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Maritim KKI og overvåkning

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3 SJØPLATTFORMER OG DERES DELSYSTEMER

3.4 Maritim KKI og overvåkning

Na discussão da seção anterior, pudemos perceber que historicamente, a prioridade dada às formações de professores é baseada em conteúdos, não que isso não seja necessário, porém não é o suficiente, devido a complexidade do ofício.

Tendo em vista que os dados para esta pesquisa foram construídos a partir de encontros de um grupo de professoras para discutirem sobre a elaboração de um texto, encontramos semelhanças, em alguns aspectos, com procedimentos utilizados na geração de registros pelos pesquisadores da Clínica da Atividade. Os adeptos dessa linha teórico-metodológica propõem procedimentos dialógicos, para intervenção na situação de trabalho, que geram textos possíveis de ser estudados. No nosso caso, a análise do trabalho educacional pode ser realizada pelos textos gerados em situações também dialógicas.As professoras, ao discutir sobre a elaboração da pauta de formação, relataram o desenvolvimento de atividades que realizaram em sala de aula, evidenciando suas ações, momentos que foram gravados.

Destacamos, que os estudiosos da Clínica da Atividade utilizam-se de dois procedimentos para as intervenções. Um deles é denominado de instrução ao sósia17 e outro de autoconfrontação18.

Em relação ao trabalho docente, a Clínica da Atividade contribui para que se estabeleça um panorama sobre as dificuldades que se interpõem na realidade atual da profissão do professor, por meio de procedimentos específicos de análise. Essa visão é proposta na tentativa de compreender e explicar os fatores determinantes da atividade do professor para que possam ser propostas medidas alternativas que auxiliem o trabalhador docente a desempenhar suas funções de forma eficiente e ergonomicamente eficaz.

Para Bronckart (2006), o professor é bem-sucedido em seu ofício quando domina a gestão de uma aula e de seu percurso, considerando as expectativas e os

17O procedimento das “instruções ao sósia” consiste em levar o trabalhador a “organizar as representações que ele faz para si de seu comportamento no cotidiano de trabalho, de modo, a torná-las transmissíveis e eventualmente utilizáveis” (Clot, 2005, p. 28, apud Gomes, 2011). Para isso, cria-se uma situação fictícia, em que o pesquisador, diante do trabalhador, torna-se o sósia desse trabalhador, isto é, alguém muito parecido com o trabalhador e que deverá substituí-lo no seu trabalho. Para que essa situação fictícia de substituição seja perfeita, é preciso que o trabalhador passe instruções com detalhes de como fazer seu trabalho e que o sósia pergunte, questione, objetivando apreender o máximo das instruções. O trabalhador tem ,então, que, obrigatoriamente, (re)pensar sobre suas ações, procurando antecipar todas as possíveis situações favoráveis e desfavoráveis dentro do seu contexto de trabalho, o que o obriga a relatar aquilo que se deve fazer e aquilo que não se deve fazer dentro da função em pauta (Gomes, 2011).

objetivos definidos previamente pela instituição escolar em função das características e reações dos alunos. A definição, de acordo com o mesmo autor, da profissionalidade do professor, não se baseia apenas no domínio que o mesmo apresenta sobre o programa e os conteúdos que devem ser ensinados, nem mesmo sobre o conhecimento das reais capacidades e limitações cognitivas dos alunos; mas, principalmente “(...) na capacidade de conduzir seu projeto didático, considerando múltiplos aspectos (sociológicos, materiais, afetivos, disciplinares etc.), frequentemente subestimados e que, entretanto, constituem o ‘real’ mais concreto da vida de uma classe”, (Bronckart, 2006, p. 227).

