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A NSWERS TO R ESEARCH Q UESTIONS

7. DISCUSSION AND IMPLICATIONS

7.1 A NSWERS TO R ESEARCH Q UESTIONS

O contexto das áres industriais, assim denominado na presente subseção, busca enfocar as áreas surgidas a partir da inserção de uma indústria da siderurgia na cidade, denominada Companhia siderúrgica Belgo Mineira, ainda na década de 1920. Não serão tratados isoladamente, aqui, os primeiros bairros operários, mas conjuntamente, uma vez que seus surgimentos foram simultâneos e que visa-se manter uniforme a escala de cada recorte – visto que os bairros operários são compactos e possuem reduzidas dimensões.

Assim, este recorte compreenderá, primeiramente, a destacada área da usina siderúrgica, que apresenta grandes equipamentos/construções e extensas áreas verdes. A esta singular mancha urbana somam-se os bairros/vilas criadas para abrigar os funcionários da usina, vilas essas que se localizam em suas adjacências e compõem um conjunto homogêneo, a despeito dos diferentes tipos edilícios inseridos em cada uma delas (cada conjunto era destinado a um grupo específico de trabalhadores da companhia e continha diferentes tipos residenciais). As primeiras vilas industriais foram a Vila Siderúrgica, a Vila Santa Cruz, a Vila Campinas e a Vila Michel. Algumas intervenções pontuais para criar residências para os funcionários da siderúrgica em tecidos urbanos já configurados também existiram, como no próprio tecido colonial (nas proximidades da igreja Nossa Senhora da Conceição e da igreja Nossa Senhora do Ó). Entretanto, este presente recorte aborda apenas os traçados urbanos genuínos delineados a partir da década de 1920, com o fomento do crescimento industrial. Inseridas ao longo do rio Sabará, as vilas operárias fazem limite, atualmente, com os bairros Cabral (a oeste) e Esplanada (ao sul). Segue um mapa com as primeiras áreas industriais em destaque, ressaltando-se a sua proximidade em relação às preexistências coloniais:

Vila Siderúrgica

Imagem 84 – Mapa chave de localização do bairro Esplanada.

Fonte mapa base: Prefeitura Municipal de Sabará, 2005.

Centro Histórico Esplanada Vila Campinas Usina siderúrgica Vila Santa Cruz Vila Michel N

primeiros bairros industriais (década de 1920/30) sede da Companhia Siderúrgica Belgo Mineira centro histórico

3.5.1. APRESENTAÇÃO/HISTÓRICO

A proximidade das áreas industriais ao centro histórico tradicional da cidade é facilmente apreendida a partir do mapa anteriormente apresentado (Imagem 84). As primeiras vilas industriais, a Vila Siderúrgica, a Vila Santa Cruz, a Vila Campinas e a Vila Michel, foram projetadas para receberem as diversas hierarquias profissionais e, para tanto, apresentavam diferentes tipologias de construções, que serão explicitadas em uma próxima seção. A maior proximidade à empresa e maior caráter nobre do local em que estavam assentadas as casas definiam, também, essa hierarquização. Assim, a Vila Siderúrgica compreendia a área destinada aos europeus, aos engenheiros e aos funcionários de cargos de alta e média gerência da organização, além do médico da usina; as Vilas Santa Cruz, Campinas e Michel, por sua vez, abrigavam os operários da indústria.

3.5.2. CONDICIONANTES FÍSICOS E NATURAIS

Os primeiros bairros industriais, surgidos a partir da década de 1920, tenderam a se estabelecer em locais menos acidentados, próximos ao leito do rio Sabará. A grande área da usina siderúrgica, propriamente dita, também foi inserida em locais menos íngremes, ficando uma grande parte da área à esquerda do rio Sabará e uma porção menor, contendo grandes equipamentos, como um ginásio de esportes, à direita do rio (Imagem 85).

