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MATERIALE OG METODE

Em relação ao eixo temático adolescência – conceito e subjetividade, Dias (2008), Pinheiro (2008), Mascagna (2009) e Otuka (2009) trabalharam com as categorias construção de subjetividades e formação de conceitos.

De acordo com Vigotski (1996a), a formação de pensamentos em conceito permite a estruturação da concepção do mundo e da personalidade, do aparecimento da autoconsciência e das ideias decorrentes sobre o mundo. Para o autor, com o desenvolvimento do pensamento em conceito, da possibilidade de avaliar os afetos, com a mediação das emoções em todas as funções psicológicas superiores, é na adolescência que são produzidos novos nexos entre elas, aparecendo, pela primeira vez, a vontade dirigida a um fim, que constitui “a função que permite ao homem governar-se a si mesmo, governar a sua própria conduta, estabelecer determinados objetivos e orientar seus processos para a consecução dos mesmos”13 (VIGOTSKI, 1995, p. 171, tradução nossa).

Nas pesquisas de Pinheiro (2008) e Otuka (2009), as subcategorias de análise foram processo de escolha, julgamento/juízo moral, ética e valor. Ao eleger a categoria subjetividade, Pinheiro (2008) a compreendeu inserida em um campo de produção. Trabalhou com autores como Guattari e Rolnik (1999 apud PINHEIRO, 2008), Sancovschi (2004 apud PINHEIRO, 2008), Kastrup (2006 apud PINHEIRO, 2008), além, é claro, do próprio Vigotski (1998 apud PINHEIRO, 2008).

Em relação à subcategoria juízo moral, Pinheiro (2008) buscou em Padilla e González (1995 apud PINHEIRO, 2008) sua fundamentação, ressaltando que esta noção está vinculada ao processo de desenvolvimento moral. Ainda afirmou que a noção de juízo moral “ocupa-se das noções que vamos gerando acerca de como é correto ou incorreto comportar-se nesse mundo social [...] em suma, inclui um componente de decisão e avaliação acerca de como deve-se agir nesse mundo” (PADILLA; GONZÁLEZ,1995, p. 165 apud PINHEIRO, 2008, p. 61).

Pinheiro (2008, p. 61), valendo-se de Vigotski (1998 apud PINHEIRO, 2008), afirmou que

13 “La función que permite al hombre gobernarse a sí mismo, gobernar su propia conducta, plantearse

O desenvolvimento moral da criança está relacionado ao jogo simbólico, na medida em que alçar a satisfação nessa atividade implica em renunciar à satisfação imediata em nome da subordinação às regras estabelecidas, tornando possível um aprendizado em relação às possibilidades e limites do que se é desejado.

Em relação às subcategorias ética e moral, Otuka (2009) trouxe várias concepções e esclareceu que o homem só se torna homem na convivência com outros homens, ou seja, na vida em sociedade, necessitando, para que isto ocorra, da criação e utilização de princípios e valores orientadores da conduta humana e da ética. A autora complementou que

[...] ética e moral tratam, respectivamente, de problemas teóricos e de problemas práticos que estão na esfera da moral. [...] A moral, enquanto um conjunto de normas e regras, institui o “como agir” de um coletivo, fundamentado em valores, que são produtos das múltiplas relações estabelecidas entre o homem singular e a totalidade concreta de seu tempo. [...] Enquanto a moral encontra-se no âmbito da execução, indicando o “bom” e o “mau” comportamento, a ética encontra-se na âmbito teórico, pois é uma reflexão sobre os valores orientadores do comportamento (OTUKA, 2009, p. 20–21).

Quanto ao processo de escolha e ética, Otuka (2009) discutiu tais subcategorias com recursos advindos da teoria vigotskiana, afirmando que a vida humana é repleta de processos de escolhas que envolvem a determinação externa e a autonomia do indivíduo.

