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Markedssituasjon og fremtidig utvikling i eksporten

5   Kvoter, markedssituasjon og fremtidig utvikling i eksporten av NVG‐sild

5.2   Markedssituasjon og fremtidig utvikling i eksporten

Karl Raimund Popper (1902-1994) foi, essencialmente, um filósofo da ciência. Nascido na Áustria e naturalizado inglês, é considerado por muitos como um dos pensadores

mais influentes do século XX. Foi também filósofo social e político de considerável envergadura, e um reconhecido defensor da democracia liberal, oponente implacável do “totalitarismo”. Nascido em Viena numa família de classe média de origem judaica, formou-se pela Universidade de Viena, onde concluiu o doutoramento em filosofia em 1928, e onde ensinou numa escola secundária entre 1930 e 1936. Em 1937, com a ascensão do nazismo, emigra para a Nova Zelândia, onde tornou-se professor de filosofia no Canterbury University College, na cidade de Christchurch. Em 1946, vai para a Inglaterra, tornando-se assistente de lógica e de método científico na London School of Economics, sendo nomeado professor em 1949. Foi também nomeado cavaleiro pela Rainha Elisabeth II em 1965, e eleito para a Royal Society em 1976. Aposentou-se da vida acadêmica em 1969, apesar de ter permanecido ativo intelectual e politicamente até sua morte, em 1994. Popper recebeu ainda vários títulos em seu campo, incluindo o prêmio Lippincott, da Associação Americana de Ciência Política, o prêmio Sonning e o estatuto de membro da Sociedade Real da Academia Britânica, da London School of Economics, do Kings College de Londres e do Darwin College de Cambridge.

Popper cunhou o termo racionalismo crítico para denominar a sua filosofia, cuja designação é significativa quanto à sua rejeição ao chamado “empirismo clássico” e do “observacionalismo-indutivista” em ciência. Apesar disso, filósofos da ciência e estudiosos do pensamento popperiano, como Ernest Gellner (1925-1995) defendem que Popper, embora não se haja considerado um “positivista”, se encontra claramente mais próximo desta perspectiva do que de uma tradição metafísica ou dedutiva.

Popper defendeu intensamente que a teoria científica será sempre conjectural e provisória. Não seria, portanto, possível confirmar a veracidade de uma teoria pela simples constatação de que os resultados de uma previsão com base na mesma tenham sido verificados. Essa teoria deverá gozar apenas do estatuto de uma teoria que, a princípio, apenas não foi contrariada pelos fatos. Daí Popper estabelecer, como principal postulado de sua teoria da ciência, que a experiência e as observações do mundo real podem e devem buscar por provas da falsidade da referida teoria, e não por sua confirmação. Este processo de confronto da teoria com as observações poderá provar a falsidade da teoria em questão. Nesse caso há que se eliminar a teoria que se provou falsa, e procurar uma outra teoria para explicar o fenômeno considerado. Este princípio ficaria conhecido como princípio de falseabilidade e, muito provavelmente, seja um dos elementos mais difundidos de sua teoria da ciência.

Este será um aspecto fundamental para sua definição de ciência. Científico é apenas aquilo que se sujeita a este confronto com os fatos. Ou seja: só é científica a teoria que possa sujeitar-se a ser “falseável” (refutável). Uma afirmação que não possa ser confrontada com a sua

veracidade pelo confronto com a realidade não é científica. Trata-se de mera especulação metafísica. Nos diz Popper:

Começo, regra geral, as minhas lições sobre Método Científico dizendo aos meus alunos que o método científico não existe. Acrescento que tenho obrigação de saber isso, tendo eu sido, durante algum tempo, pelo menos, o único professor desse inexistente assunto em toda a Comunidade Britânica.

[...] Tendo, então, explicado aos meus alunos que não há essa coisa que seria o método científico, apresso-me a começar o meu discurso, e ficamos ocupadíssimos. Pois um ano mal chega para roçar a superfície mesmo de um assunto inexistente. (Popper, 1987, Prefácio)

Para Popper a verdade é uma quimera inalcançável, sendo o estatuto atual das ciências sempre provisório. Ao depararmos com uma teoria ainda não refutada pelos fatos e observações, deveríamos, pois, nos dedicarmos a demonstrar a possibilidade de sua falsidade. Einstein, segundo Popper, teria sido o melhor exemplo de um cientista que rompeu com as teorias da Física estabelecidas, demonstrando suas limitações e apresentando possibilidades que as ultrapassaram. Isso equivaleria ao falseamento de teorias tomadas como universais e incontestes até então (Mesquita Filho, 2006, s/p)

Popper debruçou-se intensamente sobre a teoria marxista e com a filosofia que lhe foi subjacente, de Hegel, retirando-lhes qualquer estatuto científico. O mesmo em relação à psicanálise, cujas teorias subjacentes, em sua opinião, não são falseáveis, isto é, não se permitem confrontar com os fatos.

