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FoU-trender

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4.7 FoU-trender

Nesta seção, serão apresentadas as participantes e o processo de adesão voluntária das professoras que colaboraram com essa pesquisa, sendo, então: a pesquisadora, e três professoras voluntárias, que lecionam a Língua Portuguesa no Ensino Fundamental II.

2.3.1 – A pesquisadora

Formada em Letras – Português e Inglês, iniciei a carreira do magistério na década de oitenta. Na década de noventa, cursei Pedagogia e assumi primeiramente a função de Diretor de Escola e mais tarde o cargo de Supervisor de Ensino. Em ambas as funções, desempenhei o papel de formadora de professores, na primeira situação, no âmbito escolar, na segunda, no âmbito da Diretoria Regional de Educação do Estado de São Paulo. Identificando-me mais com as questões da formação de professores, tanto inicial como em continuidade, optei por prestar concurso para Coordenador Pedagógico, e assumi o cargo há cerca de dez anos em uma das escolas da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.

Pela experiência com formação de professores, fui designada como Assistente Técnica Educacional II (ATE II), prestando serviço na Divisão de Orientação Técnico-Pedagógica (DOT-P), de uma Diretoria Regional de Educação (DRE). A Divisão é responsável pela formação em serviço, dos profissionais da educação: Diretores, Coordenadores Pedagógicos, Professores e profissionais das equipes de apoio. Seguindo as orientações da SME, as formações continuadas desenvolvidas de 2005 até o ano de dois mil e doze, momento da produção dos dados para a pesquisa, tiveram como foco principal o ensino-aprendizagem da leitura e escrita dos alunos, tendo em vista os baixos índices de aprendizagem revelados nos resultados das avaliações internas e externas das escolas da rede municipal.

Durante esse período, participei de vários Congressos, organizei Seminários juntamente com a equipe da DOT-P, onde sou lotada e participei de vários cursos, com o objetivo de obter uma qualificação melhor para desenvolver meu trabalho. Foi em um desses cursos, especificamente um deles oferecido pela COGEAE, que levou o título de “Atividades de Linguagem: elaboração de atividades didáticas para o ensino de gênero”, coordenado pela Profª Drª Anna Rachel Machado, no qual

conheci pesquisas e textos relacionados à formação de professores, que me motivaram a elaborar o projeto para esta pesquisa, já que os cursos oferecidos pela SME em parceria com as DRE são desenvolvidos por profissionais tidos como experientes, dentre eles os ATE II, como eu.

A minha implicação direta com o contexto da pesquisa fez com que surgissem as diferentes vozes que estão relacionadas ao papel social que desempenho em situações diferenciadas. Desta forma, está expressa neste trabalho a voz da pesquisadora, que surge algumas vezes na primeira pessoa do singular - “eu”, quando marca a trajetória pessoal, por vezes, tentando assumir uma posição mais neutra, coloca-se em terceira pessoa e, quando se posiciona como membro de um grupo de pesquisa que estuda, discute, levanta ideias e tira conclusões, ou seja, reflete uma enunciação advinda da interação com “outros”, coloca-se na primeira pessoa do plural, aparecendo como “nós”, e marcando o momento da enunciação. Há, também, a ocupação da posição de formadora de uma DRE, que independentemente da vontade pessoal, exerceu influência no agir do grupo de professoras participantes da pesquisa.

2.3.2 – As professoras

Entrando em contato com uma das Coordenadoras Pedagógicas da escola citada, expus os objetivos do projeto de pesquisa e de posse de seu consentimento, foi marcada uma reunião com os professores de Língua Portuguesa. Após a reunião, em que ficaram explicitados os objetivos da pesquisa e o que caberia aos participantes, as professoras presentes ficaram de se pronunciar quanto a sua participação. Três delas se voluntariaram para participar da pesquisa.

A primeira, a qual chamamos26 de Ana, tem cerca de seis anos de magistério. Participou de um dos encontros de formação realizados na DRE, sobre a

26Os nomes das professoras são fictícios, porque optamos em manter sigilo e confidencialidade em relação à identificação das participantes, conforme compromisso assumido entre nós e apresentado ao Comitê de Ética.

implementação do material “Cadernos de apoio e aprendizagem – Língua Portuguesa”. Tem trabalhado com o material desde 2010, quando foi editado. Leciona em classes de 6º ao 8º ano do Ciclo II e participa do grupo de formação continuada na escola.

A segunda, denominada Beth, tem cerca de cinco anos de magistério. Não participou de nenhum curso de formação na DRE. Acumula cargo em outra escola, onde também leciona a Língua Portuguesa. Desenvolve o trabalho com o material da SME nas duas unidades educacionais. Na escola da pesquisa não é regente de nenhuma sala, apesar de ser titular do cargo, ficando no módulo de professores da escola, ou seja, substitui os professores que por ventura venham a se afastar da sala por qualquer motivo. Quando não está na sala de aula, trabalha em parceria com os outros professores da área.

A terceira professora, identificada como Célia, é iniciante no magistério, ingressou na carreira em 2011. Tem uma primeira formação universitária em jornalismo o que lhe propiciou uma amplitude de visão com relação ao ensino dos gêneros jornalísticos na escola, embora tenha pouca experiência com o ensino. Na escola onde se desenvolveu a pesquisa, como a segunda professora, está no módulo de professores da unidade. Utiliza também o material com os alunos das salas em que substitui o professor, porém tem uma autonomia um pouco menor que a segunda professora, por ser mais nova no cargo.

Mais adiante, ao discorrermos sobre o contexto de produção dos textos, apresentaremos como ocorreu a participação das professoras no processo de produção dos dados para análise.

Na próxima seção, destacaremos as perguntas de pesquisa.

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