De acordo com Rorty (1990) o termo virada linguística é primeiramente utilizado por Gustav Bergman, em um artigo de 1953, intitulado Positivismo lógico, linguagem e a
reconstrução da metafísica. Mas o termo se tornou canônico de fato com a obra de Rorty (“The
linguistic Turn” de 1967), quando apresenta os pensadores que desenvolveram o que ele denomina filosofia linguística.
A partir do idealismo absoluto de Hegel, da fenomenologia de Husserl e do logicismo de Frege, inicia-se na filosofia de modo geral, uma maior atenção com a linguagem. No entanto estas teorias ainda não são consideradas pertencentes à filosofia da linguagem em si, pois ainda não lhe dão o protagonismo na construção do conhecimento, apenas elevam seu patamar em tal processo. Frege reserva à lógica o patamar suprassumo, enquanto Hegel e Husserl reservam tal lugar à subjetividade, cada um ao seu modo. Mas não se pode desprezar que estes pensadores iniciaram um novo “afluente” para a filosofia, que foi “desaguar” na filosofia da linguagem.
De modo sintético a filosofia da linguagem passa a dizer que os problemas filosóficos são na verdade problemas na linguagem. No entanto, que linguagem é esta? Onde ela estaria? Daí vem as correntes diversas que se formaram na filosofia da linguagem.
Habermas considera que um novo paradigma se firmou, afastando-se de um paradigma anterior denominado filosofia da consciência. Neste novo paradigma a linguagem passa a protagonizar a cena filosófica e daí surgem duas vertentes que ele chama de hermenêutica
filosófica e filosofia pragmática. Os pensadores da filosofia pragmática são também conhecidos como filósofos analíticos - ou como filósofos de língua inglesa, como diz Marías (2004) -, pois se desenvolveram a partir dos estudos realizados por Frege e Russell, considerados analíticos, de fato, mesmo que alguns tenham se afastado destes, indo em uma linha mais pragmática, como o segundo Wittgenstein e Austin. Os pensadores da hermenêutica filosófica são chamados de filósofos continentais, pois são da França e Alemanha, principalmente. De acordo com Habermas (1989, p. 24) a filosofia pragmática e a hermenêutica filosófica
[...] abandonam o horizonte no qual se move a filosofia da consciência com seu modelo do conhecimento baseado na percepção e na representação de objetos. No lugar do sujeito solitário, que se volta para objetos e que, na reflexão se toma a si mesmo por objeto, entra não somente a idéia de conhecimento lingüisticamente mediatizado e relacionado com o agir, mas também o nexo da prática e da comunicação quotidianas, no qual estão inseridas as operações cognitivas que têm, desde a origem um caráter intersubjetivo e ao mesmo tempo cooperativo.
Bernstein (2013) concorda com essa separação, e ainda destaca, que se considerado o desenvolvimento da hermenêutica filosófica, a virada linguística teria se dado a partir de Hamann, na Alemanha, no início do idealismo alemão, ou em algum dos que o sucederam, como Humboldt e Herder, acrescentando as contribuições de Dilthey, da filosofia tardia de Heidegger e da hermenêutica ontológica de Gadamer.
Com Heidegger e Gadamer o fenômeno hermenêutico ganhou força e importância, e a discussão filosófica se afasta do paradigma metafísico, trazendo-a para o mundo do sujeito, ou melhor, dos sujeitos, pois a hermenêutica filosófica enfatiza a intersubjetividade, buscando fazer a interpretação no interior dessas relações humanas. Heidegger propõe um novo método para explicar a apreensão do conhecimento que busca se afastar da concepção idealista. O filósofo parte de uma analítica existencial que se volta para o ser, como sujeito existencial, e compreende que tal análise só pode ser feita na linguagem, não a partir dela, mas nela em si, pois passa a considerá-la como a “morada do ser”. “A linguagem deixa de ser transmissora de imanências humanas para se tornar condição de possibilidade do ser, condição de possibilidade de manifestação do sentido” (MARCELLINO JR, 2007, p. 553). Assim não se buscaria mais verdades eternas, pois tais tornam-se relativas, já que dependem das relações humanas.
