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3.1 Numerical modelling in Abaqus

3.1.4 Material properties

relatório você fala sobre o diretor de Recursos Humanos ou o chefe do Departamento de Literatura, estará imediatamente identificando os indivíduos citados. Se inventa um pseudônimo ou um código, ainda pode ser fácil para os leitores a identificação da pessoa ou da instituição referida (BELL, 2008, p. 47-48).

Somando-se a isto, nas investigações em que a coleta de dados ocorre em local de trabalho, segundo Gibbs (2009), é difícil ocultar a identidade dos sujeitos para determinados leitores. Este é o caso desta investigação cujo contexto investigado é o local de trabalho do investigador. Em função da problemática desta investigação, foi necessário explicitar esse contexto. Na ocasião das entrevistas, tal situação foi esclarecida aos sujeitos.

Apesar dessa dificuldade em manter a confidencialidade e o anonimato, Taylor e Bogdan (1998) alertam que o uso do nome real pode causar constrangimentos ao entrevistado e tem implicações legais caso não seja observada a legislação. Além disso, nem todos os sujeitos da investigação concordaram em publicar seus nomes reais e, por isso, foram utilizados pseudônimos na publicação dos resultados.

Foi garantido, ainda, o direito dos entrevistados em acompanhar as etapas da investigação subseqüentes às entrevistas. Para isso, adotei três procedimentos: (1) a apresentação, aos pianistas colaboradores, do texto com a entrevista literalmente transcrita; (2) o envio da análise das entrevistas com as categorias previamente organizadas e (3) o envio de versão preliminar do texto com os resultados e as citações de suas falas. De acordo com a literatura, permitir que os entrevistados acompanhem tais procedimentos aumenta a confiabilidade e validade dos dados (GIBBS, 2009) e envolve os entrevistados na interpretação de significados socialmente construídos (HOLSTEIN, GUBRIUM, 2002). Além disso, o retorno dos benefícios da investigação é um princípio ético: informar os participantes sobre as formas de tratamento dos dados os permite avaliar o que é desejável destacar na publicação dos resultados, evitando constrangimentos de qualquer natureza e a invasão de privacidade (STAKE, 2011; CRESWELL, 2010).

Após o cumprimento de todas as etapas descritas acima, solicitei autorização para publicar alguns trechos das entrevistas por meio da Carta de Cessão de Direitos (APÊNDICE F).

4.5 A ANÁLISE E A INTERPRETAÇÃO DOS DADOS  

As entrevistas foram literalmente transcritas a partir das gravações em áudio. Tal procedimento visou à fiel representação do contexto das entrevistas, em suas dimensões

comunicativa, social, interativa, colaborativa e subjetiva (SZYMANSKI; ALMEIDA; PRANDINI, 2011; HOLSTEIN; GUBRIUM, 2002). Em outras palavras, a transcrição literal buscou não apenas as falas dos entrevistados, mas também as emoções, reações, surpresas, pausas, intervenções e retomadas de pensamento do entrevistado e do entrevistador. A riqueza de detalhes das transcrições facilitou a interpretação dos dados e contribuiu para a confiabilidade dos resultados, já que a transcrição é uma transferência de dados de um meio (entrevista oral) a outro (texto) e pode haver mudanças significativas sobre as quais o investigador deve avaliar e refletir (GIBBS, 2009). Um trecho de transcrição literal foi disponibilizado ao final desta dissertação para fins de exemplificação desse procedimento (APÊNDICE G).

Os dados brutos das entrevistas foram compilados e organizados em ordem cronológica. Cada transcrição recebeu uma página de rosto contendo os seguintes dados objetivos: a identificação de cada pianista; a formação acadêmica; a data de ingresso na instituição e outras informações relacionadas às entrevistas, como os horários de início e término, data e local em que foram concedidas. O material foi encadernado, numerado em sequência e gerou um volume único com 226 páginas denominado Caderno de Entrevistas com Dados Brutos – CEDB.

A análise e a interpretação são etapas de organização e sistematização que, aliadas à fundamentação teórica e metodológica da investigação qualitativa, e à natureza do problema investigado, devem viabilizar a clareza e a coerência dos dados gerados para responder ao problema proposto. Os autores concordam que na análise são criados códigos ou categorias que permitem agregar, separar e comparar dados, ou seja, estruturá-los por critérios e referenciais específicos que atendam às questões investigadas (GOMES, 2012; BAUER, 2012; GIBBS, 2009; MOROZ; GIANFALDONI, 2002; TAYLOR; BOGDAN, 1998; BOGDAN; BIKLEN, 1994).

Como a maior parte dos dados gerados em investigações qualitativas transformam-se em textos, alguns autores defendem que há uma metodologia própria de análise, amplamente empregada nas ciências sociais: a análise de conteúdo (BAUER, 2012). Esse autor ressalta que há dois tipos de textos que podem servir de fonte para a análise de conteúdo – os oriundos de investigações científicas e os que foram produzidos para outras finalidades. Os procedimentos para a análise de conteúdo, no entanto, são semelhantes. Em sua opinião, o investigador deve criar códigos e um referencial de codificação que o permita comparar os dados (BAUER, 2012).