Mas o que distinguiria o falseamento de Popper da tradicional verificabilidade própria ao empirismo tradicional? Ernest Gellner, comparando o método científico de Karl Popper com a visão baconiana da ciência, afirma, em "Relativism and the social sciences" que:

[...] a definição do método científico de Popper difere da versão baconiana de empirismo por sua ênfase na eliminação em vez da ênfase na verificação. No entanto eles têm em comum um determinado ponto: quer nós verifiquemos ou refutemos, de qualquer forma fazêmo-lo com a ajuda de duas ferramentas e apenas duas: a lógica e a confrontação com os factos.

As teorias são julgadas por dois juízes: consistência lógica e conformidade com os factos. A diferença entre os dois modelos situa-se apenas em saber se os factos condenam os pecadores ou canonizam os santos. Para o jovem Popper havia alguns pecadores apropriadamente certificados, mas nunca santos definitivamente canonizados. (Gellner, 1987, p. 157 – itálicos nossos)

Uma boa teoria ou lei científica é falseável justamente porque faz afirmações definidas acerca do mundo. Uma boa teoria será aquela que faz afirmações de amplo alcance acerca do mundo e que, ao ser testada, resista à falsificação. As teorias que tenham sido falsificadas têm que ser rejeitadas, visto que, como afirma Popper, ao descobrirmos que a nossa conjectura era falsa, aprendemos muito sobre a verdade e chegaremos mais perto dela. Aprendemos com os nossos erros e acertos. Esta atitude de "vida ou de morte" choca com a

precaução recomendada pelo indutivista ingênuo. Segundo este, só as teorias que se podem demonstrar é que são verdadeiras ou provavelmente verdadeiras e só essas devem ser admitidas na ciência. O falsificacionista, em contraposição, reconhece as limitações da indução e a subordinação da observação à teoria. Os segredos da natureza somente podem ser descobertos com a ajuda de teorias engenhosas e perspicazes. Quanto maior for o número de teorias conjecturadas que procuram enfrentar a realidade e quanto menor for o seu nível especulativo, maiores serão as oportunidades de realizarmos importantes avanços na ciência. Não existirá o perigo de assistirmos a uma proliferação das teorias especulativas, na medida em que aquelas que representam descrições inadequadas do mundo podem ser eliminadas drasticamente em função do resultado da observação ou de outras provas. A exigência da falsificabilidade das teorias teria, por decorrência, que as teorias sejam estabelecidas e precisadas com clareza. No dizer de Popper:

[...] só há um caminho para a ciência: encontrar um problema, ver a sua beleza e apaixonar- se por ele; casar e viver feliz com ele até que a morte os separe – a não ser que obtenhamos uma solução. Mas, mesmo que obtenhamos uma solução, poderemos então descobrir, para nosso deleite, a existência de toda uma família de problemas-filhos, encantadores ainda que talvez difíceis, para cujo bem-estar poderemos trabalhar, com um sentido, até ao fim dos nossos dias. (Popper, s/d., p. 3).

O progresso da ciência exige que as teorias sejam cada vez mais falsificáveis e em conseqüência tenham cada vez mais informação. Isso exclui, no entanto, que se efetuem modificações nas teorias destinadas simplesmente a protegê-las da falsificação ou de uma falsificação ameaçadora. Essas modificações, tal como a adição de mais um postulado sem consequências que não tenham sido já comprovadas, são denominadas de modificações ad hoc.

O falsificacionista deve rejeitar as hipóteses ad hoc e estimular a proposta de hipóteses audazes com melhorias potenciais em relação às teorias falsificadas. As confirmações que são conclusões conhecidas de antemão são insignificantes. Se hoje em dia confirmamos a teoria da gravitação universal de Newton atirando uma pedra ao solo, não contribuímos com nada de valor para o progresso da ciência. Ao contrário, se amanhã confirmamos uma teoria especulativa que implica que a atração entre dois corpos depende das suas temperaturas, falsificando a teoria de Newton, teremos realizado um avanço importante no conhecimento científico.

Popper atualiza e radicaliza o raciocínio de David Hume que se ligava, apesar de tudo, ao indutivismo, por razões de ordem prática e psicológica. Um grande número de enunciados singulares nunca permite inferir um enunciado geral. Em contrapartida, bastaria um único enunciado geral preexistente. Pouco importa o grande número de cisnes brancos que tenhamos observado; não justifica a conclusão de que todos os cisnes são brancos.

