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O trabalho de coleta de dados ocorreu ao longo de 2009 e foi dividido em etapas: seleção das escolas, realização de entrevistas e análise dos dados.

A partir da definição das questões apresentadas acima, o primeiro passo da pesquisa volta-se para a definição dos critérios de escolha das escolas e da rede de ensino. A rede municipal foi escolhida pelo fato de que atende primordialmente o primeiro segmento do Ensino Fundamental e, consequentemente, disponibiliza um universo maior de escolas para o desenvolvimento da pesquisa.

Para este estudo foi fundamental, também, a análise de documentos sobre legislação pertinentes à organização do Ensino Fundamental para se conhecer o tratamento dado ao tema avaliação na alfabetização. Portanto, foram analisados além da LDB/96, documentos oficiais que fazem parte do instrumental da PB, na primeira aplicação em 2009 (teste 1) e disponibilizados pelo MEC, em seu site. Do kit de documentos relativos à PB, foram selecionados três documentos:

1. Passo-a-Passo, que oferece além de informações sobre o contexto de criação da PB, sobre sua implementação, seu objeto e seus objetivos, os pressupostos teóricos que a fundamentam, suas metodologias, possibilidades de interpretação e uso dos seus resultados;

2. Provinha Brasil: Reflexões sobre a prática, que apresenta considerações sobre a alfabetização, estabelecendo relação entre os resultados da Provinha Brasil e as políticas e recursos pedagógicos ou administrativos disponibilizados pelo Governo Federal;

3. Caderno do Professor/Aplicador II: Guia de Aplicação, que contém itens presentes no teste do aluno, com instruções específicas para a aplicação de cada um deles aos alunos (ver ANEXO D).

Concomitante à análise dos documentos referidos acima, foram feitas entrevistas semi-estruturadas com professoras do segundo ano do Ensino Fundamental de duas escolas da Rede Municipal de Ensino de Belo Horizonte. A entrevista semi-estruturada foi o instrumento adotado na pesquisa pelo fato de oportunizar informações e declarações dos entrevistados sobre as percepções, observações e opiniões na perspectiva deles próprios, no que diz respeito ao estudo proposto. A entrevista também proporciona liberdade de

expressão aos entrevistados e também permite complementações de informações às questões previamente estruturadas.

De modo a permitir a apreensão de retratos diversificados e representativos dos processos de aplicação da PB, foram selecionadas, num primeiro momento, 10 escolas municipais com desempenhos distintos (baixa e boa proficiência). A escolha desse conjunto de escolas se deu a partir da análise dos resultados do desempenho dos alunos da rede municipal, em Belo Horizonte, no Programa de Avaliação da Alfabetização, PROALFA, e do IDEB. Houve um trabalho de cruzamento dos dados obtidos junto à secretaria de Educação da Prefeitura de Belo Horizonte sobre os desempenhos na alfabetização nas suas escolas e os resultados do PROALFA, consultados no site da Secretaria Estadual de Educação37. A partir desses dois levantamentos, foi possível se chegar a uma lista inicial de 10 escolas com perfis diferenciados em relação aos seus desempenhos nas duas avaliações: escolas com bom e baixo desempenho nas avaliações.

Dessas dez escolas previamente selecionadas, foram feitos contatos telefônicos, a fim de verificar as possíveis condições que viabilizariam uma pesquisa. Dentre os critérios que nortearam essa sondagem inicial foram considerados os seguintes aspectos: a oferta de turmas do segundo ano de escolarização no período vespertino38; a receptividade e/ou disponibilidade da escola em receber a pesquisadora. A partir dessa primeira fase da seleção das escolas, em seguida, foram feitas visitas in loco para apresentação da proposta da pesquisa e confirmação da disponibilidade e condições de acesso aos professores por parte da pesquisadora. A partir desses levantamentos e contatos pessoais, o conjunto de dez escolas iniciais foi reduzido para o de apenas duas, onde foram feitas as entrevistas para obtenção dos dados desta pesquisa. Cabe esclarecer que, no ano de 2008, anterior ao ano da pesquisa, durante o segundo semestre, foram mantidos vários contatos preliminares com algumas dessas dez escolas, expondo-se as finalidades da pesquisa que se pretendia realizar, de modo a firmar um acordo para a inserção da pesquisadora no campo de pesquisa. Nesses contatos, verificou-se a possibilidade de se participar do cotidiano da escola e de se realizar a pesquisa contando com a participação das professoras. Em algumas escolas, a receptividade não foi favorável ao recebimento de uma pesquisadora, por motivos variados. De forma geral, esses motivos eram relacionados ao medo das docentes de se exporem e de serem julgadas de alguma forma, tendo em vista o contexto das avaliações externas a que as escolas municipais estavam sendo submetidas nesse período.

37

MINAS GERAIS. Secretaria Estadual de Educação. PROALFA. Disponível em: <www.educacao.mg.gov.br>. Acesso em: 30 out.2008.

38

Período escolhido pela pesquisadora, a fim de conciliar a pesquisa e o seu trabalho como professora em escola pública.

A partir da definição final de duas escolas, decidiu-se denominar a escola classificada com bom índice, como a Escola 1 e a segunda escola, classificada com o menor índice, passou a ser denominada de Escola 2. As escolas selecionadas apresentavam IDEB abaixo de 5,0 (Escola 2) ou acima de 5,0 (Escola 1) – A escala do IDEB vai de 0 a 10 – isto é, abaixo ou acima da média do município, que, em 2008, era de 4,8. Também essas escolas atendem crianças com nível sócio-econômico próximo à média da rede municipal.

Cabe ainda esclarecer que a visita às escolas participantes da pesquisa foi feita após contato prévio, via telefone, com as coordenações pedagógicas/direção das Unidades de Ensino. Uma vez sabendo da relevância da pesquisa, as coordenadoras pedagógicas e/ou diretoras marcaram um horário com as docentes indicadas como as profissionais responsáveis pelas turmas do segundo ano de escolaridade e que estavam envolvidas com a aplicação da PB para ouvirem a proposta da pesquisa.

Na Escola 1, foram entrevistadas três professoras e na Escola 2, duas professoras. As professoras participantes desta pesquisa foram identificadas por letras do alfabeto, de modo a terem a sua identidade preservada conforme pode-se ver no QUADRO 1:

QUADRO 1

Código das escolas e docentes

Código das escolas Código das docentes

Escola 1 Docente A Docente B Docente C Escola 2 Docente D Docente E

Fonte: Dados da pesquisa organizados pela pesquisadora.