Tomando como foco específico o desempenho do turismo no contexto mundial e brasileiro, discutido como atividade econômica, social e política que envolve o deslocamento humano e promove uma riqueza fabulosa no mundo, destacamos o número de viagens de turistas internacionais apresentada pela Organização Mundial do Turismo – OMT, de 1995 a 2008, representado por uma curva ascendente e crescente de forma geral, embora a segunda metade do ano de 2008 tenha sido menos favorável, o que levou o ano ser concluído com um crescimento moderado de 2% (o primeiro semestre foi representativo de um crescimento de 5%). A demanda turística internacional diminuiu significativamente durante este período, momento extremamente volátil da economia. A opinião de diversos especialistas na área do turismo12 aponta a
possibilidade que a situação continue em 2009.
Gráfico 1 - Evolução das Viagens Internacionais
Fonte: OMT, Jan. 2009
12
UNWTO – World Tourism Barometer, Volume 7, no. 1 - January, 2009 (www.unwto.org).
536 570 593 610 633 682 682 702 692 763 805 850 908 924 500 600 700 800 900 1000 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 milhões
Os resultados divulgados pela OMT referem-se somente ao turismo internacional, e muitos países têm o turismo doméstico fortíssimo, como o caso dos Estados Unidos, China e, ainda mesmo, o Brasil. Assim, a entidade estima que o número dos turistas domésticos permanecerá estável, talvez com uma insignificante queda. A OMT usa uma expressão curiosa “o turismo caiu, porém de patamares milhas acima”, para se referir aos anos com crescimento médio de 7%, entre 2004 e 2007, e um crescimento excelente no primeiro semestre de 2008. A queda ou estagnação do turismo internacional dependerá de como a economia irá se comportar, exigindo que retome suas atividades regulares e assuma perspectivas de crescimento em 3% ou 4%, a partir de 2010.
Com base em diretrizes globais da Organização Mundial do Turismo, para a segunda década do século 21, são enfatizadas as principais propostas de desenvolvimento da atividade turística tomando os novos fatores de avanços tecnológicos, infraestrutura, sustentabilidade ambiental, gestão de recursos humanos, segmentação de mercado, desenvolvimento do produto, responsabilidade social e governabilidade.
Turismo no Cenário Mundial – 2008
Participação no PIB 9,8% Movimentação Financeira US$ 7,6 trilhões Número de Viagens Internacionais 924 milhões
Empregos Gerados 238,2 milhões
Fonte: OMT e WTTC, 2007
O turismo é detalhado por sua grandiosidade mundial com um movimento físico real estimado em 924 milhões de deslocamentos mundiais e de uma receita de US$ 7,6 trilhões, gerada direta e indiretamente, tendo uma significativa participação de 9,8% no PIB mundial, de acordo com dados oficiais de 2008 fornecidos pela OMT e WTTC. É reconhecido como a indústria que mais emprega no mundo, aproximadamente 240 milhões de pessoas ou 10% da força de trabalho global, envolvendo diferentes profissões e especialidades necessárias para a produção e o desenvolvimento econômico global.
O turismo que se insere dentro do chamado negócio do entretenimento envolve uma infinidade de setores econômicos por suas diversas interatividades com o lazer, a cultura, a gastronomia, a natureza, distribuídos entre setores públicos e privados, tais como: governo, comércio, mídia, meios de hospedagem, investidores, museus, teatros, galerias e exposições, artesanato, locadoras de automóveis, organizadores de eventos, de espetáculos, infraestrutura, editoras, transportes, agências de viagens e operadoras
turísticas, guias e receptivos, companhias aéreas, setor de esportes, bancos e entidades financeiras, incluindo os cartões de crédito, feiras, gastronomias, mercado informal, tradutores e muitas outras atividades que direta e indiretamente trabalham para o desenvolvimento e criação de sua imagem. O Conselho Mundial de Viagens e Turismo, World Travel and Tourism Council (WTTC), para melhor conscientizar gestores públicos sobre a força econômica do setor,faz a divisão da atividade entre a Indústria do Turismo que seria o que é produzido pela cadeia produtiva direta e a Economia do Turismo que seria o que é movimentado e impactado pelo turismo na cadeia produtiva indireta
A atividade turística tem uma clara vantagem como fonte de geração de divisas, quando aplicada particularmente nos países em desenvolvimento, como o caso do Brasil, comprovada pelo fato do turismo depender nestes países da demanda internacional, caracterizando-o como uma atividade de exportação nos primeiros estágios do seu desenvolvimento. Este desenvolvimento que é altamente competitivo em nível internacional, não pode ser baseado exclusivamente da demanda interna. Ele pode, todavia, estar baseado na demanda externa, mas com um custo de dependência muito grande em termos de capital, de tecnologia, de mão-de-obra qualificada e de outros fatores. Esta posição é determinada com a anuência governamental e a relevância da atuação depende do poder público.