Todos os dias, em quase todos os momentos, nós temos que decidir entre isto ou aquilo. Dentre a diversidade de escolhas que enfrentamos, vivenciamos os dilemas éticos, ou seja, situações em que se apresentam duas possibilidades, nas quais somente uma é eticamente correta. No dilema ético entra em cena o conflito entre o “querer”, o “poder” e o “dever” de um lado e o conflito entre a vontade, a autonomia e a conseqüência, de outro. Ou dito de outra forma, deparamo-nos com o embate entre a particularidade e a individualidade (OTUKA, 2009, p. 23).

Dias (2008) e Mascagna (2009), a partir das categorias construção de subjetividades e formação de conceitos, utilizaram as subcategorias protagonismo juvenil e processo de mediação/aprendizagem.

Ao se referir ao termo protagonismo juvenil, Dias (2008) apoiou-se em Costa (2000 apud DIAS, 2008), para quem este termo se refere à ocupação, pelos jovens ou adolescentes, de um papel central nos esforços por mudança social. O protagonismo é, justamente,

[...] uma forma de ajudar o jovem a construir sua autonomia, por meio da geração de espaços e situações propiciadoras da sua participação criativa, construtiva e solidária na solução de problemas reais existentes na

comunidade. O objetivo é que os jovens possam construir sua autonomia na prática, na situação real, no corpo-a-corpo com a realidade, a partir da participação ativa, crítica e democrática em seu entorno social (DIAS, 2008, p. 26).

Trabalhando com as categorias e subcategorias mediação/aprendizagem, funções psicológicas superiores e formação de conceitos, Mascagna (2009) utilizou, basicamente, os ensinamentos de Vigotski. Esclareceu que

As funções psicológicas superiores não são apenas funções biológicas que se estabelecem naturalmente independente do meio, estão atreladas à vida prática dos homens, à sua maneira de viver. As funções vão se desenvolvendo desde a tenra infância, passando por vários estágios até adentrar na idade de transição, na qual ocorre o desenvolvimento por meio dos verdadeiros conceitos, ou seja, pela aquisição dos conhecimentos científicos (MASCAGNA, 2009, p. 83–84).

Citando Vigotski (1996 apud MASCAGNA, 2009), a autora garantiu que todas as funções psicológicas superiores, bem como toda forma de comportamento, aparecem primeiro no plano coletivo, interpsicológico, sendo convertidos em intrapsicológico pela significação. As atividades humanas não são internalizadas pelo reflexo, mas são significadas no campo da intersubjetividade. “Toda atividade é um processo social mediado pelo significado. Nas relações com o outro, intersubjetivas, originam-se signos que são os meios de comunicação e de conexão entre as funções psicológicas superiores” (MASCAGNA, 2009, p.79–80). A autora ainda complementou que:

Estudar como se dá o desenvolvimento das funções psicológicas superiores e dos conceitos científicos na adolescência é imprescindível para entendermos como se desenvolve o psiquismo do jovem e, sobretudo, tentarmos, sem maiores pretensões, compreender quais são as atividades dominantes realizadas pelos adolescentes na sociedade pós-moderna (MASCAGNA, 2009, p. 85).

Quanto à formação de conceitos, Mascagna (2009), com base em Vigotski (2005 apud MASCAGNA, 2009), ressaltou que a formação dos conceitos surge em decorrência de uma complexa atividade, em que todas as funções psíquicas participam ativamente do processo.

A formação de conceitos é o resultado de uma atividade complexa, em que todas as funções intelectuais básicas tomam parte. No entanto, o processo não pode ser reduzido à associação, à atenção, à formação de imagens, à inferência ou às tendências determinantes. Todas são indispensáveis, porém insuficientes sem o uso do signo, ou palavra, como o meio pelo qual conduzimos as nossas operações mentais, controlamos o seu curso e as canalizamos em direção à solução do problema que enfrentamos (VIGOTSKI, 2005, p. 72–73 apud MASCAGNA, 2009, p. 101).

No eixo temático adolescência – subjetividade e conceito, os autores citados estudaram a adolescência a partir de várias subcategorias que contemplam o processo de formação de conceitos, de escolhas e julgamentos, de mediação e aprendizagem e a construção da própria subjetividade do adolescente.