Os bairros residenciais da indústria também se caracterizavam por serem menos acidentados, quando comparados aos demais bairros da cidade. A Vila Santa Cruz, por exemplo, se apresenta a direita do rio Sabará, originalmente tendo sua porção norte conformada pelo início da subida da serra de Sabará e a oeste tendo sido contida por um pequeno cume na cota 764. Já a Vila Siderúrgica, ou melhor, as ruas da Usina, dos Engenheiros e Beira-Rio, foram assentadas longitudinalmente entre a margem esquerda do rio Sabará e a linha férrea (ou seja, em grande consonância com as curvas de nível), compondo o caráter linear da Vila. A Vila Campinas, por sua vez, foi conformada pela linha férrea a norte, pelo tecido urbano preexistente no contexto da igreja Nossa Senhora do Ó, a oeste, e pelo início de um grande aclive no sentido sul e leste. Assim, a topografia dos bairros industriais apresenta poucas inclinações, embora esses tenham tido seus limites conformados pelas topografias mais acidentadas que os envolvem, além do curso do rio Sabará (Imagem 85).

A vegetação nos bairros industriais, como as Vilas Siderúrgica, Santa Cruz, Michel e Campinas, se restringe àquela que compõe a mata ciliar do rio Sabará e às grandes massas vegetais das matas circundantes. Internamente aos bairros, entretanto, há pouca arborização ou áreas permeáveis, tanto ao longo das vias quanto nos lotes. Apenas na sede da usina siderúrgica percebe-se a existência de alguns grupos vegetais (Imagem 86).

Imagem 86 - Vista aérea dos primeiros bairros industriais, com pouca vegetação em seu interior. Fonte: Google Earth, 2012.

Imagem 85 - Levantamento topográfico e primeiras construções industriais, na década de 1920.

Na cor cinza escuro, a área da usina siderúrgica e, na cor amarela, as vilas operárias da usina.

Fonte: PLAMBEL, 1977 (sem escala).

1. Sede da siderúrgica 2. Vila Siderúrgica 3. Vila Santa Cruz 4. Vila Campinas 5. Vila Michel N 1 2 3 5 4 usina siderúrgica vilas operárias N igreja N. S. do Ó igreja Matriz

centro histórico Esplanada

Vila Campinas Usina siderúrgica Vila Santa Cruz Vila Michel Rua Beira-Rio Rua da Usina

As densidades dos bairros industriais são distintas entre si, o que é um reflexo dos diferentes tipos edilícios presentes em cada bairro, resultantes da distinta hierarquização atribuída a cada vila quando do planejamento urbano. A Vila Siderúrgica apresenta 476 habitantes, enquanto a Vila Santa Cruz possui 1.157 moradores, a Vila Michel 592 e a Vila Campinas apenas 295 habitantes (Censo 2005).

Quanto aos seus limites, os bairros industriais são cortados pelo curso do rio Sabará e conformam-se aos demais condicionantes naturais, como aclives acentuados e grandes matas, como a norte, leste e sul. Já a oeste o crescimento foi condicionado pela presença dos tecidos urbanos preexistentes, datados do período colonial. A seguir, apresenta-se um croqui que enfatiza a localização e influência dos elementos naturais na conformação da área (Imagem 87).

A sede da usina foi inserida em um dos locais menos acidentados da área, objetivando facilidade de mobilidade interna e rápido acesso à linha férrea (hoje desativada), ocupando uma grande área na paisagem, tendo parte de suas construções à direita e a maior parte à esquerda do rio Sabará. O principal fator natural condicionante para a inserção e estabelecimento dos limites da urbanização das áreas industriais foi, sem dúvida, a topografia mais íngreme que os circunda e o caudaloso rio Sabará, que definiu os limites/contornos dos bairros residenciais industriais, o que pode ser percebido nas imagens que seguem (Imagens 89 a 91), as quais evidenciam que esses bairros industriais não se espraiaram como os demais bairros sabarenses.

barreiras vegetação curso d’água

Imagem 87 – Croqui esquemático dos elementos naturais condicionantes do desenvolvimento dos primeiros bairros industriais, como os grandes declives e as matas envolventes.