De acordo com Rocha (2008), esta hermenêutica existencialista levou a ideia de um sujeito autônomo, livre e intencional, que é capaz de produzir sentido, assumir responsabilidades e transformar a realidade, e assim, o sujeito não poderia ser conduzido para fins pré-determinados, mas necessitaria ser auto motivado, isto é, que deveria conduzir a si mesmo. “Para Heidegger, por exemplo, o professor tem de deixar seus alunos aprenderem, e não impor a eles os ensinamentos” (ROCHA, 2008, p. 73). Heidegger e a hermenêutica buscam partir da reflexão na linguagem, destacando aspectos intencionais do sujeito.
Azevedo (2007) apresenta algumas diferenças entre os filósofos analíticos e os continentais. Os primeiros compreenderam a hermenêutica mais no sentido teológico, e assim se afastaram desta concepção. O autor ainda acrescenta que as diferenças não se deveram só as tradições nacionais, mas às diferentes abordagens.
Se de um lado a filosofia analítica do significado parte da semântica lógica de uma linguagem ideal, terminando por desenvolver uma semântica e uma pragmática da linguagem natural, a hermenêutica moderna, por outro lado, parte de uma metodologia da interpretação histórico-filológica, resultando por fim numa filosofia quase-transcendental da compreensão comunicativa. [...]. No seu desenvolvimento histórico a fundação da hermenêutica filosófica no século XIX foi excessivamente marcada pelo psicologismo, enquanto a filosofia analítica do significado, partindo do anti-psicologismo do século XX que inspirou a semântica lógica dos fundadores, manteve a recusa de enfrentar o problema do sujeito da
interpretação, o que está implícito na questão da compreensão comunicativa e da intencionalidade, sendo isto remetido para o âmbito da pragmática de corte behaviorista (AZEVEDO, 2007, p. 38).
Geralmente a virada linguística é associada à filosofia analítica, e a hermenêutica filosófica é tida como participante que usufruiu deste desenvolvimento. No entanto, esse processo de mudança se deu gradualmente, e não ocorreu a partir de um exato pensador ou de uma exata teoria, referente a uma data ou a publicação de alguma obra – nota-se, por exemplo, aspectos semelhantes à discussão da filosofia da linguagem em Rousseau e em Humboldt (NIGRO, 2009). A fundamentação filosófica na linguagem foi um movimento que se desenvolveu, ganhando corpo a partir de diversos pensadores e obras, que foram influenciando os pensadores seguintes.
Mas alguns autores defendem que a virada linguística se deu a partir de um determinado ponto. De acordo com Bernstein (2013), o mais defendido é que a virada linguística se deu a partir da obra Tractatus lógico-philosophicus de Wittgenstein. No entanto, ele lembra que muitos acreditam que na verdade, a virada se deu com o inspirador de Wittgenstein, Frege.
Além da direção hermenêutica e analítica/pragmática, a filosofia da linguagem se desenvolveu a partir da corrente filosófica denominada estruturalismo, que nasceu dos estudos em linguística do suíço Saussure, considerado pai da linguística moderna. Ibañez (2004), por exemplo, considera que a virada linguística se inicia em Saussure. Em sua obra Curso de
Linguística Geral, Saussure apresenta o conceito de semiologia (estudo dos signos), que de acordo com ele, estuda os signos na vida, em todos os aspectos, não só linguísticos, mas de todo tipo, como os ritos simbólicos e a moda, por exemplo. Dessa forma, os estudos de semiologia podem colaborar na psicologia, antropologia, sociologia e outros estudos (REALE e ANTISERI, 2006). Saussure entendeu que era possível extrair estruturas a partir da empiria que se revela por meio da fala, isto é, leis gerais a partir das observações sobre os processos comunicativos. Por isso o desenvolvimento de sua teoria é chamado de estruturalismo, onde se crê ser possível perceber sistemas a partir das observações sobre as relações que existem. Assim, o estruturalismo se afasta da ideia de essência autocontida, mas de que se deve as essências, a partir das estruturas sistemáticas, serem percebidas. De acordo com Rocha (2008), o estruturalismo se diferencia da hermenêutica filosófica, no sentido de que enquanto essa busca adentrar na intersubjetividade, o estruturalismo busca ver por fora dela.
