Target destruction Effect
5.2 Simple quantitative model
5.2.2 Construction of the model
5.2.4.2 Maritime patrol aircraft
Estes jovens argentinos vieram para o Brasil, porque as empresas dos pais foram transferidos para este país, ou pelo problema econômico de 2001 na Argentina, em que se congelaram os depósitos bancários que eram em dólares e foram pesificados, pela “default”, e muitas multinacionais retiraram sua empresas da Argentina e o povo argentino ficou sem emprego, sem saída os argentinos optaram por migrar, uns dos lugares escolhido foi o Brasil. Mas este problema não durou muito, Argentina deu volta por cima, se recuperou no campo econômico, porém a crise política continua. (Folha de São Paulo, A33, 17 de dezembro de 2006).
Os jovens imigrantes argentinos que vieram a São Paulo, entre 2001 e 2004, trabalhavam nos serviços de garçons, babá ou de barman nos restaurantes argentinos “Parrilladas argentinas” , ou lecionavam aulas de espanhol nas escolas de línguas.
A comunidade argentina possui um “club argentino de São Paulo”, porém não tem um lugar fixo, se reúnem nos próprios restaurantes ou em casa de algum conterrâneo. Aqui se reúnem tanto argentinos da primeira e da segunda geração.
Os jovens argentinos de segunda geração tem como característica ser mais protegidos e dependentes dos pais argentinos, eles só ficam estudando e não trabalham. Gostam de falar em português e em espanhol com os amigos brasileiros, se identificando como filhos de argentinos. Incomodam-se pela arrogância dos argentinos, e torcem pela seleção brasileira quando Brasil e Argentina se enfrentam nos jogos de futebol, afirmando- se nos jogos como brasileiros diante dos pais argentinos.
O estereótipo do argentino no Brasil é que eles são arrogantes e europeizados, e em todo momento eles se identificam diante de qualquer brasileiros que são argentinos, não escondem sua nacionalidade como acontece com os outros grupos de sul-americanos. Gostam de se relacionar mais com amigos brasileiros ou outras nacionalidade menos com os seus conterrâneos.
CONSIDERAÇÕES SOBRE SER BOLIVIANO
Segundo Mansilla (1998), o espaço geográfico da república da Bolívia e a diversidade étnica influenciaram no desenvolvimento de uma identidade sociocultural relativamente sólida. Embora essa realidade tenha colaborado para a formação da identidade, ela não garantiu sua estabilidade, como veremos a seguir na história da formação da identidade boliviana.
O império Incaico unificou o território imenso, que antes era desarticulado, impondo seus costumes e parcialmente uma língua comum. Esta função homogeneizadora continuou com a administração espanhola, integrando as regiões que estavam separadas entre si, e com a abertura em direção às regiões tropicais.
Segundo Mansilla (1998), o Estado-nação da Bolívia depois da independência tem motivado o sentimento de pertença coletiva que até se pode afirmar a existência de uma identidade nacional relativamente sólida e estável. A identidade coletiva sempre foi
negociada entre a cultura de comunidades aborígines e a cultura metropolitana ocidental contemporânea.
A integração das comunidades aborígines levou ao surgimento de uma identidade coletiva com predomínio dos indígenas e não dos brancos. A Revolução Nacional tentou modernizar a sociedade boliviana mediante ação governamental de 1952, o que levou a uma identidade cultural firme apesar da imitação acrítica da civilização metropolitana ocidental.
A extensão física do Estado, os variados subgrupos étnicos e os elementos culturais e até lingüísticos que conformam a nação boliviana têm mudado durante os séculos e sua estrutura atual não se parece com a de origem. As comunidades aborígines tinham uma identidade comum, como as etnias “aymará” e “guarani”, que foram perdendo sua identidade pelos diferentes conflitos que tiveram com os países com os quais fazem divisa. Algumas comunidades foram obrigadas a se integrar a outros países limítrofes.
A sociedade boliviana foi conformada pelos intermináveis fenômenos de mestiçagem e aculturação, assim como pelas misturas de etnias locais com a cultura metropolitana ocidental deixada pelos espanhóis. Embora atualmente na Bolívia se observe por um lado a preocupação com a defesa da tradição cultural aborígine e por outro lado a apropriação dos elementos técnicos e econômicos da civilização industrial do ocidente, ela se encontra na busca de uma identidade cultural primitiva, que estaria em perigo de desaparecer diante da avassaladora influência da cultura moderna ocidental globalizadora. Essa preocupação encontra-se presente principalmente entre os grupos étnicos que se sentem ameaçados pela existência e expansão da civilização moderna.