Fonte mapa base: PLAMBEL, 1977 (sem escala).

N igreja N. S. do Ó igreja Matriz centro histórico usina siderúrgica

Imagem 88 – Mapa das ocupações no período colonial.

Fonte: PMS (Álbum Chorographico Municipal do Estado de Minas

Geraes, 1927) (sem escala). 3.5.3. EVOLUÇÃO E TRANSFORMAÇÃO DOS PRIMEIROS BAIRROS INDUSTRIAIS

A sequência de mapas apresentada ao lado evidencia o surgimento, a transformação e a evolução do espaço urbano dos primeiros bairros industriais, dentre eles, a Vila Siderúrgica, a Vila Santa Cruz e a Vila Campinas. Os recortes temporais estabelecidos compreendem o levantamento urbano realizado em 1937 (Prefeitura Municipal de Sabará), seguido pelas transformações observadas já em 1977 (PLAMBEL), culminando com a situação atual traçada por meio de imagens aéreas do bairro (Google Earth).

Primeiramente, a imagem à direita (Imagem 88) demarca a área aonde essas primeiras vilas operárias viriam a se instalar, já no século XX, circulada na cor vermelha. Às margens esquerda e direita do rio Sabará seriam implantadas as primeiras vilas, bem como a sede da usina siderúrgica.

Uma vez implantada, a sede da usina demandou abrigos para seus funcionários. Assim, conforme mostra o mapa de 1937 (Imagem 89), a primeira vila a ser construída foi a Vila Siderúrgica, ao longo do eixo viário que conduziria à sede da usina. Tipos edilícios maiores e isolados no lote foram, então, direcionados a engenheiros e outros altos cargos da usina. Cabe ressaltar nessa imagem de 1937 a própria conformação da sede que, contida apenas a leste da linha férrea no início

dos anos 1930, expandiu seus grandes equipamentos urbanos para a porção a oeste da linha férrea na década de 1970. Entretanto, desde sua primeira configuração, a usina já apresentava uma quadra e outras grandes construções à margem direita do rio, separadas dos demais equipamentos da sede.

Seguindo a transformação dos espaços industriais, as demais vilas foram configuradas, conforme mostra o mapa de 1977 (Imagem 90). A Vila Santa Cruz e a Vila Campinas já apresentavam, na década de 1970, os contornos que hoje as caracterizam, como as construções geminadas em lotes menores e quadras condensadas, com poucos vazios internos.

O mapa de 2012 (Imagem 91) explicita como o traçado urbano das primeiras vilas se manteve íntegro, apenas sendo acrescido de algumas vias para além dos contornos originais, bem como construções ladeando importantes vias já existentes, como edificações nas proximidades do rio Sabará que conformaram a face norte da rua Beira-Rio.

1977 N 2012 N 1937 N

Imagem 89 (à esquerda na parte superior) – Mapa das ocupações e espaços livres registrados em 1937.

Fonte: refeitura Municipal de Sabará (PMS), 1937 (sem escala).

Imagem 90 (à esquerda na parte central) – Mapa das ocupações e espaços livres em 1977.

Fonte: PLAMBEL, 1977 (sem escala).

Imagem 91 (à esquerda) – Mapa das ocupações e espaços livres a partir da configuração atual – ano de 2012.

Fonte: Google Earth, 2012 (sem escala).

3.5.4. CARACTERÍSTICAS URBANAS E MORFOLÓGICAS

A implantação das vilas industriais sob análise é caracterizada pela inserção das vilas em áreas menos acidentadas, às proximidades da grande área reservada para a sede da usina e ao longo do rio Sabará, às suas margens esquerda e direita. O início de aclives mais acentuados, como já exposto, conformou os limites destes diversos bairros operários.

O parcelamento das quadras apresenta formas que tendem à regularidade, enquanto diferem em tamanho, desde as menores quadras na Vila Campinas, às de tamanho médio na Vila Siderúrgica e à grande gleba da sede da usina, compondo conjuntos urbanos de fácil leitura/percepção (Imagem 92).