Rocha (2008), em sua discussão mais geral sobre metodologias científicas na aprendizagem, faz uma abordagem sobre a relação entre os termos “estruturalismo” e “construtivismo”. O autor compreende que a utilização dos termos na aprendizagem não tem o
mesmo significado para a filosofia, e assim ele busca recuperar os significados originais dos mesmos. O estruturalismo que começou com Saussure, se transformou, com Lévi-Staruss em um estruturalismo histórico ou de desenvolvimento, como feito por Foucault, onde começou a se entender que as grandes culturas tradicionais são opressivas, marginalizantes, patriarcais e monológicas. Dessa forma, passou a se entender que estruturas foram criadas por tais culturas, com a pretensão de serem universais, para impor e manter seus privilégios históricos. Então, a partir do estruturalismo se avançou para os estudos culturais e se entendeu que as consciências coletivas não são dadas, mas construídas. Disto temos o desenvolvimento do construtivismo
social, que entende que as realidades físicas e biológicas, como raça e sexo, são socialmente construídas.
Rocha (2008) nos alerta também para uma outra modificação a partir do estruturalismo original, que se realizou a partir de 1950, com o desenvolvimento do construtivismo epistemológico, que tem em Piaget seu principal representante. Piaget baseado na ideia de estrutura de Kant, se contrapõe a esta, não a compreendendo como inata, mas como desenvolvida em estágios, como apresentamos no capítulo anterior. Rocha (2008) traz uma citação de Piaget sobre a contribuição e o problema do estruturalismo original:
Para além dos esquemas de associação atomista, por um lado, e as totalidades emergentes, por outro, há, todavia, um terceiro caminho, a saber, o estruturalismo operacional. [...] nos aparece, o problema realmente central do estruturalismo: Estas totalidades compostas são compostas desde todo sempre? Como pode ser que seja assim? Não foi “alguém” que as compôs? Ou elas estariam inicialmente (ou ainda estão) em processo de composição? [...] O estruturalismo, ao que parece, deve escolher entre uma gênese a partir de partes sem estruturas, por um lado, ou totalidades sem geração, por outro; no primeiro caso estaríamos de volta à associação atomista que os empiristas já haviam nos acostumados; no segundo caso somos constantemente ameaçados a cairmos nas teorias das essências husserlianas, ou das formas platônicas, ou das formas a priori de síntese kantianas. A menos, é claro, que haja uma maneira de passarmos pelos espinhos deste dilema. [...]. Logo, uma vez que nós tomamos o problema central, não ainda como a história ou a psicogênese da estrutura, mas de sua construção, a relação entre estruturalismo e construtivismo não pode mais ser evitada. [...] (PIAGET, 1981 apud ROCHA, 2008, p. 64).
Como vemos o construtivismo piagetiano tem influências também do estruturalismo, ou seja, esta teoria mistura uma análise subjetivista, de Kant, com uma abordagem intersubjetivista, vista pelo lado de fora, isto é, procurando estruturas que expliquem como o indivíduo adquire conhecimento. No entanto, se mantém a noção essencialista e referencial da linguagem, pois se busca uma essência em estruturas internas ao sujeito, que se constroem na relação com outros sujeitos, colocando a linguagem como um meio para tal relação.
Uma área muito importante na filosofia da linguagem é a matemática, aparecendo dentro da discussão filosófica da matemática, de maneira bastante original. Dentro da filosofia da matemática, há a corrente formalista que geralmente não é relacionada à virada linguística, mas que acreditamos ser importante citar, pois vemos nessa corrente um destaque para a questão linguística na matemática. Além do que, o pioneiro dessa corrente, Hilbert, teve relações com o círculo de Viena – que abordaremos adiante - como o fato de ter influenciado Carnap (CASANAVE, 1995; CARRION, 1990).
Criado por volta de 1910 por Hilbert, o formalismo tinha por objetivo encontrar uma técnica matemática que pudesse demonstrar que a matemática estava livre de contradições. Para tal desenvolveu uma linguagem formal, com regras e propridades, e se propôs a demonstrar que não haveria contradições. Ponte et al. (1997, p. 16) sintetiza:
Com o formalismo a Matemática torna-se um sistema formal que partindo dos axiomas e dos termos iniciais, se desenvolve numa cadeia ordenada de fórmulas, mediadas por teoremas, sem nunca sair de si mesma. Torna-se nem mais nem menos, do que “um jogo linguístico” fundado exclusivamente nas próprias regras do jogo, como acontece, por exemplo, com o jogo do xadrez. Neste contexto, fazer Matemática consiste em manipular símbolos sem significado de acordo com regras sintácticas explícitas.