Uma contribuição de vital importância advinda da Clínica da Atividade se refere ao uso do procedimento de autoconfrontação, que pode ser simples ou cruzada (Clot e Faïta, 1999), que se insere em uma metodologia de geração de dados que conduz a uma reflexão do trabalhador sobre sua atuação. Esta reflexão permitirá, posteriormente, a análise das dimensões constitutivas de sua atividade profissional; e, por conseqüência, a sugestão de práticas efetivas para a realização de seu trabalho. Na chamada autoconfrontação simples, o próprio trabalhador (docente, neste contexto) avalia suas ações profissionais nos registros avaliativos das ações por ele realizadas. Temos a registrar que o grupo ALTER tem contribuições com ferramentas metodológicas que permitem a análise discursiva dos textos produzidos em situações de trabalho educacional19.O professor é filmado atuando em seu trabalho (no caso, em sala de aula). Após as filmagens, o pesquisador seleciona algumas destas imagens e as assiste junto ao trabalhador, que se confronta com a gravação em vídeo de sua atividade, com o objetivo de suscitar comentários sobre as ações de sua própria atividade, momento também gravado em vídeo. Na denominada autoconfrontação cruzada o mesmo profissional se confronta com a mesma gravação, neste momento, na presença do pesquisador e de um colega que se confrontou, também, com as filmagens de sua própria atividade (que faz parte da mesma sequência de atividades do colega). Nesta fase,é realizada a filmagem da confrontação dos pares de professores (os trabalhadores), e o pesquisador procura, de preferência, fazer com que os professores se interpelem sobre o que observam da própria atividade ou direciona as discussões, se for

19 Conferir nos artigos publicados no livro O Ensino Como Trabalho (Machado, 2004), citado nas referências bibliográficas desta pesquisa.

necessário. Nesse momento é possível para o trabalhador desfazer e refazer “os vínculos entre o que ele vê fazer, o que há a fazer, o que gostaria de fazer, o que poderia ter feito ou, ainda, o que seria a fazer” (Clot, 2010, p. 240)o comentário se torna “instrumento de uma elaboração psíquica, inicialmente, pessoal e, em seguida, interpessoal, quando cada sujeito comenta a atividade de seu colega de trabalho” (Clot, 2010, p. 240). Neste caso, o comentário cruzado provoca a confrontação das diferentes “maneiras de fazer”. Quando o diálogo consegue ser mantido, tem-se acesso à zona de desenvolvimento potencial da atividade.

Estes procedimentos permitem a ressignificação das dimensões do trabalho do professor, no sentido de que o real transparece, permitindo que se estabeleçam relações com o trabalho prescrito e que surja o trabalho representado, através da reflexão dos docentes sobre sua atuação.

Retomamos alguns conceitos desenvolvidos por Bakhtin (1997), que são revisitados pela Clínica da Atividade, como exotopia, alteridade e dialogismo O conceito de exotopia, desenvolvido por Bakhtin para explicação da personagem na atividade estética literária, afirma que o sujeito só pode constituir-se através do olhar externo, do outro. “Ser” significa “ser para o outro”, e a compreensão que se tem de si mesmo é advinda da compreensão que o outro nos apresenta. É a palavra do outro sobre mim que desperta minha consciência, e minha palavra precisa da palavra do outro para significar. Esse movimento exotópico cria a dimensão de alteridade, dentro da qual, segundo Freitas (2003) o pesquisador torna-se parte do evento pesquisado ao participar deste, mas, ao mesmo tempo mantém-se numa posição exotópica, ou seja, sua visão é “externa” com relação à atuação do outro, o que lhe permite o encontro com o outro. A alteridade, nesse sentido, se constitui através da linguagem, que permite, portanto, que possamos decifrar tanto a consciência de nós mesmos quanto a do outro, pois ela é criada a partir da construção da consciência de si através do outro. Os conceitos abordados são considerados nos procedimentos de constituição dos dados, pelos pesquisadores da Clínica da Atividade.

Em nossos procedimentos de construção dos dados para esta pesquisa encontramos muitas semelhanças com os procedimentos da autoconfrontação.

Dentro de um evento de pesquisa, como o momento da autoconfrontação, o pesquisador é participante e também torna-se parte do evento, construindo uma relação exotópica que lhe permite atuar como o “olho externo” da situação. Neste sentido, o que não podemos enxergar sobre nós mesmos, somente outra pessoa pode fazê-lo e, através das palavras do outro, podemos imaginar como somos. A partir do estabelecimento da alteridade nas relações exotópicas entre mim e o outro, se fundamenta a relação dialógica, caracterizada por uma relação de sentidos. Nesta direção, nossa pesquisa também se encontrou situada.

Na próxima seção, discorreremos sobre aspectos da base teórica do Interacionismo Sociodiscursivo, corrente que também alicerça nossos estudos.

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