O sistema viário que compõe os bairros industriais (Imagem 93) se caracteriza por vias retas, por vezes ortogonais, que tendem à regularidade formal, o que conforma os bairros e seus limites. Os principais eixos viários de acesso dentro dos bairros tendem a coincidir com aqueles que conduzem a outros bairros, como a rua Euclides da Cunha (Vila Siderúrgica) ligada à rua Caetés (Vila Santa Cruz), que por sua vez se conecta à rua Pedro Leopoldo (Vila Michel). Na Vila Campinas, o principal eixo viário de acesso do bairro é a rua da origem do nome do bairro, rua das Campinas. Na Vila Siderúrgica sobressaem os eixos viários rua Beira-Rio e rua da Usina, que são as principais vias articuladoras do bairro e se conectam à avenida perimetral, que cruza toda a cidade ao longo do rio Sabará e rio das Velhas (compondo o principal caminho viário da cidade). O trânsito de veículos nas ruas Beira-Rio e da Usina é constante e, por vezes, pesado (caminhões e ônibus).

cursos hídricos vias arteriais

vias principais dentro dos bairros industriais vias locais dos bairros industriais

Imagem 93 – Principais eixos viários existentes.

Fonte mapa base: IPHAN, 2003.

Imagem 92 – Conformação de quadras em terrenos

planos, com essas tendendo à regularidade formal.

Fonte mapa base: IPHAN, 2003. Vila Campinas Usina siderúrgica Belgo Mineira Belgo Mineira Vila Santa Cruz Vila Michel Vila Siderúrgica N N

Quanto ao zoneamento, os primeiros bairros industriais, como a Vila Siderúrgica, a Vila Santa Cruz, a Vila Michel e a Vila Campinas, estão compreendidos dentro do perímetro urbano de Sabará, enquanto ZUM - Zona de Uso Misto. O uso é predominantemente residencial, ao qual se acrescem restritos comércios locais (como lojas e padarias). Na Vila Santa Cruz, o espaço é composto, ainda, por uma escola e uma quadra (que é também utilizada para eventos). A área da sede da companhia siderúrgica Belgo Mineira, por sua vez, é bem diversificada, uma vez que, além dos galpões e grandes chaminés que despontam na paisagem, há ainda um ginásio, um antigo cassino, uma casa de memória e edificações administrativas dispersas pela área, dentre outras edificações que dinamizam a grande gleba ocupada pela usina.

Os tipos edilícios das primeiras áreas industriais variam de um a dois pavimentos (poucos exemplares de três pavimentos). Entretanto, quando projetados, os tipos eram térreos e apresentavam variações de tamanho/forma/material de acordo com a hierarquia ocupada pelo funcionário na usina siderúrgica. Entretanto, já há muitas descaracterizações desses tipos edilícios dos primeiros bairros industriais, mas ainda se pode observar as características mais básicas constituintes dos tipos. Assim, geralmente havia tipos diferenciados de residências em termos de planta baixa estrutural:

- as casas chamadas ‘populares’, que serviam aos empregados especializados e de escalão médio e inferior. De acordo com a função exercida por eles, também tinha diferenciação, segundo Silva (2004):

 casas geminadas: com três quartos, sala, cozinha, banheiro e área de tanque;  casa econômica: com dois quartos, sala, cozinha, banheiro e área de tanque;

 casa econômica tipo 1: com três quartos, sala, cozinha, banheiro e área de tanque (idêntica às geminadas);

 casa econômica tipo 2: com quatro quartos, sala, cozinha, banheiro e área de tanque;  casa econômica tipo 3: idêntica divisão da casa econômica tipo 1 sem área de tanque;  casa econômica conjugada tipo 4: com dois quartos, sala, cozinha, banheiro e área de

tanque (de alvenaria ou madeira), idêntica à tipo econômica.

