Ao longo desta pesquisa pudemos compreender que os Encontros Reflexivos se deram a partir de uma relação de abertura e de respeito entre todas as participantes. Compreendemos também que se desenvolveram a partir das demandas trazidas pelas mulheres-mães, demandas estas relacionadas ao desafio inerente à tarefa educativa que desempenham junto aos filhos. Nesta perspectiva, o que deu início às nossas discussões ao longo dos 3 Encontros analisados foi a seguinte questão: como agir/falar sobre
sexualidade com os filhos.
Na tentativa de compreendermos quais eram os saberes, as dificuldades e os mitos que permeavam o entendimento que as mulheres-mães tinham sobre sexualidade, nos aproximamos de suas histórias de vida e da forma como foram educadas.
Dessa forma, vimos que as práticas autoritárias utilizadas pela maioria das famílias de origem não favoreceram o diálogo aberto, a curiosidade e o acesso a determinadas informações essenciais para o desenvolvimento de diferentes aspectos, entre eles, aqueles ligados à sexualidade. Talvez por isso, as mulheres-mães ainda possuem uma série de dúvidas que vão desde os métodos contraceptivos até como saber lidar com as manifestações de sexualidade das crianças e adolescentes.
Vimos que as mulheres-mães buscam romper com este ciclo, pois não querem reproduzir nos filhos as mesmas práticas de proibições e medo. Contudo, em vários momentos sentem-se sobrecarregadas e solitárias nesta busca, já que não conseguem encontrar apoio em seus companheiros (homens-pais) que se mostram muitas vezes fechados para o diálogo – possivelmente porque também foram educados desta forma – e nem nos espaços educativos que atendem seus filhos que, embora deveriam ser parceiros nesta busca, também não têm conseguido lidar com o tema sexualidade de forma pedagógica.
Por estas questões podemos perceber que são necessárias políticas públicas que garantam espaços dialógicos para que as famílias e as comunidades possam trocar experiências e se desenvolver. O Encontro Reflexivo revela-se como um destes espaços e acreditamos que não apenas as mulheres-mães, mas as famílias, podem ser beneficiadas com programas de formação que envolvam diferentes áreas do conhecimento, inclusive a Psicologia da Educação, que se enriqueceria com tais experiências.
115 Assumimos, assim, nossa posição política e ideológica e reafirmamos que, numa perspectiva dialógica, a educação “não se faz de A sobre B, mas de A com B (FREIRE, 2005b, p. 97) e temos clareza, enquanto educadoras/pesquisadoras, de que nos encontramos e de que caminhamos junto com as mulheres-mães, e de que “Nosso papel torna-se então não aquele de dizer como é preciso ser, ou mesmo como é preciso fazer, mas sim o de permitir que as capacidades dos pais surjam e que nós as sustentemos” (MORO, 2005, p. 1).
Vale ressaltar que tal pressuposto foi verificado por Ferraz (2011) quando, durante uma entrevista, uma das mulheres-mães assim se referiu ao trabalho do grupo ECOFAM: “ninguém fala ‘a solução é essa’ (...) eles não falam ‘você vai fazer assim, você vai fazer assado’” (FERRAZ, 2011, p. 73).
Isto porque também somos aprendizes e aprendemos umas com as outras e “às
vezes uma dificuldade que é minha pode ser de uma outra mãe, o anseio de uma pessoa, [e] que, no coletivo, a gente consegue mesmo tirar experiência pro nosso cotidiano, reflexões de como a gente pode lidar com os nossos filhos”.
116
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123
124
ANEXO A
Como orientar o acesso de crianças e adolescentes à rede28
As crianças estão tendo contato com a internet cada vez mais cedo. Se por um lado poder conectar-se à rede ajuda no desenvolvimento, por outro traz uma preocupação adicional para os pais em relação à possibilidade de acesso a ações e conteúdos impróprios para a idade. Os especialistas afirmam que, se não forem monitoradas, as crianças ficam expostas a perigos que podem vir, por exemplo, de ambientes como os sites de relacionamento, as redes sociais e as salas de bate-papo.
Orientação e acompanhamento aparecem, portanto, como medidas fundamentais a serem adotadas por pais, mães e responsáveis para evitar que suas crianças corram riscos na rede. Vejamos algumas possibilidades:
Diálogo
Em primeiro lugar, os pais devem conversar com os filhos para orientá-los quanto aos perigos que podem estar escondidos em alguns ambientes da internet. Uma boa sugestão é sentar à frente do computador junto com a criança e mostrar que tipos de sites são indicados para sua idade e quais oferecem perigo ou são impróprios para ela.
Salas de bate-papo
Se você perceber que seu filho costuma entrar nas salas de bate-papo, a atenção deve ser redobrada, visto que esse é um dos ambientes prediletos de pessoas mal intencionadas. Alerte seu filho para que não troque mensagens pessoais nas salas nem mesmo com pessoas conhecidas. Se a criança quiser conversar com um amigo sobre algo mais particular, sugira que fale por telefone ou e-mail. O ideal é estar junto do seu filho, orientando-o a não responder mensagens de estranhos. Se houver a insistência por parte de desconhecidos com mensagens inconvenientes, salve as mensagens e comunique imediatamente a polícia.
Evite deixá-las sozinhas
Uma das medidas mais eficazes para proteger seu filho pequeno dos perigos da internet
28 Adaptação do texto Oito dicas para monitorar o acesso das crianças à rede. Disponível em:
125 é não deixar que ele acesse a rede sozinho. Habilite uma senha para inicializar o computador. Dessa maneira, sempre que a criança quiser ter acesso ao computador terá que pedir aos pais para ligarem a máquina.
Fornecimento de informações
Explique às crianças que as pessoas na internet muitas vezes não são exatamente quem dizem ser. Oriente seu filho para que não passe a desconhecidos informações e dados pessoais sobre ele ou a família, como nome e sobrenome, endereço, escola onde estuda, número de documentos e locais que frequenta.
Fotos pessoais
Fale para seu filho evitar a publicação de fotos dele ou da família em locais de acesso público. Fotos de crianças com os amigos e de lugares que costumam frequentar podem ser alvo de pessoas mal intencionadas. Também é recomendável aos pais evitar a exposição de fotos de seus filhos em ambientes da internet que podem ser acessados por qualquer pessoa.
Encontros reais
Oriente seu filho, qualquer que seja a idade dele, a não marcar encontros com desconhecidos pela internet. Se for o caso, procure pesquisar sobre o amigo virtual interessado no encontro e, se sentir que é seguro, marque o local e vá junto com a criança ao encontro.
Cuidado com a webcam
Um dos equipamentos que as crianças adoram usar no computador é a webcam, para poder conversar vendo e sendo visto pelos amiguinhos. Nesse caso, oriente o seu filho para que só use a câmera com pessoas conhecidas.
Seleção de amigos virtuais
Nas redes sociais, os usuários costumam ter uma lista de amigos ou pessoas que ficam vinculadas umas às outras. Procure ter acesso a essas listas de amigos dos seus filhos e, caso depare com pessoas suspeitas, peça para deletá-las imediatamente.
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