etterreformatoriske kulturminner
6.2 Maltakonvensjonens forpliktelser
Marques-Toigo & Corrêa da Silva (1984) com base em análises petrológicas e palinológicas das principais jazidas carboníferas brasileiras identificaram a ocorrência de diferentes fácies deposicionais orgânicas durante a formação das turfeiras. Essas diferenças estariam relacionadas tanto a variações no nível de água quanto ao tipo de vegetação. Com base nas características petrológicas (microlitotipos) e palinológicas, quatro diferentes tipos de pântanos precursores das jazidas de carvões gonduânicos brasileiros foram identificados (fig 6.8):
1) Pântano Límnico/Aberto caracterizadas por carvões ricos em matéria mineral contendo detritos orgânicos de plantas arbustivas e herbáceas associadas com algas;
2) Pântano Limno-telmático desenvolvidas entre o nível de água baixo e alto a partir de plantas arbustivas e herbáceas associadas com algas. Essa fácies orgânica é muito comum nas jazidas carboníferas do sul do Brazil.
3) Pântano de Floresta formado em terrenos bem drenados e úmidos de plantas arbustivas e, subordinadamente, de comunidades de plantas arborescentes.
4) Pântano de Floresta Terrestre desenvolvido de plantas arborecentes em áreas adjacentes aos
Figura 6.8: Sitios deposicionais de carvão gonduânicos sul brasileiros, Permiano inferior, com base em Hacquebard & Donaldson (1969) e Teichmüller (1975). LF- Lençol Freático, NA- Nível da Água; 1- Cordaitófita, 2- Glossopteridófita, 3- Coniferófita, 4-Filicófita, 5- Pteridospermófita, 6- Licófita, 7- Licófita (Selaginellales), 8- Esfenófita e 9- Alga (conforme Marques-Toigo & Corrêa da Silva, 1984). Jazida de Santa Rita - Charqueadas
Picoli et al.(1985) e Correa da Silva & Marques-Toigo (1985), estudando testemunhos de sondagens da Jazida de Santa Rita – Charqueadas, em particular nas camadas Santa Rita 1, 2 e 3, identificaram quatro fácies associadas aos intervalos carbonosos com base na sedimentologia, estratigrafia, microlitotipos ( Hacquebard & Donaldson,1969) e palinomorfos (Fig 6.9).
Figura 6.9: Fácies deposicionais das turfeiras predominante durante a formação das camadas de carvão Santa Rita1(SR1), Santa Rita 2 (SR2) e Santa Rita 3 (SR3), jazida Santa Rita-Charqueadas – RS; a partir dos testemunhos de sondagens A (5-CA-04-RS), B (5-CA-03-RS), C (5-CA-02-RS), D (N3) e E (P4). (adaptado de Picolli et al., 1985, in Correa da Silva, Z.C. 2004).
Como pode-se observar da camada SR3 em direção ao topo SR1 há uma variação lateral e vertical na umidade (lâmina de água) durante o desenvolvimento de cada turfeira neste local. Na camada SR3 durante a turfeira foram caracterizadas as fácies telmáticas, limnotelmáticas e límnica. As condições da turfeira que deram origem a camada SR2, eram de maior umidade, consequentemente, havia
uma maior lâmina de água em relação as turfeiras sobreposta e sotoposta (SR1 e SR3), desenvolvendo as fácies limnotelmática e límnica, e deslocando lateralmente ou inibindo o desenvolvimento da fácies telmática. Quando a turfeira que deu origem à camada SR1 estava sendo depositada as condições de umidade eram menores daquelas observadas nas turfeiras anteriores possibilitando a ocorrência das fácies terrestre e telmática.
Corrêa da Silva et al. (1984) em outra área desta mesma jazida, identificaram a faciologia de três camadas de carvão, nos testemunho de sondagem S34, S41 e P4, denominadas do topo para a base de MB, I1F e I2B, na jazida de Charqueadas. Utilizando o método de Hacquebard & Donaldson (1969), a fácies límnica foi amplamente predominante com intercalações da fácies limnotelmática (fig. 6.10), demonstrando que durante a evolução da turfeira o nível de lâmina de água oscilou causando modificação nos constituintes orgânicos e minerais.
Figura 6.10: Variação da fácies orgânica na jazida de Santa Rita – Charqueadas, RS, com base nos poços S-41, S-34 e P-4, conforme Corrêa da Silva et al. (1984).
Jazida de Santa Terezinha
Nesta jazida foi utilizado o método de Hacquebard & Donaldson (1969) adaptado por Marchioni (1980), Pradier et al. (1994), Matos (1984) e Ade (1999) nas camadas Santa Terezinha 1 (ST1), Santa Terezinha 3 (ST3) e Santa Terezinha 4 (ST4), divididas em topo e base, na sondagem 2-TG-96-RS. Os resultados obtidos para as equações de Marchioni (1980) e Pradier et al. (1994) foram os mesmos, até porque, o microlitotipo diferenciador entre os dois métodos, cuticoclarita, utilizado por Pradier et al. (1994), não foi identificado tornando, assim, as duas equações iguais. Conforme pode ser observado na figura 6.10, a camada ST4 (base e topo) desenvolve-se em condições limno-telmática. A camada seguinte, ST3 (base e topo) desenvolve-se em condições límnicas, ou seja em condições de maior umidade do que a ST4. A turfeira que deu origem a camada ST1 desenvolveu-se em condições limno-telmáticas, ou seja, com menor umidade em relação a ST3. O material vegetal que se depositou durante a evolução da turfeira foi predominantemente arbustiva para as camadas ST1 e ST4, e herbácea com contribuição mineral (carbominerita) para a ST3 (Fig.6.11).
Figura 6.11- Posição das camadas de carvão ST1, ST3 e ST4 topo e base da jazida de Santa Terezinha conforme diagrama deHacquebard & Donaldson (1969) adaptando as equações propostas por Marchioni (1980) e Pradier et al. (1994).
Por outro lado, o método adaptado de Hacquebard & Donaldson (1969), para carvões brasileiros, por Matos (1984) e Ade (1999), que inclui a matéria mineral no vértice “D”, provoca o deslocamento das camadas da fácies limno- telmática para a fácies límnica com contribuição, principalmente, de constituintes herbáceos e matéria mineral e, subordinadamente, arbustivo. Observa-se que todas as camadas migraram fortemente em direção ao vértice “D”, indicando condições de maior umidade quando relacionado as propostas por Marchioni (1980) e Pradier et al. (1994) (Fig.6.12). O intervalo ST3 (T) foi o único a se manter na fácies limno-telmática (segundo Ade 1999) sugerindo que as condições deposicionais do conteúdo orgânico, na fase final da turfeira (topo), eram menos umidas do que as condições basais. Segundo a equação de Matos (1984) o intervalo ST3(T) se mantem como límnico, porém muito próximo ao limite límnico-telmático.
Figura 6.12- Posição das camadas de carvão ST1, ST3 e ST4 topo e base da jazida de Santa Terezinha, sondagem 2-TG-96-RS, conforme diagrama de Hacquebard & Donaldson (1969) adaptado por Matos (1984) e Ade (1999).
6.3.2 Utilizando Macerais