5. TO SKOLER I ÈN VERDEN?
5.3 Mangfold
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sessão tÉCniCa paraLeLa – INfRAESTRUTURAS, CIDADES E TERRITóRIO
N
os últimos trinta anos alterámos omodo como comunicamos, viajamos e vivemos, de uma forma que difi- cilmente poderíamos antever.
a descarbonização da economia com as
metas de redução de Co2 acordadas inter-
nacionalmente, a inovação dos materiais e dos processos construtivos, por via da na- notecnologia ou da robótica, e os resíduos reutilizados como matéria-prima, são al- gumas das tendências que permitirão um sistema com menos desperdício.
outra tendência que moldará o futuro é a automação. não é uma tendência nova. há muito que as máquinas têm vindo a subs- tituir os homens no desempenho de algumas funções. a diferença é que agora juntamos a inteligência artificial à força e à precisão, permitindo um novo alcance.
teremos veículos e objetos autónomos, com capacidade de operarem sozinhos, sem intervenção humana, o que gerará al- terações profundas não apenas ao nível da mobilidade mas também no sistema eco- nómico e laboral.
e tudo estará ligado, conectado e em rede, com a capacidade de comunicar entre si, de partilhar informação.
uma das áreas que mais tem evoluído nos últimos anos é a área de machine learning, que confere capacidade aos sistemas para correrem algoritmos cada vez mais sofisti- cados, para reconhecerem padrões e pro- cessarem informação relevante, tornando a mobilidade tendencialmente mais segura. a revolução a que hoje assistimos centra- -se principalmente no transporte rodoviário, que se tornará mais ecológico, autónomo e automático, funcionando num sistema mais integrado, com maior comunicação
entre os veículos e a infraestrutura, e mais partilhado.
se vamos ter uma mobilidade elétrica vamos necessitar de infraestruturas de abasteci- mento de eletricidade. precisaremos de uma rede abrangente e flexível, cuja lógica irá diferir da que conhecemos atualmente no abastecimento de combustível. enquanto hoje abastecemos em bombas de gasolina, com a mobilidade elétrica teremos uma va- riedade de soluções para carregar os veí- culos: em casa, em postos espalhados pelas cidades, em áreas de serviço, em parques de estacionamento e até nos candeeiros de iluminação pública.
e, à semelhança do que já hoje acontece com alguns telemóveis, será até possível o carregamento elétrico por indução, sem fios. a sensorização das estradas, das linhas de caminho-de-ferro, das estações, das pontes e dos viadutos permitirá medir e monitorizar tudo em tempo real, desde as condições climatéricas, ao estado de conservação, à existência de obstáculos na via, ou o estado do tráfego. as infraestruturas terão de ser capazes de comunicar com os veículos, de forma a fornecerem informação relevante em tempo real.
mas não será apenas pelas novas exigências da mobilidade que as infraestruturas se al- terarão. terão também inovação endógena, promovendo novas utilizações para além da tradicional de transporte.
É fácil imaginar que os milhares de km2 que
as nossas infraestruturas representam possam ser utilizados para geração de energia – solar, eólica, ou até a própria energia de circulação.
a profusão da rede móvel ou a utilização
de drones ou outros veículos permitirá uma monitorização e verificação mais localizada, rápida e eficiente.
mas, se conhecemos e temos consciência de algumas das alterações que acontecerão, a verdade é que outras alterações estão en- voltas em incerteza relativa ao calendário, ao planeamento e à concretização destas evoluções. as mudanças disruptivas trazem muitas vezes consequências imprevisíveis ou até contrárias ao previsto.
mas a principal dificuldade é, na verdade, a multiplicidade de cenários de procura que é possível imaginar, tendo em conta as ten- dências apresentadas. Com uma mobilidade rodoviária autónoma e conectada teremos mais ou menos veículos nas nossas estradas? teremos mais ou menos congestionamento? não é clara a resposta.