- as casas referentes ao grupo de funcionários e engenheiros que compunham os cargos de alta e média gerência da organização, que apresentavam uma estrutura modelar a seguir:

 casas para engenheiros: com sala, sala de jantar e sala de visitas, três quartos, cozinha, banheiro e varanda;

 casas-padrão: com sala, três quartos, cozinha, copa, banheiro e varanda;

 casas-padrão: com dois quartos, sala, copa, cozinha, banheiro e tanque que eram geminadas e de alvenaria.

Alguns desses tipos serão ilustrados e descritos, uma vez que ainda se mantêm presentes nos espaços urbanos industriais em questão e podem ser observados em suas características genuínas enquanto tipos padronizados e hierarquizados. Esses tipos estão presentes na Vila Siderúrgica (rua Beira-Rio e rua da Usina), Vila Santa Cruz, Vila Michel e Vila Campinas (Imagem 94).

Entretanto, antes se faz necessário pontuar a grande área da usina siderúrgica, que deu origem às demais áreas industriais. Caracteriza-se por um amplo espaço com grandes construções/galpões, bem como chaminés industriais e campo de futebol (Imagem 94). A vegetação é um dos aspectos mais presentes nesse espaço, uma vez que entremeia as edificações e envolve todo o lote da sede da indústria, compondo matas densas e preservadas a sua volta (Imagens 95 e 96).

Imagem 94 – Área da sede da

usina siderúrgica e localização dos primeiros bairros operários (construídos a partir da década de 1920. O bairro Esplanada, apesar de ser um bairro operário, foi construído posteriormente, na década de 1970, e será analisado na próxima seção.

Fonte mapa base: IPHAN, 2005.

Imagens 95 e 96 - Grandes equipamentos inseridos na sede da Companhia Siderúrgica Belgo Mineira. Fonte: Arcellor Mittal, sem data; Autora, 2011.

igreja N. S. do Ó Centro Histórico Esplanada Vila Campinas Usina siderúrgica Vila Santa Cruz Vila Michel Rua Beira-Rio Rua da Usina N LEGENDA centro histórico ocupações pós-coloniais bairros industriais sede da usina siderúrgica ocupações contemporâneas

Os próximos tipos edilícios a serem pontuados estão presentes nas áreas nas proximidades da Companhia Siderúrgica Belgo Mineira, conhecidas como vilas dos operários, que compreendem os atuais Vila Santa Cruz, o casario na rua Beira-Rio e na rua da Usina (Vila Siderúrgica), a Vila Michel e a Vila Campinas.

Os quarteirões, que tendem a formas regulares, apresentam lotes pequenos, nos quais o uso residencial é predominante. Há certa variedade em relação às características arquitetônicas das edificações, entretanto, não há perda de força enquanto conjunto bem definido. A seguir seguem alguns tipos pulverizados nestes contextos dos operários:

 Rua Beira-Rio e Vila Campinas: apresentam, quase que exclusivamente, casas geminadas, duas a duas, com as fachadas frontais no alinhamento da rua, estando suas portas de entrada também no alinhamento do logradouro público. Há um pequeno afastamento em uma das laterais, que leva para o fundo do lote. As casas geminadas possuem cobertura em telhas cerâmicas do tipo capa e canal, com duas águas e pequenos beirais. Estreitas calçadas separam as habitações do leito das vias. Duas a duas, uma casa apresenta uma porta e três janelas em sua fachada frontal, enquanto a outra apresenta apenas uma porta e duas janelas como aberturas, compondo um ritmo bem marcado. Os lotes da Rua Beira- Rio são bem profundos, pois são limitados pelo rio Sabará em sua porção posterior; enquanto os lotes na Vila Campinas são mais rasos, pois são delimitados em quarteirões pequenos e ortogonais entre si. Há caixilharias e esquadrias em moldes metálicos e em madeira, e as empenas foram construídas em alvenarias rebocadas (Imagens 97 a 100).