Afora a função estratégica do turismo como fonte de divisas, é de suma importância nos países que estão em processo de desenvolvimento ou que tem recursos naturais e matérias primas limitadas, o estabelecimento de programas para a diversificação da atividade econômica existente. Esta visão se aplica perfeitamente ao estudo do turismo no Brasil e da imagem que esta atividade gera para o incremento da entrada de fluxos de estrangeiros no país.
O Brasil, por sua oferta diferenciada em várias regiões, se destaca como um pólo de turismo atraente, apresentando um quadro significativo do fluxo receptivo internacional estimado pelo Ministério de Turismo/Embratur, para o ano de 2008, em 5,0 milhões de turistas estrangeiros e, em se tratando do turismo interno, dos fluxos domésticos, um movimento do turismo nacional estimado em 50 milhões de passageiros aéreos, além de outros milhões de turistas que trasladam de ônibus e carros pelas mais variadas regiões brasileiras. Contribuindo com 7,1% do PIB brasileiro, de acordo com a WTTC em 2008, ajusta-se também nesta gigantesca cadeia de riqueza, os investimentos das crescentes empresas de hotelaria, das transportadoras, das operadoras e agências de viagens, dos restaurantes, das locadoras e tantos outros componentes derivados do setor público e privado.
Turismo no Brasil – 2008
Representatividade no PIB Brasileiro 7,1% Receita Cambial do Turismo US$ 5,8 bilhões Turistas Estrangeiros no Brasil 5,0 milhões
Empregos no Turismo 5,5 milhões (1 a cada 16 empregos)
Fonte: MTur, 2008
Políticas de turismo são estratégicas para o setor no Brasil, objetivando criar uma imagem externa favorável; propiciar uma geração de divisas; favorecer a paz mundial; incrementar a renda nacional; estimular o processo de globalização mundial; incrementar o produto nacional; utilizar produtos e recursos locais; contribuir para a diversificação da economia; proteger e melhorar as condições ambientais; conservar valores culturais; estimular o desenvolvimento econômico e social; minimizar desigualdades regionais e sociais; melhorar as condições de vida da população local; induzir um efeito multiplicador de renda e emprego; ampliar a geração de impostos; equilibrar a balança de pagamentos; capacitar e formar mão de obra na área, e outros benefícios para a comunidade, os turistas, as empresas e o próprio governo.
Neste meio tempo, muitos foram os gargalos que impediram a efetivação dessas ações e prejudicaram o desenvolvimento da atividade turística no Brasil, entre eles:
a) Ausência de processos mais eficientes de avaliações de políticas públicas; b) Falta de recursos para o marketing e a promoção;
c) Variáveis impeditivas (deficiência de qualificação profissional; falta de estruturação na cadeia produtiva; regulamentação isolada; legislação a ser consolidada; condições insatisfatórias de crédito para o micro e pequeno empresário; infraestrutura básica carente em muitas regiões turísticas; pouca diversidade de produtos turísticos formatados, entre outras).
Tais obstáculos, especialmente no turismo brasileiro, exigem a efetivação de programas públicos especiais. Por exemplo, como atualmente os turistas europeus representam mais de 38% dos estrangeiros que visitam o Brasil, o Instituto Brasileiro do Turismo (Embratur) definiu a política de investimentos de R$ 35 milhões em programas de destinos brasileiros nesse continente, objetivando atrair ainda mais turistas desse principal mercado emissor13.. Além disso, o Instituto Brasileiro de Turismo está apostando
em parcerias público-privadas para financiar campanhas de publicidade, eventos de
13
promoção no Brasil, rodadas de negócios, entre outras ações de marketing para não perder o mercado dos europeus, a partir de 2009.
E, também, na última década, o governo implementou projetos de investimentos em turismo, liderado pelo Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur) no nordeste brasileiro com a expectativa de que os projetos desenvolvidos venham contribuir para minimizar a pobreza nas regiões em que se localizam, com o indiscutível processo de crescimento econômico que provocam nas áreas atingidas.
Visando o desenvolvimento de destinos turísticos brasileiros, estas e outras ações positivas de políticas estratégicas vêm sendo adotadas pela gestão pública nacional pretendendo incrementar o turismo no país, utilizando a marca institucional criada para suas ações promocionais internas e externas.