2 Tidligere undersøkelser og teoretisk perspektiver
2.4 Perspektiver på religionsundervisning
2.4.3 Maktperspektivet
Na literatura sobre o impacto da expressividade emocional no ajustamento socioemocional, destacam-se duas linhas de investigação. A primeira assenta no pressuposto de que a expressão emocional tem um impacto diferencial no ajustamento socioemocional, em função da valência da emoção expressa (Bonanno et al., 2007). A segunda baseia-se na
assunção de que o impacto da expressão emocional no ajustamento deve ser avaliado tendo em conta as funções adaptativas que esta cumpre no contexto das interações sociais (Cole, Michel, & O’Donnell-Teti, 1994).
Relativamente à primeira linha de investigação, os estudos nela inscritos escoram-se no pressuposto de que a expressão de emoções positivas está associada à adaptação da criança, enquanto a expressão de emoções negativas está ligada à emergência de psicopatologia (Bonanno et al., 2007). Mostram que a expressão de emoções positivas funciona como fator de proteção na trajetória desenvolvimental, contribuindo para a mobilização dos recursos pessoais e interpessoais na gestão da adversidade (Fredrickson, 2001; Keltner & Bonanno, 1997). Potencia, além disso, o desenvolvimento da flexibilidade cognitiva, das competências de resolução de problemas (Fredrickson & Branigan, 2005; Isen, Daubman, & Nowicki, 1987) e de caraterísticas de personalidade associadas à resiliência (Bonanno, 2004, 2005; Tugade & Fredrickson, 2004). A investigação mostra que a expressão de emoções positivas está ligada à redução da tensão emocional (Bonanno & Keltner, 1997; Folkman & Moskowitz, 2000; Fredrickson, 1998, 2001; Levenson, 1988; Moskowitz, Folkman, & Acree, 2003), à menor frequência da expressão de emoções negativas (Fredrickson & Joiner, 2002) e ao funcionamento adaptativo ao longo da trajetória desenvolvimental (Bonanno et al., 2007).
Em contraposição, as emoções negativas, como o medo, a tristeza e a zanga, estão associadas a dificuldades no ajustamento socioemocional (Bonanno et al., 2007). No que respeita ao medo e à tristeza, estas emoções estão associados à emergência de problemas de internalização, sendo esta associação corroborada, quer pela concetualização dos problemas de internalização, quer pela investigação sobre a relação destas emoções com a emergência de psicopatologia. Os problemas de internalização incluem perturbações depressivas e de ansiedade, que estão estreitamente relacionadas com o medo e a tristeza (Keltner, Moffitt, Stouthamer-Loeber, 1995). Os dados empíricos mostram que as crianças diagnosticadas com depressão têm resultados mais elevados nos inventários de rastreio da sintomatologia depressiva, que integram, também, itens referentes à tristeza e ao medo (Asarnow & Carlson, 1985; Kazdin, Colbus, & Rodgers, 1986). Acresce que as crianças com dificuldades no relacionamento interpessoal são, frequentemente, percecionadas pelo adulto como apresentando elevados níveis de tristeza, ansiedade e depressão (Rubin, Hymel, Mills, & Rose-Krasnor, 1991). Além disso, os adolescentes que expressam mais medo apresentam mais problemas de internalização (Keltner et al., 1995).
Quanto à zanga, a expressão desta emoção está, frequentemente, associada a problemas de externalização. Com efeito, em instrumentos de rastreio do ajustamento socioemocional, como a Child Behavior Checklist, a expressão de zanga contribui para definir, parcialmente, os
problemas de externalização e é uma dimensão importante da perturbação de comportamento (Keltner et al., 1995). Além disso, os dados empíricos suportam a associação entre a zanga e os problemas de externalização, mostrando que a tendência para experienciar e expressar zanga está correlacionada com comportamentos de acting out na população normativa (Finch & Rogers, 1984) e nas crianças provenientes de populações clínicas (Finch & Eastman, 1983). A expressão de zanga é, também, mais frequente e intensa nas crianças com problemas de externalização, em comparação com as crianças com problemas de internalização (Keltner et al., 1995; Mabe, Treiber, & Riley, 1992), que tendem a inibir a expressão de zanga (Zeman, Shipman, & Suveg, 2002). Acresce que as crianças que adotam comportamentos antissociais são percecionadas pelos professores e pelos pares como expressando mais zanga e hostilidade (Cole & Zahn-Waxler, 1992). Além disso, a propensão para a zanga em jovens adultos está associada positivamente à delinquência (Krueger et al., 1994).
No que respeita à segunda linha de investigação, esta funda-se no pressuposto de que as emoções potenciam a adaptação do sujeito face às ameaças e oportunidades contextuais, permitindo responder às exigências de uma situação específica (Ekman, 1992, 1993; Frijda, 1986; Lazarus, 1991; Tooby & Cosmides, 1990). Por exemplo, a zanga pode favorecer a mobilização de respostas face à injustiça que potenciem a construção de relações mais justas (e.g., Lerner, Goldberg, & Tetlock, 1998). Todavia, quando é expressa em contextos que requerem a afiliação, como a interação com um amigo, a zanga pode levar à rutura deste vínculo afetivo (Cole & Zahn-Waxller, 1992; Keltner, Ellsworth, & Edwards, 1993).
Neste sentido, as consequências da expressão de emoções positivas ou negativas dependem das interações repetidas entre os objetivos individuais e os constrangimentos situacionais (Bonanno, 2001; Cole et al., 1994). Uma determinada expressão emocional pode parecer adequada ao sujeito, considerando os seus objetivos pessoais, mas ser completamente desadequada se analisada por um observador externo. Um padrão de expressão emocional torna-se disfuncional, quando prejudica ou impede um funcionamento adequado e produtivo (Cole et al., 1994). Desta forma, a expressão emocional que surge como desenquadrada face às exigências do contexto pode levar a problemas no ajustamento socioemocional (Cole et al., 1994). Por exemplo, as crianças percecionadas pelos professores como apresentando uma maior propensão para a agressão expressam mais zanga no contexto escolar (Keltner, Moffitt, & StouthamerLoeber, 1995). Acresce que os pacientes adultos com lesões orbitofrontais, usualmente associadas a dificuldades no ajustamento social, expressavam mais orgulho, numa situação experimental que gerava elevados níveis de embaraço nos sujeitos do grupo de controlo (Beer, Heerey, Keltner, Scabini, & Knight, 2003). Assim, expressar emoções dissonantes face às caraterísticas da situação elicitadora, como rir da experiência de sofrimento
do outro, ou expressar afeto face a um estranho, são indicadores de dificuldades no ajustamento social (Cole et al., 1994). A investigação mais recente documenta as consequências negativas das expressões emocionais positivas, no contexto de interações negativas entre pares, para o ajustamento social. Por exemplo, as crianças em idade pré-escolar que expressavam afeto positivo desadequado, quando estavam a ser gozadas pelos colegas, tendiam a ser avaliadas negativamente pelos professores e pelos pares, no que respeita ao seu comportamento social (Miller & Olson, 2000).
Não obstante as divergências concetuais destas duas linhas de investigação, os dados empíricos mostram que, na análise do impacto da expressividade emocional no ajustamento socioemocional, é importante considerar não apenas a valência da emoção expressa, como também a função cumprida pela expressão emocional, atendendo às especificidades do contexto em que surge.