É aceite que a mobilidade plenamente au- tónoma será muito segura e eficiente. mas como será a altura da transição – quando tivermos carros autónomos e condutores em simultâneo, quando tivermos carros co- nectados e carros não conectados? precisaremos – já hoje precisamos – de novos perfis e competências na área dos re- cursos humanos. assumirão ainda maior re- levância a engenharia informática, a análise de dados, a engenharia mecânica, a com- putação, a engenharia das telecomunicações, a economia comportamental, a análise de tendências, entre outras, incluindo profissões e especializações que ainda não existem. a digitalização e a conectividade trazem novos ciberdesafios que colocam questões de segurança muito relevantes. todos os sistemas de suporte às infraestruturas terão de ser redundantes, vigilantes e ter medidas de backup em caso de ciberataque. a infraestruturas de portugal, como gestora das infraestruturas rodoferroviárias, tem vindo a desenvolver a sua atividade de modo a acompanhar estas tendências e a incorporar a inovação no seu dia-a-dia e no seu pla- neamento, contribuindo para a melhoria do processo de conceção a longo prazo das infraestruturas de transporte do país, não perdendo de vista o objetivo de ter uma mo- bilidade mais eficiente, sustentável e segura, promotora do bem-estar em portugal.
(AS) INFRAESTRuTuRAS NO FuTuRO!
ANTóNIO LArANjO
Presidente do Conselho de Administração da iP – infraestruturas de Portugal, SA
O
termo Construção 4.0 surge como referência à 4.a revolução indus- trial, conhecida por indústria 4.0. na indústria da construção, esta revolução é especialmente comprovada pelo crescente avanço da digitalização na construção, que tem como principal protagonista a meto- dologia Building Information Modelling (Bim).Contudo, muitas outras mudanças consubs- tanciam esta revolução, como o surgimento e afirmação do Big Data, Internet of Things, realidade virtual e realidade aumentada, im- pressão 3D, simulação e automação avan- çada, ou robótica.
a indústria 4.0 procura integrar o aumento exponencial da informação disponível, a progressiva capacidade computacional que permite o tratamento aprofundado desta informação, o avanço na otimização e in- teligência dos sistemas digitais capazes até de aprender de forma autónoma, a roboti- zação crescente dos processos de produção, entre outros. está em causa o cruzamento de diversas áreas de conhecimento, alta- mente especializadas: nanomateriais com engenharia robótica, sistemas de informação geográfica com sistemas de informação do edifício, componentes altamente tecnoló- gicos que se transformam em elementos modulares para a construção, sistemas de comunicações que aproximam o utilizador e o comportamento dos próprios edifícios, ou sistemas virtuais que aumentam a pró- pria existência do ambiente construído. Como se entende, as consequências da di- gitalização não são apenas instrumentais. ou seja, a tecnologia não é o único prota- gonista do processo de digitalização da in- dústria. Levantam-se desafios diversos, que obrigam a alterações ao nível dos processos elementares de pensamento e de trabalho, sendo incontornável a constituição de novas bases de colaboração e de conhecimento, necessariamente normalizadas. Dada a com- plexidade dos processos e a quantidade de informação disponível, a normalização é então um caminho necessário, que deve ser atingido de forma consistente e consensual. em portugal, esta normalização tem sido trabalhada ao nível da Ct197-Bim, comissão técnica de normalização Bim. Contudo, a normalização deve ser apoiada pelo go- verno, que tem um papel incontornável na
transformação digital e indústria 4.0 e, con- sequentemente, na capacidade de renovação e competitividade da indústria no mercado global digital.
Dada a sua interdisciplinaridade e abran- gência, a mudança em causa exige o alinha- mento e colaboração inequívoca entre os diversos intervenientes da indústria. e exige um plano de ação que se inspire numa visão de futuro. uma visão digital, necessariamente ambiciosa, mas que reflita as necessidades e desafios de uma determinada realidade, de um país. para portugal, esta pode ser uma oportunidade para pensar os desafios e as oportunidades da construção num contexto de recuperação e renovação. É o momento de criar redes de colaboração entre grandes e pequenas empresas, pensar o potencial da industrialização e modularização, integrar competências e tecnologias e desenvolver uma imagem modernizada da indústria da construção nacional, sustentada em pro- dutos e serviços que são de qualidade, mas que surgem muitas vezes dispersos numa lógica de produção tradicional.
ao nível do empreendimento de construção, a transformação digital obriga a uma visão renovada da gestão dos empreendimentos de construção, em que o empreendimento de construção é visto de forma integrada e como um processo inteligente de produção em rede que deve ser gerido de forma quase industrializada.
no contexto da construção digital, a gestão da cadeia de abastecimento ganha relevân- cia e a figura do gestor do empreendimento surge com pertinência acrescida e que deve ser afirmada. este gestor aparece como um
knowledge broker, com aprofundados co-
nhecimentos em gestão de processos, con- tratação e capacidades avançadas de gestão da informação. De certa forma, este gestor será um elo crucial no complexo sistema de sistemas que representa cada edifício, in- fraestrutura ou cidade.