Imagem 97 - Esquematização fachadas, implantação nos lotes e situação de alguns tipos

geminados encontrados nos bairros operários (sem escala).

Fonte: Autora, 2012.

 Vila Santa Cruz e Vila Michel: Ambas de cunho residencial, ressaltando-se apenas a existência de uma escola e alguns comércios na Vila Santa Cruz. Apresentam quatro tipologias edilícias disseminadas em sua área:

O 1º tipo é característico de habitações localizadas, quase sempre, em esquinas, aparecendo, esporadicamente, dentro dos quarteirões; com suas fachadas frontais no alinhamento da rua, possuem sua cobertura em quatro águas com telhas cerâmicas do tipo capa e canal, afastamento de fundos e uma varanda na qual se localiza a porta de entrada da casa, reservando-a um pouco mais do logradouro público (Imagem 101);

Imagens 98 a 100 - Rua da Usina (ou Rua Beira-Rio), em duas visadas,

e uma rua típica do Bairro Campinas (à direita).

Fonte: Autora, 2012.

Imagem 101 - Esquematização fachadas, implantação nos lotes e situação de um tipo

encontrado nas áreas operárias (sem escala).

Fonte: Autora, 2012.

rua

O 2º tipo identificado é construído em alvenaria, com cobertura em duas águas, afastamento lateral e posterior e fachada frontal também no alinhamento da rua, apresentando apenas duas janelas em tal fachada e estando a porta de entrada localizada na lateral da casa, com acesso pelo corredor lateral (Imagem 102);

O 3º tipo são casas geminadas, duas a duas, com as fachadas frontais no alinhamento da rua, estando sua porta de entrada na fachada lateral, com acesso pelo corredor lateral das casas, que também leva para o fundo do lote. Possuem cobertura em telhas cerâmicas do tipo capa e canal, com duas águas e pequenos beirais; estreitas calçadas separam as habitações do leito das vias; as esquadrias são em madeira e, sua característica principal – suas empenas são em madeira (algumas ainda bem conservadas), num sistema que Vasconcellos (1979) denomina tabique (vedações de tábua de grande simplicidade) (Imagem 103);

Imagem 102 - Esquematização fachadas, implantação

nos lotes e situação de um tipo encontrado nas áreas operárias (sem escala).

Fonte: Autora, 2012.

rua

rua

Imagem 103 - Esquematização fachadas, implantação

nos lotes e situação de um tipo encontrado nas áreas operárias (sem escala).

Fonte: Autora, 2012.

rua

E, por fim, um último tipo pode ser encontrado neste contexto de vilas operárias, um quarto tipo caracterizado por casas de alvenaria com cobertura de quatro águas em telhas cerâmicas do tipo capa e canal, com fachada frontal alinhada com a rua, na qual três janelas e uma porta (de madeira) fazem a comunicação com o exterior, e com um afastamento lateral e afastamento de fundos (Imagem 104).

Imagens 105 a 108 - Imagens dos tipos residenciais 1, 2 3 e 4 identificados

nas vilas onde residiam os operários.

Fonte: Autora, 2012.

Imagem 104 - Esquematização fachadas, implantação

nos lotes e situação de um tipo encontrado nas áreas operárias (sem escala).

Fonte: Autora, 2012.

rua rua

- Vila dos engenheiros: localiza-se ao longo da Rua Presidente Juscelino Kubitschek (conhecida também como Rua da Usina), local de fácil e rápido acesso à Siderúrgica. O referido tecido compreende duas fileiras de casas, que delimitam a Rua J.K., sendo composto por grandes lotes no quais as residências apresentam afastamentos em todas as laterais e o alinhamento frontal é definido por grades e muros baixos, deixando à mostra as casas ao fundo. As tipologias residenciais se mantém em sua maioria, apresentando uma cobertura de quatro águas em telhas cerâmicas do tipo capa e canal, combinada a uma parte com cobertura em duas águas. Apesar das fachadas das casas não estarem no alinhamento da rua, as portas de entrada da casa localizam-se em varandas com amplas