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História Econômica, Política e Social (Geral e do Brasil) Geografia Humana e Econômica

Sociologia Antropologia

Política Economia Estatística

Metodologia e Técnica de Pesquisa

Matérias Pedagógicas de acordo com o Parecer nº 292⁄62

Fonte: Elaborado pelo auto com base no Parecer CEF de nº. 293/1962 e Resolução do CFE S/N de 23/10/1962 (arquivo digital PROEG/UFPA).

Quadro 4 – DESENHO CURRICULAR DA LICENCIATURA EM CIÊNCIAS SOCIAIS/UFPA(1963-1971)

(com docentes das disciplinas)

1º Ano 2º ano 3º Ano 4º ano

Introdução a Filosofia (Benedito Nunes) Introdução à Sociologia (Orlando Teixeira da Costa) Antropologia Física (Alberto Bordalo, o Bordalinho) Economia Política I (Roberto Santos) Geografia Humana Matemática Economia Política II (Roberto Santos) História da Filosofia (Daniel Coelho de Souza)

Sociologia Geral (Orlando Teixeira da Costa)

Antropologia Cultural (Armando Bordalo, o

Bordalão)

Estatística

Geografia Econômica

Ética (Benedito Nunes) História das Doutrinas

Econômicas (Roberto Santos)

Ciência Política (Amílcar Tupiassú)

Sociologias Especiais (Orlando Teixeira da Costa)

Etnologia e Etnografia do Brasil (Napoleão Figueiredo) Metodologia e Técnica de Pesquisa (Graça Landeira) OPTATIVA Língua Tupi (Napoleão

Figueiredo) Psicologia da Educação: (adolescência e aprendizagem) Didática Administração Escolar e Orientação Educacional Prática de Ensino (estágio supervisionado) Ética Profissional (Ápio Campos) Sociologia Educacional (Lila Clementina de Araújo)

Fonte: Elaborado pelo autor com base em CORTEZ (2007) e ABELÉM (2007) e no Parecer CEF de nº. 293/1962 e Res. do CFE S/N de 23/10/1962 e parecer CEF de nº 292/1962 (arquivo digital PROEG/UFPA).

OBS.: As disciplinas em negrito são mencionadas por Cortez (2007). As disciplinas com sublinhado são citadas por ABELÉM (2007) e as disciplinas em Itálico são as matérias prescritas como obrigatórias pelo currículo mínimo conforme Pareceres CEF: 293/62 e 292/62.

No desenho currículo mínimo (quadro 3, página anterior) prescrito pelo CFE para todos os cursos de Ciências Sociais das Faculdades de Filosofia das universidades federais, verificamos a tendência em continuar com as disciplinas centradas na sociologia, política, antropologia e economia, já que o curso girava em torno desses conteúdos disciplinares. Diferentemente do desenho curricular anterior, neste aparece a matéria Metodologia e Técnica de Pesquisa, no entanto a organização curricular disciplinar é mantida assim como os conteúdos disciplinares são praticamente idênticos, diferenciando-se apenas em termos da nomenclatura. Para efeito de uma relação comparativa entre os quadros 2 e 3, percebemos as seguintes alterações:

 Geografia Humana corresponde a matéria Geografia Humana e Econômica;

 História Social foi ampliada para História Econômica, Política e Social (Geral e do Brasil);

 Estatística Geral ficou dentro do rol da matéria Estatística;

 “Curso de Didática” se tornou Matérias Pedagógicas constituídas por três disciplinas obrigatórias e incluída a prática de ensino ministrada em forma de estágio supervisionado, a saber: Psicologia da Educação (adolescência e aprendizagem), Didática, Elementos da Administração Escolar68 e Prática de Ensino (sob a forma de estágio supervisionado).