Principalmente a partir dos anos 60, iniciaram-se os grandes movimentos migratórios do campo à cidade; dentre eles, destacam-se os “índios aymarás”, “índio
quíchua” e alguns de outras etnias indígenas. Ao se instalarem na cidade, eles se sentiram obrigados a adotar a cultura urbana, passando a ser chamados de “cholo” (índio na cidade). Com o passar do tempo, ao assimilarem a cultura moderna urbana, os índios seriam
chamados de “mestiços”. Não obstante, os índios da cidade precisavam negociar sua identidade “aymarás” ou “quíchua” com a identidade mestiça, para serem aceitos como “bolivianos mestiços”. Por outro lado, ao negar sua identidade étnica para os outros, os índios fortaleciam sua identidade “aymará” ou “quíchua” (Widmark, 1999).
Porém, apareceram vários movimentos indígenas ou “indianistas” para reivindicar sua identidade étnica, os quais foram inúteis e traumáticos, porque propagaram o etnocentrismo puro tornando-se até um racismo excludente, cuja finalidade era revitalizar as antigas religiões, línguas e costumes. Esses movimentos foram motivados pela humilhação e exploração que sofreram os bolivianos durante muitos séculos de colonização espanhola.
O autor manifesta que, a partir de 1982, os governos abandonaram o projeto unificador e homogeneizante da sociedade boliviana e se dispõem a aceitar a diversidade dentro da unidade atual do Estado boliviano. Em 1994, a legislação boliviana não reconheceu os índios enquanto nacionalidades próprias ou comunidades autônomas, senão como indivíduos. Ao mesmo tempo, o governo adotou a economia de livre comércio e, por isso, estimulou a aceitação da ideologia multiculturalista. Dessa forma, unificou-se a Bolívia nos parâmetros ocidentais modernos e favoreceu-se o renascimento das culturas indígenas pré-modernas. Desse modo, a partir da década de 1980 (Widmark, 1999), os “índios aymarás” não precisam mais negar sua origem; eles, ao contrário, dão maior importância à identidade étnica dos “aymarás”.
Atualmente, na sociedade boliviana, percebe-se a construção de uma identidade sócio-cultural sincrética em decorrência do esforço de resguardar e consolidar a tradição sócio-política do autoritarismo para proteger uma identidade coletiva em perigo de desaparecer (pela cultura de massas de comunicação), e manter uma ponte entre o acervo cultural primitivo e os avanços de uma modernização considerada inevitável. A sociedade boliviana aceita a tecnologia industrial moderna, sem, no entanto, contaminar a cultura endógena. O resultado é uma sociedade pré-moderna que imita e adota algumas
características da sociedade industrial meramente instrumental, como aponta Mansilla (1998):
Lo rescatable del mundo premoderno reside, en su heterogeneidad, su polifonía y su colorido, es decir, en aquello que puede servir aún de freno a la monotonía de la sociedad enteramente modernizada, a sus estándares implacables, exentos de toda estética, e a su uniformidad vacía de sentido de la vida. Lo que se precisa es algo que nos haga comprender lo valioso de aquellas sociedades hoy calificadas despectivamente de arcaicas, primitivas y atrasadas y lo negativo de un universalismo anónimo, y frío, que es un modo de controlar y dominar todo aspecto de vida humana, un universalismo tecnocrático que termina por desechar al mismo tiempo lo rescatable de la ilustración y el racionalismo: el espíritu crítico-científico, la democracia parlamentaria y representativa, el respeto al individuo y la moral universalista (p.14)
A JUVENTUDE BOLIVIANA
Segundo Doria e Guerra (2006), a característica da juventude boliviana está em perigo, causado pela globalização. Os jovens estão passando por uma reestruturação da sua identidade, que está se formando a partir do consumo de produtos globais, o qual determinará a inclusão ou exclusão social.
A juventude boliviana está mais favorecida que seus progenitores pela influência da educação. Os jovens bolivianos moram nas cidades, têm acesso à universidade e falam espanhol muito mais que as gerações anteriores. Ao mesmo tempo, são mais tolerantes ao pluralismo cultural e estão mais propensos a imitar comportamentos urbanos globalizados do que os comportamentos dos velhos bolivianos, que são encarregados de transmitir os valores e a cultura boliviana (Mansilla, 1998).
