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3. Innsjøsedimenter

3.3 Presentasjon av data

3.3.2 Markjelkevatnet

3.3.2.1 MAP0113

As interações são processos de relação e comunicação que ocorrem na vida do ser humano, entre adultos, crianças e objetos (Ferreira, 2004). Comunicar faz parte do ser humano, seja quando se expressam sentimentos, se partilham informações, se fazem escolhas ou se interage com os outros, atribuindo significado à realidade. Como refere Nunes (2007, p. 25) "A comunicação humana implica interacções com pessoas e objectos e envolve acções, palavras, sons, sorrisos, gestos, posturas, movimentos e expressões corporais". Esta competência é fundamental para desenvolver uma relação com o mundo e construir relações afetivas e sociais que possibilita o diálogo, sendo a comunicação uma ferramenta eficiente que permite o acesso ao mundo e às interações.

As interações tanto podem ser verbais como não verbais. No que diz respeito às interações entre humanos entende-se por interações verbais as situações em que pelo menos dois indivíduos comunicam entre si utilizando o discurso oral e, as interações não verbais, por sua vez, caracterizam-se pela comunicação, de pelo menos dois indivíduos, através de gestos, de toques e de expressões faciais (Mesquita, 1997; Miranda & Senra, 2012; Silva, Brasil, Guimarães, Savanitti & Silva, 2000). No que diz respeito à infância a linguagem verbal desenvolve-se em momentos de brincadeira e na presença dos outros, no entanto, não se pode considerar que as crianças comunicam apenas através da linguagem verbal, muito pelo contrário. Como refere Loris Malaguzzi (Edwards, Gandini, & Forman, 1999) as crianças têm "cem linguagens", mais concretamente, o gesto, o desenho, a pintura, a imitação, as construções e a música e todas as outras linguagens que permitem a expressão lúdica, e que são manifestações de uso de linguagem não verbal. Desta forma, as brincadeiras com os outros oferecem oportunidades às crianças de interpretarem e compreendem gestos, palavras e significados comunicados pelo outro e no mundo (Kishimoto, 2010).

Em contexto educativo os tempos das crianças para brincar são momentos em que as crianças aprendem a interagir e têm iniciativa para se envolverem em diferentes relações e interações nas divergentes atividades, espaços, brinquedos e materiais disponíveis. As rotinas de interação são vistas como estruturas de relação social, porque como acentua Ferreira (2004, p.183)

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as interações sociais são processos de relações, comunicação e identificação que permitem a negociação das definições da realidade de cada indivíduo e facilitam a criação de entendimentos comuns acerca do significado de símbolos e ações e a sua aceitação mútua, por forma a tornar bem sucedida a acção cooperativa.

Para tal, um educador deve tomar decisões que prevejam, integrem e articulem três fatores estruturantes, como a organização do espaço, a faixa etária do grupo e a gestão do tempo, para contribuir para a qualidade das aprendizagens das crianças durante as interações (Ayres, 2001), uma vez que, a brincadeira é um direito das crianças. Mas, especialmente, porque "quem brinca, brinca pelo prazer, pela satisfação" (Azevedo, 2001, p. 127), pois, "quando a criança brinca, está feliz" (Jean Châteu, s.d., citado por Leif & Delay, 1965). Assim, "brincar, ao requerer a interacção verbal

e/ou não verbal, alterada e em sequência, reitera as interações como base para o desenvolvimento

das acções" (Ferreira, 2004, p. 202). Quer isto dizer que a brincadeira é parte integrante da vida social das crianças, que envolve diferentes interações com objetos, com os outros, contribuindo para o conhecimento e entendimento da realidade que as rodeia. Portanto, pode-se dizer que, "as interacções verbais e não verbais como linguagens intrínsecas acerca do brincar" (Ferreira, 2004, p.202) são um recurso comunicativo importante para a participação social em contexto de jardim- de-infância, particularmente na interação entre pares.

1.1.2. Interação entre pares

A interação entre pares desafia as crianças a várias conquistas onde desenvolvem competências cognitivas e de auto-regulação, que permite as crianças realizar interações sociais umas com as outras (Arezes & Colaço, 2014). Para que ocorra interação é preciso, pelo menos, duas crianças iniciarem "uma relação dinâmica, recíproca e bidirecional, já que ambos trocam experiências e conhecimentos" (Elmôr, 2009, p. 24). Como sublinha Carvalho e Beraldo (1989, p. 59, citados por Grana, 2011, p. 119) a interação criança-criança é "um sistema socioafetivo relevante para o processo de desenvolvimento", porque nessas interações criam-se processos e propiciam-se contextos que possibilitam o desenvolvimento da identidade, da comunicação e de competências sociais.

