4 Drøfting
4.1 Analyse av funn
4.1.3 Master
3.1. A escola como promotora do desenvolvimento de
competências
A competência só pode ser constituída na prática. Não é só o saber, mas o saber fazer. Aprende-se fazendo, numa situação que requeira esse fazer determinado. Esse princípio é crucial para a educação. Se quisermos desenvolver competências em nossos alunos teremos de ir além do ensino para memorização de conceitos abstractos e fora de contexto. É preciso que eles aprendam para que serve o conhecimento, quando e como aplicá-lo. Isso é competência.
Do texto “ Competências ainda” Fonte: http://novaescola.abril.com.br/
A noção de competência surgiu nos EUA, no século passado a partir da década de setenta, numa perspectiva cognitivista “ como sendo o pôr em prática as capacidades e habilidades cognitivas numa situação” (Mesquita, 2011, p.34). Mas a consciência da crescente complexidade do mundo em que vivemos veio reinventar este conceito.
Le Boterf (1994;1997), citado por (Roldão, 2003), define competência como “um conceito sistémico, uma organização inteligente e activa de conhecimentos adquiridos, apropriados por um sujeito, e postos em confronto activo com situações e problemas” (p.24). Ainda Le Bortef, referido por Mesquita (2011), considera que “cada indivíduo deve ser empreendedor da sua profissionalização, ou seja, deve saber pilotar à medida que o caminho é traçado”. Deste modo, o sujeito deve saber mobilizar os seus conhecimentos e adequar às situações, sejam elas simples ou complexas.
No entender de Andrade (1992), um cidadão competente é aquele que, para além de possuir informações ou conhecimentos, tem um quadro de referências que permite adquirir mais informação ou produzir mais conhecimento para utilizar no seu quotidiano.
Numa perspectiva sócio-construtivista, Mesquita (2011) destaca Jonnaert (2002) ao referir que este chega a uma arquitectura em «cascata» para a competência. Para tal “coloca em correspondência quatro níveis de utilização dos conhecimentos pelo
33 indivíduo em situação: o das competências, o das capacidades, o das habilidades e o dos conteúdos disciplinares” (p.37). Estes quatro níveis complementam-se entre si, ou seja, o sujeito é confrontado com uma situação que deve resolver de forma eficaz; para isso o indivíduo vai utilizar as suas competências e mobilizar recursos e capacidades que são articuladas entre si. Por sua vez as capacidades activam elementos onde as habilidades colocam os conteúdos disciplinares. Por último, “os conteúdos disciplinares alimentam as habilidades e as capacidades e facilitam ou inibem a competência colocada em acção” (id., ibid). Nesta perspectiva pode-se observar que a competência é uma “construção pessoal”,“ vivida em situação” (id., p.38) que exige a articulação de todos os saberes do indivíduo.
De facto, falar de competência pressupõe falar de um saber acumulado que se constrói ao longo da vida e que permite uma acção efectiva face às dificuldades e aos problemas. O ser humano enfrenta situações complexas e inesperadas, e por isso precisa de mobilizar os seus saberes para resolver os problemas de uma forma eficaz.
Nesse sentido, e porque a escola é um local aprendizagem para a vida, surgem as questões: Será que a escola promove o desenvolvimento de competências? Será que a abordagem por competências fará desaparecer as disciplinas do currículo? Será que os saberes ficarão comprometidos?
De forma alguma, pois não há competência sem saberes. Para a tomada de decisões e resolução de problemas é necessário mobilizar os saberes. Tal como se referiu anteriormente, a competência adquire-se recrutando um conjunto vasto de conhecimentos, pois sem a apropriação dos conteúdos por parte do sujeito não é possível a sua aplicação em diferentes contextos e situações. Andrade (1992) acrescenta que as competências não se adquirem no vazio pois a capacidade que o indivíduo tem de realizar uma determinada tarefa com eficácia obtêm-se em situações concretas da vida activa. Com efeito, o autor atribui a escola um papel fulcral no desenvolvimento de competências tendo em conta que esta é um local de constante aprendizagem. Como afirma Perrenoud (2003), “a transferência de conhecimento não é automática, adquire- se pelo exercício e por uma prática reflexiva, nas situações que permitem mobilizar, transpor e combinar os saberes...” (p.32).
Efectivamente, é fundamental que a escola, como espaço formal de aprendizagem, possua um currículo facilitador do desenvolvimento de competências e
34 que complemente a educação não formal. Pois, de acordo com Perrenoud (2008), “Importa (....) lembrar que o fundamento de qualquer movimento pedagógico ou de qualquer política democrática de educação é que os alunos que vão à escola saibam utilizar o que lá aprendem” (p.17). Reforça ainda que “Valorizar saberes vivos, ligados as práticas sociais, que sejam ferramentas para actuar sobre o mundo, não é um sonho neoliberal. Esta ideia é o fundamento de uma escola democrática. A abordagem por competências não pretende mais do que permitir a cada um aprender a utilizar os seus saberes para actuar” (id., p.19).
Desta forma a escola precisa de inovar, reestruturando os currículos e adaptando-os a estes novos conceitos, articulando os saberes.
A abordagem por competências transforma uma parte dos saberes disciplinares em recursos para resolver problemas, realizar projectos, tomar decisões. Isto poderia oferecer uma entrada privilegiada no universo dos saberes: em vez de assimilar incessantemente conhecimentos, acreditando que eles “compreenderão mais tarde para que é que servem”, os alunos veriam imediatamente os conhecimentos, quer como bases conceptuais e teóricas de uma acção complexa, quer como conhecimentos processuais (métodos e técnicas) orientando esta acção. Cada um teria então, em princípio, melhores possibilidades de ligar os saberes às práticas sociais, ou seja, atingir o seu âmbito e o seu sentido. Isto seria particularmente importante para os alunos que não encontram na sua cultura familiar esta relação como saber particular que o valorize, independentemente dos seus usos e das suas origens, como um valor em si (id., p. 46).
Deste modo, construir competências a partir da escola, dotando os alunos de ferramentas que possibilitem a mobilização de saberes e conhecimentos perante determinada situação, parece-nos uma forma de educar para a integração num mundo tão exigente como o que vivemos.