Os jovens bolivianos constróem sua identidade através de elementos que permitem que eles se reconheçam entre si e se diferenciem dos outros. Eles se apropriam de
características culturais globalizadas (capitais simbólicos), porém manifestam certa resistência a perder elementos da sua própria cultura.
Mansilla (1998) recorda que as interações entre jovens de diferentes culturas, através da internet ou da moda globalizada, desencadeiam a perda da identidade boliviana pela apropriação da moda global, gerando alienação. Não obstante, a realidade mostra que os jovens criaram um espaço de resistência na vida cotidiana, no qual se constituem a localização histórica e o jogo entre apropriação e resistência.
Os jovens se apropriam de muitos elementos simbólicos globais, mas ao mesmo tempo resistem a perder aqueles transmitidos pela família (valores culturais), instituições e grupos de referência a que estes jovens pertencem. Eles se agrupam ao redor do que pensam que lhe é próprio, construindo e definindo, dessa forma, sua identidade própria em busca do reconhecimento social.
Segundo Doria e Guerra (2006), atualmente a juventude boliviana corresponde, em média, a 53% da totalidade da população (1.213.936 jovens). As cidades onde se encontram mais jovens são: La Paz, Cochabamba, Santa Cruz e Potosi. Esta juventude se encontra entre os 15 e 24 anos de idade, segundo a Assembléia das Nações Unidas, realizada em 1985 (ano internacional da juventude).
Estes autores manifestam que nas últimas décadas, em virtude do Estado-nação ter adotado o modelo neoliberal, surgiram muitos problemas econômicos e sociais sem soluções na Bolívia. Esses problemas levaram à aceleração dos processos de estratificação social, dos quais poucas famílias se beneficiaram. Os jovens saíram mais prejudicados.
Por causa da implantação do modelo neoliberal no governo boliviano, as empresas nacionais ficaram sob o poder das instituições transnacionais, colocando em perigo o desenvolvimento do aparato produtivo do país. Este problema levou ao fechamento de empresas que incrementou o número de desocupados em níveis alarmantes. O poder e a
riqueza ficaram nas mãos das elites que se encontram subordinadas aos interesses do capital mundial.
Por este motivo, o governo boliviano se encontra subordinado às empresas transnacionais e, já sem recursos, eliminou o direito social que tinha sido conquistado pelo povo, assim como o direito à alimentação, à saúde e à educação. Além disso, usurpou as terras das comunidades indígenas para entregá-las aos que possuem o poder da economia neoliberal.
Segundo os autores, essas são as razões por que hoje em dia se observam na Bolívia muitos jovens desempregados nas ruas procurando trabalho e até se oferecendo por salários miseráveis para poder subsistir. A migração juvenil se tornou numa opção, porque as políticas estatais não dão respaldo aos jovens. As culturas juvenis expressam seu desconforto profundo, a crítica à situação em que vivem, a dor às vezes representada ironicamente por meio da indiferença, a angústia expressada através do aparente gozo (muita bebida e dança).
Os jovens bolivianos se encontram descontentes com a situação de exclusão social e, por isso, se mostraram apáticos e despolitizados. Hoje em dia, o jovem boliviano não tem mais uma atitude política senão uma manifestação cívica (quando se trata de votar). Apesar das campanhas políticas valorizarem a juventude em épocas de eleição, elas não passam de simulações e estratégias para arrecadar votos, já que na realidade as autoridades políticas não se preocupam com os jovens, não desenvolvendo programas para reduzir a situação de exclusão social. De igual forma observa-se essa apatia política e desmobilização por parte dos jovens brasileiros em diversos tipos de ações individuais e coletivas. Porém, parte dessas ações segue sendo individualista, fragmentada e relacionada à violência e ao desvio (gangue, surfe ferroviário, galeras, etc.).
Os jovens brasileiros aparecem como vítimas e promotores de uma ‘dissolução social’. Por outro lado, eles são semi-invisíves, nunca são vistos, ouvidos nem entendidos. Esses jovens são vítimas do processo de exclusão, do individualismo e do hedonismo que
marcam atualmente a sociedade brasileira. Eles se comportam de forma desregrada e amoral, fruto do esgarçamento social que os vitima. Essa juventude é caracterizada pelo desinteresse por política e por questões sociais, resultante uma vez mais do individualismo e do pragmatismo que se afirmam como tendências sociais crescentes, tornando-a ‘pré- política’ ou quase que ‘a-política’, segundo Abramo (1997).