Borges e Salomão (2003) referem que as interações entre crianças ocorrem através de gestos, de olhares, de expressões faciais ou de vocalizações, e o uso da palavra não é essencial para a existência de interação, mas é uma das formas possíveis. Portanto, as interações verbais e não verbais proporcionam a interação entre pares, existindo diversas formas de interação: olhar, toque, proximidade física e expressão facial (Mesquita, 1997). A interação através do olhar é um elemento crucial, pois a ação visual permite descodificar para quem e onde a criança está a olhar aquando da aproximação de indivíduos ou objetos (tendo em conta a direção da cabeça e dos olhos) (Alexandre & Vieira, 2004; Moura, et al., 2004). A interação através do toque é uma interação corporal (Piccinini, et al., 2001), uma vez que, envolve contacto pele com pele, ou seja, contacto físico e afetuoso, através de carícias como abraços, beijinhos e mimos (Carvalho, et al., 1999; Piccinini, et

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al., 2001). A interação através da proximidade física acontece quando uma criança se desloca em direção a outra criança, diminuindo assim a distância entre as mesmas, podendo não ocorrer contacto físico (Alexandre & Vieira, 2004). Outra forma de interação não verbal é a interação através da expressão facial, sendo esta visível quando as crianças expressam e demonstram emoções, como a tristeza, a alegria, o medo (Júnior, Sprovieiri, Kuczynski, & Farinha, 1999; Mendes & Moura, 2009). Relativamente à interação por linguagem verbal esta tem diversos patamares de organização, ou seja, a interação entre crianças realiza-se desde as vocalizações até às estruturas silábicas, pois essas interações são promotoras de serem utilizadas nos momentos de brincar, estabelecendo, assim, relações com o outro, o espaço e os brinquedos (Roque & Rodrigues, 2005).

A brincadeira é um momento de rotina promotor de interações entre crianças, uma vez que, "situações de brincadeira possibilitam (...) o encontro com os seus pares, fazendo que interajam socialmente" (Ferreira, 2010, p. 13). No decorrer da brincadeira as crianças recorrem à observação, e posteriormente à imitação, pois observam e observam-se, imitam, recriam saberes, atribuem papéis sociais, pensam, sentem e agem (Ayres, 2001), visto que, "ver, observar, constituem formas de exploração e nessa qualidade precedem a actividade lúdica social" (Roque & Rodrigues, 2005, p.45).

A interação entre pares nos momentos de brincadeira é cada vez mais frequente à medida que a criança se desenvolve, por outras palavras a criança começa por brincar sozinha, seguidamente acompanhada por outra criança, e por último conjuntamente com outras (Parten, 1932, citado por Papalia & Feldman, 2013). Este mundo social surge aquando das brincadeiras interativas, onde se aprende a brincar com o outro, mas também a conhecê-lo (Kishimoto, 2010). O processo social depende do contexto físico e social em que as crianças estão inseridas, e, é baseado nas interações sociais entre crianças, sendo este um conjunto de atividades rotineiras, "que as crianças produzem e partilham em interações com os seus pares" (Ferreira, 2004, p. 184). As atitudes de inter-ajuda entre as crianças remetem para o auxílio e cuidado, que demonstram entre si, como afirma Mesquita-Pires (2010) esta relação de ajuda acontece aquando da partilha de ideias, experiências educativas, de saberes e opiniões.

Nos primeiros anos de vida as interações sociais entre pares é um dos objetivos para o desenvolvimento das crianças no pré-escolar, porque "no contexto das relações com pares, as crianças desenvolvem importantes capacidades comunicativas, sociais, lúdicas e cognitivas" (Sandall & Schwartz, 2003, p. 171). Uma vez que, as interações são cruciais nos primeiros anos de vida é necessário criar oportunidades para que as mesmas ocorram. Estas interações segundo Sandall e Schwartz (2003) podem ser classificadas como simples, por exemplo passar os brinquedos uns aos outros, ou podem ser consideradas complexas e alargadas quando as crianças se envolvem numa experiência educativa cooperativamente. Logo, as crianças necessitam "de interacções

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alargadas e repetitivas com pares, para desenvolverem amizades e interacções sociais que se prolonguem (Sandall & Schwartz, 2003, p. 173).

