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Del 1 – reduksjon i lagerbeholdning

5.4 Manuell bestilling

Neste subitem, tratamos de duas noções essenciais no quadro da TBS: argumentação interna e argumentação externa. Para Ducrot (2005c), o sentido de uma entidade são os aspectos, conjuntos de encadeamentos, que a ela estão associados, portanto essa entidade expressa esses aspectos. A associação entre palavras/enunciados e entidades semânticas pode ocorrer de maneira interna ou externa. Dizemos, então, que uma palavra ou um enunciado possui duas argumentações: uma interna (AI) e outra externa (AE).

Um aspecto é evocado por uma palavra de modo externo se essa palavra constitui um segmento do aspecto. A argumentação externa é constituída por encadeamentos que vão ou que vêm da referida palavra. Se a palavra for o primeiro segmento do encadeamento, a argumentação é externa à direita. Por exemplo, o aspecto ter pressa DC agir rapidamente é um aspecto externo à direita da expressão ter pressa, pois ele contém discursos que indicam as conseqüências de ter pressa. Se a palavra for o segundo segmento, a argumentação é externa à esquerda. O aspecto estar apressado DC ter pressa é o aspecto externo à esquerda, cujos discursos indicam a causa de ter pressa. A argumentação externa de uma palavra (AE) é, portanto, a pluralidade dos aspectos constitutivos de seu sentido na língua, e que estão ligados a ela de modo externo. Se a AE à direita de uma entidade X contém o aspecto X CONN Y, ela contém também o aspecto converso, ou seja, X CONN’ neg-Y. CONN’designa PT, se CONN designar DC, e vice-versa.19

A dualidade estabelecida entre DC e PT não se deve à realidade do que se passa quando uma pessoa tem pressa, mas aos discursos que podem seguir a indicação de que a pessoa tem pressa. Por isso, não importa se ter pressa leva ou não alguém a agir com rapidez. À Semântica Lingüística interessa manter as duas possibilidades, e, para mantê-las, Ducrot admite como fundamental a constatação, relacionada às características do discurso, de que, querendo-se acompanhar a indicação de que alguém tem pressa pela indicação de que ele foi rápido, recorre-se ao modo em DC; para fazer seguir da indicação de uma ação lenta, recorre-se ao modo em PT. Quando se trata do aspecto externo à esquerda de uma palavra, isto é, da regra que precede, motivada pelo intuito geral de substituir a ordem da realidade pela ordem do discurso, aplicam-se os mesmos conceitos, mas com uma reformulação. Consideremos, então: se a AE da palavra X contém Y CONN X, ela contém também o aspecto chamado transposto, ou seja, o aspecto neg-Y CONN’ X. Dessa forma, a AE esquerda de ter pressa comporta ter pressa DC apressar-se, e também neg-ter pressa PT apressar-se. (Idem). A AE de uma palavra pode originar argumentações tanto normativas como transgressivas.

A argumentação externa de uma palavra pode ser estrutural ou contextual. A AE é considerada estrutural quando está prevista pelo próprio sistema da língua, se constituir parte da significação lingüística da palavra. Por exemplo, os aspectos prudente DC segurança e prudente PT neg-segurança constituem parte da significação de prudente, uma vez que essa palavra está relacionada a segurança através do conector DC e a neg-segurança através do conector PT (cf. DUCROT, 2005c, p. 64).

A AE é considerada contextual quando depende do contexto lingüístico. Encadeamentos como é prudente, portanto merece nossa confiança e é prudente, no entanto não merece nossa confiança só podem ser associados à palavra prudente pelo contexto, pois a relação entre prudente e confiança não está prevista no sistema da língua, pois depende exclusivamente do contexto discursivo. Em suma, a AE é relativa aos discursos que podem preceder ou seguir o uso da palavra, que representa sua colocação em discurso.

De outro lado, a AI refere-se aos encadeamentos que parafraseiam a palavra. Assim como a AE, a AI é feita de aspectos. No entanto, como se trata de uma

paráfrase, é feita de aspectos os quais a própria palavra não pode integrar, ou seja, a própria palavra não pode ocupar o lugar de um segmento desse aspecto. No exemplo João é prudente, que pode ser reformulado pelo encadeamento se há perigo, João toma precauções, se é levado a colocar na AI de prudente o aspecto (a) perigo DC precauções. Por motivos de analogia, podemos supor que a AI de imprudente comporta o aspecto dito converso do anterior: (b) perigo PT neg- precauções. Esses exemplos apontam a diferença mais importante entre AI e AE, do ponto de vista teórico: em sua AI, uma palavra não pode comportar ao mesmo tempo um aspecto e o aspecto converso. Assim sendo, prudente contém em sua AI o aspecto (a) perigo DC precauções. A negação de prudente, isto é, seu aspecto converso, está contida na AI de imprudente: (b) perigo PT neg-precauções. A escolha por um aspecto ou outro, depende do emprego discursivo que queremos dar à palavra. Por exemplo, o emprego da palavra prudente leva a escolher o aspecto externo em DC da palavra perigo, excluindo-se, assim, o aspecto em PT. E, é o emprego de imprudente que nos leva a escolher o aspecto em PT (DUCROT, 2002). Assim, temos que uma palavra não comporta, em sua argumentação interna, dois aspectos conversos.

Porém, segundo Ducrot (2005c), na AI de uma entidade, pode haver dois aspectos recíprocos. É o caso da palavra exame, que contém em sua AI os aspectos bom DC aprova e neg-bom DC neg-aprova. O lingüista explica que a atribuição desses dois aspectos e possível porque a palavra exame contém em sua significação uma certa discriminação: um exame tem a função de aprovar os bons alunos e reprovar os maus alunos. Outro exemplo citado pelo lingüista, é a palavra crivo20, que evoca discursos relacionados a deixar passar o que é pequeno e impedir

a passagem do que é grande. Pode-se atribuir, então, a sua AI os aspectos recíprocos fino DC passa e neg-fino DC neg-passa.

A AI de uma palavra também pode ser estrutural ou contextual. A AI é estrutural quando constitui a significação da palavra prevista no sistema da língua, como por exemplo a AI da palavra prudente. Assim como a AE, a AI contextual de uma palavra também é definida pelo contexto discursivo em que ocorre. No enunciado Livre é aquele que faz o que a sociedade proíbe a AI de livre é proibido

DC fazer, sentido que, segundo Ducrot (2005c), certamente não está na língua, e que deve ser construído provavelmente por um locutor que se opõe às proibições impostas pela sociedade.

O autor explica que não é possível atribuir uma AE e uma AI a todas as palavras da língua. Na melhor das hipóteses, isso é possível somente com as palavras chamadas plenas, aquelas que se caracterizam por possuírem um conteúdo e evocarem discursos. Certamente, isso é impossível com as palavras instrumentais, também chamadas de palavras gramaticais. Tais palavras caracterizam-se por não designarem nenhum elemento da realidade, seja indivíduo, ação, estado ou propriedade. A essas palavras não é possível associarmos um conjunto específico de aspectos e discursos, e seu valor semântico é definido em relação aos discursos que não são ligados a elas propriamente21.