicos e urbanos presentes no próprio centro histórico, como as igrejas do Carmo, Matriz e do Rosário, e as praças Santa Rita, Getúlio Vargas e Melo Viana. As prospecções de melhoria no centro, segundo os entrevistados, giraram em torno de mais limpeza e manutenção nas ruas e fachadas do centro histórico.
A partir das entrevistas com os moradores do centro histórico, pôde-se perceber sua estreita vivência com esse contexto, favorecida pela diversidade de atividades e atrativos que o permeiam. Destaca-se sua preocupação com a conservação desse contexto, bem como o valor histórico que atribuem e priorizam, como se pôde inferir quando muitos relataram não concordar com as recentes intervenções de novo paisagismo e mobiliário em diversas praças do centro histórico, essas que visavam elevar os valores funcionais e de uso.
A seguir, um mapa esquemático (Imagem 37) com as principais questões apontadas pelos entrevistados frente às relações sociais e às percepções em relação ao espaço urbano do contexto do centro histórico:
Imagem 37– Esquema das percepções sociais segundo os moradores entrevistados no centro histórico.
Fonte: Autora, 2012 (sem escala).
Praça Santa Rita e, ao fundo, igreja São Francisco, ambas no centro histórico. Fonte: Autora, 2011.
Igreja do Rosário (conhecida, também, como Igreja de Pedra), localizada no centro histórico de Sabará, a frente da praça Melo Viana.
Fonte: Autora, 2011.
Igreja Nossa Senhora do Carmo, localizada no centro histórico de Sabará.
Fonte: Autora, 2011.
Vista da rua Dom Pedro II e parte de seu casario colonial preservado.
Fonte: Autora, 2011.
Igreja Nossa Senhora do Ó e a vista panorâmica a partir dela. Fonte: Autora, 2011.
Igreja de Nossa Senhora da Conceição (conhecida, também, como Igreja Matriz) e a paisagem circundante.
Fonte: Autora, 2011.
Legenda
igreja
vista panorâmica ponto focal/ interesse áreas verdes potenciais conjuntos/continuidade fachadas limites do bairro (entrevistados)