De acordo com Odom (2007) outro dos objetivos no Pré-Escolar deve ser criar salas inclusivas, sendo que, a principal vantagem é a junção das crianças com NEE na mesma sala que os seus colegas sem NEE. Apesar das interações ocorrerem mais entre crianças sem NEE, as interações entre crianças com e sem NEE ocorrem, sendo estas incluídas nas brincadeiras de forma diferente estabelecendo uma base comum entre ambas, por exemplo, partilhar "interesses que serviam de base para as actividades lúdicas sociais e para a comunicação (Odom, 2007, p. 63)". Para além disso, os colegas sem NEE manifestam interesse em ajudar, orientar e tomar conta das crianças com NEE, pois apesar de não possuírem capacidade de comunicação, sociais ou lúdicas, as mesmas expressam o seu desejo de participação nas rotinas. Portanto, a interação entre estas crianças é benéfica para ambas, porque aprendem e desenvolvem "competências sociais e lúdicas observando, interagindo e brincando" (Odom, 2007, p. 58).

Para tal, os educadores têm o papel de criar um equilíbrio entre prestar auxílio às crianças apoiando- as nas interações sociais e organizar o espaço e o ambiente, de modo a facilitar as interações, contudo não deverá interceder e assumir a situação. Assim, uma característica importante para o desenvolvimento de interações é a sala facultar oportunidades sociais, desde a seleção das atividades, dos brinquedos e dos materiais didáticos (Sandall & Schwartz, 2003).

Os brinquedos, objetos e materiais, à medida que as crianças se desenvolvem, assumem um lugar cada vez mais importante nas interações entre crianças, porque são um meio de comunicação, expressão e imitação da realidade, pois o brinquedo "veio facilitar e dar um tom de realidade à brincadeira" (Bandet & Sarazanas, 1975, p.53). Por isso, outra forma que as crianças têm para começar a interagir umas com as outras, é através dos brinquedos, sendo necessário

desenvolver acções comuns entre si, o que implica ter de haver um entendimento mínimo entre os participantes (...) por forma a poderem reciprocamente co-produzir e co-orientar as suas ações, num dado tempo, espaço e em decisão e negociação colectivas (Ferreira, 2004, p. 201).

Portanto, em Educação de Infância as brincadeiras com objetos, brinquedos e materiais representam a oportunidade de desenvolvimento social das crianças (Garvey, 1992; Gomes, 2010). Como destaca Garvey (1992, p.65) "Os objectos servem por diversas formas como elo de ligação entre a criança e o meio. Proporcionam oportunidades para que a criança possa representar ou expressar sentimentos, preocupações e/ou interesses". É neste âmbito que as interações que as crianças estabelecem entre si através dos objetos facilitam diferentes brincadeiras e criam fontes de aprendizagem, porque a produção de novas competências provém da interação entre crianças enquanto sujeitos, com o brinquedo enquanto objeto.

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Assim, os objetos (brinquedos) desempenham "uma função estruturante na promoção de novas competências cognitivas (Simões, 2002, p. 574). Desta forma, a interação crianca-objeto-criança é caracterizada por uma relação de reciprocidade em que ambas manifestam um papel importante para que dessa interação origine aprendizagem. De forma sintética, pode-se dizer que, a criança exterioriza uma ação sobre o objeto, sendo esta ação influenciada pelas propriedades dos objetos. Além disso, através dessa interação a criança terá possibilidade dos explorar e construir "uma concepção mais madura das propriedades do mundo físico (forma, textura, tamanho)" (Garvey, 1992, p. 66).

Portanto, o brinquedo é indispensável ao crescimento físico, intelectual e social das crianças (Bandet & Sarazanas, 1975), porque proporciona "um canal para a interação social com os outros" (Roque & Rodrigues, 2005, p. 45). É através dos objetos que as crianças exprimem pensamentos, emoções, preocupações e interesses, por meio de gestos e diálogos onde o brincar reflete o dar, o mostrar e o partilhar (Roque & Rodrigues, 2005), onde se aprende a fabricar o código das relações sociais (Vieira, 2011). Contudo, as interações que as crianças estabelecem com objetos dependem de fatores, como a disponibilidade e organização das áreas sala, pois é nestas áreas que as crianças desenvolvem diversas ações e atitudes, estabelecendo várias interações com os materiais aí existentes (Ferreira, 2004). Por isso, um ambiente com divergentes brinquedos atende aos vários ritmos das crianças e vai ao encontro dos seus diferentes interesses (Kishimoto, 2010).