C. Interacción de las ondas gravitacionales con masas de prueba. 117
C.2.2. Masas de prueba en el sistema de referencia del detector
Os dados de campo permitiram a identificação, no local de pesquisa, de 04 tipologias de
agricultores familiares. Logicamente trata-se de uma tentativa do autor em expressar a
heterogeneidade encontrada em Abacatal e facilitar sua analise.
No que diz respeito à construção do perfil dos agricultores foi levado em conta o nível de acumulação de atividades desenvolvidas por estes, desde os primeiros contatos mantidos com os agentes de desenvolvimento (em 1984) até os dias atuais, já que os depoimentos apontaram para um baixo nível tecnológico existente na época destes contatos, assim como as estratégias e práticas adotadas pelas famílias em seus estabelecimentos no período estudado, conforme apresentado a seguir.
Tabela 3: Perfil dos Agricultores de Abacatal
Perfil Características
Tipo 1 – Relutantes - Filho da terra (descendente)
- Trabalha com roça para produção de farinha - Produzem carvão de lenha das roças
- Participa das atividades da associação - Recebem alguma assessoria técnica
- Eventualmente participam de curso de capacitação - Alguns comercializam seus produtos na feira
Tipo 2 – Inovador ou Predisposto
- Nascidos em outros locais - Trabalham com roça
- Participam das atividades da associação
- Investem em culturas perenes a mais de 10 anos - Recebem assessoria técnica
- Participam de curso de capacitação - Comercializam seus produtos na feira
Tipo 3 - Refratário - Filhos da terra (descendente)
- Não trabalham com roça
- Não participam das atividades da associação - Vendem eventualmente mão-de-obra a terceiros
- Produzem carvão a partir da extração de madeira da mata - Não participam de curso de capacitação ou outro evento - Não recebem assessoria técnica.
- Comercializam seus produtos em suas propriedade ou de forma isolada em outros locais.
Tipo 4 – Inovador Retardatário
- Constituído por filhos da terra e nascidos em outros locais - Trabalham com roça
- Participam das atividades da associação
- Estão começando a investir em culturas perenes. - Recebem alguma assessoria técnica
- Participam de curso de capacitação - Comercializam seus produtos na feira
Fonte: Pesquisa de Campo (Outubro/2004)
As atividades desenvolvidas pelos agricultores na comunidade de Abacatal se concentram na roça, de onde extraem a raiz de mandioca para produção de farinha (base alimentar e econômica das famílias locais), e na coleta de lenha para produção de carvão15.
Até pouco tempo a base econômica da comunidade estava centrada na produção e comercialização destes dois produtos que, segundo os relatos, sempre fizeram parte do
15 A roça é um terreno de pequena lavoura, onde é cultivada a mandioca (Manihot esculenta Crantz). Em Abacatal, a exemplo da maioria das comunidades tradicionais, as roças têm como característica serem itinerantes, com o preparo sendo feito através do sistema tradicional de derruba e queima em áreas de capoeira (mata secundária) ou floresta primária. Já o termo roçado denota uma área onde é realizado o cultivo de várias espécies de mandioca juntamente com outras espécies que convivem no mesmo espaço.
sistema de produção praticado pelos moradores, inclusive por aqueles que chegaram para se estabelecer em Abacatal, conforme informa este agricultor que migrou do município de Acará para comunidade:
(...) carvão dá renda, mas a gente achou outro meio melhor. Melhor do que o carvão. O carvão a gente trabalha com ele, mas ele também trás problemas pra saúde da gente. Tanto o pó dele como a quentura né? Que muitas vezes a gente tinha a necessidade de tirar o carvão do forno e muitas vezes entrava meio até quente. E isso aí prejudicou muito. Eu pelo menos hoje eu sofro de sinusite, mas através de forno quente, eu ia fechar a boca de um forno, chegava lá e o fogo já tinha tomado conta da lenha, aí saia aquelas labaredas de fogo aqui fora e eu pra não perder tinha que fazer o maior sacrifício. (agricultor do Retiro, agosto/2004)
O relato acima expõe de forma clara os motivos que levaram este agricultor a abandonar os fornos de carvão para se dedicar a outras atividades que pudessem oferecer a sua família melhorias nas condições de vida. Como ele, outros agricultores, durante muitos anos, se dedicaram a produção de carvão para sustentar suas famílias, como bem expressa outro agricultor de Bom Jesus do Aurá: “(...) naquele tempo, quem tirava carvão tinha roçado, porque nós trabalhávamos com a farinha, (...) na realidade o carvão não era meio de sobrevivência. O meio de sobrevivência era a roça”.
Alguns entrevistados afirmaram ter atuado, durante algum tempo, com outras atividades, breves ciclos econômicos surgidos na comunidade, levados pela necessidade, fato que remete a Godard (1997, p.207), em sua definição de recurso natural como o resultado do processo de transformação histórica, dependente da evolução dos ambientes e das possibilidades técnicas, da natureza das necessidades sociais e das condições econômicas.
80% 70% 55% 45% 45% 40% 35% 20% 30% Roça Extrativismo (açaí e palmito) Carvão Extração de pedra preta Fruticultura Criação de pequenos animais Feirante Piscicultura Padaria comunitária
Figura 8: Atividades desenvolvidas pelos moradores de Abacatal (1984-2004) Fonte: pesquisa de campo (jul-out / 2004)
Durante a crise vivencida pelas tentativas de grilagem em suas terras, algumas famílias migraram para regiões próximas, como as ilhas de Cotijuba e Combu, no sentido de viabilizar suas atividades produtivas. Em depoimento um agricultor da localidade Campinho, aponta um motivo plausível para a decisão tomada por estas famílias, que se recusaram a participar dos projetos: “parece que só sabem trabalhar no extrativismo”.
Uma fruticultura incipiente, principalmente das culturas de acerola (Malpighia spp), maracujá (Passiflora spp) e cupuaçu (Theobroma grandiflora Spreng.), hoje também se constitui em alternativa abraçada por alguns agricultores, e aparentemente vem oferecendo um bom retorno financeiro às famílias que comercializam a produção in natura ou em polpa na feira do agricultor.
Outras atividades como apicultura e o artesanato com uso de argila, estão em fase de desenvolvimento, com a promoção de cursos de capacitação, direcionados a um grupo
especifico composto por mulheres da comunidade, que estão sendo ministrados sob a orientação do Centro de Defesa do Negro do Pará (CEDENPA) e da Fundação Curro Velho.
Uma boa parte da produção agrícola (e seus derivados) é comercializada aos sábados na feira livre de Abacatal, localizada na sede do Município de Ananindeua.
Figura 9: Aspecto da comercialização dos produtos agrícolas na feira de Abacatal em Ananindeua (PA)
5. AS INTERVENÇÕES