No entanto, a análise de dados não pode ser um procedimento mecânico nem conter regras rígidas: contrariamente, é um “[...] processo indutivo de racionalização, reflexão e teorização” do investigador que pode ser aprimorado à medida em que ele se familiariza com a própria investigação (TAYLOR; BOGDAN, 1998, p. 140, tradução nossa33). Esses autores sugerem que os dados sejam analisados em duas perspectivas: (1) na visão macro, são identificados os temas maiores, as proposições e os conceitos e (2) na visão micro, a codificação é realizada, a interpretação dos dados é aprimorada e uma extensa lista de exemplos é disponibilizada, estimulando o investigador a codificá-la (TAYLOR; BOGDAN, 1998).

No processo de análise, Bogdan e Bicklen (1994, p. 221) sugerem que as categorias podem ser agrupadas em famílias de codificação conforme a sua natureza. Por exemplo: códigos de contexto; de definição da situação; de pensamentos dos sujeitos sobre pessoas e objetos; e de processos associados a mudanças ou acontecimentos; de estratégia e de estrutura social (BOGDAN; BICKLEN, 1994, p. 221).

O princípio da inteligibilidade deve ser seguido na análise de dados para a obtenção de respostas adequadas ao problema proposto (MOROZ; GIANFALDONI, 2002). Esse princípio significa organizar os dados de forma coerente e, portanto, as autoras sugerem que a categorização seja apoiada nos seguintes princípios: (1) exaustividade; (2) exclusão mútua e (3) objetividade. A exaustividade significa que as categorias abarcam a totalidade dos dados coletados. A exclusão mútua implica que nenhum dado caberá em mais de uma categoria ao mesmo tempo. Por último, a objetividade da categorização é posta de tal forma que várias pessoas, apesar de suas diferentes concepções e visões de mundo, poderiam vir a codificar o material de modo semelhante (MOROZ; GIANFALDONI, 2002).

Nesta investigação, as sucessivas análises das entrevistas geraram construções, articulações e reorganização de dados, resultando na categorização conforme descriminado no Apêndice H. Inicialmente as categorias foram organizadas a partir do Roteiro de Entrevistas (APÊNDICE A). Segundo Gibbs (2009), esse tipo de categorização é baseada em conceitos, ou seja, é uma análise oriunda de fontes teóricas diversas: da literatura, de tópicos do roteiro de entrevista ou de impressões colhidas em campo. Ao considerar os princípios de exaustividade, exclusão mútua e objetividade propostos por Moroz e Gianfaldoni (2002), a análise prosseguiu com a leitura atenta e individual de cada entrevista. Buscaram-se novas categorias e outras informações que pudessem corroborar as categorias elaboradas e que                                                                                                                

proporcionassem a reavaliação de categorias inconsistentes, facilitando a explicitação de seus significados (SZYMANSKI; ALMEIDA; PRANDINI, 2011). A categorização de dados prosseguiu até a análise da última entrevista e buscou incluir as particularidades de cada situação e as características que foram comuns aos entrevistados, gerando a versão final no Apêndice H. Esse documento serviu de base para a redação dos resultados.

A análise das entrevistas gerou um segundo volume de dados que selecionou e agregou as diversas falas conforme as categorias propostas e constituíram o Caderno de Redução de Dados (CRD) com 99 páginas. Como o próprio nome sugere, esse Caderno diminuiu o volume dos dados e foi o principal material consultado para redigir e apresentar os resultados. De acordo com o que cada entrevistado tratava os assuntos foi possível agrupar na mesma categoria: (1) trechos discursivos em diferentes momentos de uma única entrevista e (2) trechos discursivos de entrevistas distintas que se referiam à mesma categoria. Uma parte do CRD foi disponibilizado para exemplificar essa redução de dados (APÊNDICE I).

4.6 A REDAÇÃO DOS RESULTADOS  

Na redação dos resultados, as citações diretas das entrevistas foram privilegiadas porque são capazes de promover a experiência vicária ou indireta (STAKE, 2011). Segundo este autor, as palavras do entrevistado são mais detalhadas, descrevem as experiências deste com mais fidedignidade e despertam sentimentos semelhantes no leitor, aproximando-o da experiência vivida. Logo, a estratégia revelou-se adequada às características da abordagem qualitativa dessa investigação.

A importância e a preferência pelas citações diretas estimularam reflexões sobre a transcrição e a retextualização. No primeiro caso, como lembra Gibbs (2009), a transcrição refere-se a mudança de meios – do contexto interacional da fala para o texto digitado e aponta preocupações sobre “precisão, fidelidade e interpretação” dos dados (GIBBS, 2009, p. 28). A retextualização é um conjunto de procedimentos de natureza linguística das entrevistas e objetiva adequar a essência da oralidade da entrevista ao estilo narrativo e textual da dissertação, facilitando a fluência na leitura. A preocupação com a fidelidade e a validade dos dados estimularam a adoção de ambos procedimentos.

O emprego da retextualização de entrevistas em investigações qualitativas tem sido discutido no Jornalismo Científico e na Linguística (RODRIGUES, 2010; KO FREITAG, 2009; GOMES, 2002). O termo é definido como um processo intencional de transformação de fontes orais da comunicação em textos escritos (RODRIGUES, 2010). Embora as entrevistas