Em relação a este último ponto, podemos dizer que houve até um retrocesso em relação à dimensão pedagógica, pois ocorreu a diminuição das disciplinas com conteúdo pedagógico (antes eram seis disciplinas e após o parecer 292/62 ficaram apenas três mais o estágio supervisionado) como bem analisa Scheibe (1983)

Pode-se notar neste parecer [292/62] uma redução das matérias pedagógicas, não só em numero de disciplinas como também em tempo de estudo: a parte pedagógica, que antes significava 1/4 do curso, passou para

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68 Esta disciplina em 1969 foi substituída pela disciplina Estrutura e Funcionamento do Ensino em decorrência dos pareceres CEF 252/69 e 672/69 e resolução 9/69, posteriormente com a lei de nº 5.692 de 11 de agosto de 1971, que estabeleceu e estruturou o ensino de 1º e 2º graus, a disciplina passou a ser denominada Estrutura e Funcionamento do Ensino de 1º e 2º graus. (cf. OLIVEIRA, M., 2000).

1/8. [...] A situação real não foi modificada e logo foi possível perceber que se constituía numa falácia resolver o problema da dicotomia conteúdo- método através da simples intercalação de disciplinas de conteúdo com disciplinas pedagógicas (SCHEIBE, 1983, p. 39).

No caso da Licenciatura em Ciências Sociais da UFPA, segundo informações de Cortez (2007) foram incluídas as disciplinas Ética Profissional e Sociologia Educacional e modificada o nome da disciplina Elementos de Administração Escolar para Administração Escolar e Orientação Educacional segundo informações de Abelém (2007). A modificação do nome desta última disciplina indica uma orientação e influência do enfoque psicológico nesta disciplina.

Analisando o quadro 4, podemos ver que o curso possuía três disciplinas obrigatórias de Sociologia (Introdução à Sociologia, Sociologia Geral e Sociologias Especiais), três disciplinas obrigatórias de antropologia (Antropologia Física, Antropologia Cultural e Etnologia e Etnografia do Brasil) e apenas uma disciplina de Ciência Política. Neste desenho é criada a disciplina Metodologia e Técnica de Pesquisa.

Em relação às disciplinas de conteúdos gerais, verificamos que as de cunho filosófico participavam com três disciplinas obrigatórias (Introdução à Filosofia, História da filosofia e Ética) além de Ética Profissional aplicada para a licenciatura. Segundo Cortez (2007) neste período o curso possibilitava uma formação de cunho filosófica: “Havia, inclusive, disciplinas que eram comuns [década de 1960] a vários cursos, e alguns proporcionavam como o de Ciências Sociais, apesar do tempo pequeno de duração, formação filosófica” (CORTEZ, 2007, p. 220).

As disciplinas de economia também eram bastante representativas e possuíam três obrigatórias (Economia Política I e II, História das Doutrinas Econômicas). A denominação Doutrinas Econômicas, assim como as disciplinas de ética neste currículo mostra a influencia da doutrina católica no currículo do curso, não apenas na UFPA, que na fase inicial do curso muitos professores eram

bacharéis em Direito e padres ou ex-padres69, como também no currículo do curso de Ciências Sociais da FNFi (1947-1955) como foi bem observado por Villas Bôas (1995) e Meucci (2006).

Assim, afirmamos que o currículo de Ciências Sociais neste período, caracterizava-se por uma organização disciplinar de caráter generalista, já que ofertava para os estudantes conhecimentos de sociologia, antropologia, ciência política, filosofia e economia. As disciplinas de filosofia e economia tinham uma participação significativa neste currículo. Com participação menor, as disciplinas de história e geografia também se destacavam. Para a licenciatura, além das três disciplinas pedagógicas mais a prática de ensino prescrita pelo parecer do CEF 292/1962 o curso tinha também Ética Profissional e Sociologia Educacional.

