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2 The Nordic Power Market

2.5 Future balancing markets developments

2.5.2 Market design

Na tese 16 da Filosofia Política, a educação consiste em fazer com que o indivíduo violento em sua individualidade procure pela universalidade. Essa tese afirma que a violência que o educador procura vencer não é a violência que o homem sofre como peste, fome, morte etc. Não se trata também da agressão física de um contra o outro. Segundo ela, a pior violência é aquela que o homem “enquanto ser razoável sofre por parte de seu ser empírico: o homem sofre de si mesmo e é dessa paixão que a educação deve libertá-lo” (FP: 62).

Weil atribui à educação negativa como “a domesticação do animal no homem” (FP: 62). Grosso modo, o termo “domesticação”, em educação, pode ter um sentido negativo quando se trata de adestrar ou de treinar o aluno. Parece que, em Weil, o uso do termo “domesticação” não vem no sentido do adestramento e nem treinamento do aluno. Ao contrário, por meio da educação, Weil propõe a formação do hábito, do costume e do caráter moral da pessoa para que o homem se torne mais humano e menos violento.

Ele usa o termo “humanidade” numa referência à Kant. Assim, a humanidade é o que há de mais razoável para o homem. A humanidade é uma ideia que o homem precisa assimilar como projeto de vida, porque congrega em torno de si todos os homens sem exceção. A constituição da própria ideia de humanidade é um aprendizado que o homem adquire por meio da educação. De posse da ideia de humanidade, o homem passa a valorizar a si mesmo como pessoa e passa também a respeitar o outro como ser humano. A ideia de humanidade é totalmente contrária ao individualismo e à violência.

Portanto, a “domesticação” talvez pudesse ser chamada de “disciplina”, esse termo é empregado por Kant em suas Reflexões sobre a educação. Para Kant,

a educação é uma necessidade humana29. O homem é a única criatura que tem

necessidade de educação. E, nesse mesmo sentido, o homem é a única criatura que necessita de cuidados e de proteção. Os animais que vivem na natureza não precisam de cuidados e de proteção assim como o homem. A educação em Kant visa à formação do indivíduo com o objetivo que a ideia de humanidade sobreponha à da animalidade.

Para Kant, o homem não é constituído apenas de razão, mas também de desrazão, que é o seu lado animal. A integração do homem ao contexto da humanidade é uma tarefa difícil, porque a criança, desde seu nascimento, ainda não possui a consciência do razoável e da humanidade. Ela age movida apenas pela sua natureza animal que se manifesta especialmente por meio do choro e dos gritos. Mesmo quando o homem deixa de ser criança e se torna uma pessoa adulta, a animalidade permanece nele com suas paixões, seus interesses egoístas, seu individualismo e sua violência.

É por esse motivo que, em Kant, o primeiro passo na formação educativa deve ser de forma negativa, em que os pais e depois a escola precisam fazer com que a criança aprenda sobre a importância de obedecer às regras sociais e morais. É com esse objetivo que a disciplina tem como objetivo transformar a animalidade em humanidade no homem30. Para Kant, a ideia de humanidade se compreende

assim: “de um lado o universal sentimento de participação e, de outro, a faculdade de poder comunicar-se íntima e universalmente; estas propriedades coligadas constituem a sociabilidade conveniente à humanidade, pela qual ela se distingue da limitação animal”31.

A educação kantiana é constituída do ponto de vista moral, onde a disciplina se apresenta como o primeiro passo. O segundo é a cultura, que tem a ver com a instrução e a habilidade. O terceiro é a prudência que serve para que o homem se adapte e tenha boa convivência com os demais na sociedade. E o quarto é a moral, passo mais importante da educação, em que o homem precisa adquirir disposição para apenas escolher fins bons32. A educação moral kantiana visa o

29 KANT, E. Réflexions sur l´éducation. Trad. et le apresentation Alexis Philonenko, Paris: Vrin, 1984,

p. 69.

30 KANT, E. op. cit., p. 70.

31 Cf. KANT, I. Crítica da faculdade do juízo, 2. ed., Rio de Janeiro: Forense, 1995, pp. 199-200. 32 Cf. A importante obra de MOREAU, P. L´éducation morale chez Kant. Paris: Les Éditions du CERF,

progresso moral, ou o esclarecimento, em que uma geração educa a outra e assim sucessivamente.

Para Weil, a natureza animal do homem necessita passar por um processo de transformação. Se, em Kant, a disciplina serve para transformar o animal do homem em humanidade, em Weil, há a transformação do educando em educador de si mesmo. É um estágio de maturidade que o educando deve alcançar, a menos que ele recuse “passar à idade adulta” (FP: 62). Ou seja, a educação deve propiciar ao educando a possibilidade de prosperar em sua vida, realizar-se não apenas profissionalmente, mas como pessoa. No entanto, o próprio educando pode querer não seguir adiante na vida acadêmica. Muitas vezes certas circunstâncias, como exemplo, a necessidade financeira, impedem-no de continuar em seus estudos.

Para Weil, essa experiência de educador-educando é habitualmente esquecida ou negligenciada. Ela não é vista como uma questão nobre para que dela se ocupe aqui. Transformar o educando em educador de si mesmo e dos outros é torná-lo mais humano, mais responsável e, acima de tudo, torná-lo um sujeito moral. Nesse aspecto, a educação é de extrema importância, pois, “nada de humano se fez, nada de humano jamais se fez sem educação” (FP: 63).

A “domesticação” ou a “disciplina” na educação deve visar à humanização do homem. Além disso, deve transformar o animal em humanidade no homem. E vale ressaltar que, para Kant, “o homem só se torna homem pela educação”33. Para

Weil, isso tem tido pouca importância na sociedade atual. E, com isso, tem-se fortalecido a educação ao “conformismo” (FP: 63). Esse “conformismo” se baseia na falta da formação crítica e da própria capacidade de reflexão do aluno.

Muitas vezes, o “conformismo” educativo também é atribuído ao professor que não é capaz de ser crítico e muito menos reflexivo em suas análises. Weil insiste em dizer que não se trata de uma “domesticação ao conformismo”, mas de fazer do educando um educador de si mesmo. O homem por meio da educação procura sair do seu comodismo particular e procura pela universalidade razoável. Ele percebe que deve se afastar de suas paixões egoístas e da violência que o desumaniza.