Nesse sentido, o formalismo não se relaciona exatamente com uma concepção ideal, mental ou empírica, mas estaria muito mais próxima de uma ideia puramente linguística, mas não no mesmo sentido dos autores envolvidos na virada linguística, citados até aqui, pois, o formalismo compreende a matemática como uma manipulação de símbolos sem significado fora da própria manipulação, tendo apenas regras sintáticas bem elaboradas, ou seja, como nos diz Machado (2004, p. 176), no formalismo de Hilbert, o significado estava nas regras de manipulação dos símbolos. Gottschalk (2002, p. 20), quando se refere ao formalismo, nos diz que para este:
a matemática é uma ciência que se limita exclusivamente a operar com símbolos, independentemente de qualquer significado que eles possam ter. As proposições matemáticas são consideradas meras seqüências de sinais, sem vínculos com a realidade empírica, evitando-se incertezas derivadas da ambigüidade da linguagem (GOTTSCHALK, 2002, p. 20).
Porém os resultados alcançados pelo matemático Gödel mostraram que o projeto de Hilbert era irrealizável e, assim, o programa formalista também não conseguiu provar a certeza dos métodos matemáticos. Os teoremas de Gödel também golpearam o logicismo iniciado por Frege e Russel, pois desfez a noção que se tinha sobre a relação entre a lógica e a matemática,
o que repercurtiu na filosofia analítica iniciada a partir de Frege e desenvolvida pelo círculo de Viena, e levou ao enfraquecimento desta, pelo menos em sua linha como filosofia da linguagem ideal, abrindo mais espaço para a filosofia da linguagem ordinária, que aqui chamaremos de filosofia pragmática.
Talvez a maior influência do formalismo no ensino da matemática em níveis mais elementares tenha sido o movimento da matemática moderna que dava destaque aos conteúdos algébricos em detrimento a conteúdos como a geometria, por exemplo. É importante falar desta filosofia, pois foi base do que os PCN criticam, a favor de um ensino mais contextualizado. No entanto, Ponte et al (1997) já aponta para um problema com esse “descaso” com os conteúdos, e concordamos com ele quando diz que as estratégias atuais obtêm mais resultados com conteúdos mais básicos. Esse autor sugere um equilíbrio, pois se já erramos por tornar o ensino muito formal, referindo-se ao movimento da matemática moderna e ao formalismo, erramos também ao contextualizar, pois assim perdemos a perspectiva do que está sendo ensinado.
Portanto, tivemos no fim do século XIX e século XX um crescimento exponencial nos estudos que trazem a linguagem para o centro da discussão, seja na linguística com Saussure, na matemática, com Hilbert, ou na filosofia com a hermenêutica e a filosofia analítica (ou pragmática), também chamada de filosofia de língua inglesa.
A virada linguística que se inicia na Inglaterra vai tomar dois rumos diferentes, aquele que busca uma linguagem ideal e a que vai buscar analisar o uso da linguagem, isto é, a pragmática na linguagem ordinária. De acordo com Rorty a filosofia analítica é uma espécie de continuidade da filosofia fundacionista, pois essa ainda busca os fundamentos, isto é, ainda pretendem uma essência, assim como, do conhecimento como representação e a filosofia como base para análise das outras áreas (REALE e ANTISERI, 2006)
Para Rorty os principais pensadores que rompem com essa filosofia fundacionista são Heidegger, Dewey e Wittgenstein. Heidegger representante da hermenêutica filosófica, Dewey como representante do pragmatismo americano, e Wittgenstein como representante, primeiramente da filosofia analítica e posteriormente da filosofia pragmática inglesa (REALE e ANTISERI, 2006). É interessante que Rorty lembra que, tanto Heidegger, Dewey e Wittgenstein, tentaram em um primeiro momento de suas reflexões também construir filosofias fundacionais, como é o caso do primeiro Wittgenstein com seu Tractatus, mas abandonaram em algum momento tal ideia, buscando não mais buscar essências fundacionais, mas justamente passaram a alertar sobre tal perigo na filosofia. Devido a isto, Rorty os coloca como terapeutas
As filosofias analítica e pragmática se desenvolveram a partir dos estudos realizados em duas cidades inglesas, Cambridge e Oxford, que originaram a filosofia analítica e a filosofia pragmática, respectivamente. Aqui separamos, pois estas apresentam posicionamentos diferentes, mas que muitas vezes são colocadas juntas sob o nome de uma ou de outra. A filosofia analítica estuda a linguagem ideal e a pragmática investiga a linguagem ordinária e seu uso efetivo nos diversos contextos cotidianos, por isso a virada linguística também é chamada, em alguns textos, de virada pragmática ou virada linguístico-pragmática. A primeira é representada pela Escola Analítica de Cambridge (Frege23, Russell, Moore e o primeiro Wittgenstein) que resultará no positivismo lógico do Círculo de Viena. A segunda, pela Escola de Oxford, também conhecida como filosofia da linguagem ordinária (Gilbert Ryle, o segundo Wittgenstein e Austin).