De modo geral, apesar de poucas mudanças nas denominações das disciplinas específicas e até nas disciplinas pedagógicas, a lógica disciplinar concentrada nos conteúdos disciplinares de sociologia, antropologia, economia e política continua, bem como a lógica do modelo “3 + 1”, pois mesmo após a extinção do Bacharelado em 1962, o curso de licenciatura a partir de 1963 continuou funcionando com base na “cultura do Bacharel”, ou seja, “... uma concepção de curso de formação de professores onde adiciona-se ao currículo de um Bacharelado as ditas “disciplinas pedagógicas” (SCHNETZLER apud MACHADO, 2004, p. 49). Assim como foi estruturado em torno da concepção tradicional de ciência e de conhecimento acadêmico, em que primeiro estuda-se as teorias científicas específicas e no final tenta aplicá-las na prática pedagógica, com a prática de ensino e estágio supervisionado.

Para Cunha, M. (2003) esta forma linear e tradicional de organização dos currículos está diretamente relacionada à lógica do conhecimento acadêmico, pois

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69 Segundo Cunha, A. (2007) no período inicial de funcionamento da FFCL do Pará na área de Ciências Humanas destacam-se os seguintes docentes: Dom Mário de Miranda Villas-Boas, padre Cupertino Contente, padre Leandro Pinheiro, padre Belchior Ataíde, padre Ápio Campos, Daniel Coelho de Souza, Otávio Mendonça, Annunciada Chaves, Aluísio Chaves, Francisco Paulo Mendes, Regina Gonçalves, Angelita Ferreira da Silva, Edgar Pinheiro Porto, Paulo Plínio Abreu, Orlando Bitar, Armando Bordalo e Max Boudin.

os currículos, tradicionalmente, obedecem a lógica que organiza o conhecimento: do geral para o particular, do teórico para o prático, do ciclo básico para o profissionalizante. A idéia que sustenta essa concepção exige que o aprendiz primeiro domine a teoria para depois entender a prática e a realidade. Ela tem definido a prática como comprovação da teoria e não como sua fonte desafiadora, localizando-a quase sempre no final dos cursos, em forma de estágio. (CUNHA, M., 2003, 68).

Aliado a esse processo de separação entre teoria e prática, essa forma de organização curricular isola e demarca fronteiras entre as disciplinas de conteúdos específicos (ministradas e codificadas pelos institutos e faculdades específicas) e as de conteúdos pedagógicos (ministradas e codificadas pelos institutos, centros e faculdades de educação), promovendo um distanciamento e isolamento entre as áreas de educação e as de ciências sociais. É o que Bernstein (1971, 1998 e 2005) classifica de currículo coleção, em que os conteúdos disciplinares específicos são definidos e constituídos a partir de estruturas fechadas, isoladas e distantes, demarcando enormes fronteiras entre si, além de possuir uma classificação forte (+C) e enquadramento forte (+E). Esta característica será melhor visualizada nos próximos currículos do curso de Ciências Sociais, tendo em vista que esses desenhos curriculares são mais detalhados e completos do que os dois anteriores.

6.2 DESENHO CURRICULAR (1972-1977)

O terceiro currículo do curso tem por base as resoluções: nº 41 de 27 de outubro de 1971 e nº 88 de 15 de maio de 1972 (que revogou a resolução de Nº 41/1971) do Conselho Superior de Ensino e Pesquisa (CONSEPE) da UFPA que define o currículo pleno do curso de Licenciatura em Ciências Sociais com base no parecer CEF 293/62 e parecer CEF 292/62. Este desenho curricular vigorou no período de 1972 a 1977. O tempo total da carga horária era de 2.400 horas, com um total de 151 créditos. O período letivo deixa de ser anual e se converte em semestral, o sistema de matrícula que era seriado, passa a ser feito pelo sistema de créditos, com disciplinas que exigem pré-requisito (conforme quadro 5 na pagina seguinte).

Quadro 5 - Currículo Pleno do Curso de Licenciatura em Ciências Sociais (1972-1977)

CURRÍCULO PLENO