Depois, invertendo a ordem de encadeamento criada pelos partidários do empirismo lógico, Popper proclama a preeminência absoluta da teoria sobre a observação: em fase alguma do desenvolvimento científico, escreve, começamos por algo que não seja semelhante a uma teoria, uma hipótese, uma opinião preconcebida ou um problema que, em certa medida, guia as nossas observações e nos ajuda a escolher, entre os inúmeros temas de observação, aqueles que podem ser interessantes. A observação é sempre seletiva, não se resume nunca a sensações ou percepções que o observador se limitaria a transcrever em relatórios escritos, é parcialmente determinada pelas expectativas e problemas que existem no espírito do investigador e que ele retira de um conhecimento anterior (background knowledge). Não existe observação e, de um modo mais geral, conhecimento que não esteja, a princípio, impregnado de teoria.

O cerne do pensamento popperiano, em termos epistemológicos, se expressa na concepção de que sobreviver é um processo contínuo de solução de problemas para qualquer ser vivo. No que diz respeito ao homem, embora este seja capaz de elaborar hipóteses acerca de seus problemas vitais, Popper salienta, contudo, a impossibilidade de ele vir saber se suas hipóteses são verdadeiras ou não. Ele é capaz de testar (tentar falsear) uma teoria, e confirmá-la reiteradas vezes. Entretanto, isso não quer significar que possa admiti-la como verdadeira. É possível, contudo, que, a qualquer momento, alguém formule a respeito do problema novas hipóteses, ou novas formas de se testar teorias e demonstrar se são falsas. Isso teria ocorrido, de forma emblemática, com a teoria newtoniana que, ao longo de séculos, foi repetidas vezes corroborada, até a formulação de novas hipóteses por parte de Einstein, que abalariam o grandioso edifício teórico de Newton. Em outras palavras, para Popper a ciência vive de constantes conjecturas e refutações — aliás, título de seu livro publicado em 1963.

O pensamento de Popper possui conseqüências que vão para além da filosofia da ciência. Seu constructo certamente se prestou de maneira notável à sustentação epistemológica dos próprios princípios do movimento neoliberal de Mont Pèlerin. Portanto, para além dos quesitos epistemológicos, deparamos com os de natureza política e ideológica de defesa do ideário liberal. Nesse sentido, seus postulados se prestam a sustentar a tese da imponderabilidade do devenir, isto é, das conseqüências de nossos atos em relação ao futuro.

No final dos anos 30, Popper se viu na contingência de deixar a Europa, indo com a esposa para a Nova Zelândia, onde reiniciou sua vida acadêmica. Nesse período, marcado pela II Guerra Mundial, Popper publicou duas obras fundamentais, demonstrando enorme familiaridade com as ciências humanas: A miséria do historicismo (1942) e A sociedade aberta e seus inimigos (1945). Elas representam o que Popper denominou de sua “contribuição para o esforço de guerra”, isto é, o primeiro livro visava, especialmente, refutar a concepção marxista da história

(para Popper, marcada pela pretensão à previsibilidade e a busca por determinações históricas), bem como a impossibilidade de qualquer engenharia social. Já o segundo trabalho trata de uma análise sobre todos os pensadores que, desde Platão, defenderam idéias contrárias à sociedade aberta (sociedade esta que tolera o poder crítico das pessoas).

Em A lógica das ciências sociais, Popper afirma que é impossível reduzir a sociologia à psicologia. Assim como Hayek, Popper é, acima de tudo, contrário a toda e qualquer forma de subjetivismo. Lembremos que em Hayek este princípio fica claro em sua recusa em considerar os “motivos” ou razões pessoais que levam os agentes individuais a fazerem suas escolhas ao atuarem no mercado. Basta, portanto, que se considere apenas as preferências objetivas de tais indivíduos. Para os neoliberais as preferências não são subjetivas, mas sim, o resultado de uma ordenação objetiva de opções e prioridades, sendo irrelevante as determinações particulares (motivos) de tal ordenação (Gómez, 2003, p. 49).

Ainda nesta obra, Popper propõe a lógica da situação como único método objetivo aceitável para as ciências sociais. O objetivo do mesmo seria, pois, o de explicar as condutas individuais a partir exclusivamente da situação de sua atuação, sem recorrer a explicações psicológicas. Em outros termos, “isto significa que o homem é concebido como perseguindo tais ou quais fins objetivos em função de sua situação. É um método individualista, mas não psicológico, e no qual se substituem as escolhas psicológicas por situações objetivas” (Popper, 1990, p. 134-135).