A origem da filosofia analítica se deve aos estudos logicistas de Frege e Russell. De acordo com Batista Neto (2015, p. 177), a filosofia analítica se utiliza dos desenvolvimentos logicistas e da ideia de análise conceitual que deve buscar revelar a forma lógica genuína dos enunciados, por isso, considerado, uma espécie de realismo metafísico, pois coloca a fundação em uma lógica, que tem uma realidade independente, ou seja, a filosofia buscava uma linguagem ideal. A filosofia analítica ganha corpo filosófico de fato, como análise linguística, com a obra Tractatus de Wittgenstein - que havia sido influenciado por Frege e Russel -, que exercerá enorme influência no desenvolvimento da filosofia analítica.
O conceito de análise envolve, assim, nos primórdios da filosofia analítica, um procedimento de decomposição de um complexo, a proposição, visando a estabelecer seus elementos constituintes e a explicitar sua forma lógica e, desse modo, esclarecer dificuldades envolvidas na maneira de se considerar sua relação com o real. A medida que a proposição pode ser formulada de maneira mais perspícua e rigorosa em uma linguagem lógica, a análise constitui-se também como tradução (MARCONDES, 1989, 35).
O desenvolvimento da filosofia analítica vai ser chamado de empirismo lógico (ou neopositivismo ou positivismo lógico), que será desenvolvido pelo Círculo de Viena, na Áustria. Os filósofos deste círculo declaram que haviam sido influenciados pelo Tractatus de Wittgenstein e desenvolveram a filosofia analítica. O círculo de Viena foi um grupo de filósofos da universidade de Viena que existiu entre 1929 a 1937, e entre seus principais pensadores que participaram efetiva ou ocasionalmente, estão, Waissman, Neurath, Carnap, Tarski, Gödel e
23 Frege não era de Cambridge, era alemão, da Universidade de Jena. É colocado aqui, pois influenciou profundamente o pensamento de Russell.
Ayer (ABBAGNANNO, 2007; REALE e GIOVANNI, 2006), além de ter recebido sugestões e críticas de Popper e do próprio Wittgenstein.
O empirismo lógico desenvolvido pelo Círculo de Viena entende que o conhecimento está alicerçado em dois princípios, como o próprio nome diz, no empirismo e no logicismo. Como vimos no capítulo anterior, o empirismo entende que a única base legítima do conhecimento é a experiência sensível e que somente a empiria é capaz de fornecer ao conhecimento de um conteúdo. O logicismo entende que a linguagem deve estar relacionada à lógica, para ser válida cientificamente. Isto nos leva a entender que este grupo de pensadores compreendia que as experiências sensíveis e o próprio pensamento poderiam ser relacionados isomorficamente com a lógica. Por isso, o Círculo de Viena pode ser considerado o ápice da filosofia analítica, ao buscar uma linguagem ideal pela ciência.
Rorty (1990) chama à filosofia analítica de filosofia da linguagem ideal, opondo aos estudos realizados em Oxford, que ele denominou filosofia da linguagem ordinária, que aqui chamamos de filosofia pragmática. Tanto os filósofos de Oxford, quanto o próprio Rorty, criticaram a filosofia analítica ou filosofia da linguagem ideal, pois, entendiam que tal filosofia procurava, por meio do método científico, construir uma linguagem lógica e ideal (IBAÑEZ, 2004). A filosofia pragmática criticou este cientificismo ao igualar a linguagem cotidiana como tão importante quanto a linguagem científica, colocando a linguagem como de fato a fonte de produção dos significados.
A filosofia analítica continuou a se desenvolver, mesmo que de modo heterogêneo, pelo