• No results found

PROJETOS E ESPECIFICAÇÕES Custo de mão-de-obra Custo de equipamentos Custo de materiais COMPOSIÇÕES UNITÁRIAS (constantes: K’s) PROJETOS E ESPECIFICAÇÕES

Figura 5.5 Diferenças entre o orçamento convencional e o operacional. Fonte: HEINECK et al. apud VALENTE, 2003, p. 67.

Segundo Cruz (2002), os orçamentos operacionais, ainda não tiveram o devido reconhecimento entre o meio acadêmico e organizacional. Todavia, para que houvesse este reconhecimento e o entendimento de sua importância, faltava, justamente, uma nova filosofia de produção, que pode, atualmente, ser representada pela Lean Construction e uma nova forma de rastrear os custos de produção, representada atualmente pelo custeio ABC. Ainda segundo Cruz (2002, p.72), estas duas ferramentas construção enxuta e custeio ABC, “ressuscitam a proposta de levantamento dos custos de produção utilizada pelos orçamentos operacionais. Assim os orçamentos operacionais poderão se tornar ferramenta importante na

orçamentação, planejamento, programação e gerenciamento de empreendimentos na construção civil”.

5.3.2 Custeio tradicional versus custeio por atividade na construção civil

Segundo Kaplan apud Nakagawa (1991), os atuais sistemas de custeio foram desenvolvidos com o objetivo de gerarem informações sobre as oportunidades de melhoria, em termos de resultados econômicos.

No subsetor edificações da indústria da construção civil, a forma de previsão e controle de custos é realizada através do método do custo padrão, cujo principal objetivo e o controle de custos das organizações. Sua premissa está em fornecer padrões de custos que possam ser comparados com os custos realmente executados. As diferenças entre o custo padrão e o custo real indicam as causas de variações, permitindo serem efetuadas correções o mais rapidamente possível.

Segundo Bornia apud Librelotto; Ferroli; Rados (1998), este método não pode ser aplicado a todos os custos da empresa, mas apenas para custos de matéria-prima, mão-de-obra direta ou insumos mais relevantes, podendo ser realizado independente dos custos da organização.

Embora largamente utilizado pelas organizações do setor da construção civil, Cruz (2002, p.63) argumenta que “este sistema não capta a grande variabilidade inerente aos vários produtos e seus respectivos processos de execução, nem considera a complexidade da execução das atividades destes processos, que são diferentes, de obra para obra”.

Para tentar superar estas limitações, surge um sistema de custeio conhecido como ABC (Activity Based Costing), ou seja, custeio baseado em atividades, considerado por Nakagawa (1991) a espinha dorsal da gestão estratégica de custos.

O ABC, de acordo com Cooper; Kaplan apud Cangi (1995, p.16),

“é uma abordagem que analisa o comportamento dos custos por atividades, estabelecendo relações entre as atividades e o consumo de recursos, independentemente de fronteiras departamentais, permitindo a identificação de fatores que levam a instituição ou empresa a incorrer em custos em seus processos de oferta de produtos e serviços e de atendimento a mercado e clientes”

A Figura 5.6 mostra em síntese os princípios do custeio ABC.

Figura 5.6 Visão esquemática do custeio ABC. Fonte: BRECCIA apud CRUZ, 2002, p. 67.

Este conceito parte da premissa de que os custos são apropriados primeiro pelas atividades e não pelos processos, considerando que produtos e processos consomem atividades e estas consomem recursos. Assim, de acordo com Marchesan apud Valente (2003, p. 68), “o impacto maior evidenciado é que, a partir dessa nova visão, objetiva-se otimizar o gerenciamento das atividades, porque os custos ligados a ela vão influenciar na produtividade”.

É relevante considera que o sistema de custeio ABC permite uma transparência e um maior nível de detalhes das informações apresentadas, capazes de oferecer subsídios

necessários à tomada de decisões gerenciais. De acordo com Monden (1999); Cruz (2002), em decisões relativas às estratégias de negócios, o ABC pode obter informações valiosas de custos, auxiliando na tomada de decisões relacionados com o desenvolvimento e projeto do produto e ajudando na melhoria contínua da racionalização dos custos, de uma forma conjunta, nas atividades e nos processos construtivos. A Figura 5.7 mostra as etapas a serem cumpridas para a implantação do custeio ABC.

Figura 5.7 Implantação do custeio ABC.

Fonte: DI DOMENICO apud DURAN; RADAELLI, 2000, p. 122.

A evolução tecnológica e econômica que permeia o mundo tem obrigado as organizações a se manterem num constante processo de aprimoramento para a realização de suas atividades. No processo decisório, os eventos econômico-financeiros devem ser avaliados não se restringindo à identificação e análise dos custos, mas a uma avaliação sobre toda a gestão econômica, um conjunto de informações mais amplo e com maior poder de contribuição ao processo decisório.

Toda organização existe em função de seus objetivos (sua missão). Entretanto, o planejamento, a coordenação e o controle, segundo Vidigal Júnior et al. (1995, p. 84), são elementos essenciais quando se pretende alcançar um objetivo e para sua consecução há o consumo de recursos, cuja gestão é de fundamental importância para a obtenção dos melhores resultados.

A gestão de custos propõe uma visão de negócios, processos e atividades, que se reflete de forma imediata na produtividade, podendo também ser revelada uma otimização no consumo adequado de recursos, bem como através de uma eficiência e eficácia de processos organizacionais e operacionais (VALENTE, 2003).

5.4 OS PROGRAMAS DA QUALIDADE VOLTADOS PARA A INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL

Dentre os diversos programas da qualidade, o PBQP – H (Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade no Habitat), nasceu em 1992, de uma parceria entre o setor público e o setor privado, tendo como foco principal o aumento da competitividade na indústria da construção civil e a modernização das empresas da cadeia produtiva.

O objetivo do programa é “estabelecer a melhoria da qualidade de produtos e serviços, a redução dos custos e a otimização do uso dos recursos públicos” (PBQP-H apud VALENTE, 2003, p. 43).

Enquanto os ciclos da qualidade estabeleciam a seqüência de atividades dentro de uma empresa, o PBQP – H, representa o ciclo da qualidade como um processo global, incluindo a seqüência de diversos intervenientes, conforme mostra a Figura 5.7.

FABRICAÇÃO DE MATERIAS E COMPONENTES

PROJETO COMERCIALIZAÇÃODISTRIBUIÇÃO E

QUALIDADE